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26
ago
2016

Viagem ao Espírito Santo: o diário do Sr. José

“Se só pudéssemos contar como realmente foi, sem dizer quem somos, não havia Diários, só Relatos.”

Foi assim que o Sr. José, um português da cidade do Porto, epigrafou o diário de 66 páginas que ele escreveu sobre a sua viagem ao Espírito Santo, realizada em fevereiro deste ano. Uma preciosidade que eu tive o privilégio de receber por email e que, com a devida autorização, eu compartilho com vocês nesse post. Na condição de blogueiro de viagem dedicado a difundir o turismo no Espírito Santo, eu não poderia guardar só comigo esse tesouro literário cheio de (belas) descrições sobre o meu Estado. Ler as (boas) impressões de um viajante-experiente-estrangeiro sobre as paisagens que preenchem o dia-a-dia do capixaba faz um bem danado e ajuda a dar aquela injeção de auto-estima que, quase sempre, nos falta. (obrigado, Sr. José!)

O diário do Sr. José narra com riqueza de detalhes os 11 dias que ele e a esposa passaram em terras capixabas. Foi uma espécie de parada estratégica na viagem que eles fizeram entre a Bahia e o Rio no início deste ano para fugir da muvuca do carnaval destes dois lugares. Há décadas o Sr. José vem ao Brasil todo ano (ele mesmo me disse isso quando nos encontramos). E, apesar de conhecer muito mais Brasil que qualquer brasileiro costuma conhecer (eu, inclusive! #shameonme), faltava esse pequeno pedaço de terra encravado entre os dois maiores pólos turísticos do país e que, nem por isso, faz bom proveito dessa localização estratégica: o Espírito Santo.

Pesquisando na internet sobre o ES, ele chegou ao Rotas (thanks, Google!). Em agosto do ano passado, ele enviou uma mensagem para a caixa de entrada do blog pedindo ajuda na montagem do roteiro da viagem. Poderia ter sido só mais uma mensagem de leitor pedindo dicas de roteiros entre tantas que eu recebo semanalmente. Mas aquela me chamou a atenção por um motivo bem especial: era de um português, chamado José, nascido no Porto. 3 felizes coincidências que me fizeram viajar no tempo e recordar de alguém mais do que especial. Alguém sobre quem eu já falei nesse post: meu avô, um português, chamado José, nascido no Porto.

(além disso, devo confessar, foi a primeira vez que um leitor do Rotas me chamou de Excelentíssimo Senhor num email!) 😉

Desde então, eu e o Sr. José trocamos uma dezena de emails. Ele pedindo dicas; eu dando pitacos. No final das contas, o roteiro que ele montou me encheu os olhos. Além de percorrer lugares que me são particularmente caros, ele ainda incluiu alguns que eu não conheço, mas que eu acreditava encaixar-se no perfil que ele me traçara. As 10 noites que eles teriam foram divididas assim:

1) 6 noites em Vitória;
2) 1 noite em Pedra Azul;
3) 2 noites em Pedra Menina, na região do Caparaó; e
2) 2 noites em Guarapari.

A estadia em Vitória incluía também o bate-volta a Santa Teresa e Santa Leopoldina. Em Pedra Azul, os focos eram a Rota do Lagarto e Venda Nova. O Caparaó foi incluído pelos atrativos naturais e, principalmente, pelas fazendas de café, que interessavam bastante o Sr. José. Esse mesmo interesse me fez sugerir uma passagem por Muqui e São Pedro do Itabapoana  (que eu ainda não consegui conhecer) no seu trajeto de ida a Guarapari. E, por fim, esta última, foi incluída por motivos óbvios, além da sua proximidade com a cidade de Anchieta, sede do Santuário Nacional do Padre José de Anchieta.

Foi a primeira vez que tive a oportunidade de ciceronear virtualmente um estrangeiro aqui no Estado. Nas nossas trocas de emails, me esforcei ao máximo para apresentar o que o Espírito Santo tem de melhor e, assim, fazer da viagem do Sr. José uma grata surpresa. Se eu atingi esse objetivo, eu não sei. Mas ver as boas impressões e as lindas palavras que ele escreveu sobre as paisagens capixabas me deu um certo alívio. Nem tudo foram flores, é certo. Foram inúmeros os percalços que o Sr. José vivenciou por aqui, alguns por causa do nosso despreparo e amadorismo turístico. Mas as flores que felizmente desabrocharam nesses 11 dias parecem ter agradado ao Sr. José e sua esposa.

A primeira impressão, pelo menos, foi bem positiva e rendeu um belíssimo e inspirado início ao diário:

Descemos do céu, para visitar o Espírito Santo.

O avião, a despegar-se das nuvens, a baixar-se para permitir enxergar a terra, fez uma curva larga para nos deixar nos olhos uma visão noturna de Vitória, a Ilha do Mel. As luzes alinhavavam a costa na negrura das baías e davam contorno às ilhas que pontuavam a orla até ao promontório do porto de Tubarão. O Rio Santa Maria e o Canal de Camburi encarregavam-se de, com o seu traço carregado de negro, desenhar a área insular que se oferecia como um céu invertido pontilhado de estrelas.

Gostámos.”

Já o primeiro dia livre em Vitória não foi lá muito proveitoso. A maioria dos monumentos do centro histórico da cidade encontrava-se fechada, já em ritmo de carnaval (fuén fuén fuén). “Transtornos de turista, em locais ainda não totalmente preparados para facilitar a vida de quem é de fora”, foi como concluiu o Sr. José sobre a sucessão de “portas cerradas“. Como consolo, sobrou-lhes o fim de tarde num dos quiosques da Curva da Jurema depois de um “quase-acidente” no trânsito da Enseada:

“Fomos então a caminho da Curva da Jurema e, mesmo sob a ponte (a Terceira Ponte, que faz a ligação a Vila Velha) parei numa passadeira para dar prioridade a uns peões que queriam atravessar. Manobra arriscada, nestas paragens, por inesperada e inabitual. Como resultado, uma condutora que vinha atrás guinou subitamente para a minha esquerda e travou a fundo, ficando ao meu lado, mas quem vinha atrás já não conseguiu parar e enfiou-se fragorosamente na sua traseira. A condutora ao meu lado estava muito grávida e entrou em choque. Escapuli-me miraculosamente ileso antes que fosse solicitado a testemunhar.

Estacionámos o carro e assentámos arraiais na esplanada do Restaurante Toro. Mesmo em cima da praia, rodeado por outros restaurantes e cervejarias, com a areia quase sob os nossos pés, debaixo de um enorme alpendre, com mesas sob as árvores, e cheio de veraneantes em trajes de banho – o que contrastava indecorosamente com as nossas roupas de ver a cidade e visitar monumentos – sentámo-nos preguiçosamente e abandonámo-nos com convicção nos braços de umas cervejas de 600 ml. Ali estivemos, a apreciar os presentes, a ouvir um duo de cantores a executar ao vivo o seu repertório de canções fáceis, um tanto bregas, com letras picantes, que exaltavam o auditório e obrigavam alguns e algumas, até já não muito novos e parecendo recém-conhecidos, a dançar provocadoramente e com muita coisa a balouçar. Ao longe, depois de uma faixa de mar, a cidade entrevia-se adormecida pelo calor e pelo torpor da tarde. Quase às seis da tarde, regressámos ao hotel.”

Neste mesmo dia, atendi ao convite do Sr. José e fui até o hotel em que eles estavam hospedados para conhecê-los pessoalmente.  O nosso agradabilíssimo encontro também mereceu um registro no diário:

“A (esposa) ficou no quarto e eu vim para o bar, entre a recepção e o restaurante, aguardar o Tiago Voss, responsável pelo blog Rotas Capixabas, a quem deixo aqui o meu agradecimento pelo interesse que colocou em me ajudar a preparar a viagem, sugerindo destinos, percursos, restaurantes e outros pontos de interesse, mas, sobretudo, pela simpatia extrema e pela elegância com que o fez. Nunca antes eu me encontrara com alguém com quem me tivesse relacionado nas redes sociais, seria uma estreia, o que, confesso, me deixou curioso. Quase às seis e meia, ele apareceu. Rapaz novo, por certo com menos de trinta anos, culto e bem-parecido, logo nos reconhecemos e, a conversa fluiu fácil, agradável, quase com certa amizade latente, acompanhada de duas caipirinhas. Fiquei feliz de o encontrar, agradeci-lhe a prestimosa utilidade, disse-lhe do quanto esperávamos desta viagem por terras capixabas e ofereci-lhe uma garrafa de vinho do Porto. Qual não é o meu espanto quando ele me faz também a oferta de um lindo trabalho de filigrana em madeira. Como brasileiro diz: “Fiquei-lhe devendo…”. Tiraram-se umas fotos e o mais inusitado foi a separação pois, não sabíamos se alguma vez mais nos voltaríamos a encontrar e, se sim, quando e onde. Ofereci os meus préstimos para uma sua vinda ao Porto, ou a Portugal, mas ele estivera em Lisboa e no Porto em Setembro passado, ainda que por pouco tempo, e, como há ainda muito mundo para ver, dificilmente lá tornará. Mas, nunca se sabe! Obrigado Tiago.”

José Neves

O “menos de trinta anos” que o Sr. José supôs que eu teria é bem revelador da sua extrema gentileza. 😉

O dia seguinte foi dedicado à Vila Velha. Teve visita ao Convento da Penha, à Prainha, à Garoto e até uma esticada até a Ponta da Fruta pela Rodovia do Sol. Mas o que mais me chamou atenção nessa parte do diário foi o olhar compassivo do Sr. José ao Museu Homero Massena, um lugar que pouquíssimos capixabas conhecem (e valorizam!!!):

No Sítio Histórico da Prainha, depois de lançar uma mirada ao Forte de São Francisco Xavier de Piratininga, parámos junto da Casa da Memória e fomos visitá-la. Curiosa. Conta a história de Vila Velha, em diversos placards na parede, com muitas fotos, e guarda nas traseiras um dos antigos bondes da cidade. Um pouco mais adiante, a Casa Museu de Homero Massena, o pintor responsável pelo bonito teto do Teatro Carlos Gomes. O guia quase nem acreditava que queríamos fazer a visita, tão pouca deve ser a freguesia e ainda pelo facto de o guia da Casa da Memória lhe anunciar que éramos portugueses, mas mostrou-se muito agradável, simpático e sabedor, contando a história da casa, do seu proprietário (e de sua esposa, D. Edy Massena) e, sobretudo, a história de cada um dos quadros expostos. Quando vemos em que circunstâncias e condições vivia este notável pintor, que chegou a ser o Diretor da Escola de Belas Artes do Estado, e que dizia “Para viver bem, tem de ser em Paris ou em Vila Velha”, ficamos espantados com as enormes exigências que nós hoje fazemos para nós próprios, que somos incapazes de produzir as obras notáveis que ele produziu. Uma casa mais do que simples, franciscana, ascética, espartana, sem comodidades nem as utilidades que hoje consideramos básicas. Honra ao pintor e à sua simplicidade.

O sábado de carnaval foi novamente dedicado ao centro de Vitória. E, mais uma vez, sem sucesso. Quase todos os monumentos visitados pelo Sr. José e esposa estavam fechados, dando mais uma prova de que o turismo por aqui é economicamente marginal, mesmo em um período de alta temporada:

Rumámos ao Museu Solar de Monjardim. Curioso o nome desta zona: Jucutuquara (Os antigos moradores do bairro afirmam que a palavra Jucutuquara é derivada do tupi-guarani, e significa “Poça de Lama Preta”). Fechado. E, ninguém sequer foi capaz de me informar o horário, que deveria estar afixado na entrada mas não existia. Uma pena, já que é um dos símbolos da cidade. Decidimos então ir ao Convento de S. Francisco, já no Centro, um pouco atrás do Palácio Anchieta. Um placard anunciava que ali funcionava a Cúria. Fechado. Será incúria? Uma pena. Bem sei que é sábado de Carnaval mas, não se entende. Rumámos à Rua Sete de Setembro para assistir ao Samba da Xepa que, de acordo com a literatura, começa depois das dez da manhã.

Aparquei o carro junto a um edifício do Palácio do Governo que tem na fachada um painel de arte naif muito bonito. Dirigi-me ao Bar do Nei, local do evento, e fui desenganado: sim, vai haver, mas só depois das catorze horas. Novo flop.”

Sorte que havia a Feira da Rua Sete. Mais sorte ainda que eles gostavam de ver feiras:

“Havia nessa rua uma engraçada feira e decidimos dar uma volta pois gostamos sempre de ver feiras e, nomeadamente, todo o colorido das bancas das frutas. Em vez de praticarem a venda a granel, os vendedores colocam as frutas e os legumes em “pratinhos”, cujo preço era de, um prato três reais, dois pratos cinco reais. As bancas ficavam com um aspeto bem arrumadinho e muito artístico. Mereciam tela de pintor.”

Mas o auge desse dia – pelo menos do ponto de vista narrativo – foi a visita à Ilha das Caieiras. Quem conhece as Caieiras vai ver que o Sr. José descreveu com absoluta fidelidade as sensações que se tem ao visitá-la pela primeira vez:

“Saí do hotel e coloquei no GPS: “Rua da Felicidade na Ilha das Caieiras”. Passei uma ponte, creio que a Ponte da Passagem sobre o Canal de Camburi, e o GPS indicou-me que deveria voltar para trás e voltar a atravessar a ponte em sentido contrário. Assim fiz e recebi a indicação de voltar à direita. Cumpri. Entrei num dédalo de terceiro mundo, com ruas estreitas e com dois sentidos, bicicletas por todos os lados, miúdos a jogar à bola no meio da rua, quase sem passeios e com as casas a debitar humanos quase diretamente para o meio da rua. Eu, fiquei perdido, o GPS não. À direita, à esquerda. Comércio indisciplinado, caótico, descuidado, básico, inapelativo, insalubre. Uns bons vinte minutos de espanto, de receio, de incredulidade com as condições sub-humanas de subsistência. Finalmente, por uma rua estreita, cheguei às Caieiras. Comecei então a ser intimado a parar por um, dois, três, quatro, cinco, seis fulanos que se metiam descaradamente na frente do carro e que queriam à viva força que fosse ao seu restaurante. Quase atropelei alguns, tal era a pressão para parar. Fui estacionar o carro num local mais largo, perto de um museu que estava fechado. Logo no parque, de novo, o assalto. Desenvencilhei-me como pude, prometendo voltar mais tarde, e dei duas voltas por um calçadão em palafita.

Do outro lado, a exuberância do mangue, parado, quieto, baixo, extenso, lodoso, feroz, inclemente, traiçoeiro, viveiro de bons e de maus habitantes e, aparentemente imune a todos e a tudo. Uma mancha de verde-escuro rodeada por uma água ainda mais verde e mais escura. E, foi esta paisagem, que me fez não voltar logo embora, zarpando daquele local em que os humanos criavam tanta desconfiança, tanto temor, tanta sensação de impotência.”

O dia acabou com uma missa na Igreja Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto. Como católico, também gosto de experimentar a liturgia católica dos lugares por onde ando. E, por isso mesmo, eu achei curiosíssima a descrição do Sr. José sobre o nosso rito e, claro, sobre o impacto daquele cheirinho de pipoca ao qual já nos acostumamos ao final das missas:

“Às cinco e meia fomos até à igreja da paróquia de Santa Rita de Cássia para a missa dominical vespertina. Igreja nova, muito branca, muito simples e muito aberta, despojada, quase sem imagens e sem nenhuns altares laterais. Assistência maioritariamente feminina e envelhecida mas, com bastante gente. Aqui, há um entendimento mais marcado dos aspetos organizativos da comunidade de leigos pois, logo à porta, estão uns seis com opas brancas, largas e com as margens que cobrem os braços com estampados diferentes, conforme com certeza o seu grau hierárquico.

Entrada do celebrante em cortejo pomposo de doze opados, com o presbítero no final: um velho com mais de noventa anos, cabelo ralo e alvo, com andar esforçado, arrastando os pés, sorriso escancarado e apertando as mãos dos paroquianos. Uma missa destas, em Portugal, seria ridícula e criticada. Demasiados acenos, demasiados gestos largos, demasiadas mãos no ar, agitadas em prece ou em louvor, demasiadas palmas, demasiados cânticos, demasiada guitarra elétrica. Mas, aqui, nesta devoção quase infantil, nesta fé tão visceral e tão telúrica, nestes comportamentos tão simplesmente arrebatados, todos esses “exageros” se aceitam, se entendem, se compreendem. O ambiente não é soturno, pesado, impessoal, aqui o ar é leve, abençoado, ungido, acrisoladamente católico, fraternal. Por altura do ofertório, de repente, o ar interior (todas as portas da igreja, e eram grandes, se encontravam abertas para aproveitar um ventinho fresco que por elas entrava) ficou com um cheiro a padaria, a pão, a bolos, ou a bolachas. Entrava em golfadas e punha as salivares a cumprir o seu destino. Nunca me tinha acontecido.

Cerimónia longa, com quase a totalidade dos presentes na comunhão, distribuída nas duas espécies, com muitos e longos abraços cheios de esfregadelas nas costas quando da cerimónia da paz. Um bom pedaço mais que uma hora. Era a despedida do prior que iria ser substituído nessa semana.

À saída, no passeio mesmo em frente da igreja, lá estava a razão do cheiro sentido: uma carripana de vender pipocas com a panela de as produzir a bombar a toda a força.

O domingo foi a vez de Santa Teresa, a nossa doce terra dos colibris. Bastou um primeiro contato com o tráfego nas rodovias federais capixabas para o Sr. José decifrar, com maestria, as regras de trânsito daqui:

“Passámos Serra, e começou a estrada propriamente dita. Fico atónito, enxuto, agoniado, com a forma de conduzir (dirigir) destes condutores. Sinais vermelhos? Traços contínuos? Limites de velocidade? Proibições de ultrapassagem? Nada para cumprir. Sigo a setenta à hora, cumprindo a sinalização e tenho uma fila quilométrica atrás de mim. Todos a rogar-me pragas e a desejar-me o pior. Até ónibus, autocarros de turismo, camiões de carga, me ultrapassam. Motos, motoretas e lambretas passam tanto pela esquerda como pela direita. Concluo que as regras são as seguintes (só três):

1º) a manobra a fazer tem de ser fisicamente possível;

2º) não deve “chatear” muito os outros automobilistas;

3º) é preciso que não haja polícia nem “pardal” 6 .

Cumpridos estes três requisitos é avançar, ir à sua vida, e estar pronto para pôr a cabeça fora do vidro e insultar algum mangano que se lembre de barafustar.”

A aproximação de Santa Teresa e a visão da natureza exuberante do seu entorno, porém, parecem ter compensado o desgaste da viagem:

“No Fundão, vira-se para Santa Teresa. Começa a subida e muda completamente a paisagem. Encaixamo-nos no verde, ziguezagueamos no verde, embrenhamo-nos no verde. Mas há, para colorir a paisagem, amarelo, vermelho, lilás e branco-sujo. Depois de todos estes dias citadinos sabe muito bem regressar a esta explosão da natureza, a este desplante de viço, a este ambiente campestre, saudável e calmante. São quase vinte e oito quilómetros, que se cumprem em cerca de trinta e cinco minutos. Benvenuti. Chegámos à “Doce Terra dos Colibris”. E ficámos logo a saber quem a povoou.”

Na visita à cidade, o Museu Mello Leitão e seu espetáculo de colibris ganhou destaque:

“Comecei pelas zonas expositivas, os pavilhões de botânica e de zoologia, e gostei, principalmente pela quantidade de coisas e bichos diferentes (leia-se, não europeus) que apresentava. Mas, a parte principal do museu são mesmo os jardins, pois aí é possível entrar em contacto direto com uma grande variedade de bonitos “passarinhos”, de cores garridas e pios melodiosos, e ver o “serpentário” e os viveiros de animais. Santa Teresa é abundantemente presenteada com a presença dos colibris ou beija-flor e, junto de um edifício do parque onde estavam pendurados alguns bebedouros, pude confirmar isso mesmo. Durante muitos minutos ali fiquei especado a vê-los aproximar-se, a ficar suspensos no ar batendo freneticamente as asas e a beber. E, não se pense que são todos iguais pois há-os de vários tipos e diferentes cores. É realmente um espetáculo raro e que fica guardado nas melhores memórias.”

O almoço no Café Haus me rendeu um SMS instantâneo (o primeiro feedback que eu tive da viagem): “excelente dica. obrigado“. No diário, a descrição completa da experiência:

Regressámos ao Haus para o almoço. Sala com decoração aprimorada, amesendação cuidada, funcionárias belas, bem vestidas e eficientes, portando na cabeça uns colares de flores. Para a Texuga veio um Talharim com Filet Mignon ao Molho de Madeira e Pupunha de Palmito, e para mim, um Eisbein com Chucrute, Batata Rôsti e Duas Mostardas. Excelentes. Para beber, um vinho do Chile Cabernet-Sauvignon, mas antes quiseram que provasse um “vinho de jabuticaba”, do qual nunca tinha ouvido falar (doce, com sabor a fruta e com final ácido), e um “vinho de uva, suave” (de uvas americanas, grosso, espesso, com pouco álcool mas muito frutado). Já aprendi algo. Para sobremesa veio, a meias, um Petit Gateau de Creme de Leite com Gelado de Gengibre em Cama de Farofa. Uma delícia. Enviei logo sms ao Tiago a agradecer.

A continuação do roteiro original previa uma passagem por Santa Leopoldina. Mas, na noite anterior, ao estudar o mapa da região, o Sr. José reparou que, perto dali, havia uma vila com o mesmo nome das terras de origem da sua mulher: Melgaço. E essa feliz coincidência os fizeram querer conhecê-la.

“Fomos até ao final da vila pois eu queria encontrar a placa toponímica para tirar uma foto, o que consegui. Depois voltei para o centro da vila, passei pela Igreja Luterana e, na Lanchonette Melgaço fomos matar a sede pois a boca vinha seca de tantas emoções. Para mim uma tónica e para ela um copo de meio litro de suco de goiaba, acabado de fazer, sem açúcar. No estabelecimento estavam duas famílias. Elas, talvez irmãs pelas parecenças, enormes, corpulentas, umas touras. Ambas com três filhos. Todos a alambazar-se com enormes gelados em copo, misturando com um pratinho de salgados que estava na mesa. Elas e os filhos tinham nitidamente ascendência germânica. Nos traços do rosto, no azul dos olhos, no louro dos cabelos, no branco da pele, na corpulência avantajada, havia os rastos da sua origem.

E estava visto Melgaço. De certeza que Santa Leopoldina teria bastante mais interesse turístico e cultural mas, se não viéssemos aqui, iríamos ficar para sempre com pena de não ter vindo ver o que era.”

A segunda-feira de carnaval foi o início do périplo pelo interior do Estado. “Era o dia de abandonar Vitória, esta cidade que tantas portas nos fechou, não se deixando ver em muitas das suas relíquias (o Monjardim vai-me mesmo atravessado), e avançar a caminho do interior do Estado, confesso que com muitas expectativas”. Houve uma passada rápida pela sede de Domingos Martins antes de seguir viagem para Pedra Azul. Lá, mais do que a natureza, ganhou destaque no diário do Sr. José o almoço no Restaurante Alecrim:

A manhã já ia longa, a fome apertava, a hora da reserva estava em cima e dirigimo-nos ao restaurante. As instalações são modernas mas a imitar um antigo casarão, mesmo na aprimorada decoração. Tem uma parte interior (onde nos instalámos) e um deque exterior sobranceiro à esplêndida paisagem do vale do Jucú. Pessoal eficiente e muito simpático. Sabendo-nos portugueses, tivemos direito a visita do marido da chef (o Ricardo, filho de português de Braga) que foi gentil e atencioso. A (esposa) presenteou-se com um Risoto de Camarão ao Alecrim e, eu preferi um Rib Eye de Angus com Farofa de Alho e Batata Rosti. Ambos estavam nota dez e foram acompanhados por uma Cerveja Artesanal das Montanhas Capixabas – Altezza Blond, com sabor “à antiga”, pois me fez lembrar a que eu fazia em casa com o meu Pai, e da qual poucas garrafas bebíamos, pois rebentavam todas na despensa com excesso de pressão na garrafa. Para sobremesa: um Pavê de Amendoim com Caramelo Salgado que estava, também, ótimo. Assim, na “hora da ripa”, como por aqui se diz, só pudemos dizer bem e o Tiago acabou de ser nomeado o nosso “anjo da guarda”.”

À noite, já no quarto da pousada escolhida – a Domaine Ilê de France -, foi o próprio anoitecer que mereceu o registro:

“Anoiteceu e saí do quarto. Por cima, tinha um céu imenso, de hemisfério sul, de uma escuridão profunda, sem manchas, onde sobressaía uma via láctea oblonga, incerta, fractal, que me deixou largos minutos absorto, ínfimo, absorvido por um universo que vemos como uma joia, mas que nunca estará à nossa mercê.”

As primeiras anotações da manhã seguinte foram dedicadas à pousada, que eu não conhecia:

“Dia de Carnaval. Levantei-me às cinco horas e, como não havia net, tive de me arranjar de seguida. Já pronto, fui dar uma volta larga pelo empreendimento, percorrendo o perímetro do lago, passando pelo aviário e pelo matadouro dos ditos, pela capela e pelos vários chalés existentes. Sem vergonha, confesso que parei várias vezes para conversar com a passarada que, em voos alegres e melopeias desconhecidas, me saudava à minha passagem. Uma paisagem de paraíso longínquo, virgem como um infante, sossegada como uma tela de impressionista, que acordava mansamente, correitando de um sono gordo de natureza intocada.

Chegámos cedo ao café da manhã. É a nossa sina. Somos rouxinóis, e tivemos de esperar que acabassem os preparativos. Mas, valeu a pena. Numa mesa exterior, sob um céu de orquídeas que tombavam em fios floridos sobre as nossas cabeças – como nunca tivéramos  tido – foi-nos servido um ágape que era celestial. Inúmeras frutas tropicais, incluindo jaca, iogurte caseiro, mel no favo, sucos saborosos e acabados de fazer, um pão-de-leite que a (esposa) considerou o melhor do Brasil, presunto (mesmo presunto e não fiambre), leite das vacas caseiras sem conservantes nem pasteurizado, manteiga da casa, enfim um conjunto de qualidades que somente se encontram nestas explorações que vivem da teimosia e do sonho de um proprietário que abandonou o mundo para viver uma vida ecológica dedicada às formas antigas de conviver com a natureza.”

Depois do check-out, veio a partida rumo à região do Caparaó. Ali, o encantamento e a inspiração narrativa do Sr. José atingiram o seu ápice:

“A emoção do verde, se já vinha de trás, como de facto acontecia, começou a atingir níveis insuperáveis. Creio bem que era até um colorido novo pois este verde, no meio de tanto deste verde, cria um novo verde. Uma cor que não termina na retina, antes se expande por todo o olho, perfura o cérebro, atinge a alma e sai do corpo espelhado num sorriso escancarado.”

“A paisagem é deslumbrante. Estica-se até ao infinito, levando consigo agarrada os olhos que, após um momento inicial de espanto, se deixam vogar diáfanos, etéreos, imunes à gravidade, saltitando de pico em pico, percorrendo o aconchego dos vales, percebendo por que se chama serra à serra, vogando por sobre as nuvens e retornando plenos de felicidade e de êxtase pela magnificência do que viram.”

Iniciámos a descida, saímos do parque e, já por outra estrada descemos bordejando o Rio Preto. Embrenhámo-nos na mata densa e percebemos que se o céu fosse todo verde, como a cor que nos rodeia, os embaúbas seriam, sem dúvida, as suas estrelas. Eles brilham no verde. Eles dão o suave, o contraste, o quase branco, pontilhando como com um pochoir esta densidade homogénea.

Não escondo a satisfação em ver, nos escritos do Sr. José, a confirmação de algo que eu sempre digo: o Caparaó é um dos maiores segredos do Espírito Santo. E é uma pena que poucos capixabas o conheçam!

A hospedagem em Pedra Menina foi na Villa Januária. A descrição que o Sr. José fez do quarto, da paisagem ao redor e da refeição que lhes foi servida – que é ovolactovegetariana – me recordaram que eu preciso voltar pra lá logo:

“O quarto é de há cem anos. Soalho em madeira com tábuas largas, longas, enceradas e a ranger. Teto de madeira pintado de verde. Nas paredes traves antigas e tábuas pregadas. As instalações compunham-se de três cómodos: o quarto propriamente dito, uma casa de banho só com a sanita e a banheira, pois o lavatório estava num canto do quarto e, uma sala totalmente despida de mobiliário com um janelão enorme sobre o vale e uma cama de rede pendurada de parede a parede. Desta sala e da casa de banho a paisagem é soberba. No quarto, há uma cómoda do tempo do arroz de quinze, uma mesa e duas cadeiras. É tudo. Lembrei-me logo dos quartos da quinta de meus avós em Rebordões. Tal e qual. Recuei sessenta anos.

Somámos uma meia hora e, pelas quatro e pico, avançámos para uma caminhada pela estrada exterior, procurando as sombras, pois ainda estava muito calor. Deveríamos ter vindo mais tarde mas, o afogadilho era tanto que não conseguimos esperar. No cimo, as montanhas, pétreas, abruptas, paradas, deixavam ver-se a espaços, entre as árvores que ladeavam o caminho; abaixo, as plantações de café, arredondadas, perfeitinhas, a prolongar-se de cabeço em cabeço, de um verde esmaltado, a escorregar pelo vale fora, rodeadas pela exuberância recatada da mata atlântica. Uma paisagem que irá perdurar nas nossas lembranças queridas.

[…]

Não há tv, não há para onde ir, não dá para ler pois a luz do quarto é um luzecu, idêntica à dos candeeiros que funcionavam a óleo de mamona, e vim cá para fora durante um pedaço admirar o céu.

[…]

Omeleta de queijo com quiabos na chapa, puré de baroa, tomate e abacate, como prato forte e, antes, queijo fresco na chapa com beringela assada. De sobremesa, bolo de milho. Tudo de boa qualidade e esmerada confeção. Com uma Eskol, a que “desce redondo”. Ainda corro o risco de me converter a esta religião (três dias por ano, só, claro).

No dia seguinte, como o Sr. José escreveu, era o “dia de abandonar este interior lindíssimo do Espírito Santo e dar à costa“. O destino? Guarapari. Seguindo a minha sugestão, ele incluiu no trajeto um pequeno desvio de rota para conhecer duas pequenas jóias capixabas: São Pedro do Itabapoana e Muqui. Confesso que eu estava ansioso e (muito) apreensivo por este dia. Digamos que eu fui um pouco imprudente em recomendar ao Sr. José a visita a lugares que eu mesmo não conheço. Eu nunca fui a São Pedro nem a Muqui. Mas eu gosto tanto do que leio sobre elas e tenho tanta vontade de conhecê-las que eu não hesitei em recomendá-las por considerar que elas se encaixavam perfeitamente no perfil que o Sr. José me traçou. Em um dos emails que trocamos, ele me confessara: “gosto de museus e de tudo o que cheire a herança portuguesa. […] Adoro as fazendas antigas do café“. Foi inevitável. São Pedro e Muqui brilharam na minha mente ao ler isso.

Mas o destino e, principalmente, a falta de sinalização turística não permitiram ao Sr. José chegar a São Pedro:

As estradas foram sempre boas, sempre em zonas quase planas, com muito verde, muito café, muito capim gordura e muito gado a pastar. Em Bom Jesus perdemo-nos, tive de perguntar várias vezes e cheguei até a meter por um sentido proibido. A sinalização é muito deficiente e, mesmo com o GPS, foi complicado. Em Apiacá, pensei que devia continuar na mesma estrada pois não havia qualquer indicação para S. Pedro de Itabapoana e avancei. Errado. Andei uns quinze quilómetros, à espera que me aparecesse a estrada à esquerda para S. Pedro e nada. Desconfiei. Consultei o GPS e disse-me que continuasse mais treze quilómetros. Assim fiz, seguindo à confiança. Passados dez quilómetros voltei a olhar e indicava que faltavam sessenta quilómetros, em uma hora e quarenta. Saiu uma jaculatória falsa, que não me atrevo a escrever. Continuei e, logo adiante, estava o entroncamento com a BR-101. Aí, num bar de estrada, parámos para o café da (esposa), e para paragem técnica. Desistimos de S. Pedro para grande pena minha. Mesmo com a preparação toda que fiz, a realidade consegue sempre criar condições de erro. Paciência. Seguimos para Muqui. Entre a saída da BR-101 e Mimoso do Sul a estrada é muito bonita com enormes penedos ao lado.

Cá entre nós, penso se não foi sorte a minha privar o Sr. José de uma frustração. 😉

No final das contas, sobrou-lhes uma rápida passada por Muqui:

Já em Muqui – Arraial dos Lagartos, Muquy, São João de Muqui ou simplesmente Muqui: a Cidade Menina! – perguntámos a uma senhora mais bem apresentada qual seria o melhor local para almoçar. Indicou o Faíto, numa casa pink (e explicou: é um cor-de- rosa mais carregado) depois da estação. Avançámos para o centro e ficámos admirados com as lindas casas de início de século (XX) que encontrámos e, na sua maioria, bem conservadas. Aparquei o carro mesmo atrás da estação e demos uma volta pelo centro, que se resume a um pedaço da rua principal (que é a estrada, como não há muitos anos em Portugal).

Antes de partir definitivamente para Guarapari, uma esticadinha até Cachoeiro de Itapemirim para uma espécie de homenagem ao Rei:

Seguimos para Cachoeiro de Itapemirim. Não que a cidade em si merecesse a volta que obrigava a dar (apesar de ser a cidade natal do Rubem Braga – um dos melhores cronistas brasileiros), mas simplesmente porque somos fans do Roberto Carlos e aí se encontra a casa onde ele nasceu. Depois de várias peripécias chegámos à cidade e, parado num semáforo, pedi informação a um motociclista. Foi muito simpático (viu logo, pelo sotaque, que não éramos turistas brasileiros) e foi levar-nos lá. Se não fosse assim, iríamos andar às aranhas pois está mal indicada.

É uma casa no final de uma rua sem saída, pequena, pobre e muito mal mantida. Sobe-se ao primeiro andar e apresentam-se- nos umas quatro ou cinco salas, sem qualquer peça de mobiliário exceto um piano e só com cartazes contando a sua história e, com fotos nas paredes. Pergunto-me se a casa está sob a jurisdição do Rei. Dado o seu estado, não creio. Ficava-lhe muito mal. Está vista, e já podemos apregoar nos areópagos sociais que estivemos lá.

Na manhã seguinte, o mar de Guarapari – como sempre – fez o papel de consolo à decepção com o hotel:

“Café da manhã muito fraco a confirmar a má escolha de hotel que fiz. Faz-me lembrar o de “uma estrela” em Âncora. Mas, da varanda do quarto, sem qualquer mobiliário, muito abandonada e bastante suja, a vista sobre o mar é bastante bonita. Temos de frente um mar calmo, extenso até ao horizonte, sem carneiros, espelhado e a cintilar como um écran de televisão onde as imagens são as sombras das nuvens que lhe modificam o colorido. Nele se embalam pequenos barcos de pesca que se movimentam num mínimo de força avante, preguiçosos e ronceiros.”

O dia foi dedicado à visita ao Santuário do Padre José de Anchieta, outra preciosidade do nosso patrimônio histórico que a nossa soberba com as coisas da terra nos faz ignorar:

“Visitei primeiro a igreja (Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção), depois o museu e depois o convento. Qualquer deles de uma simplicidade extrema. A sala onde hoje se guarda uma das suas relíquias (um pedaço de osso) serviu-lhe de cela enquanto foi vivo e, aí, a emoção é um pouco mais forte. Incrível como, nessa época, se colocou na defesa dos índios, os catequizou e foi por eles adorado. Inclinei-me respeitosamente perante a sua memória, respeitei alguns momentos de silêncio, e fiquei contente por a humanidade ser capaz de gerar homens com este carácter.”

O sábado, 13 de fevereiro, era o último dia antes da viagem de volta a Portugal. Eles saíram cedo de Guarapari rumo à Vitória. Chegaram na hora do almoço e decidiram voltar ao centro para uma “mirada” final no Palácio Anchieta e, quem sabe?, conhecer o famoso Samba da Xepa. Dessa vez, a sorte lhes sorriu:

Só consegui aparcar quase junto da Prefeitura. Viemos a pé pela 7 de Setembro até à “feirinha legal”. Já havia montes de descontos para despachar os stocks restantes. Gostámos da azáfama, do colorido, dos pregões e, do que sempre inusitado aparece. Desta vez foram umas molhadas de caranguejos ainda vivos, recém retirados do mangue, ainda muito mal cheirosos, que eram vendidos no meio da rua.

Ao meio dia, fomos almoçar, outra vez, ao restaurante da esquina. Trinta reais, os dois, com churrasco variado. Quando nos dirigíamos para o carro, reparei que no Bar do Nei se faziam os últimos preparativos para iniciar o Samba da Xepa, e instalámo-nos no interior, mesmo junto à porta, pois é sobre a calçada que atuam os músicos. A (esposa) pediu um café (que quase não tomou pois já vinha adoçado) e eu arrisquei uma caipirinha. Iniciou-se a festa. Um bandolim, um violão, uma cuíca, um pandeiro e, tambores. Um chorinho para começar, bem longo, com dupla ou tripla retomada dos temas, e depois entrou o primeiro cantor com uma rapsódia de sete ou oito músicas do Martinho da Vila. Logo se levantou outro cantor, munido de chapéu da velha guarda, que cantava, dançava, e esbracejava e que me fez lembrar o Vadinho da “Dona Flor e os seus Dois Maridos” do Jorge Amado. Um espanto. A assistência era formada quase só por homens, todos já com mais de cinquenta anos, e todos com aspeto muito castiço. Uma festa curtida e caprichada que nos fez estar ali quase uma hora.

Como que arrependida das “portas cerradas” de outrora, Vitória se abriu novamente ao Sr. José e esposa lá no Museu Solar Monjardim a tempo de se remediar pela falta:

Seguimos para o Solar de Monjardim, que a minha resiliência não me permite ir daqui embora sem tentar outra vez. Guarda no portão mas o portão fechado. Perguntei-lhe se o museu estava aberto e respondeu que sim. “Vixe, que é desta!”. Eu ia estacionar, mas ele abriu-me o portão e disse-me que “eu tinha preferência”. Terá chegado aqui a minha fama? Afinal, era por ser idoso.

[…]

Colocámos nos pés os protetores dos sapatos e, com mais um casal de gente nova, começámos a percorrer o Museu. É realmente um belo exemplar das antigas residências senhoriais e encontra-se muito bem recuperado. Os olhos caem-se sempre nestes soalhos. De peroba, informou a guia. Magníficos. O mobiliário não é o primitivo, veio de outros museus predecessores, mas está muito bem adaptado, sem estar atafulhado. A guia era competente e afável.

No dia seguinte, a partida. Chegavam ao fim os 11 dias da viagem ao Espírito Santo. O balanço final da jornada? Palavras do Sr. José:

“Tivemos uma excelente semana. Variada, com lindos passeios, com paisagens magníficas, com alojamentos de todos os tipos, com restaurantes em que quase sempre comemos muito bem, com a visita a locais importantes quer na história quer na religião. Valeu bem a pena termos escolhido este ano o Espírito Santo. Ficámos mais ricos de cultura e fizemos “boa vida”. De novo o nosso sincero agradecimento ao Tiago, sem o qual este êxito não estaria assegurado.”

Não posso deixar de terminar esse post sem registrar o meu profundo agradecimento ao Sr. José pela amizade inusitadamente construída e, sobretudo, pela partilha – comigo e com meus leitores – do seu precioso diário. Não foi por acaso que a mensagem do Sr. José, enviando o diário, chegou à minha caixa de entrada na véspera do meu aniversário. Estava ali o maior presente que eu recebi de um leitor nesses anos todos de blogagem.

Por fim, devo encerrar cumprindo uma condição que o Sr. José me fez para autorizar a publicação desse diário. Incluir a seguinte observação final:

Agradecemos ao Tiago a sua infinita colaboração na preparação desta memorável viagem.

Não há de quê, Sr. José! Até breve, no Brasil ou em Portugal.

04
jul
2016

Pedra Azul: onde ficar

Pousada do Nonno

Pousada do Nonno

Taí uma das maiores dúvidas dos leitores aqui do Rotas: onde se hospedar em Pedra Azul. Não vou mentir. Venho prometendo há um bom tempo reservar um dia nas minhas passagens por Pedra Azul para visitar o maior número possível de pousadas da região e assim ter a tranquilidade e o conhecimento necessários para fazer um guia completo de hospedagem, com a credibilidade de quem conheceu os locais citados. Mas esse dia nunca chega.

Daí que, para preencher momentaneamente esse vácuo e encerrar a Série Especial sobre Pedra Azul, eu resolvi lançar uma lista resumida e provisória das pousadas que eu recomendo. Digo provisória porque, um dia, a promessa que eu mencionei ali em cima vai se realizar. E, nesse dia, eu voltarei aqui para atualizar a lista com impressões mais reais e pessoais sobre aqueles locais que eu recomendei sem ter visitado. Podem me cobrar! 😉

Para fazer a lista, selecionei pousadas dos mais variados perfis, oscilando entre as mais simples (e baratas) e mais sofisticadas (e caras). A sequência das indicações seguirá a ordem crescente dos preços das diárias. Para tanto, tomei como parâmetro o valor da diária para casal no quarto mais simples disponível num final de semana de julho ou agosto de 2016 (alta temporada).

Devo fazer apenas um alerta. Quanto mais perto da Pedra Azul, maior o preço da diária. Especialmente se a pousada tiver “vista pra Pedra”. Esse fator pesa na composição do preço, mesmo que ele não venha acompanhado da qualidade e do conforto que se esperam pelo valor do investimento. Isso, infelizmente, é uma constante na região. Paga-se caro pela diária apenas pela tal “vista da Pedra Azul”, sem que a estrutura da pousada realmente valha tudo isso.

Mas chega de enrolação. Vamos à lista!

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1) Pousada do Nonno

Pousada do Nonno

A mais econômica das pousadas recomendadas é uma das minhas preferidas (juro que não é pão duragem!!!). Já fiquei nela várias vezes nos últimos anos (2 vezes só este ano) e sempre fico satisfeito. O baixo custo aqui não tem nada a ver com desleixo ou “abrir mão do conforto”. É só pela distância mesmo. Ela fica na entrada de Venda Nova, a cerca de 10 km da Rota.

A Pousada foi instalada na sede da antiga fazenda da família de imigrantes italianos. No casarão antigo e bem-conservado, 3 suítes dividem o espaço com a casa dos donos (que ainda moram por lá), a cozinha e o salão do café. Atrás do casarão, foram construídos 3 chalés, com 2 suítes independentes cada.

Pousada do Nonno

O chalé

A área externa é super bonitinha, com um jardim bem cuidado e uma casinha de madeira onde as crianças adoram brincar. Um avarandado anexo ao casarão serve de sala de estar, com redes, mesas e cadeiras.

Pousada do Nonno

O café da manhã é simples, mas bem gostoso. Destaque para a polentinha que eles servem na chapa. Não vou negar que essa é uma das principais razões para eu gostar tanto daqui. 😉

Pousada do Nonno

Pousada do Nonno

Diária: R$180,00, com café da manhã.

Localização: BR 262, km 102, Tapera, Venda Nova do Imigrante.

2) Pousada Ponta da Pedra

Pousada Ponta da Pedra

A Ponta da Pedra também é uma opção econômica de hospedagem em Pedra Azul. Ela fica no distrito de Aracê, a cerca de 2 km da entrada da Rota do Lagarto, de onde se vê apenas a “ponta da pedra” (daí o nome).

Pousada Ponta da Pedra

Estive nela recentemente. As acomodações ficam em chalés construídos ao redor do casarão principal, onde fica o salão do café, a sala de jogos e a piscina.

Pousada Ponta da Pedra

A estrutura externa é bonita, mas a ambientação dos quartos é bem simples.

Diária: R$220,00, com café da manhã.

Localização: BR 262, km 87, Distrito de Aracê, Domingos Martins.

3) Pousada Lago da Lua

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

É uma das pousadas mais novas da região. São só 4 suítes construídas no mesmo espaço do restaurante de mesmo nome.

Não tive oportunidade de me hospedar lá ainda, mas cogito bastante essa possibilidade pelas fotos que vejo e pelas boas referências que tive de amigos que lá estiveram.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

A área externa também chama atenção pelo jardim bem cuidado. Mas não vou negar que o restaurante – onde é servido o café da manhã – não me agradou na última vez em que estive lá. Talvez os pratos sejam mais saborosos, mas a pizza não convenceu.

Está bem próxima do final da Rota do Lagarto, pouco depois do Restaurante Alecrim.

Diária: R$325,00, com café da manhã.

Localização: Rodovia Geraldo Sartorio, km 07, São Paulo do Aracê.

4) Pousada Tre Fiori

Rota do Lagarto

Já me hospedei na Tre Fiori algumas vezes nos últimos anos. Ela tinha tudo para ser uma das melhores pousadas de Pedra Azul. A área externa da pousada é bonita, a arquitetura dos chalés agrada e a localização é imbatível: de frente pra Pedra Azul.

Pousada Tre Fiori

Mas é impossível não se frustrar ao entrar num dos chalés. Não há capricho na decoração dos quartos, que clamam por reforma.

Pousada Tre Fiori

Pousada Tre Fiore

O café da manhã é servido no mesmo espaço do Restaurante Don Lorenzoni Due.

Pousada Tre Fiore

Mas então, porquê eu ainda assim recomendo a Tre Fiori? Por causa da vista. Apesar de achar que a ela não vale quanto custa, ela ainda é a pousada mais “econômica” daquelas que ostentam o “vista para a Pedra Azul” entre os seus itens de série.

Diária: R$400,00, com café da manhã (mas, na alta temporada, eles só fecham pacote com 2 diárias).

Localização: Rota do Lagarto, km 03.

5) Pousada Recanto da Pedra

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Eu me hospedei na Recanto da Pedra há bastante tempo. Lembro que, na época, eu até costumava indicar a pousada como o melhor custo x benefício da região. Mas eu sou obrigado a rever o meu conceito: de lá pra cá, pelo que se vê das fotos do site, não houve melhoria na estrutura da pousada que justificasse o aumento do preço.

Não fosse pela localização privilegiada, o padrão da pousada estaria muito aquém do preço que ela cobra. Tudo é bem simples. Os quartos são espaçosos e confortáveis, mas a decoração continua a mesma da época em que fui.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Só a vista pra Pedra Azul que é mesmo insuperável. A Pousada fica bem ao lado da entrada do Parque Estadual da Pedra Azul, no início da Rota do Lagarto.

Diária: a partir de R$420,00, com café da manhã.

Localização: Rota do Lagarto, km 02.

6) Pousada Peterle

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

A Peterle é a porta de entrada para a Rota do Lagarto. Ela fica às margens da BR 262, no exato ponto em que se inicia a rota.

É uma das pousadas mais antigas da região. As instalações seguem um estilo rústico, onde predominam madeira, tijolo e pedras (não sei se tem a ver com o nome). Os chalés e sobrados (com apartamentos conjugados) ficam espalhados pelo terreno, debruçados sobre o vale. Alguns dispõem de lareira e banheira. Mas a decoração não enche meus olhos.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Pela localização já dá pra saber que a Peterle também oferece “vista pra Pedra Azul”. Tem uma boa área de lazer, com piscinas adulto e infantil, sauna, sala de jogos, play ground, casinha de boneca e trilhas para caminhadas com mirante. Além disso, no local funciona um restaurante, que abre para o almoço (self-service), e um café colonial, que só funciona nos finais de semana e feriados.

Nunca me hospedei lá e, por isso, não posso dizer ao certo o impacto que o alto tráfego de veículos pela BR causam no sossego dos quartos. Mas isso é algo que me intriga e que eu não posso deixar de mencionar (agradeço se alguém souber dizer).

Diária: a partir de R$450,00, com café da manhã.

Localização: Rodovia BR 262, km 88.

7) Chez Domaine Pousada Orgânica

Auto-denominada “pousada orgânica”, a Chez Domaine alia os serviços de uma pousada com as atividades de uma fazenda dedicada à agricultura orgânica. O conceito – como o nome sugere – tem clara inspiração nas “domaines” do interior da França, país onde a proprietária Isabelle nasceu.

Há referências à França por todo o lado.

Chez Domaine

Brasserie Apogeu – onde é servido o café da manhã para os hóspedes – abre também ao público externo para o almoço. O cardápio, com forte influência da gastronomia francesa, privilegia os ingredientes que são produzidos de forma orgânica na propriedade. A produção é vasta: hortaliças, café, champignon de Paris, frango caipira (carne e ovos), cordeiro, gado leiteiro (queijos e manteiga especiais), escargot, abelhas (mel, própolis) e outros. Boa parte deles estão disponíveis também para venda na lojinha que funciona bem na entrada da pousada.

Chez Domaine

As acomodações ficam na parte superior da propriedade. Há opções de apartamentos e chalés, alguns com cozinha compacta e banheira.

Chez Domaine

Foto: Site da Pousada

Nunca me hospedei lá, mas recebi um feedback bem positivo de uma amiga que esteve nela recentemente (valeu, Ju!). Destaque para o chá de cortesia e o “varal” que seca as toalhas, deixando-as quentinha na hora do uso. “Um delicioso ‘regalo’ no frio de Pedra Azul antes de dormir” (palavras da Juliana).

O lazer conta com playground, salão de jogos, academia, sauna, piscina natural, lago para pesca e trilhas.

Chez Domaine

A Chez Domaine fica a 12 km de Pedra Azul, na rodovia que vai para Afonso Cláudio.

Diária: R$460,00, com café da manhã.

Localização: Rodovia ES 165, km 7,5.

8) Pousada Pedra Azul

Pousada Pedra Azul

Foto: Site da Pousada

É uma das pousadas mais antigas e tradicionais de Pedra Azul. Está estrategicamente localizada no km 02 da Rota do Lagarto, com vista privilegiada para a Pedra. São 38 apartamentos projetados pelo arquiteto brasileiro Zanine. O prédio principal – que tem formato de libélula – apresenta detalhes em madeira, que o integram à paisagem local.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Todos os quartos são bem decorados e têm varanda e banheira. Mas só alguns – os mais caros – tem a festejada “vista pra Pedra”.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

A área externa é, talvez, o grande diferencial da Pousada: piscina térmica, sauna, fitness center, quadras de tênis, trilhas para caminhadas na mata, salas de jogos e mini-cinema. Além disso, o belo cenário da mata ao redor é complementado pelo Lago Negro e uma cachoeira com queda livre de 90 metros. Este é o cenário de um dos cartões postais mais famosos da região.

Pousada Pedra Azul

Foto: Site da Pousada

Ainda não me hospedei aqui. Mas irei em breve com a família num final de semana de julho. Quando voltar, venho atualizar as impressões. 😉

Diária: a partir de R$600,00, com café da manhã (no pacote com 2 diárias, o valor de cada uma sai a R$415,00 no apartamento mais simples).

Localização: Rota do Lagarto, km 02.

9) Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

Diferente das outras pousadas da lista, a Pousada dos Pinhos trabalha somente no esquema de pensão completa. Ela encarna o tradicional estilo “hotel-fazenda”, cuja proposta é entreter o hóspede com inúmeras opções de lazer.

Já fiz minha avaliação sobre a Pousada dos Pinhos nesse post, onde eu tracei um perfil do seu público-alvo: “quem tem filhos e quer aproveitar a comodidade da recreação infantil ou para quem, mesmo sem filhos, curte o regime de pensão completa, sem se importar com a qualidade da comida“. Para quem vai pela primeira vez à Pedra Azul ou para quem gosta de aproveitar ao máximo o que a região tem de melhor e faz questão de comer bem, eu não a recomendo.

Em todo o caso, para quem procura um “hotel-fazenda”, a Pousada dos Pinhos é uma boa opção.

As suítes estão passando por uma boa repaginada.

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Foto: Site da Pousada

Mas é a área de lazer o maior atrativo da pousada: tem piscina coberta e aquecida (ótima para um banho noturno), piscina descoberta com toboágua, playground, uma ampla brinquedoteca para crianças de até 5 anos, salão de jogos, quadra de esportes, campo de futebol, lago para pesca e pedalinho, trilhas na mata, passeios a cavalo (pagos à parte) e mini-fazendinha.

Pousada dos Pinhos

Quanto à comida… melhor deixar pra lá. 😉

Diária: a partir de R$640,00, com pensão completa (no pacote com 2 diárias o valor de cada uma sai a R$545,00 no apartamento mais simples).

Localização: BR 262 Km 90, Pedra Azul.

10) Pousada Rabo do Lagarto

Pousada Rabo do Lagarto

Já falei sobre a Rabo do Lagarto nesse post. É a nossa autêntica “pousada de charme”, com suítes que mais parecem capas de revista de decoração.

Não por acaso, é a mais cara das pousadas de Pedra Azul. Além do requinte do ambiente, todas as suítes tem vista para Pedra Azul (algumas oferecem ofurô ou banheira). E o café da manhã, uma das grandes estrelas da Rabo do Lagarto, é servido até que o último hóspede se levante, sem hora para terminar.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Sempre digo que a Rabo do Lagarto é a pousada ideal para uma comemoração especial a dois. Para valer o investimento, o bom mesmo é aproveitar ao máximo a hospedagem por lá, sem se preocupar com deslocamentos e passeios. Vale lembrar que a Rabo do Lagarto foi a precursora do que eu chamei de Rota Romântica capixaba e fica bem próxima dos demais estabelecimentos dessa rota.

Dado o perfil da pousada, eles não aceitam crianças menores de 14 anos.

Diária: a partir de R$833,80, com café da manhã.

Localização: Rodovia Geraldo Sartorio, km 70, São Paulo do Aracê.

Leia todos os posts de Pedra Azul aqui.

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23
maio
2016

Pedra Azul: onde comer

Brasserie Apogeu

Brasserie Apogeu

No último post, eu fiz uma seleção de programas e atrações para você preencher seus dias em Pedra Azul. Mas não tem jeito. A melhor e maior atração de Pedra Azul é uma só: comer. E comer muito bem, ressalto. A região é pródiga em bons restaurantes que, aproveitando a rica oferta de produtos do agroturismo local, se esmeram em oferecer uma gastronomia variada e de qualidade.

Mas eu não vou negar. Não é barato comer em Pedra Azul. Nos principais restaurantes, a média dos pratos gira em torno de 50,00 a 60,00 reais. A justificativa parece estar na sazonalidade do turismo de Pedra Azul, concentrado em feriados e na temporada de inverno. Como o fluxo de turistas não é constante ao longo do ano, é preciso aproveitar a alta temporada para incrementar o caixa. Essa inconstância, inclusive, é o que leva alguns estabelecimentos a fecharem na baixa temporada (!!!!). Por isso, se você for durante os meses de primavera/verão e, principalmente, no final do ano, é bom ligar antes para saber se o lugar vai abrir.

Dá até pra compreender os motivos dos altos preços nos restaurantes de Pedra Azul. Você está num lugar turístico, sazonal e com logística de transporte e serviços relativamente precária. Tudo bem. Mas o que não dá mesmo pra entender é a resistência de alguns estabelecimentos a aceitarem cartão de débito/crédito. A desculpa da dificuldade de linha telefônica já não cola mais, pessoal. Num lugar onde a oferta de caixas eletrônicos é quase inexistente e não há sequer um caixa eletrônico do Banco 24 horas (só há do Banestes e da Caixa no Distrito de Pedra Azul), não dá para exigir que o turista carregue dinheiro e cheque na mão.

Evoluir nesse ponto é preciso! 😉

Mas, reclamações à parte, vamos ao que realmente interessa. Tal qual eu fiz na lista de atrações, aqui eu farei apenas uma seleção de restaurantes/cafeterias, sem pretensão de ser exaustivo. Alguns eu ainda não fui e isso será devidamente informado. Outros poderão ser incluídos posteriormente à medida em que eu for conhecendo. De qualquer forma, se algum estabelecimento que você goste ficar de fora, a caixa de comentários é toda sua!

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Restaurantes

1) Restaurante Alecrim

Já falei sobre o Alecrim nesse post. É, de longe, o meu restaurante preferido em Pedra Azul.

Alecrim

Fica no finalzinho da Rota do Lagarto, na parte que eu chamei de Rota Romântica.

restaurante alecrim

A casinha azul decorada em estilo provençal só não chama mais atenção do que os pratos da Chef Cecília Cunha.

Alecrim

Página no Facebook: https://www.facebook.com/Alecrim-Cozinha-Artesanal-221582987907680/.

2) Don Lorenzoni Due

IMG_2493

Confesso que gostava mais do ambiente do primeiro Don, aquele que ficava no espaço de um antigo paiol bem na entrada de Venda Nova.

Mas, se não manteve o mesmo charme, a casa dois (o “due” vem daí) ganhou um baita cenário, bem aos pés da Pedra Azul. Ela está em frente à Pousada Tre Fiore, num dos trechos mais bonitos da Rota do Lagarto.

Don Lorenzoni

A cozinha é comandada pelos chefs Fernando Lorenzoni e Alessandro Vallino. A especialidade é a gastronomia italiana.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/donlorenzonidue.

3) Valsugana

Valsugana

É um dos mais antigos e famosos restaurantes de Pedra Azul. Já falei sobre ele nesse post, onde revelei minha implicância com a varanda do lugar.

Eu ainda acho que a varanda do Valsugana merecia um upgrade. Mas nem por isso deixo de reconhecer que a fama do restaurante é merecida.

Valsugana

Mas é bom chegar cedo. O espaço do restaurante é pequeno e as poucas mesas do salão lotam rapidamente na alta temporada.

Site oficial: http://www.restaurantevalsugana.com.br/.

4) Lago da Lua

O restaurante – e também pousada – Lago da Lua fica no km 07 da Rodovia Geraldo Sartório, aquela que começa onde termina a Rota do Lagarto.

Fui ao restaurante há muitos anos atrás e, por isso, não me sinto à vontade para opinar sobre ele. Mas a Symone Dias, do blog Viajando com Sy, foi e voltou falando maravilhas (leia aqui).

Site oficial: http://www.lagodalua.com.br/.

5) Quinta dos Manacás

É um dos mais novos restaurantes de Pedra Azul. Fica em São José do Alto Viçosa, em Venda Nova, perto da Cervejaria Altezza.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Ainda não tive a oportunidade de conhecer, mas esse post da Evelize Calmon, do blog Comer e Contar, só reforçou a boa impressão que as fotos de lá me causaram.

Site oficial: http://www.quintadosmanacas.com.br/.

6) Brasserie Apogeu (Domaine Ile de France)

Conheci a Brasserie Apogeu na minha última passagem por Venda Nova. E foi uma grata surpresa.

A começar por esse visual:

Brasserie Apogeu

A Domaine foi concebida para ser uma espécie de vila sustentável, baseada na agricultura orgânica. Por isso, na Brasserie Apogeu, os ingredientes utilizados são, em sua maioria, produzidos lá mesmo e sem agrotóxicos.

O cardápio – como tudo na Domaine – tem inspiração na gastronomia francesa. Mas, afora as sopas, a cassoulet e o coq au vin, o meu destaque vai para o Café Gourmand, sobremesa que reúne 7 pequenas porções de doces acompanhadas de café ou capuccino:

Brasserie Apogeu

É claro que não poderia faltar o crème brûlée. 😉

Site oficial: http://www.domaine.com.br/.

Lanchonetes e Cafeterias

7) Venda da Rota

A Venda da Rota é mais um dos empreendimentos que integram a chamada Rota Romântica capixaba.

Venda da Rota

Não é propriamente um restaurante. Na verdade, a Venda é um misto de loja de decoração e cafeteria, ideal para um lanche rápido ou um happy hour no início da noite.

Venda da Rota

Mas pelo que andei vendo no instagram deles, a casa passou a oferecer pratos executivos para a hora do almoço também.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/vendarota/.

8) Cafeteria Heimen

A Heimen é a cafeteria que funciona no Fjordland Ecologia e Turismo, aquela que oferece os famosos passeios a cavalo em Pedra Azul.

Cafeteria Heimen

Já falei sobre ela aqui. Mais do que o cardápio, a vista da Pedra Azul é o que mais chama atenção por ali.

Cavalgada Ecológica FjordlandSite oficial: http://www.fjordland.com.br/.

9) Marietta Delicatessen

Outro integrante do conjunto de empreendimentos da Rota Romântica, o Marietta não é propriamente uma cafeteria, como o nome já diz. Mas nada impede que você aproveite as mesinhas da varanda e jardim para experimentar os quitutes vendidos e, principalmente, os fabricados ali.

Marietta

Entre bolos, doces, biscoitos e pães caseiros, o destaque vai para o umbiolatto, uma espécie de rocambole de presunto e queijo.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/Marietta-Delicatessen-541344005896296/.

10) Tuia Creperia

É a mais recente novidade gastronômica de Pedra Azul. Se bem que gastronomia não é o único foco da Tuia. Ela também funciona como galeria de arte, apresentando o trabalho de consagradas artistas capixabas, como Tânia Calazans, Rebeca Duarte e Ana Paula Castro.

Tuia Creperia

Do cardápio, a especialidade são os crepes.

Fica bem ao lado da Marietta, no finalzinho da Rota do Lagarto.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/tuiapedraazul/.

Leia todos os posts de Pedra Azul aqui.

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18
maio
2016

Santa Teresa: a doce terra dos colibris… e do jazz!

Santa Teresa

Quem me acompanha aqui no Rotas já sabe o carinho que tenho por Santa Teresa, a nossa “doce terra dos colibris“. Por todos os motivos que eu mencionei aqui, ela se tornou um dos meus recantos favoritos aqui no Espírito Santo e o favorito nas montanhas capixabas.

Pra falar a verdade, nem precisava de tantos motivos para eu gostar de Santa Teresa. Tivesse só esse e ela já ganharia o meu amor eterno.

Santa Teresa

O balé dos colibris na varanda da casa onde viveu  o ecologista capixaba (e teresense!) Augusto Ruschi é daquelas cenas que eu não canso de (re)ver.

E como se não bastassem todos os motivos que eu já te dei para conhecer – e amar! – Santa Teresa, nesse final de semana você terá mais um: o Festival Internacional de Jazz e Bossa (Santa Jazz). Nos dias 20, 21 e 22 de maio, a cidade se transformará na capital estadual do jazz, com uma programação intensa de shows de artistas nacionais e internacionais.

Santa Jazz

Essa já é a quinta edição do Santa Jazz, que virou tradição na cidade. Para esse ano, a prefeitura espera um movimento de 15 a 20 mil pessoas durante o evento, o que representa praticamente o fluxo mensal de turistas. Daí você vê a importância do evento para o turismo e a economia da cidade.

Eu sei que, a essa altura do campeonato, já deve ser praticamente impossível achar vaga nas poucas pousadas da cidade (algumas delas eu mencionei aqui). Para quem não abre mão do pernoite, existem outras 2 opções: alugar uma casa ou um quarto na casa de um morador da cidade (mais informações na Secretaria de Turismo e Cultura da cidade pelo telefone: 27 3259-1344 / 2357) ou se hospedar nas cidades vizinhas – Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá.

Mas o bate-volta também não deve ser descartado. Se Santa Teresa já é um bate-volta redondinho a partir de Vitória em dias comuns (como eu sugeri aqui), imagina num final de semana desses? Só é preciso muito – mas MUITO – cuidado com a estrada na volta pra casa! 😉

Santa Teresa

Os shows acontecerão no Parque de Exposições, que fica na entrada da cidade. Serão 2 palcos: o principal e o palco Fames, onde acontecerão apresentações da Faculdade de Música do Espírito Santo. Os ingressos para os shows noturnos podem ser comprados pela internet (clique aqui) ou nos estabelecimentos credenciados (confira relação aqui). Para os shows diurnos (sábado e domingo), a entrada é gratuita.

Entre as atrações do palco principal desse ano estão: Mark Lambert & Quinteto Radio Swing (EUA/Brasil); o guitarrista angolano Nuno Mindelis, considerado um dos melhores do mundo; Shawn Holtcom e sua banda The Teardrops Blues BandFrancis Hime e sua esposa Olivia homenageando Vinícius de MoraesA Cor do Som; Mauro Senize e Gilson PeranzzettaBrasilidade Geral e Rosa Passos; e Vitor Biglione. Confira a programação completa aqui.

Santa Teresa

Então, já sabe. Nesse final de semana o balé dos colibris de Santa Teresa vai ganhar uma trilha sonora ainda mais especial. Não dá pra perder!

Para quem já garantiu a estadia e vai aproveitar o final de semana na cidade, vale a pena conferir a nossa Série Especial sobre Santa Teresa com dicas de atrações e restaurantes.

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06
maio
2016

Pedra Azul: o que fazer? (dicas de atrações)

Pedra Azul

Tudo o que você precisa saber para entender – e amar – Pedra Azul está escrito nesse post. Mas, para completar o conteúdo da Série Especial Pedra Azul aqui no Rotas, falta ainda falar sobre “o que fazer“, “onde comer” e “onde se hospedar“, tal como eu fiz com Santa Teresa e Itaúnas.

Nesse primeiro post, vou fazer uma seleção dos melhores programas e atrações para se fazer/conhecer em Pedra Azul. Já adianto que o rol não é exaustivo. Na verdade, é apenas um resumo do que EU – repetindo – EU considero ser o melhor a se fazer na região.

Para você planejar a sua viagem, sugiro considerar o máximo de 3 passeios por dia (com exceção do 10, que leva o dia todo). Dessa forma, de acordo com o número de passeios que você tiver interesse, vai ser possível calcular a quantidade de dias na região. De cara, você vai ver que é um pecado fazer de Pedra Azul um mero bate-volta.

Se você leu o post-introdução da Pedra Azul que eu recomendei logo no início do texto, já deve imaginar que as atrações aqui citadas não vão se restringir aos arredores da Rota do Lagarto. O mapa geo-político-turístico de Pedra Azul se estende até Venda Nova do Imigrante, de modo que as propriedades do agroturismo de Venda Nova também serão listadas aqui.

Chega de enrolação e vamos à lista.

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1) O Parque Estadual da Pedra Azul

Como eu já expliquei nesse post, o Parque Estadual da Pedra Azul é aberto à visitação. Lá dentro, é possível fazer trilhas que te levam bem pertinho da Pedra Azul (e seu lagarto). A mais famosa e procurada é a que leva até as piscinas naturais que ficam no ponto de junção entre a Pedra Azul e a Pedra das Flores.

Piscinas Naturais

A vista é incrível e vale o esforço da escalada.

2) Cavalgada Ecológica no Fjordland

Outro passeio imperdível – especialmente para as crianças – é a cavalgada ecológica do Fjordland, sobre a qual eu já contei aqui e aqui.

Cavalgada Ecológica Fjordland

São duas trilhas – uma curta e outra longa – que você faz em cavalos da raça Fjord (aqueles pequeninos). Na trilha longa, que só sai mediante agendamento e número mínimo de pessoas, você vai até o chamado Mirante do Lagarto, bem pertinho da Pedra Azul.

Ainda no Fjordland, tem mini-fazendinha, playground e cafeteria. Não deixe de tomar um café apreciando o melhor item do cardápio: a vista para a Pedra Azul.

Cafeteria Heimen

Fica no km 2,2 da Rota do Lagarto.

3) Passeios de quadriciclo

Para quem gosta de aventura, dá para fazer passeios de quadriciclo por trilhas localizadas numa fazenda adjacente à área do Parque. É uma bela oportunidade para ver ângulos exclusivos da Pedra.

O passeio é oferecido pelo Ecoparque Pedra Azul Aventura, que tem também rapel, paintball e área pra camping. Fica no km 3 da Rota do Lagarto.

4) Passeios de bicicleta

Já no finalzinho da Rota do Lagarto, no km 7, a Pedra Azul Ecotur aluga bicicletas convencionais e elétricas para quem quer curtir a paisagem sobre 2 rodas.

Bicicletas Pedra Azul

Você pode pedalar pela própria Rota do Lagarto – tendo o máximo de cuidado e atenção na estrada, que é estreita e não tem ciclovia – ou seguir tranquilo pela ciclovia do chamado Caminho das Flores, um trecho de 9km da Rodovia ES 164, que começa no exato ponto onde acaba a Rota.

5) Arvorismo e Tirolesa

Arvorismo

Ainda no quesito “aventura”, a região tem 2 espaços para a prática do arvorismo e tirolesa. No primeiro deles – o Selva Sassiri – eu já fui e contei aqui. No segundo – o Pedra Azul Adventure Park – eu ainda não fui.

6) Cervejaria Altezza

Eu já falei sobre a Cervejaria Altezza nesse post. É a primeira cervejaria artesanal de Pedra Azul.

Cervejaria Altezza

Além de conhecer o processo artesanal de fabricação da cerveja, você pode fazer uma degustação apreciando a vista da Pedra Azul.

Cervejaria Altezza

E que vista!

Fica em São João de Viçosa, distrito de Venda Nova.

7) Orquidário Caliman

A rigor, você não precisaria ir até o Orquidário Caliman para ver ou comprar orquídeas. Há vários orquidários de fácil acesso à beira da BR 262 no município de Marechal Floriano e, na própria Rota do Lagarto, tem sempre uma banquinha do Orquidário Chalé Verde, de Aracê, com orquídeas à venda.

Mas, pelos comentários que os orquidófilos deixaram nesse post, dá pra ver que a grandiosidade do Orquidário Caliman chama atenção.

Fica na Lavrinha, em Venda Nova.

8) Visita às propriedades do agroturismo

Pedra Azul e Venda Nova são famosas pelo seu agroturismo. São várias propriedades rurais que se abrem para receber turistas interessados em conhecer o local ou adquirir os produtos. Cada um adelas, portanto, vale por uma atração. Mas é bom saber que, na maioria, a visita se limita a isso: conhecer a “lojinha” e comprar os produtos expostos. Com raras exceções, não há muita interatividade ou contato com o processo produtivo.

Nesse post, eu listei todas as propriedades catalogadas pela Prefeitura de Venda Nova. Aqui, sem pretensão de fazer a mesma coisa, eu destaco as principais e mais famosas de Venda Nova e Pedra Azul:

a) Penhazul: morangos orgânicos

Pedra Azul

Há controvérsias, claro. Mas, pra mim, os melhores morangos de Pedra Azul são os da Penhazul. A propriedade está encravada no chamado “vale dos morangos”, com acesso por uma estradinha que começa logo após a portaria do Parque.

Os morangos produzidos na Penhazul são orgânicos e isso faz toda a diferença no sabor. Mas saiba que a “atração” do lugar é simplesmente essa: comprar os morangos que eles colhem e outros produtos que eles fabricam. É claro que o cenário ajuda. Mas a ida até lá só vale a pena para quem estiver interessado em conhecer e comprar os morangos.

b) Sítio Herança: colheita de morangos

Esse é outro sítio que também é especializado na produção e venda de morangos. Mas, aqui, o grande diferencial é a possibilidade de você mesmo colher o morango que quer consumir/comprar, bem ao estilo “colhe-pague”.

Fica no início da Rodovia ES 368.

c) Sítio Lorenção: socol

Socol é um embutido de carne de porco legado pelos imigrantes italianos à culinária de Venda Nova. O original da Itália tinha outro nome – ossocollo – e era feito com a carne do pescoço do animal. Mas, nas cozinhas de Venda Nova, ele ganhou, além de um apelido, um novo ingrediente para se ajustar ao paladar do brasileiro: o lombo.

Socol

Em Venda Nova, você encontra o socol à venda em várias propriedades. Mas o mais famoso deles é o do Sítio Lorenção, sobre o qual eu já falei aqui.

Fica na Tapera.

d) Fazenda Carnielli: queijos e café

Eu já falei aqui que, de tão profissional, a Fazenda Carnielli é quase um agronegócio do agroturismo. 😉

Fazenda Carnielli

Nela, o grande chamariz são os queijos e o café. Destaque para o resteia, queijo de origem italiana que, no Brasil, só é produzido ali.

Mediante agendamento e pagamento de uma taxa, é possível participar de uma visita interativa, onde é apresentada a história da família e do agroturismo capixaba, bem como o processo produtivo da fazenda. Fora isso, a visita se limita à lojinha onde estão expostos os produtos.

e) Sítio Busato

Bem pertinho da Carnielli, o sítio da família Busato é famoso pela fabricação da cachaça Teimosinha e de queijos. Você pode visitar o alambique da propriedade e conhecer a câmara onde os queijos são curados.Família Busato

A sede da propriedade é uma típica fazenda de antigamente, com paredes de taipa e janelas de madeira.

9) Zoo Park da Montanha

Zoo Park da Montanha

É o primeiro e único zoológico do Espírito Santo. Ele fica a 42 km de Pedra Azul, no município de Marechal Floriano, com acesso pela BR 262 (há placa sinalizando a entrada).

São quase 700 animais de 170 espécies, com destaque para as aves do viveiro de imersão e os grandes felinos: tigre, onça e leão.

O ingresso custa R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia), para crianças de 2 a 12 anos. Crianças até 2 anos não pagam.

10) Domingos Martins (sede)

Domingos Martins

Apesar de ser um distrito de Domingos Martins, Pedra Azul fica distante 55 km da sede do município. É por isso que, apesar de viável conjugá-las num mesmo bate-volta a partir de Vitória, como eu sugeri aqui, o melhor mesmo para aproveitá-las a fundo é tratá-las como regiões turísticas autônomas, dedicando 1 dia para cada uma.

Mas nada impede que, estando em Pedra Azul, você faça da sede de Domingos Martins um bate-volta para conhecer o legado da imigração alemã no Espírito Santo.

Domingos Martins

Chegue cedo e circule a pé pelo centro histórico. Repare nos casarios de arquitetura alemã e nas placas que apresentam estabelecimentos em português e alemão. Se ficar interessado na história dos imigrantes, vá até a Casa da Cultura, onde funciona o Museu Histórico de Domingos Martins.

Domingos Martins

A Praça Arthur Gerhardt – a mais fotogênica da cidade – é o lugar ideal para você descansar. Nela está a famosa Igreja Luterana, a primeira igreja evangélica do Brasil construída com uma torre.

Domingos Martins

Para almoçar aposte nos restaurantes da simpática Rua do Lazer.

A tarde, a melhor pedida é o passeio pela Reserva Kautsky, legado do naturalista Roberto Kautsky, famoso por seu trabalho de preservação de orquídeas. Ali estão espécies endêmicas e outras quase extintas de orquídeas e bromélias. Mas é bom ligar no dia anterior para agendar o passeio (telefone 27 3268-2300).

Antes de ir embora, vale uma parada no bar recém-inaugurado da Cervejaria Barba Ruiva. Mas é claro. Isso só vale para quem NÃO está dirigindo. 😉

Leia todos os posts de Pedra Azul aqui.

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