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26
fev
2011

O Museu da Vale


Foto: divulgação (site do museu)

Eu tenho todos os motivos do mundo para te recomendar a visita ao Museu da Vale, em Vila Velha. Ao lado do MAES (Museu de Arte do Espírito Santo) – a quem eu estou devendo uma visita e um post – e antes da inauguração do Cais das Artes, ele é o museu mais importante do nosso estado, com uma intensa agenda de exposições temporárias. Mas, depois de ficar perdido duas vezes tentando achar a entrada para o museu, eu não poderia deixar de te fazer o seguinte alerta: vá sem medo de se perder!

O alerta tem uma razão bem simples: a sinalização nas proximidades e dentro do Museu da Vale é péssima! Embora você já visualize placas indicativas do museu desde o Convento da Penha (!!!!), elas simplesmente somem quando se está a alguns quilômetros da entrada. E aí você, incauto turista, que não fazia a mínima idéia de onde ficava o bairro de Argolas, em Vila Velha, até a instalação do Museu da Vale por ali, vai precisar de muita paciência, obstinação e, sobretudo, senso de direção para decifrar o caos do trânsito local e encontrar a estradinha que, enfim, te levará ao museu.

O engraçado é que, semana passada, eu ouvi uma entrevista na rádio CBN com o diretor do museu, na qual ele reconheceu a dificuldade de acesso e disse já ter solicitado à Prefeitura de Vila Velha obras de melhoria nas vias que levam ao museu. Mas, burocracias e licitações à parte, eu acho que a própria Vale poderia se adiantar ao poder público municipal e providenciar umas placas para sinalizar o caminho do seu museu! Só isso já facilitaria e muito o nosso trabalho…

O pior é que nem mesmo na área privativa da Vale ao redor do museu a sinalização melhora. Só há uma placa sinalizando o “Museu da Vale” ao lado de uma entrada que não é a do Museu da Vale!!!!

Acredite. Esse não é o museu!

Azar de quem acha (presente!) que há alguma razão para essa placa estar aí!

Pelo menos nisso eu posso te ajudar, caro leitor do “Rotas”. Você não vai precisar entrar nesse primeiro portão e ir até o primeiro transeunte disposto a te dar uma informação para saber que, na verdade, você deveria ter ignorado que essa placa existe e seguido por mais ou menos 500 metros nessa mesma estrada para, aí sim, acessar a portaria e área de estacionamento do Museu.

Agora sim você chegou ao Museu!

E se você espera alguma melhora na sinalização ao entrar no museu não se engane… Nem mesmo ali dentro você verá placas indicando onde é o que!!!

Talvez todo esse esforço de adivinhação que você tem que fazer para chegar ao museu faça parte da proposta do lugar. Pode ser que a direção queira aguçar seus instintos antes mesmo de você se envolver com as exposições. Afinal, lá dentro você vai precisar muito dos seus instintos!

Só para você ter uma idéia, na última exposição temporária do Museu, de Eder Santos, as obras se dividiam em três espaços: a) uma na área anexa à portaria; b) outra num vagão de trem ao ar livre; e c) uma última no segundo andar do prédio da antiga Estação Ferroviária Pedro Nolasco, onde, em geral, fica a exposição permanente. Mas, apesar disso, não havia nenhuma placazinha para te mostrar onde ir para visitar a exposição!

Eu, por exemplo, cheguei a dar uma volta desnecessária ao redor do primeiro galpão para só, então, descobrir que, na verdade, a entrada era lá na portaria e que, portanto, depois de estacionar o carro, eu deveria andar no sentido contrário daquele de quem entra no museu! E mais: eu só fui descobrir que aquele vagão de trem instalado no meio do pátio de estacionamento fazia parte da exposição quando vi pessoas descendo e tirando fotos!!!

Custava uma placa ou um folderzinho qualquer com o mapa da exposição para nos orientar????

Tirando essa falha gravíssima, o Museu da Vale é bem interessante. Ele está localizado numa zona portuária na beira da Baía de Vitória. Daí você já pode imaginar a vista que se tem de lá, né?

Como eu já adiantei, o museu está localizado no prédio da antiga Estação Ferroviária Pedro Nolasco (a nova foi deslocada para Cariacica), que ligava o minério de ferro de Minas Gerais aos portos do Espírito Santo.

Não é por acaso que ele guarda a memória da Estrada de Ferro Vitória a Minas, contando um pouco sobre a evolução da ferrovia e tudo o mais que tem a ver com a produção do minério de ferro. Esse é o tema da exposição permanente do museu, que se espalha por três espaços:

a) uma locomotiva a vapor original, fabricada em 1945 na Filadélfia-EUA, instalada bem em frente à entrada do prédio principal;

b) o primeiro andar desse mesmo prédio, destinado à exposição de relíquias e fotos do trabalho na ferrovia;

e c) metade do segundo andar, onde fica a atração mais procurada pela criançada: uma réplica super-mega-big-gigante de uma estrada de ferro (que me fez ter saudades do meu ferrorama! :-)).

Que fim levou o meu ferrorama?

Mas o museu tem ainda espaços reservados a exposições temporárias. E essas – thanks, God! – tem ocorrido com bastante freqüência. Antonio Manuel, José Damasceno, Leda Catunda, Arthur Omar, José Rufino, Amilcar de Castro, Iole de Freitas, Lygia Clark, Carlos Vergara, Eduardo Frota, Mariannita Luzzati, Cildo Meireles e Nelson Felix, Yoko Ono, Tunga, Lawrence Weiner são alguns dos artistas que já passaram por lá.

O último foi o mineiro Eder Santos, que preparou uma exposição bem familiar à temática do museu ao traduzir, nos seus vídeos, a trajetória do minério de ferro até o porto.

A exposição “Atrás do porto tem uma cidade” permitiu ao capixaba conhecer um pouco do trabalho internacionalmente premiado de Eder Santos. Os seus vídeos permearam os três módulos da exposição:

a) o galpão principal, onde uma enorme estrutura simulava a extração do minério de ferro e seu escoamento até o porto a partir de impressionantes projeções audiovisuais;

b) um vagão de trem, em cujas janelas se projetavam videos que simulavam o caminho pelo qual se escoava o minério até os portos capixabas (o que eu mais gostei); e

As janelas-vivas do trem

c) uma sala no segundo andar do prédio da estação Pedro Nolasco, onde pedras de minério eram expostas como jóias e sobre as quais se projetavam imagens sobre o trabalho nas minas (incrível!).

Eu sei que eu deveria ter escrito esse post no início da exposição – que ocorreu em outubro do ano passado – para dar a oportunidade a você, leitor, de conhecê-la pessoalmente. Mas, infelizmente, embora eu tenha tentado visitar o museu a tempo de você também fazê-lo, o episódio da carteira esquecida – que eu contei aqui – me impediu de completar a missão naquele dia e me forçou a uma segunda visita no último dia da exposição de Eder Santos.

É só por isso que esse post nasceu, digamos assim, “natimorto”!

Mas há ainda um último atrativo no Museu da Vale. É o Café do Museu, um restaurante anexo ao prédio da Estação Pedro Nolasco que funciona dentro de um vagão de trem.

O Café do Museu

Para falar a verdade, nas minhas duas visitas eu achei o Café do Museu um tanto quanto decadente. Eu sempre ouvi falar muito bem do lugar e tinha muita expectativa de conhecer mais um restaurante “exótico” em Vitória, daqueles cujo cenário incrementam ainda mais o prazer de comer. Mas eu fiquei um pouco decepcionado com a arrumação e limpeza do ambiente e – porque não? – com a limitação do cardápio.

Principalmente na minha segunda visita, a área externa do Café continha sinais claros de desorganização e revelava um certo desleixo com a limpeza. Até um cachorro vira-lata – simpático, mas nada aprazível – perambulava pelo deck atrás de restos de comida!

Onde está o cachorro?

Por outro lado, o Café do Museu é, na verdade, um “Restaurante do Museu” pela concepção do cardápio. A especialidade do lugar são refeições, e não lanches. Apesar de oferecer uma ou outra variação de café, você não vai ter a opção de casá-lo com sanduíches, pães ou tortas num lanche leve e agradável para encerrar a tarde de visitação no museu. No máximo, um pão de queijo ou salgado frito que, aliás, nem aparecem no cardápio!

Eu, por exemplo, fui ao museu no meio da tarde e não aguentei encarar nenhum dos pratos de comida italiana que parecem ser a especialidade do lugar. Fiquei com a opção mais óbvia: um capuccino, servido em uma autêntica xícara de padaria e com colher de sobremesa!

Tive a impressão que o Café do Museu exagerou na dose do requinte gastronômico e se esqueceu de dar opções de lanches rápidos e leves para as pessoas que tem no Museu – e não no Café – o alvo principal de sua visita.

Mas quer saber?

Mesmo com a falta de sinalização e com as limitações do cardápio do Café do Museu, eu acho sim que vale a pena visitar o Museu da Vale. Porque um pouquinho de cultura na nossa viagem não faz mal à ninguém, não é mesmo?

Informações úteis:

Museu da Vale

Horário de funcionamento:

Segundas: fechado para o público

Terças a domingos: 10h às 18h

Tel: 27 3333 2484

Café do Museu (Chef: Cleonice Sperandio)

Horário de funcionamento:

Segundas: 10h às 15h.

Terças, quartas e domingos: 10h às 18h.

Quintas, sextas e sábados: 10h à 01h, com música ao vivo à noite.

Tel: 27 3326 8190

Como chegar: depois de criticar tanto a falta de sinalização do acesso ao Museu da Vale e de dar como certo o fato de você se perder, eu não seria doido de TENTAR te explicar como chegar lá! Em todo o caso, vou reproduzir aqui as informações que estão no site do museu para você TENTAR chegar lá assim mesmo (depois me conta, por favor!):

Vindo de carro:

Sentido Vitória para Vila Velha:

Ir pela Av. Alexandre Buaiz, passar pela ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), no trevo, entrar à direita, sentido à sede da Polícia Federal, entrar à esquerda, contornar por debaixo do Viaduto. Passará ao lado do pátio de manobras da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Após o viaduto, haverá placa indicando a entrada do Museu Vale.

Sentido Vila Velha para Vitória:

Seguir pela Av. Carlos Lindenberg, na bifurcação com a Ponte do Príncipe (segunda ponte), tomar à direita a entrada para o bairro de São Torquato, seguir sentido à ponte Florentino Ávidos (Cinco Pontes). No trevo e última entrada antes da ponte, entre à direita. Avistará placa indicando a entrada do Museu Vale.

Vindo de ônibus Circular:

As linhas 502 e 503 passam perto do Museu. Saltar em frente ao antigo supermercado São José. Ir no sentido da ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), no trevo e última entrada antes da ponte, entrar à direita. Avistará placa indicando a entrada do Museu Vale.

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comentários

11 respostas para “O Museu da Vale”

  1. Christiani Voss disse:

    Fiquei tentada a visitar o Museu da Vale. Parabéns Tiago, você conseguiu aguçar minha curiosidade, apesar dos pesares rsrs. A sua franquesa nos coloca bem na “real”, o que já evita decepções.
    Taí, vou visitar… (desde que consiga uma companhia que conheça um pouquinho o lugar rsrs)

  2. marcosmarcal disse:

    O Tiago se esqueceu de dizer que, já no final da visita, ele entrou em determinado vagão a procura de obras de arte, mas o vagão era de verdade! Resultado, o bicho saiu à toda e o Tiago foi parar em Minas Gerais. Os familiares agradecem aos gentis caminhoneiros que o trouxeram de volta! Rsrsrs

  3. Sonia Pardin disse:

    Descordo sob comentarios negativos referente ao museu… As indicacoes do Museu vem desde da Cidade de Guarapari em todas as cidades de Vitoria e Cariacica, lindo lugar maravilhoso… sem comentar do cafe .. comida excelente .. pratos como o mesmo diz especialidade comida italiana.. achei estranho a foto do capuccino , pois igual ao mesmo nunca provei… as chicaras sao lindas.. nao entendi tamanha brutalidade ao acervo lindo do Estado do Espirito Santo,com certeza nao conhece as belezas do Estado.

    • marcosmarcal disse:

      Como assim, Sônia? Não achei a crítica brutal. Ela apenas revela a falta de orientação ao visitante. Nada foi dito contra o acervo. Também achei injusta a alegação de que o autor do post não conhece as belezas do Estado. Ora, ele é o autor do blog, que há um ano – e com grande sucesso – vem fazendo o que? Mostrando as belezas do Estado! Que tal dar uma olhada nos posts mais antigos?

    • Renata disse:

      Sônia, você tem certeza que leu o post todo, na íntegra? Foram apenas duas críticas.
      A primeira diz respeito a falta de sinalização, com a qual eu concordo plenamente. Sejamos razoáveis: não bastam aquelas placa turísticas a quilômetros de distância indicando a “existência” do museu, mas que não te levam até ele. Se eu que sou moradora de Vitória tenho dificuldades para chegar até lá, imagino o que não passa um turista desavisado.
      A segunda crítica é ao Café. Em nenhum momento se questionou a qualidade dos pratos que lá são servidos. Mas convenhamos: café é café, e não restaurante! Acho ótimo aqueles cafés que se propõem a servir refeições, mas o mínimo que se espera deles é que ofereçam opções de lanches! Qual é a opção de lá para um turista que resolveu visitar o museu após comer uma bela moqueca capixaba?
      Críticas podem ser construtivas! Quem sabe os donos do café não resolvam diversificar o cardápio depois disso?
      Quanto a “chícara”… é essa mesmo da foto! Pelo menos foi nessa que já me serviram.

    • tiagodosreis disse:

      Bom, acho que o Marçal e a Renata foram bem claros em responder a sua crítica Sônia, que, por sinal, foi muito mais “brutal” que aquelas que eu fiz no post. De todo modo, eu me dou o direito de te responder.
      Das duas, uma: ou você realmente não leu o post até o final ou estava de alguma forma comprometida com a “defesa” daquilo que foi alvo da minha crítica.
      Sim porque, se você tivesse lido o post até o final, teria visto que:
      a) em momento algum eu critiquei o acervo do Museu! Eu, inclusive, recomendo a visita ao lugar pelas exposições e pela vista e rendi loas à frequência das exposições temporárias;
      b) eu disse que existem placas espalhadas pela cidade indicando o caminho do Museu. Mas fiz questão de frisar para o turista que, quando elas são mais necessárias, ali naquele entrocamento que liga as cidades de Vila Velha, Cariacica e Vitória, elas somem e deixam desprevenidas as pessoas que não conhecem a região. Aliás, como eu disse, o próprio diretor do Museu reconheceu isso em entrevista à CBN após uma intervenção de um ouvinte, o que mostra que essa não é uma “viagem” minha ou uma crítica infundada, como você faz parecer;
      c) e, por fim, eu critiquei sim o Café do Museu baseado no que eu vi (basta olhar as fotos) e nas minhas expectativas enquanto turista. Não há dúvida de que o motivo principal para se recomendar a visita ao Museu da Vale para um turista é o próprio museu – e não o Café. Por isso, na minha concepção, o “Café do Museu” deveria dar opções (não estou falando para ele abrir mão da sua especialidade!!!) para quem conhece o museu fora dos horários de almoço e jantar, o que eu suponho ser o mais comum. E se a especialidade da casa é a comida italiana ela não está clara no nome e nem em nenhum lugar à vista do visitante que não seja no cardápio. (vou ignorar a suspeita que você levanta sobre a foto da xícara de café!! Mas, se você também a achou estranha, é sinal de que você concorda comigo, não é mesmo??)
      Agora, se vc realmente leu o post e, mesmo assim, reafirma o que disse em seu comentário, eu só lamento a forma como você recebeu a crítica. E espero que aqueles realmente interessados nela (eu não sei se você o é) a recebam de forma diferente e saibam extrair o que há de construtivo nela, como a Renata disse!
      Um último comentário, Sônia: se os mais de 80 posts que eu escrevi no “Rotas” sobre os lugares mais visitados e famosos do Espírito Santo não retratam o que você chama de “belezas do nosso Estado” que tal você começar a me mostrá-las? Terei o maior prazer de falar sobre elas aqui no blog!
      Abs

  4. Elisângela disse:

    ola Tiago, sou do estado do paraná, la fiz um curso de guia de turismo, cheguei a atuar na area por um tempo, agora estou morando aqui em Vitória. Neste final de semana eu irei levar uns amigo la do Paraná a conhecer o museu da vale, ja estou até estudando um pouco da História da região pra passar a eles. Te confesso que estou apaixonada por todo contesto histórico que é riquissímo. E ja de ante mão sou grata pelas informações referente a localização do lugar, o que você postou e relatou ja me ajudou a entender melhor como la chegar. Seus comentarios enriqueceram mais minhas informações. adorei ter encontrado no google seu blog. grande abraço

  5. Gabriela Dias disse:

    Olá Tiago, já visitei o museu algumas vezes, inclusive o café.
    Os pratos são deliciosos pode experimentar, você não vai se arrepender.

    obrigada pelas dicas.

    • Oi, Gabriela. Confesso que tem muito tempo que não vou ao Café do Museu. Da última vez em que fui ao museu, percebi algumas mudanças visuais que me agradaram.
      Tomara que tenham melhorado mesmo o serviço e a qualidade.
      Obrigado!

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