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15
dez.
2015

O turismo às margens do Rio Doce

Eu, com o Rio Doce ao fundo, em algum lugar entre Colatina e Baixo Guandu no ano de 2001.

Eu, com o Rio Doce ao fundo, entre Colatina e Baixo Guandu no ano de 2001.

Olho com especial tristeza para a tragédia que assolou o Rio Doce. Nasci e cresci às margens do rio em Minas Gerais. Sou natural de Coronel Fabriciano e passei a maior parte da minha infância e adolescência entre Ipatinga e Governador Valadares – três cidades que são cortadas pelo rio. Em 1998, com 17 anos de idade, segui simbolicamente o seu curso e vim para o Espírito Santo, de onde não saí mais. Desde então, continuei transitando por suas margens entre idas e vindas de Minas para visitar meus pais, que atualmente moram na área rural de Conselheiro Pena, outra cidade à beira do rio.

De alguma maneira, pois, minha vida sempre esteve ligada afetivamente ao Rio Doce. E é por isso que essa tragédia me comoveu tanto. Ver a mudança brutal do cenário a que eu estava acostumado e, principalmente, o tanto de vida que está se esvaindo em meio à lama da Samarco/Vale derramada sobre o Rio Doce tem partido o meu coração.

Eu sei que os prejuízos gerados por essa tragédia são incontáveis e afetam inúmeros aspectos da vida humana: desde o (des)equilíbrio ecológico dessa particular biota até o abastecimento de água das cidades margeadas pelo rio. Mas o motivo desse meu post é chamar a sua atenção para um desses aspectos que tem tudo a ver com o Rotas, claro: o turismo. Eu queria mostrar pra você o potencial turístico que existe às margens do Rio Doce e que, possivelmente, também será impactado por esse acontecimento. Faço isso com um aperto no coração por não saber ao certo o futuro daqueles atrativos ligados diretamente ao rio, como é o caso da vila de Regência, no Espírito Santo. Mas faço isso também com uma pontinha de esperança de que o incentivo ao turismo local seja uma aposta para a recuperação do meio-ambiente e da economia das cidades ribeirinhas.

Porque não?

Numa situação dessas, é natural querer cancelar viagens ou mesmo evitar a ida para os lugares afetados. Afinal, é mais do que compreensível o medo da incerteza sobre o real impacto e as consequências da tragédia naqueles locais. Regência, por exemplo, tá vivendo na pele essa debandada de turistas. Estima-se que mais de 80% das reservas nas pousadas da vila para o período de réveillon tenham sido canceladas. Mas, talvez, esse sentimento de solidariedade que vem se espalhando Brasil afora em torno da situação do Rio Doce – e das populações que vivem dele – possa alimentar também o desejo de contribuir de forma mais contundente para o aquecimento da economia local.

Daí a ideia de fazer esse post. Eu queria mostrar pra vocês o tanto de coisa legal que se fazia – e ainda dá pra fazer – às margens do Rio Doce. No embalo da fama que o rio alcançou Brasil afora por conta da tragédia, eu quero despertar em você a vontade de conhecer as atrações que a gente encontra em suas margens para que, assim, a gente faça girar a roda da economia e ajude a minimizar os prejuízos advindos do rompimento das barragens de Bento Rodrigues.

É um post tanto quanto pretensioso, eu sei. Mas é mais uma forma que eu encontrei de ajudar o rio que me é tão caro.

Você sabe que tudo isso começou com o rompimento das barragens da Samarco/Vale no distrito de Bento Rodrigues, pertencente à cidade de Mariana. Mas, tecnicamente, Mariana não está às margens do Rio Doce. A lama chegou até ele através dos Rios Gualaxu e Do Carmo, que fazem parte da mesma bacia. É por isso que eu não a incluo nesse passeio. O que não me impede, porém, de te remeter aos posts da Camila Navarro, do Viaggiando, e da Silvia Oliveira, do Matraqueando, que mostram todas as riquezas e atrações da cidade. Mais do que nunca, Mariana precisará da força do turismo para compensar o baque – ainda que transitório – na sua principal atividade econômica (curiosamente, a responsável por toda essa tragédia): a mineração.

Mariana (Foto: Silvia Oliveira, do Matraqueando)

Mariana (Foto: Silvia Oliveira, do Matraqueando)

Com a licença de Mariana, eu começo o meu passeio pelo turismo do Rio Doce por uma das cidades que mais sofreu (e ainda sofre) com o desabastecimento de água após a tragédia: Governador Valadares.

Valadares – você deve saber – ficou nacionalmente conhecida pela grande quantidade de moradores que foram para os EUA na década de 80 inspirados no famoso american way of life. Mas o que você talvez não saiba é que Valadares ganhou fama internacional por ter um dos melhores pontos de vôo livre do mundo É esse pico aí, o famoso Ibituruna:

Foto: Monalisa Toledo de Lima

Foto: Monalisa Toledo de Lima

Do alto dos seus 1.123 metros, o Ibituruna reina no skyline de Valadares. Lá em cima, você pode se jogar de asa-delta ou simplesmente apreciar a vista (até então) belíssima do Rio Doce.

Foto: Valdeci Antonio Pereira Prates

Foto: Valdeci Antonio Pereira Prates

Não são raras as competições de vôo livre na cidade, principalmente de janeiro a abril. Em 2016 uma etapa do campeonato mundial de parapente está programada para acontecer na cidade.

Lá embaixo, os melhores lugares para curtir a noite valadarense são o centro ou a Ilha dos Araújos, bairro nobre da cidade que tem esse nome por estar situado numa ilha bem no meio do Rio Doce. Um calçadão contorna todo o bairro e faz as vezes de orla, proporcionando um espaço ao ar livre para práticas esportivas.

Seguindo pela BR 259 em direção ao Espírito Santo, você chega à pequenina cidade de Resplendor, recheada de boas atrações.

Foto: Prefeitura de Resplendor

Foto: Prefeitura de Resplendor

O passeio de chalana pelo Rio Doce é (era) o mais famoso deles. Você embarca(va) numa pequena balsa que sai de um restaurante flutuante e navega(va) por aproximadamente 30 minutos ao longo do Rio Doce.

Para fazer o passeio, é só entrar em contato com o pessoal do Brasília Hotel, que funciona como uma espécie de agência de viagem local. Eles tem até um pacote redondinho para os turistas capixabas interessados em curtir com a família a viagem no trem de passageiros da… Vale (!), que liga Vitória a BH. Dá pra ir no sábado e voltar no domingo.

Outra opção de passeio em Resplendor é a visita à aldeia dos índios krenaks, descendentes dos botocudos e pioneiros na região. Obviamente, a situação atual na aldeia não é muito tranquila porque os índios dependem diretamente do rio e estão em constante mobilização para reparação dos prejuízos (por isso, é bom procurar se informar antes de ir). Mas, fora isso, você pode ir até lá para ver os costumes e o modo de vida dos índios.

Foto: Prefeitura de Resplendor

Foto: Prefeitura de Resplendor

Já para os mais aventureiros a trilha que leva ao Parque Estadual Sete Salões é a melhor pedida. O nome é uma alusão aos “sete salões” que ficam escondidos dentro de um grande maciço rochoso. Dentro deles há registro de figuras rupestres atribuídas aos antepassados dos índios krenaks.

Parque Estadual Sete Salões (Foto: Eliton Ferreira)

Parque Estadual Sete Salões (Foto: Eliton Ferreira)

Um pouquinho mais adiante na BR 259 você chega a Aimorés, última cidade de Minas Gerais antes da divisa com o Espírito Santo. É aí que fica a sede do famoso (e agora polêmico) Instituto Terra, do também famoso fotógrafo Sebastião Salgado. Um lugar que vem promovendo um belíssimo trabalho de recuperação da mata atlântica e que, mais recentemente, desenvolveu um projeto de reflorestamento das matas ciliares e proteção das nascentes do Rio Doce (e que, mais do que nunca, precisará sair do papel).

Eu não vou entrar na polêmica sobre a relação do Sebastião Salgado e seu Instituto com a Vale, sócia da Samarco, dona da barragem que se rompeu em Bento Rodrigues. Eu só quero destacar que, independente de quaisquer relações promíscuas, o trabalho que o Instituto Terra desenvolve é belíssimo e vale a pena ser conhecido.

Eu o conheci bem no início de sua fundação, em 2001. Desde aquela época eu me surpreendi com a transformação que eles vem proporcionando na cobertura vegetal da região. Os registros fotográficos do “antes” e “depois” da antiga fazenda de gado do pai de Sebastião são impressionantes.

A sede do Instituto Terra em 1999 (Foto: Divulgação)

A sede do Instituto Terra em 1999 (Foto: Divulgação)

O que era pasto virou uma linda e densa floresta.

Foto: Divulgação

A sede do Instituto Terra em 2011 (Foto: Divulgação)

O Instituto Terra fica bem na saída de Aimorés para Baixo Guandu e vale a visita para conhecer de perto o trabalho que eles desenvolvem.

Seguindo na BR 259 por 5 km depois de Aimorés, você chega ao primeiro município do Espírito Santo: Baixo Guandu. A cidade é bem pequena, mas possui alguns atrativos bem interessantes, como a Rampa do Monjolo, a Pedra do Sousa e a Capela do Divino.

Foto: Letícia Vieira (Blog É Logo Ali)

Foto: Letícia Vieira (Blog É Logo Ali)

Para conhecer todas as atrações da cidade, vale a pena ler a série de posts que a Letícia Vieira, do blog É logo ali, fez sobre Baixo Guandu.

Antes de chegar ao fim da BR 259, você passará por Colatina, uma das maiores cidades do interior do Espírito Santo. Reza a lenda que, na década de 60, a revista americana Time elegeu o pôr-do-sol de Colatina um dos mais bonitos do mundo.

Foto: Liz Marion (CC BY-NC 2.0)

Foto: Liz Marion (CC BY-NC 2.0)

Não posso confirmar a procedência dessa afirmação. Mas o pôr-do-sol visto das margens do Rio Doce na cidade é mesmo lindo.

Por fim, a gente chega ao município de Linhares, já na BR 101, sentido norte. Aí você tem um sem-número de atrações naturais e rurais. Só para você ter uma ideia, a cidade possui o maior número de lagoas da América Latina, incluindo a segunda maior em volume de água doce do Brasil, a Juparanã.

Lagoa Juparanã (Foto: Prefeitura de Linhares)

Lagoa Juparanã (Foto: Prefeitura de Linhares)

A maioria delas pode ser facilmente visitada e são uma boa pedida para a prática de esportes náuticos.

Além das lagoas, Linhares também guarda outros 2 grandes refúgios ecológicos: a Floresta Nacional dos Goytacazes e a Reserva Natural da… Vale (!). Elas ficam um pouco afastadas da sede da cidade, seguindo pela BR 101 no sentido norte, mas são ótimas opções de passeio para quem se interessa por natureza.

Na Floresta dos Goytacazes é possível conhecer um pouco da fauna e flora locais percorrendo 2 trilhas: a curta e a longa (que depende de agendamento). Trata-se da maior floresta urbana do Espírito Santo e a terceira maior do Brasil.

Já a Reserva mantida pela Vale é bem mais estruturada para receber turistas, per supuesto. No centro de visitantes tem parque infantil, brinquedoteca, salas para oficinas, restaurante e até um pequeno hotel para quem quer passar pela experiência de se hospedar em meio à mata.

O hotel da Reserva (Foto: Divulgação)

O hotel da Reserva (Foto: Divulgação)

Além disso, você pode percorrer as trilhas temáticas e agendar um passeio para observação de pássaros. Atualmente, encontram-se catalogadas 390 espécies de aves na reserva.

Foto: Claudio Dias Timm (CC BY-NC 2.0)

Foto: Claudio Dias Timm (CC BY-NC 2.0)

A reserva protege 23 mil hectares de Mata Atlântica e, em 1999, recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.

Mas o maior segredo de Linhares está na foz do Rio Doce. É no litoral da cidade que o rio encontra o Atlântico. Mais precisamente, em Regência Augusta, uma pequena vila de pescadores quase intocada e praticamente desconhecida do turismo nacional.

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar de desconhecida da grande maioria das pessoas (inclusive dos capixabas), Regência – ou Régis para os mais íntimos – ganhou fama internacional como um dos melhores pontos do litoral brasileiro para a prática de surf. Tudo por causa das ondas grandes do mar agitado dessa parte do litoral capixaba.

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

No rastro desse movimento sempre crescente de surfistas, pequenos empreendimentos turísticos se organizaram, preparando o turismo de Regência para outro tipo de público. Atualmente Regência vai além do surf. Por meio de uma pequena agência instalada na vila, você pode(ia) alugar bicicletas, andar de caiaque ou lancha pelo Rio Doce, agendar uma pescaria no rio com um pescador da vila ou fazer a famosa “carebada”, um passeio noturno para observação da desova de tartarugas marinhas.

Pouca gente sabe, mas Regência é o único ponto do litoral brasileiro de desova da tartaruga de couro, também conhecida como tartaruga gigante. Por causa disso, aí se encontra uma das mais antigas bases do Projeto Tamar. São os monitores do Tamar que acompanham os turistas nas carebadas, que costumam ocorrer entre outubro e dezembro.

Projeto Tamar (Foto: Prefeitura de Linhares)

Projeto Tamar (Foto: Prefeitura de Linhares)

Entre as pousadinhas de Regência, eu destaco a Vila Sérgio, que eu “namoro” há tempos pelo instagram:

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Para 2016, o dono da pousada anunciou um belo investimento em dinheiro na renovação de alguns ambientes e na inauguração de um espaço de descanso, apostando nas previsões do melhor e mais movimentado verão de Regência. Daí você pode imaginar – ou não – o tamanho da frustração e do prejuízo que ele e todo o povo de Regência estão amargando com a debandada de turistas que a vila vem sofrendo desde o início da tragédia.

A nova área de descanso da Vila Sérgio

A nova área de descanso da Vila Sérgio (Foto: Divulgação)

Foi pensando no Sérgio e em todos os outros empreendedores de Regência e das cidades às margens do Rio Doce que eu resolvi publicar esse post. Que a nossa solidariedade com essa parte da população brasileira vá além da doação de água. Que a gente possa ajudar a reparar os prejuízos e, principalmente, a resgatar a auto-estima de um povo que perdeu subitamente um de seus maiores símbolos. E que a gente faça isso do jeito que a gente mais gosta: viajando.

15
out.
2015

Rota do Lagarto: a rota romântica do Espírito Santo

Pedra Azul

No post anterior (leia aqui) eu falei sobre a Pedra Azul e seus múltiplos conceitos turísticos. Falei especialmente sobre os atrativos que fazem dela o principal destino de inverno do Espírito Santo.

Mas, de todos os atrativos de Pedra Azul, há um bem especial que eu deixei pra falar num post específico. E fiz isso por dois motivos. Primeiro porque eu quero dar a minha singela contribuição à divulgação de um dos trechos rodoviários mais bonitos do Brasil. E segundo porque, na minha humilde opinião, esse trecho tem tudo para se firmar como a “rota romântica” capixaba. 😉

Tô falando da Rota do Lagarto, a pequenina rodovia que está em azul no mapa abaixo:

rota do lagarto

A chamada Rota do Lagarto tem início no km 88 da BR 262 – no exato lugar onde se encontra o Restaurante e Pousada Peterle – e se estende por mais ou menos 7 km até a Rodovia ES 164. O nome “artístico” é quase auto-explicativo. Mas não custa explicar para quem é de fora. Além de dar acesso à portaria do Parque Estadual da Pedra Azul, em quase toda a extensão da Rota você terá a visão da Pedra e do seu lagarto.

Pedra Azul

Esse já seria um forte argumento cenográfico para justificar o título de “um dos trechos rodoviários mais bonitos do Brasil“. Mas não é o único. Do início ao fim da rota o que não falta é cenário de cair o queixo.

Rota do Lagarto

Nos 2 primeiros quilômetros da Rota a densidade da mata nos dois lados da via faz você se sentir num túnel verde.

Rota do Lagarto

Nesse trecho – que, pra mim, é o mais bonito – a rodovia é sinuosa e bem estreitinha, com pontos em que só há passagem para um carro. E, ao contrário do restante da estrada, ela resistiu ao asfalto, preservando os seus paralelepípedos. Isso faz toda a diferença no conjunto visual da obra. Querendo ou não, você é obrigado a reduzir a velocidade e apreciar a paisagem.

À medida que a gente vai se aproximando da entrada da Pousada Pedra Azul um corredor de pinheiros toma conta das margens da estrada. A sensação térmica à sombra das árvores diminui sensivelmente e o frescor do vento te convida a desligar o ar-condicionado e baixar a janela do carro.

Rota do Lagarto

É como se você caminhasse no meio de um bosque.

Rota do Lagarto

O cenário bucólico se completa com uma sucessão de ambulantes e barraquinhas que encarnam um espécie de drive-thru campesino. Morangos e orquídeas são vendidos a um palmo da sua janela.

Rota do Lagarto

Passando a portaria do Parque Estadual o cenário muda consideravelmente. Muda por causa do asfalto que algum infeliz resolveu colocar na estrada (e que precisa urgentemente de reparo!). Mas muda principalmente por causa da perda da cobertura vegetal do lado direito da via.

Ver o tanto de mata atlântica que deu lugar a casas e fazendas dói um pouco. Mas, graças à onipresença da Pedra do lado esquerdo e à ação criativa dos proprietários de empreendimentos turísticos, ainda há muita beleza para se apreciar pelo caminho.

Rota do Lagarto

Dependendo da época da sua visita, você vai se deslumbrar com as dezenas de ipês que encontrará ao longo do trajeto. Especialmente se for tempo de floração. Na última vez em que nós fomos, por exemplo, os amarelos roubavam a cena.

Pedra Azul

O corredor de hortênsias a la Gramado no entorno da Pousada Tre Fiore é outro belíssimo trunfo dessa parte da estrada. Aliás, taí uma coisa na qual as autoridades locais poderiam se inspirar: um bocadinho de flores no acostamento de toda a Rota poderia alçá-la definitivamente ao topo do pódio de rodovias mais bonitas do Brasil. 😉

Rota do Lagarto

Mais pro final da Rota a vegetação vai ficando menos exuberante e mais rara devido ao aumento da ocupação humana nas margens e na área adjacente ao Parque. Nada que tire o encanto da onipresente Pedra Azul.

Mas se, por um lado, o finzinho da Rota deixa a desejar em termos de cobertura vegetal, por outro um conjunto de novos empreendimentos turísticos que estão sendo abertos por aí tem ajudado a reforçar o lado romântico de Pedra Azul. É nessa parte da Rota que eu vejo nascer a tal “rota romântica” que eu falei lá em cima. Veja bem. Eu falei NASCER. Para evitar frustrações em quem não conhece Pedra Azul, é bom deixar claro que esse é um movimento absolutamente espontâneo e gradativo e que não há nenhuma ação orquestrada – especialmente por parte da Prefeitura de Domingos Martins ou do Governo do Estado – na construção desse produto turístico. A coisa tá nascendo pelas mãos dos donos de 4 estabelecimentos que, intencionalmente ou não, souberam dialogar com o cenário do entorno, criando ambientes incrivelmente harmônicos entre si. (clap, clap, clap!)

A pioneira desse movimento foi a Pousada Rabo do Lagarto, sobre a qual eu já falei aqui.

Pousada Rabo do Lagarto

Além de ser responsável por uma verdadeira guinada nos padrões de hospedagem da região, inaugurando aqui o conceito de “pousada de charme”, a Rabo do Lagarto intensificou o fluxo de casais em lua de mel ou interessados em um simples final de semana romântico.

Pousada Rabo do Lagarto

Da decoração dos quartos à vista da Pedra Azul, tudo na Rabo do Lagarto conspira para o clima de romance.

Pousada Rabo do Lagarto

Hospedar-se na Rabo do Lagarto tem o seu custo, claro. No booking, uma diária no quarto standard para um dia de semana em novembro está por R$752,40. Mas para quem quer usufruir ao máximo todos os encantos dessa rota romântica em gestação ficar na Rabo do Lagarto é, sem dúvida, a escolha mais apropriada.

No rastro desse nicho “love is in the air” criado pela Rabo do Lagarto, veio o Restaurante Alecrim.

Restaurante Alecrim

Eu já falei sobre ele nesse post antigo. Mais do que a comida da chef Cecília Cunha, o que justifica a inclusão do Alecrim nessa “rota” é a belezura desse cenário em estilo provençal:

restaurante alecrim

A Provença parece ter sido também a inspiração dos dois outros empreendimentos que eu agrupei nessa “rota romântica”: a Marietta Delicatessen e a Venda da Rota. No caso da primeira, há uma sutil referência àquela região da França nas lavandas espalhadas pelo belo jardim:

Marietta Delicatessen

Lá dentro produtos de fabricação própria que utilizam ingredientes adquiridos na região são uma boa pedida para uma doce recordação da sua viagem. Tem bolos, pães caseiros, geléias, antepastos e o famoso imbiolato, uma espécie de pizza em formato de rocambole.

Marietta Delicatessen

O cheiro que sai dos fornos da cozinha e invade a sala principal da casa é tentador!

Marietta Delicatessen

Já na Venda da Rota, um pouquinho de imaginação fértil vai te transportar para algum vilarejo do interior da França (alô, Mirelle! alô, Natália!). 😀

Venda da Rota

A Venda é uma espécie de bistrô instalado bem no meio de um loja de decoração. Os objetos expostos não são baratos, por suposto. Mas são de uma beleza e bom gosto que dificilmente se veem por aí.

Venda da Rota

Venda da Rota

Apesar do meu destaque para esses 4 empreendimentos, as atrações desse projeto de “rota romântica” by Rotas Capixabas não acabam aí. Eu poderia incluir nela o passeio a cavalo do Fjordland, com sua arquitetura nórdica; as bicicletas de aluguel da Pedra Azul Ecotur, que nos permitem apreciar de forma ainda mais íntima a paisagem local; os morangos orgânicos da Penhazul (os mais doces que você jamais experimentou!); alguns outros restaurantes que se esmeram em oferecer boa comida em um ambiente acolhedor, como o Don Lorenzoni Due e o Preferito da Montanha; e várias outras propriedades do agroturismo de Pedra Azul e região. Esses outros empreendimentos, aliás, tornam a Rota do Lagarto interessante para qualquer tipo de público, e não só casaizinhos apaixonados. Mas digamos que, para um final de semana a dois, os 4 lugares que eu citei acima são os que mais combinam com o clima de romance. 😉

Enfim, a Rota do Lagarto é mais uma preciosidade capixaba pronta para ser descoberta. E eu espero de coração que esse post te convença a descobri-la!

19
ago.
2015

Para entender (e amar!) Pedra Azul

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

Para nós, capixabas, não há dúvida: Pedra Azul é o principal destino turístico de inverno do Espírito Santo. Embora o que se convencionou chamar de Montanhas Capixabas não se restrinja a ela (lembro aqui que Santa Teresa também faz parte das nossas montanhas), é inegável que há uma aproximação quase automática entre a região serrana e Pedra Azul.

Mas, afinal, o que é essa tal de Pedra Azul?

Pedra Azul

A pergunta pode parecer óbvia para quem mora aqui no Estado. Mas não é para quem vem de fora. Recebo muitos emails de leitores perguntando se dá pra visitar Pedra Azul e Santa Teresa no mesmo dia (não, não dá!!!!). Foi pensando nisso que eu resolvi explicar didaticamente Pedra Azul para o turista “forasteiro”, tal qual eu fiz com Santa Teresa. É mais uma contribuição que eu dou para mostrar que o turismo do Espírito Santo vai muito além das praias. 😉

Tecnicamente, o nome Pedra Azul é usado em 4 acepções mais comuns:

a) a primeira delas é a mais óbvia: Pedra Azul é o nome do conjunto rochoso mais famoso do Estado.

Pedra Azul

Muito provavelmente, você já viu foto dela em algum cartão postal do Espírito Santo. A Pedra Azul tem 1.822 metros de altitude e é especialmente conhecida por essa saliência em forma de lagarto que parece subir a pedra.

Pedra Azul

Reza a lenda que o nome se deve à coloração azulada que a pedra adquire em determinadas horas do dia em função da radiação solar. Mas eu confesso que nunca a vi azul.

b) a segunda acepção diz respeito ao parque estadual que se criou para proteção do bioma predominante na Pedra Azul: o Parque Estadual da Pedra Azul. Devido ao clima montanhoso e úmido, a vegetação local é riquíssima e cheia de espécies endêmicas de orquídeas e bromélias. E para proteger tudo isso o Governo do Estado criou o parque em 1961.

Parque Estadual Pedra Azul

A portaria do parque

Ao todo o parque tem 1.240 hectares. Uma pequena parte está aberta à visitação e pode ser percorrida através de trilhas guiadas (veja mais informações aqui).

Pedra Azul

A visão do “lagarto” na subida da trilha

c) outra acepção possível é também o distrito de Pedra Azul (que, na verdade, se chama Aracê), que fica bem pertinho do parque e integra o município de Domingos Martins. Oficialmente, Pedra Azul – e aqui eu me refiro indistintamente à pedra, ao parque e ao distrito – está no território de Domingos Martins, a mais famosa das cidades serranas. Mas se engana quem pensa que é fácil visitá-la a partir da sede da cidade. Não é. Ela está distante cerca de 40 km da sede, cujo acesso se dá pela movimentada, sinuosa e lenta BR 262.

Pedra Azul

O distrito de Pedra Azul

É por isso que, do ponto de vista turístico, o distrito de Pedra Azul (Aracê) é autônomo em relação à cidade de Domingos Martins (e até hoje há uma luta pela emancipação política da região). E para quem deseja aproveitar ao máximo as atrações de Pedra Azul sem se preocupar com o tráfego da BR, hospedar-se na sede do município não é lá uma boa opção.

A Pedra Azul “distrito” é quase uma vila, de tão pequenina. E, verdade seja dita, não há nenhum apelo arquitetônico que faça valer a visita até lá. Por isso que, apesar desse pequeno aglomerado urbano, o turismo de Pedra Azul é essencialmente rural. Não há um centrinho aglutinador que sirva de referência para os turistas, como há em Santa Teresa, por exemplo. O que há são atrações naturais e estabelecimentos turísticos (em sua maioria, de natureza rural) espalhados por toda a região.

Pedra Azul

O distrito só lhe será útil para duas coisas: abastecer o carro (aí está o posto de gasolina mais próximo) e sacar dinheiro (há postos de antedimento do Banestes, Caixa e Sicoob). E não custa lembrar: é bom levar dinheiro ou cheque. A situação já está mudando, mas ainda há vários estabelecimentos que não aceitam cartão de crédito/débito.

d) por fim, em sua acepção linguística mais comum, Pedra Azul se refere à micro-região turística que cresceu e se estabeleceu no entorno da pedra e do parque. É geralmente a isso que o capixaba se refere quando fala que vai pra Pedra Azul… mesmo que tecnicamente ele se hospede numa pousadinha de Venda Nova do Imigrante. 😛

Pedra Azul

Na verdade, a região turística de Pedra Azul não obedece à geopolítica local. Ela tem o seu epicentro no grande triângulo imaginário formado, em seus lados, pela intersecção da BR 262 com a Rodovia Estadual 164 e, em sua base, pela chamada Rota do Lagarto (sobre a qual falarei no próximo post). Mas não seria nenhum despautério turístico incluir aí os estabelecimentos do agroturismo de Venda Nova, cuja sede está a apenas 10 km de Pedra Azul.

Pedra Azul

Logisticamente falando, a dobradinha Pedra Azul + Venda Nova é bem mais viável que Pedra Azul + Domingos Martins.

Nesse triângulo imaginário se estabeleceu o maior número de pousadas e restaurantes por metro quadrado das nossas montanhas.  Me arrisco a dizer que essa vis attractiva foi gerada pela confluência de 3 fatores principais: a beleza natural da região, a herança cultural da imigração européia e a atividade criativa dos proprietários rurais que fizeram do agroturismo a mola propulsora da economia local. Esse é basicamente o mix de ingredientes que faz de Pedra Azul um dos maiores e mais bem preparados destinos turísticos capixabas (embora ainda pouco conhecido fora do Estado).

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

A beleza natural de Pedra Azul deve muito à preservação da mata atlântica local. Tá certo que a cobertura verde já foi mais extensa e tem diminuído ano a ano pelas mãos da especulação imobiliária e da falta de compromisso do poder público municipal (alô, Prefeitura de Domingos Martins!!! leia mais sobre isso aqui e aqui). Mas, especialmente no entorno do parque, a exuberância da mata chama atenção.

Pedra Azul

Sobre o legado da imigração européia nas montanhas capixabas eu já falei várias vezes aqui no Rotas quando contei sobre a origem de Venda Nova e Santa Teresa. Pedra Azul está bem no meio da região que, no final do século XIX e início do século XX, recebeu correntes de imigrantes europeus vindos, principalmente, da Itália e Alemanha. Por isso você vai encontrar diversos elementos desses dois povos na formação da cultura local, especialmente na gastronomia.

Pedra Azul

Marietta Delicatessen

Já o agroturismo dispensa comentários. Aquilo que eu falei sobre Venda Nova se aplica indistintamente a Pedra Azul, que, nesse ponto, é praticamente uma extensão da primeira.

Pedra Azul

Penhazul Morangos Orgânicos

Em Pedra Azul o que não falta é opção de propriedades rurais para você visitar!

Além desses três fatores, dois outros contribuem para o carinho especial do capixaba por Pedra Azul: o clima ameno e a incrível proximidade da capital. A altitude média da região fica em torno de 1.000 metros, fazendo com que as temperaturas caiam para baixo dos 10 graus no inverno. Por outro lado, são apenas 80 km de Vitória pela BR 262. Como se diz por aqui, é muito rápido e fácil fugir do calor de 40º das nossas praias para curtir um friozinho “europeu” nas nossas montanhas! 😉

Pedra Azul

Para quem é de fora, é perfeitamente possível conhecer Pedra Azul a partir de um bate-volta desde Vitória, como eu sugeri nesse post. Mas o ideal mesmo é reservar um final de semana para aproveitar ao máximo as atrações que a região oferece. Boa parte delas já foram comentadas aqui no Rotas. Por isso, enquanto não sai um post redondinho compilando essas atrações num roteiro sugerido (eu prometo que um dia ele sai!), você pode planejar a sua viagem lendo todos os posts que eu já fiz sobre elas clicando nos links abaixo:

A Rota do Mar e das Montanhas

O Parque Estadual da Pedra Azul

Fjordland: passeios a cavalo em Pedra Azul

Altezza: cervejaria artesanal em Pedra Azul

O socol do Sítio Lorenção

Fazenda Carnielli: o agronegócio do agroturismo de Venda Nova

Arvorismo em Venda Nova do Imigrante

O agroturismo de Venda Nova do Imigrante

A riqueza de Venda Nova do Imigrante

Festa da Polenta em Venda Nova

Cila e Claudia: as “tias” do agroturismo de Venda Nova

A massa do Valsugana (Restaurante Valsugana)

Alecrim Dourado! (Restaurante Alecrim)

Pousada Rabo do Lagarto: charme e romantismo em Pedra Azul

Pedra Azul e Domingos Martins: o relato da Eda

Orquidário Caliman

Trem das Montanhas Capixabas: como é o passeio?

Trem das Montanhas Capixabas: informações básicas

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28
jul.
2015

Um dia no Porto

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, eu faço relato das minhas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Porto

Chegamos ao Porto vindo de Paris num vôo operado pela TAP. Era a nossa primeira vez na terrinha e as boas impressões começaram já no ar, com o serviço super simpático da companhia aérea portuguesa. Além do kit de entretenimento infantil, as comissárias ainda se preocuparam em realocar os passageiros sentados ao lado de famílias com bebês para liberar o assento e aumentar o conforto, já que o avião não estava lotado.

Porto

Um gesto de pura consideração e gentileza que não custou nada a elas, mas fez amolecer os nossos corações.

A verdade é que, para nós, essa receptividade das comissárias da TAP com a Maria foi apenas um prenúncio da boa receptividade que os próprios portugueses tiveram com ela. Talvez a gente estivesse mal-acostumado com a frieza dos parisienses. Mas ver o sorriso, a simpatia e a preocupação dos portugueses – em especial, dos mais idosos – com a Maria ao longo da nossa viagem fez mais do que amolecer… fez derreter os nossos corações de amores por Portugal.

O aeroporto tem fraldário no banheiro masculino!

Pais que trocam fraldas. No aeroporto do Porto tem!

Do aeroporto a gente foi direto para o apartamento, de taxi. Chegamos no final da tarde e, por isso, o nosso primeiro dia no Porto foi inteiramente dedicado a descansar e a suprir o apartamento (sobre o qual eu falei aqui) dos itens necessários à nossa alimentação. A única atração do dia ficou por conta do jantar pedido no bar da esquina: o primeiro bacalhau da viagem!

Nossa passagem por Porto – e por Portugal, de maneira geral – foi incrivelmente facilitada pelos posts mastigadinhos da Camila Navarro sobre o país. Seguindo as dicas que ela deu nesse post, eu tracei o nosso roteiro para o único dia livre que teríamos na cidade, já que reservamos apenas 2 noites por lá. (fuen fuen fuen… pula pra não bater arrependimento…)

Porto

Fizemos apenas uma adaptação no roteiro da Camila: como a gente estava hospedado bem ao lado dos Jardins do Palácio de Cristal e eu desconfiava que a Maria (e nós também) gostaria de lá por tudo o que a Camila disse nesse post, eu o inclui bem no início do passeio e continuei seguindo na direção contrária da Camila.

Porto

Minha desconfiança não foi à toa. Tem vários “bichinhos” andando soltos pelos jardins que fizeram a festa da Maria. A interação foi tanta que a gente ficou um bom tempo por lá. 😉

Porto

Porto

“Bichinhos” à parte, os Jardins do Palácio de Cristal são lindos e muito bem preservados. Mas, apesar de permanecer no nome, o Palácio de Cristal já não existe mais. Ele foi demolido em 1951 e, no seu lugar, foi erguido um grande pavilhão, onde acontecem exposições e feiras.

Porto

Como se vê no post da Camila, dos fundos do jardim você tem uma bela vista da cidade. Mas, devido ao adiantado da hora, a gente resolveu continuar o roteiro, seguindo a pé até o Cais da Ribeira. Foram 20 minutos de caminhada passando por ruelas cinematográficas.

Porto

Porto

O dia, que amanhecera nublado, começava a se abrir para nós.

Porto

No caminho, pausa para registrar um clássico da cidade: o Eléctrico 1, que faz o trajeto da Ribeira à Foz do Douro.

Porto

A Camila contou sobre esse passeio aqui. A nossa falta de tempo, porém, só nos permitiu ver o bondinho de longe, caminhando às margens do Douro.

Porto

Chegamos na Ribeira bem na hora de nos fartar com a primeira experiência gastronômica em um restaurante turisticamente português: sardinhas fritas, vinho do porto e arroz de bacalhau era tudo o que eu mais precisava para trazer à tona as lembranças dos almoços de domingo com o meu amado e saudoso Vô Reis.

Porto

A gente poderia ter ficado a tarde toda por ali, curtindo o vai-e-vém de turistas, os artistas de rua e as mil e uma lojinhas de souvenirs. Mas a essa hora o arrependimento por não ter destinado mais dias ao Porto já era grande e a tristeza por deixar a cidade no dia seguinte nos fez querer render ao máximo aquele meio de tarde.

Porto

Porto

Fomos subindo a Rua dos Mercadores até a Rua das Flores, onde, mais uma vez, as lembranças da infância tomaram conta de mim. Dei de cara com uma papelaria homônima à que meu avô fundou aqui no Brasil e não contive a emoção de reencontrá-lo em pensamento.

Porto

Ao final da Rua das Flores, a visão daquela que, pra mim, foi a maior atração do Porto: a Estação São Bento, com suas paredes azulejadas que são uma indecência.

Porto

O Porto foi a última residência de meu avô em Portugal. Ele viveu ali dos 12 aos 16 anos de idade. E foi na Estação São Bento que ele embarcou num trem para Lisboa a tempo de pegar o navio que o levaria ao Brasil em 1926.

Sei que a ida dele ao Brasil não foi assim tão espontânea. Ele estava atrás de condições de vida melhores do que aquelas que o destino havia lhe reservado em sua terra natal. Mas não foi difícil pra mim imaginar o encantamento nos olhos ainda pueris de meu avô ao entrar naquela estação. Deveria ser o mesmo encantamento que eu tive ao entrar lá. Pode ser só coisa da minha cabeça… mas, em nenhum outro momento da minha vida, aquela fala batida de familiares quanto à minha semelhança com o meu avô me pareceu tão verdadeira!

Da Estação São Bento à Praça da Liberdade foi um pulo. A essa altura nossas pilhas começavam a descarregar e o pique já não era o mesmo. Aproveitamos para improvisar um lanche aos pés do belíssimo prédio da Câmara Municipal, que domina o cenário da praça.

Porto

Porto

Seguimos pela Rua dos Clérigos em direção à Rua das Carmelitas, onde se situa outra grande atração do Porto: a Livraria Lello & Irmão. A fila para entrar e o cansaço, porém, falaram mais alto e a gente acabou abrindo mão da visita.

Porto

O que a gente não abriu mão foi de sentar à mesa de uma pequena confeitaria para começar a nossa dolorosa imersão nos famosos doces de Portugal. 😉

Porto

Já satisfeitos com o rendimento do nosso primeiro (e único) dia livre no Porto, atravessamos a Praça Gomes Teixeira para, com a ajuda de um local, pegar o primeiro “autocarro” rumo ao nosso apartamento num ponto no início da Rua do Carmo.

Porto

Se você parar para comparar o nosso roteiro com o da Camila, vai perceber que, no final das contas, nós não conhecemos nem metade dos lugares que ela conheceu na cidade. Fuen fuen fuen… É claro que, com a Maria a tiracolo, eu já imaginava que não daria para ver tudo. Mas ver o tanto de Porto que ainda havia por explorar fez bater definitivamente aquele arrependimento por não dedicar mais tempo à cidade. Bem que a Camila tentou me convencer a deixar Paris de lado e esticar nossa estada em Portugal. Mas eu não a ouvi. E me arrependi.

Porto

Porto, minha cara, guenta aí! Um dia a gente volta. 😀

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17
jul.
2015

Pousada Quarto Crescente: hospedagem budget em Trancoso

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, eu faço relatos das minhas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Você pode nem se lembrar mais… mas há cerca de um ano atrás eu prometi revelar aqui no Rotas os meus segredos para aproveitar Trancoso sem ir à falência. Eu queria resgatar essa promessa falando sobre aquela que eu considero o maior trunfo nessa nossa Trancoso budget: a Pousada Quarto Crescente.

Pousada Quarto Crescente

Primeiramente, “a César o que é de César”. A dica da Quarto Crescente não é minha. Na verdade, ela nos foi passada pela Ana Paula, cunhada de uma amiga da Renata (a quem eu agradeço enormemente), depois de saber que a nossa primeira visita ao vilarejo não tinha sido lá dos melhores no quesito hospedagem. Na época, nós estávamos hospedados a 50 metros da Quarto Crescente, numa pousadinha… digamos assim… beeeem mais ou menos. Coisa de principiante, eu diria. Porque foi só a Ana Paula comentar sobre a Quarto Crescente – que ficava numa esquina da mesma rua – para a gente ver que poderia usufruir de um pouco mais de conforto pagando praticamente o mesmo.

Foi assim que começou a nossa história de afeição pela Quarto Crescente. Desde então, todas as nossas visitas a Trancoso passaram por lá. É fundamentalmente por causa dela que o carnaval em Trancoso fica tão viável.

Já que o propósito aqui é ressaltar o lado budget de Trancoso e, mais especificamente, da Quarto Crescente, eu vou direto ao que interessa: o custo. No carnaval de 2014 (última vez que estivemos por lá), o valor do pacote para 5 noites no apartamento standard ficou em R$1.620,00 para 2 pessoas, o que dava R$324,00 por noite.

Pousada Quarto Crescente

Eu sei que a noção de caro/barato é algo bem subjetivo e depende muito das circunstâncias e das possibilidades de cada um. Mas o que eu também sei é que, em termos comparativos, pagar R$324,00 por noite para se hospedar em Trancoso em pleno carnaval é um preço justo. Justo porque carnaval é altíssima temporada no Brasil e porque Trancoso é um destino tradicionalmente caro. Mas eu considero justo principalmente por ser a Quarto Crescente. Lá eu digo que esse investimento vale a pena porque, além de tudo, você pode usá-lo a seu favor.

Explico.

A Quarto Crescente é uma pousada bem familiar. Um holandês (Peter), sua mulher brasileira (Eunice), seus 2 filhos (Joana e Ian), e o Choco (cachorro do Ian) é que tomam conta de lá. Isso torna o ambiente bem descontraído e informal. Em pouco tempo você vai perceber que a intenção ali é deixar a gente bem à vontade.

Pousada Quarto Crescente

Daí que não há nenhuma restrição quanto ao consumo de bebidas e comidas própria. Na verdade, eles até facilitam as coisas, cedendo utensílios domésticos se necessário. Em um dos carnavais que fomos pra lá em família/amigos, passamos algumas tardes na piscina consumindo a nossa própria cerveja e fazendo a nossa própria caipirinha com utensílios, limão e açúcar emprestados pelo Jean!

Mas não é só isso. O melhor mesmo desse “investimento carnavalesco” é o chá da tarde que eles oferecem. Um chá da tarde que pode muito bem substituir aquele jantar caro que você faria no Quadrado! 😉

Pousada Quarto Crescente

Pão-duragem à parte, é sério. O chá da tarde que eles oferecem é um verdadeiro banquete estrelado pelos bolos caseiros da Joana. Lá pelas 17:00h ela vai trazendo e exibindo e chamando os hóspedes para arrematar os bolos que sobraram do café da manhã e aqueles que ela assa na hora. Pra mim esse ritual é o perfeito reflexo do grau de cortesia dos donos da casa. É impossível não se sentir lisonjeado com tamanha gentileza!

Pousada Quarto Crescente

Acompanhando os bolos da Joana, tem sempre uma opção de torta salgada para quem não é fã de doces. E essa dobradinha torta + bolo quase sempre é responsável por eu dispensar a refeição no caro Quadrado.

Tá vendo como dá pra fazer render o investimento? 😉

Pousada Quarto Crescente

Ala dos apartamentos standards

Fora da alta temporada, a diária mais baixa que aparece no site da pousada é de R$260,00 (para duas pessoas) em apartamento temático. O preço só não é mais em conta porque, nessa época, eles não oferecem os apartamentos standards, que são inferiores aos temáticos.

Afora questões puramente financeiras, a Quarto Crescente é uma belezura de lugar. O terreno da pousada é bem grande e com bastante área verde. As principais comodidades são piscina (adulto e infantil), estacionamento privativo e gratuito, espaço para massagens (mediante agendamento e não incluído na diária), sala de jogos, livros e DVDs à disposição para ler/ver no quarto naqueles dias chuvosos, comendo uma pipoca ou pizza que eles fazem lá mesmo.

Além disso, de 2014 pra cá a Pousada passou por uma reforma que resultou numa bela incrementada da área social. A piscina, por exemplo, foi ampliada, ganhou deck molhado e não é mais de vinil (como na foto que eu postei acima):

Foto: Divulgação (site)

Foto: Divulgação (site)

Além dos apartamentos standards e dos temáticos, a pousada tem ainda suítes mais espaçosas e chalés que ficam na parte de trás do terreno. No ano passado, nós nos hospedamos em um desses chalés, com cozinha e que comporta até 6 pessoas:

Pousada Quarto Crescente

Foto: Divulgação (site)

No quesito localização, a Quarto Crescente também não deixa a desejar. Ela não fica tecnicamente no Quadrado. Mas nada que uma caminhada de 10 minutos não resolva. Para ir à praia, no entanto, você precisará de carro, como todo mundo que opta por se hospedar no alto da falésia (e não à beira-mar).

Enfim, hospedar-se na Quarto Crescente é uma opção certeira para aproveitar o lado budget de Trancoso. 

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