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14
set.
2010

Réquiem de um litoral ou Manifesto pela valorização de Itaúnas

Verdade seja dita: Deus não foi lá muito generoso quando concebeu o litoral do Espírito Santo. Não temos aqui nenhuma praia que mexa com os nossos desejos mais íntimos e nos faça querer largar tudo para viver como um náufrago. Nossas águas não são assim tão azuis (há exceções, claro) e nossas areias… bom, nossas areias também não são do tipo “talquinho”, fininhas e branquinhas. Talvez por isso nossas praias não estejam em nenhuma lista das 10 mais bonitas do Brasil (eu arriscaria 50, sem medo de ser cruel!).

Mas a culpa pela baixa auto-estima de nosso litoral não é toda do divino. Seria fácil olhar com mais compaixão para a paisagem se a ocupação que o homem fizesse dela fosse capaz de compensar a frustração de nossas expectativas nordestinas (ou caribenhas, para os mais radicais…). Nem tudo aqui precisava ser como Guarapari, meu Deus! Pra quê espalhar tanto concreto e cimento à beira-mar se tudo o que a gente mais quer nas férias é fincar o pé na areia e avistar a natureza que nos foi roubada nos grandes centros? Pra quê tanto asfalto, cruzamento, semáforo, rotatória, faixa de pedestres e estacionamento se, nos dias de folga, a gente quer mesmo é andar a pé pelas vias não pavimentadas de um lugarejo distante e fugir do inferno nosso de cada dia que é o trânsito de uma grande cidade? E, enfim, pra que tantos prédios, centro comerciais e shoppings ao longo das nossas orlas se, na praia, o que nos basta é simplesmente uma barraca, uma cadeira e uma esteira para desestressar?

Não parece uma contradição? Você foge da sua cidade para verdadeiramente f-u-g-i-r de tudo o que te faz lembrar dela – e, claro, da sua vida nela – e, de repente, se depara com uma versão em miniatura do caos! Aqui no Espírito Santo é assim em… sei lá… 80% das nossas praias. Não sei porque cargas d’água decidiu-se aqui que o bom mesmo é não abrir mão do conforto urbano nem mesmo à beira de uma praia. Foi assim que nasceu – e cresceu – Guarapari. Foi assim também que proliferaram outras versões de Guarapari, como Guriri, Piúma, Conceição da Barra e Marataízes (sim, família, não posso deixar de incluir Marata’s beach nessa lista!). E foi assim que a ocupação do nosso litoral se fez de forma homogênea, sem graça e monótona, deixando pouco – pouquíssimo, aliás – espaço para o surgimento de outros tipos de microcosmos praianos, como aqueles que fazem a festa dos turistas que se enveredam pelo sul da Bahia, por exemplo (sobre isso, confira o que diz o Ricardo Freire aqui).

Mas nem tudo está perdido. Nós ainda temos alternativa para fugir do padrão “Guarapari” de ocupação do nosso litoral. Itaúnas, por exemplo, lá no finzinho do Espírito Santo, na divisa com a Bahia, está aí como uma doce antítese das praias capixabas. Nada de asfalto, cimento, concreto, semáforo, rotatória, estacionamento, prédio, centro comercial ou shopping. Em Itaúnas você encontra apenas a tranqüilidade, a simplicidade e a rusticidade que há muito tempo foram exterminadas dos principais destinos turísticos da orla capixaba.

Dá para entender, então, porque Itaúnas é o nosso maior antídoto contra a monotonia das “Guaraparis” do Espírito Santo?

E aí? Vamos conhecer – e valorizar – Itaúnas?

Leia mais sobre Itaúnas:

A Rota do Verde e das Águas

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comentários

14 respostas para “Réquiem de um litoral ou Manifesto pela valorização de Itaúnas”

  1. Gabi disse:

    Tiago,

    concordo com quase tudo desse post. Só faço uma ressalva…

    Temos sim uma praia entre as mais belas do Brasil!

    A praia do Riacho Doce (aí mesmo em Itaúnas, bem na divisa do ES com a Bahia), foi eleita em 2008 como a 2ª (isso mesmo SEGUNDA) praia deserta mais bonita do Brasil (pesquisa realizada pela revista Viagem e Turismo).

    Qto às “Guaraparis” do ES (incluindo sim Marata’s Beach), mandou muito bem!

    Bjs,

    Gabi Voss P. Valente.

  2. tiagodosreis disse:

    Pois é, Gabi. Mas aí não vale, né?
    Essa pesquisa restringiu muito ao considerar apenas praias desertas, pô… rsrs
    Se você olhar bem, nenhuma das 10 praias que são corriqueiramente eleitas como as mais bonitas do Brasil são desertas. Aí fica fácil pra nossa Riacho Doce entrar no ranking (e olha que eu nem achei Riacho Doce tão deserta assim… vc achou?).
    Mas, enfim, valeu a ressalva.
    Bjão

  3. […] Réquiem de um litoral ou Manifesto pela valorização de Itaúnas […]

  4. […] Réquiem de um litoral ou Manifesto pela valorização de Itaúnas […]

  5. […] a 2ª praia deserta mais bonita do Brasil pela Revista Viagem e Turismo (como lembrou a Gabi neste comentário), embora eu conteste seriamente o adjetivo […]

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  11. Guilherme disse:

    Pura verdade infelizmente. Mas vale ressaltar que Guarapari assim ficou devido um modelo previamente valorizado e hj obviamente degradado…nas decadas de 60/70 Guarapari era um pico do turismo nacional..muito mais do q qualquer praia nordestina…e naquela epoca o “chic” era esse tipo de ocupacao desenfreada…predios, predios e mais predios…infelizmente perdeu-se o unico ponto do litoral do ES com capacidade de ter se transformado num lindo centro turistico…lamentavel…mas nao ha mais o q fazer neste sentido…ha’ q se valorizar muitas outras coisas ainda com potencial, afinal nem soh de praias vive o turismo.

  12. […] Não haveria ocasião melhor para atualizar o nosso réquiem. […]

  13. kate disse:

    “Deus não foi lá muito generoso quando concebeu o litoral do Espírito Santo.”

    Estou chocada!

    Como você começa a falar de Itaúnas com essa frase? as dunas maravilhosas que lutamos tanto pra preservar?

    “lá no finzinho do Espírito Santo, na divisa com a Bahia,”
    E, amigo, ali é o COMEÇO do ES, se liga!

    • Quando eu falo “litoral do Espírito Santo” eu não estou me referindo às dunas de Itaúnas, Kate. Estou falando do mar. Sim, eu e 90% da população mundial gostamos de mar azul bebê e, não por acaso, os destinos de praia mais visitados do mundo tem essa cor.
      Não me espanta que você fique “chocada” com a minha fala. Tem muito capixaba que não sabe ouvir crítica e esse deve ser o seu caso.
      Agora se Itaúnas é o fim ou o começo do Espírito Santo, vai depender do seu ponto de vista. Para mim, que moro em Vitória, Itaúnas é o final do Espírito Santo, sim, blz?
      Uma última coisa. Você diz que luta para preservar as dunas de Itaúnas mas sugere que as pessoas se dirijam até lá de carro, é isso? (http://www.rotascapixabas.com/2010/09/21/serie-especial-itaunas-3-as-praias/#comment-8250) Mesmo sabendo que isso é PROIBIDO numa área de preservação ambiental???? Ah tá. Noção vesga essa sua de preservação ambiental. Parabéns!

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