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19
ago
2015

Para entender (e amar!) Pedra Azul

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

Para nós, capixabas, não há dúvida: Pedra Azul é o principal destino turístico de inverno do Espírito Santo. Embora o que se convencionou chamar de Montanhas Capixabas não se restrinja a ela (lembro aqui que Santa Teresa também faz parte das nossas montanhas), é inegável que há uma aproximação quase automática entre a região serrana e Pedra Azul.

Mas, afinal, o que é essa tal de Pedra Azul?

Pedra Azul

A pergunta pode parecer óbvia para quem mora aqui no Estado. Mas não é para quem vem de fora. Recebo muitos emails de leitores perguntando se dá pra visitar Pedra Azul e Santa Teresa no mesmo dia (não, não dá!!!!). Foi pensando nisso que eu resolvi explicar didaticamente Pedra Azul para o turista “forasteiro”, tal qual eu fiz com Santa Teresa. É mais uma contribuição que eu dou para mostrar que o turismo do Espírito Santo vai muito além das praias. 😉

Tecnicamente, o nome Pedra Azul é usado em 4 acepções mais comuns:

a) a primeira delas é a mais óbvia: Pedra Azul é o nome do conjunto rochoso mais famoso do Estado.

Pedra Azul

Muito provavelmente, você já viu foto dela em algum cartão postal do Espírito Santo. A Pedra Azul tem 1.822 metros de altitude e é especialmente conhecida por essa saliência em forma de lagarto que parece subir a pedra.

Pedra Azul

Reza a lenda que o nome se deve à coloração azulada que a pedra adquire em determinadas horas do dia em função da radiação solar. Mas eu confesso que nunca a vi azul.

b) a segunda acepção diz respeito ao parque estadual que se criou para proteção do bioma predominante na Pedra Azul: o Parque Estadual da Pedra Azul. Devido ao clima montanhoso e úmido, a vegetação local é riquíssima e cheia de espécies endêmicas de orquídeas e bromélias. E para proteger tudo isso o Governo do Estado criou o parque em 1961.

Parque Estadual Pedra Azul

A portaria do parque

Ao todo o parque tem 1.240 hectares. Uma pequena parte está aberta à visitação e pode ser percorrida através de trilhas guiadas (veja mais informações aqui).

Pedra Azul

A visão do “lagarto” na subida da trilha

c) outra acepção possível é também o distrito de Pedra Azul (que, na verdade, se chama Aracê), que fica bem pertinho do parque e integra o município de Domingos Martins. Oficialmente, Pedra Azul – e aqui eu me refiro indistintamente à pedra, ao parque e ao distrito – está no território de Domingos Martins, a mais famosa das cidades serranas. Mas se engana quem pensa que é fácil visitá-la a partir da sede da cidade. Não é. Ela está distante cerca de 40 km da sede, cujo acesso se dá pela movimentada, sinuosa e lenta BR 262.

Pedra Azul

O distrito de Pedra Azul

É por isso que, do ponto de vista turístico, o distrito de Pedra Azul (Aracê) é autônomo em relação à cidade de Domingos Martins (e até hoje há uma luta pela emancipação política da região). E para quem deseja aproveitar ao máximo as atrações de Pedra Azul sem se preocupar com o tráfego da BR, hospedar-se na sede do município não é lá uma boa opção.

A Pedra Azul “distrito” é quase uma vila, de tão pequenina. E, verdade seja dita, não há nenhum apelo arquitetônico que faça valer a visita até lá. Por isso que, apesar desse pequeno aglomerado urbano, o turismo de Pedra Azul é essencialmente rural. Não há um centrinho aglutinador que sirva de referência para os turistas, como há em Santa Teresa, por exemplo. O que há são atrações naturais e estabelecimentos turísticos (em sua maioria, de natureza rural) espalhados por toda a região.

Pedra Azul

O distrito só lhe será útil para duas coisas: abastecer o carro (aí está o posto de gasolina mais próximo) e sacar dinheiro (há postos de antedimento do Banestes, Caixa e Sicoob). E não custa lembrar: é bom levar dinheiro ou cheque. A situação já está mudando, mas ainda há vários estabelecimentos que não aceitam cartão de crédito/débito.

d) por fim, em sua acepção linguística mais comum, Pedra Azul se refere à micro-região turística que cresceu e se estabeleceu no entorno da pedra e do parque. É geralmente a isso que o capixaba se refere quando fala que vai pra Pedra Azul… mesmo que tecnicamente ele se hospede numa pousadinha de Venda Nova do Imigrante. 😛

Pedra Azul

Na verdade, a região turística de Pedra Azul não obedece à geopolítica local. Ela tem o seu epicentro no grande triângulo imaginário formado, em seus lados, pela intersecção da BR 262 com a Rodovia Estadual 164 e, em sua base, pela chamada Rota do Lagarto (sobre a qual falarei no próximo post). Mas não seria nenhum despautério turístico incluir aí os estabelecimentos do agroturismo de Venda Nova, cuja sede está a apenas 10 km de Pedra Azul.

Pedra Azul

Logisticamente falando, a dobradinha Pedra Azul + Venda Nova é bem mais viável que Pedra Azul + Domingos Martins.

Nesse triângulo imaginário se estabeleceu o maior número de pousadas e restaurantes por metro quadrado das nossas montanhas.  Me arrisco a dizer que essa vis attractiva foi gerada pela confluência de 3 fatores principais: a beleza natural da região, a herança cultural da imigração européia e a atividade criativa dos proprietários rurais que fizeram do agroturismo a mola propulsora da economia local. Esse é basicamente o mix de ingredientes que faz de Pedra Azul um dos maiores e mais bem preparados destinos turísticos capixabas (embora ainda pouco conhecido fora do Estado).

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

Foto: Yuri Barichivich (www.yuribarichivich.com)

A beleza natural de Pedra Azul deve muito à preservação da mata atlântica local. Tá certo que a cobertura verde já foi mais extensa e tem diminuído ano a ano pelas mãos da especulação imobiliária e da falta de compromisso do poder público municipal (alô, Prefeitura de Domingos Martins!!! leia mais sobre isso aqui e aqui). Mas, especialmente no entorno do parque, a exuberância da mata chama atenção.

Pedra Azul

Sobre o legado da imigração européia nas montanhas capixabas eu já falei várias vezes aqui no Rotas quando contei sobre a origem de Venda Nova e Santa Teresa. Pedra Azul está bem no meio da região que, no final do século XIX e início do século XX, recebeu correntes de imigrantes europeus vindos, principalmente, da Itália e Alemanha. Por isso você vai encontrar diversos elementos desses dois povos na formação da cultura local, especialmente na gastronomia.

Pedra Azul

Marietta Delicatessen

Já o agroturismo dispensa comentários. Aquilo que eu falei sobre Venda Nova se aplica indistintamente a Pedra Azul, que, nesse ponto, é praticamente uma extensão da primeira.

Pedra Azul

Penhazul Morangos Orgânicos

Em Pedra Azul o que não falta é opção de propriedades rurais para você visitar!

Além desses três fatores, dois outros contribuem para o carinho especial do capixaba por Pedra Azul: o clima ameno e a incrível proximidade da capital. A altitude média da região fica em torno de 1.000 metros, fazendo com que as temperaturas caiam para baixo dos 10 graus no inverno. Por outro lado, são apenas 80 km de Vitória pela BR 262. Como se diz por aqui, é muito rápido e fácil fugir do calor de 40º das nossas praias para curtir um friozinho “europeu” nas nossas montanhas! 😉

Pedra Azul

Para quem é de fora, é perfeitamente possível conhecer Pedra Azul a partir de um bate-volta desde Vitória, como eu sugeri nesse post. Mas o ideal mesmo é reservar um final de semana para aproveitar ao máximo as atrações que a região oferece. Boa parte delas já foram comentadas aqui no Rotas. Por isso, enquanto não sai um post redondinho compilando essas atrações num roteiro sugerido (eu prometo que um dia ele sai!), você pode planejar a sua viagem lendo todos os posts que eu já fiz sobre elas clicando nos links abaixo:

A Rota do Mar e das Montanhas

O Parque Estadual da Pedra Azul

Fjordland: passeios a cavalo em Pedra Azul

Altezza: cervejaria artesanal em Pedra Azul

O socol do Sítio Lorenção

Fazenda Carnielli: o agronegócio do agroturismo de Venda Nova

Arvorismo em Venda Nova do Imigrante

O agroturismo de Venda Nova do Imigrante

A riqueza de Venda Nova do Imigrante

Festa da Polenta em Venda Nova

Cila e Claudia: as “tias” do agroturismo de Venda Nova

A massa do Valsugana (Restaurante Valsugana)

Alecrim Dourado! (Restaurante Alecrim)

Pousada Rabo do Lagarto: charme e romantismo em Pedra Azul

Pedra Azul e Domingos Martins: o relato da Eda

Orquidário Caliman

Trem das Montanhas Capixabas: como é o passeio?

Trem das Montanhas Capixabas: informações básicas

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28
jul
2015

Um dia no Porto

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, eu faço relato das minhas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Porto

Chegamos ao Porto vindo de Paris num vôo operado pela TAP. Era a nossa primeira vez na terrinha e as boas impressões começaram já no ar, com o serviço super simpático da companhia aérea portuguesa. Além do kit de entretenimento infantil, as comissárias ainda se preocuparam em realocar os passageiros sentados ao lado de famílias com bebês para liberar o assento e aumentar o conforto, já que o avião não estava lotado.

Porto

Um gesto de pura consideração e gentileza que não custou nada a elas, mas fez amolecer os nossos corações.

A verdade é que, para nós, essa receptividade das comissárias da TAP com a Maria foi apenas um prenúncio da boa receptividade que os próprios portugueses tiveram com ela. Talvez a gente estivesse mal-acostumado com a frieza dos parisienses. Mas ver o sorriso, a simpatia e a preocupação dos portugueses – em especial, dos mais idosos – com a Maria ao longo da nossa viagem fez mais do que amolecer… fez derreter os nossos corações de amores por Portugal.

O aeroporto tem fraldário no banheiro masculino!

Pais que trocam fraldas. No aeroporto do Porto tem!

Do aeroporto a gente foi direto para o apartamento, de taxi. Chegamos no final da tarde e, por isso, o nosso primeiro dia no Porto foi inteiramente dedicado a descansar e a suprir o apartamento (sobre o qual eu falei aqui) dos itens necessários à nossa alimentação. A única atração do dia ficou por conta do jantar pedido no bar da esquina: o primeiro bacalhau da viagem!

Nossa passagem por Porto – e por Portugal, de maneira geral – foi incrivelmente facilitada pelos posts mastigadinhos da Camila Navarro sobre o país. Seguindo as dicas que ela deu nesse post, eu tracei o nosso roteiro para o único dia livre que teríamos na cidade, já que reservamos apenas 2 noites por lá. (fuen fuen fuen… pula pra não bater arrependimento…)

Porto

Fizemos apenas uma adaptação no roteiro da Camila: como a gente estava hospedado bem ao lado dos Jardins do Palácio de Cristal e eu desconfiava que a Maria (e nós também) gostaria de lá por tudo o que a Camila disse nesse post, eu o inclui bem no início do passeio e continuei seguindo na direção contrária da Camila.

Porto

Minha desconfiança não foi à toa. Tem vários “bichinhos” andando soltos pelos jardins que fizeram a festa da Maria. A interação foi tanta que a gente ficou um bom tempo por lá. 😉

Porto

Porto

“Bichinhos” à parte, os Jardins do Palácio de Cristal são lindos e muito bem preservados. Mas, apesar de permanecer no nome, o Palácio de Cristal já não existe mais. Ele foi demolido em 1951 e, no seu lugar, foi erguido um grande pavilhão, onde acontecem exposições e feiras.

Porto

Como se vê no post da Camila, dos fundos do jardim você tem uma bela vista da cidade. Mas, devido ao adiantado da hora, a gente resolveu continuar o roteiro, seguindo a pé até o Cais da Ribeira. Foram 20 minutos de caminhada passando por ruelas cinematográficas.

Porto

Porto

O dia, que amanhecera nublado, começava a se abrir para nós.

Porto

No caminho, pausa para registrar um clássico da cidade: o Eléctrico 1, que faz o trajeto da Ribeira à Foz do Douro.

Porto

A Camila contou sobre esse passeio aqui. A nossa falta de tempo, porém, só nos permitiu ver o bondinho de longe, caminhando às margens do Douro.

Porto

Chegamos na Ribeira bem na hora de nos fartar com a primeira experiência gastronômica em um restaurante turisticamente português: sardinhas fritas, vinho do porto e arroz de bacalhau era tudo o que eu mais precisava para trazer à tona as lembranças dos almoços de domingo com o meu amado e saudoso Vô Reis.

Porto

A gente poderia ter ficado a tarde toda por ali, curtindo o vai-e-vém de turistas, os artistas de rua e as mil e uma lojinhas de souvenirs. Mas a essa hora o arrependimento por não ter destinado mais dias ao Porto já era grande e a tristeza por deixar a cidade no dia seguinte nos fez querer render ao máximo aquele meio de tarde.

Porto

Porto

Fomos subindo a Rua dos Mercadores até a Rua das Flores, onde, mais uma vez, as lembranças da infância tomaram conta de mim. Dei de cara com uma papelaria homônima à que meu avô fundou aqui no Brasil e não contive a emoção de reencontrá-lo em pensamento.

Porto

Ao final da Rua das Flores, a visão daquela que, pra mim, foi a maior atração do Porto: a Estação São Bento, com suas paredes azulejadas que são uma indecência.

Porto

O Porto foi a última residência de meu avô em Portugal. Ele viveu ali dos 12 aos 16 anos de idade. E foi na Estação São Bento que ele embarcou num trem para Lisboa a tempo de pegar o navio que o levaria ao Brasil em 1926.

Sei que a ida dele ao Brasil não foi assim tão espontânea. Ele estava atrás de condições de vida melhores do que aquelas que o destino havia lhe reservado em sua terra natal. Mas não foi difícil pra mim imaginar o encantamento nos olhos ainda pueris de meu avô ao entrar naquela estação. Deveria ser o mesmo encantamento que eu tive ao entrar lá. Pode ser só coisa da minha cabeça… mas, em nenhum outro momento da minha vida, aquela fala batida de familiares quanto à minha semelhança com o meu avô me pareceu tão verdadeira!

Da Estação São Bento à Praça da Liberdade foi um pulo. A essa altura nossas pilhas começavam a descarregar e o pique já não era o mesmo. Aproveitamos para improvisar um lanche aos pés do belíssimo prédio da Câmara Municipal, que domina o cenário da praça.

Porto

Porto

Seguimos pela Rua dos Clérigos em direção à Rua das Carmelitas, onde se situa outra grande atração do Porto: a Livraria Lello & Irmão. A fila para entrar e o cansaço, porém, falaram mais alto e a gente acabou abrindo mão da visita.

Porto

O que a gente não abriu mão foi de sentar à mesa de uma pequena confeitaria para começar a nossa dolorosa imersão nos famosos doces de Portugal. 😉

Porto

Já satisfeitos com o rendimento do nosso primeiro (e único) dia livre no Porto, atravessamos a Praça Gomes Teixeira para, com a ajuda de um local, pegar o primeiro “autocarro” rumo ao nosso apartamento num ponto no início da Rua do Carmo.

Porto

Se você parar para comparar o nosso roteiro com o da Camila, vai perceber que, no final das contas, nós não conhecemos nem metade dos lugares que ela conheceu na cidade. Fuen fuen fuen… É claro que, com a Maria a tiracolo, eu já imaginava que não daria para ver tudo. Mas ver o tanto de Porto que ainda havia por explorar fez bater definitivamente aquele arrependimento por não dedicar mais tempo à cidade. Bem que a Camila tentou me convencer a deixar Paris de lado e esticar nossa estada em Portugal. Mas eu não a ouvi. E me arrependi.

Porto

Porto, minha cara, guenta aí! Um dia a gente volta. 😀

Leia todos os posts da série “Outras Rotas” clicando aqui.

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17
jul
2015

Pousada Quarto Crescente: hospedagem budget em Trancoso

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, eu faço relatos das minhas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Você pode nem se lembrar mais… mas há cerca de um ano atrás eu prometi revelar aqui no Rotas os meus segredos para aproveitar Trancoso sem ir à falência. Eu queria resgatar essa promessa falando sobre aquela que eu considero o maior trunfo nessa nossa Trancoso budget: a Pousada Quarto Crescente.

Pousada Quarto Crescente

Primeiramente, “a César o que é de César”. A dica da Quarto Crescente não é minha. Na verdade, ela nos foi passada pela Ana Paula, cunhada de uma amiga da Renata (a quem eu agradeço enormemente), depois de saber que a nossa primeira visita ao vilarejo não tinha sido lá dos melhores no quesito hospedagem. Na época, nós estávamos hospedados a 50 metros da Quarto Crescente, numa pousadinha… digamos assim… beeeem mais ou menos. Coisa de principiante, eu diria. Porque foi só a Ana Paula comentar sobre a Quarto Crescente – que ficava numa esquina da mesma rua – para a gente ver que poderia usufruir de um pouco mais de conforto pagando praticamente o mesmo.

Foi assim que começou a nossa história de afeição pela Quarto Crescente. Desde então, todas as nossas visitas a Trancoso passaram por lá. É fundamentalmente por causa dela que o carnaval em Trancoso fica tão viável.

Já que o propósito aqui é ressaltar o lado budget de Trancoso e, mais especificamente, da Quarto Crescente, eu vou direto ao que interessa: o custo. No carnaval de 2014 (última vez que estivemos por lá), o valor do pacote para 5 noites no apartamento standard ficou em R$1.620,00 para 2 pessoas, o que dava R$324,00 por noite.

Pousada Quarto Crescente

Eu sei que a noção de caro/barato é algo bem subjetivo e depende muito das circunstâncias e das possibilidades de cada um. Mas o que eu também sei é que, em termos comparativos, pagar R$324,00 por noite para se hospedar em Trancoso em pleno carnaval é um preço justo. Justo porque carnaval é altíssima temporada no Brasil e porque Trancoso é um destino tradicionalmente caro. Mas eu considero justo principalmente por ser a Quarto Crescente. Lá eu digo que esse investimento vale a pena porque, além de tudo, você pode usá-lo a seu favor.

Explico.

A Quarto Crescente é uma pousada bem familiar. Um holandês (Peter), sua mulher brasileira (Eunice), seus 2 filhos (Joana e Ian), e o Choco (cachorro do Ian) é que tomam conta de lá. Isso torna o ambiente bem descontraído e informal. Em pouco tempo você vai perceber que a intenção ali é deixar a gente bem à vontade.

Pousada Quarto Crescente

Daí que não há nenhuma restrição quanto ao consumo de bebidas e comidas própria. Na verdade, eles até facilitam as coisas, cedendo utensílios domésticos se necessário. Em um dos carnavais que fomos pra lá em família/amigos, passamos algumas tardes na piscina consumindo a nossa própria cerveja e fazendo a nossa própria caipirinha com utensílios, limão e açúcar emprestados pelo Jean!

Mas não é só isso. O melhor mesmo desse “investimento carnavalesco” é o chá da tarde que eles oferecem. Um chá da tarde que pode muito bem substituir aquele jantar caro que você faria no Quadrado! 😉

Pousada Quarto Crescente

Pão-duragem à parte, é sério. O chá da tarde que eles oferecem é um verdadeiro banquete estrelado pelos bolos caseiros da Joana. Lá pelas 17:00h ela vai trazendo e exibindo e chamando os hóspedes para arrematar os bolos que sobraram do café da manhã e aqueles que ela assa na hora. Pra mim esse ritual é o perfeito reflexo do grau de cortesia dos donos da casa. É impossível não se sentir lisonjeado com tamanha gentileza!

Pousada Quarto Crescente

Acompanhando os bolos da Joana, tem sempre uma opção de torta salgada para quem não é fã de doces. E essa dobradinha torta + bolo quase sempre é responsável por eu dispensar a refeição no caro Quadrado.

Tá vendo como dá pra fazer render o investimento? 😉

Pousada Quarto Crescente

Ala dos apartamentos standards

Fora da alta temporada, a diária mais baixa que aparece no site da pousada é de R$260,00 (para duas pessoas) em apartamento temático. O preço só não é mais em conta porque, nessa época, eles não oferecem os apartamentos standards, que são inferiores aos temáticos.

Afora questões puramente financeiras, a Quarto Crescente é uma belezura de lugar. O terreno da pousada é bem grande e com bastante área verde. As principais comodidades são piscina (adulto e infantil), estacionamento privativo e gratuito, espaço para massagens (mediante agendamento e não incluído na diária), sala de jogos, livros e DVDs à disposição para ler/ver no quarto naqueles dias chuvosos, comendo uma pipoca ou pizza que eles fazem lá mesmo.

Além disso, de 2014 pra cá a Pousada passou por uma reforma que resultou numa bela incrementada da área social. A piscina, por exemplo, foi ampliada, ganhou deck molhado e não é mais de vinil (como na foto que eu postei acima):

Foto: Divulgação (site)

Foto: Divulgação (site)

Além dos apartamentos standards e dos temáticos, a pousada tem ainda suítes mais espaçosas e chalés que ficam na parte de trás do terreno. No ano passado, nós nos hospedamos em um desses chalés, com cozinha e que comporta até 6 pessoas:

Pousada Quarto Crescente

Foto: Divulgação (site)

No quesito localização, a Quarto Crescente também não deixa a desejar. Ela não fica tecnicamente no Quadrado. Mas nada que uma caminhada de 10 minutos não resolva. Para ir à praia, no entanto, você precisará de carro, como todo mundo que opta por se hospedar no alto da falésia (e não à beira-mar).

Enfim, hospedar-se na Quarto Crescente é uma opção certeira para aproveitar o lado budget de Trancoso. 

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

Leia todos os posts da série “Outras Rotas” clicando aqui.

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13
jul
2015

BN Apartments e The Lisbonaire Apartments: nossa hospedagem em Porto e Lisboa

Eu tenho muito ainda para falar sobre a nossa última viagem à Europa e, especialmente sobre Portugal, tema de um único post até agora. Mas o tempo dedicado ao blog tem sido escasso por essas bandas desde que um antigo projeto pessoal meu foi resgatado. Por isso, eu resolvi inverter a ordem das coisas e começar logo do final para tornar público de uma vez algo que fez toda a diferença em nossa passagem pela terrinha: os nossos “hotéis”.

Pra falar a verdade, não foram bem “hotéis”. Tanto em Porto, quanto em Lisboa, a gente optou por alugar apartamentos, apostando no menor preço e na comodidade de ter uma cozinha para fazer comida para a Maria. E nossas duas escolhas foram bem felizes!

Porto

BN Apartments

No Porto o escolhido foi o BN Apartments Palacio, um dos 4 edifícios de apartamentos para temporada que o grupo BN mantem na cidade. Todos eles possuem ótima qualificação no Trip Advisor. Mas o que foi preponderante na minha escolha pelo Palácio foram 2 fatores: o preço mais em conta e o aval da Camila Navarro, do Viaggiando, quanto à conveniência da localização. O prédio fica bem pertinho do Jardim do Palácio de Cristal, o lugar preferido dela no Porto (veja aqui).

O prédio não tem portaria. A entrega das chaves é combinada previamente por email. Na hora prevista da sua chegada, um funcionário estará a sua espera para entregar o cartão que dá acesso ao edifício e ao apartamento e explicar as regras da casa.

No check-out o esquema é o mesmo. Na hora marcada, alguém vem para fazer os procedimentos de praxe.

BN Apartments

Pagamos 100 euros por 2 noites em um apartamento do tipo estúdio. O quarto não poderia ser mais apropriado para as nossas necessidades: espaçoso e com cozinha equipada.

BN Apartments

Além do mais, a decoração é bem moderninha, do jeito que a Renata gosta.

BN Apartments

Por óbvio, o café da manhã fica por conta dos hóspedes. Uma padaria a duas quadras do prédio e um supermercado a três serão suficientes para lhe prover de tudo o que for necessário para sua alimentação.

Só há serviço de limpeza dos quartos e substituição de lençóis e toalhas para hospedagens acima de 4 noites, o que não foi o nosso caso.

BN Apartments

Sobre a conveniência da localização eu já disse. Descendo 2 quadras abaixo você estará no Jardim do Palácio de Cristal. Virando na primeira esquina à esquerda começa a famosa Rua Miguel Bombarda, cheia de galerias de arte. Com 15 minutos de caminhada você chega no centro histórico da cidade.

E o melhor de tudo: você vai poder seguir à risca o roteiro de 1 dia na cidade que a Camila indicou nesse post.

Lisboa

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Já em Lisboa nossa escolha foi o The Lisbonaire Apartments.

A recomendação desse “hotel” veio da Silvia Oliveira, do Matraqueando, nesse post. O título não poderia ser mais chamativo: “hospedagem novíssima, barata, bem localizada e que, ainda por cima, adora criança“. Pronto! Nem pensei duas vezes.

Sem dúvida alguma, a dica da Silvia foi certeira. O Lisbonaire oferece estilo, sofisticação e conveniência a um preço justo e para um público variado, inclusive famílias com bebês. Nem precisava de tudo isso se o “hotel” fosse apenas baby-friendly do jeitinho que ele é: mediante solicitação prévia, eles disponibilizam gratuitamente berço, carrinho de bebê, cadeirinha de alimentação, trocador, banheira e caixa de brinquedos.

Lisbonaire Apartments

Quer coisa mais gentil e acolhedora do que essa para nós, pais?

Como se precisasse de mais coisa para agradar, os apartamentos são super espaçosos, bem decorados e com cozinha equipada.

Lisbonaire Apartments

O nosso tinha 60 m2, o que, para o padrão de hotelaria a que estamos acostumados, é quase um latifúndio. 😉

Lisbonaire Apartments

A localização também não poderia ser melhor: a 50 metros do Elevador da Glória, que te leva ao agito do bairro Chiado; a 100 metros da estação do metrô Restauradores, por onde passa a linha azul que te leva ao Terreiro do Paço e à estação Santa Apolônia; a 250 metros da estação do Rossio, de onde sai o trem que te leva a Sintra; e a 500 metros da Praça Figueira, ponto de partida do Elétrico 15E, com destino a Belém.

Como se vê, de lá até a Baixa Pombalina é um pulo. Nós percorremos quase todo o centro histórico de Lisboa à pé.

Para ter tudo isso à nossa disposição nós pagamos 130 euros por noite. Pode não ser barato, mas foi absolutamente justo.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

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06
jul
2015

Fjordland: passeios a cavalo em Pedra Azul

Cavalgada Ecológica Fjordland

Eu já contei todos os detalhes sobre a cavalgada ecológica no Fjordland de Pedra Azul nesse post bem antigo. Na época, eu não cheguei a fazer o passeio de cavalo porque meu nível de caretisse costumava andar no grau máximo.

Mas os tempos mudaram. 5 anos depois, com 1 filha e 2 sobrinhas pequenas a tiracolo, a cavalgada se torna uma das opções mais interessantes de passeio em Pedra Azul. Por isso, aproveitando um final de semana para um compromisso familiar em Venda Nova no último mês de maio, lá fomos nós vivenciar na prática a experiência que eu sempre recomendei aqui no Rotas.

Cavalgada Ecológica Fjordland

As opções de passeio continuam as mesmas: a) a trilha longa, com duração de 1h40 e duas saídas diárias (às 09:30 e às 13:30); e b) a trilha curta, com duração de 20 minutos e saídas mais frequentes (conferir nesse link). A diferença é o valor: R$90,00 por pessoa, a trilha longa; R$40,00, a curta, ou R$60,00 com adulto e criança de 2 a 7 anos no mesmo cavalo.

Cavalgada Ecológica Fjordland

As trilhas longas exigem idade mínima de 10 anos e só saem com um número mínimo de pessoas. De manhã, o destino final é o Mirante do Lagarto. À tarde, as piscinas naturais da fazenda.

Para quem vai com crianças pequenas (nosso caso) a única opção possível é a trilha curta. Nela, a gente pega uma pequena trilha atrás do prédio da administração do Fjordland e segue subindo até a plantação de café orgânico da propriedade.

Cavalgada Ecológica Fjordland

Para os pequenos a diversão é certa na garupa dos “cavalinhos” que são incrivelmente dóceis. Guias acompanham o grupo por toda a caminhada, garantindo o ritmo das passadas e a organização da fila.

Cavalgada Ecológica Fjordland

Cavalgada Ecológica Fjordland

Para os adultos, a diversão é complementada pela beleza do cenário que se tem ao longo do trajeto.

Cavalgada Ecológica Fjordland

Cavalgada Ecológica Fjordland

Pena que os 20 minutos passam tão rápido!

Cavalgada Ecológica Fjordland

Ao final do passeio, você ainda pode visitar o estábulo para conhecer o sistema de manejo dos cavalos e a fazendinha, onde ficam outros tipos de animais domésticos.

Cavalgada Ecológica Fjordland

Nos finais de semana, especialmente na alta temporada (inverno), é recomendado agendar o passeio por telefone (27 3248 0076) para não ser pego de surpresa com a falta de vagas. Durante a semana o agendamento com antecedência mínima de 24 horas é obrigatório.

Enquanto espera a sua vez chegar – ou ao final do passeio – você pode passar o tempo na Cafeteria Heimen, que fica dentro do Fjordland, apreciando a vista privilegiada da Pedra Azul.

Cavalgada Ecológica Fjordland

Só não espere muita eficiência no atendimento. Em todas as vezes que fomos até lá, sofremos com o amadorismo e a demora dos pedidos.

Anexa à cafeteria, há uma lojinha de souvenirs com produtos do artesanato local. É aí também que você paga a conta do seu consumo no complexo (com exceção do passeio à cavalo, que é pago na hora).

Cavalgada Ecológica Fjordland

Vale lembrar que, aos sábados, domingos e feriados, a entrada no Fjordland é paga e custa R$5,00 por pessoa (crianças até 12 anos não pagam). Ao entrar você recebe um cartão magnético que servirá de comanda durante a sua permanência no local. Você só precisará desembolsar dinheiro ou passar cartão de crédito ao final.

Há um estacionamento anexo à portaria principal.

Informações úteis:

Fjordland Ecologia e Turismo

Endereço: Rota do Lagarto, km 2,2, Pedra Azul do Aracê, Domingos Martins

Telefones: (27) 3248 0076 e 99836 3530

Horários de Funcionamento: segunda a sexta, das 08h às 17h; sábado, das 08h às 19h; e domingo, das 08h às 18h. A exceção é o estábulo que fecha às 17h todos os dias.

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