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11
ago
2011

Vale do Capão: hippie, pero no mucho!

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, os nossos blogueiros fazem relatos de suas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Você, que tem acompanhado o meu relato da viagem à Chapada Diamantina, já deve estar careca de saber que a Chapada é um lugar de superlativos. Ali você encontra cenários que, de tão fascinantes, te convidam a um exercício de autoconhecimento e reflexão. Mas se há um lugar que faça desse “exercício de autoconhecimento e reflexão” um verdadeiro modo de vida e um mote de campanha, esse lugar é o Vale do Capão.

O Vale do Capão é um vilarejo minúsculo, localizado no Município de Palmeiras, a 70 km de Lençóis (22 km em estrada de chão), que estacionou propositalmente no tempo (lembra de Igatu?). Mais precisamente, no tempo dos anos 60 e 70. Tudo porque, nessa época, um grupo de pessoas resolveu abandonar o stress maluco de suas vidas para viver a tranqüilidade e a paz de um lugar “no meio do nada”. Um lugar em que elas pudessem experimentar formas alternativas de vida baseadas na contemplação, no respeito à natureza, no naturismo e na espiritualidade. E o lugar escolhido para isso foi o Capão, ora pois!

Por isso não há lugar que inspire tanto misticismo quanto o Capão. Seja pela posição estratégica rica em energia (segundo os entendidos), seja pela natureza exuberante do vale, seja pelo isolamento, ou simplesmente pela presença de uma comunidade alternativa capacitada para lhe oferecer experiências e atividades de meditação e crescimento espiritual, tudo conspira para criar o clima de esoterismo e magia que fez a fama do Capão pelo mundo afora.

E que fama! A presença dessa cultura “alternativa” atrai gente do mundo inteiro para o Capão. E não só turistas. Vários estrangeiros já deixaram seus países de origem para viver definitivamente ali. Como o Thomas, o mais conhecido deles, que trocou a Suíça pelo Capão e hoje administra a pizzaria mais famosa da vila.

Mas eu confesso que essa tal “fama” do Capão me encucou um pouco no início. Não tenho gosto por esses assuntos esotéricos e nem uma mínima inclinação para viver como hippie. Na verdade, meu interesse no Capão era puramente contemplativo e exploratório: eu queria conhecer a comunidade alternativa do Capão e visitar as atrações naturais da região. Tudo isso sem precisar virar… “bicho-grilo”, se é que você me entende?

Por isso, as opções de hospedagem “alternativa” no vale não me agradavam muito. E, para evitar qualquer frustração no quesito conforto da minha estada, tratei logo de cacifar um quarto na Villa Lagoa das Cores, a pousada mais requintada do Capão.

A escolha não poderia ter sido melhor. A Lagoa das Cores reproduz o clima esotérico do Capão num padrão, digamos assim, “pra turista ver”, sem abrir mão de conforto. Os quartos mais simples – como o que eu fiquei – são bastante confortáveis, espaçosos e integrados ao “estilo Capão de ser”:

Esse estilo, aliás, predomina em toda a decoração da pousada, como você pode ver nessas fotos:

E para quem quer sentir na pele “o estilo Capão de ser” a pousada oferece sala de massagens, argiloterapia, ofurô, sauna panorâmica, escalda-pés, piscina e duchas, além de cursos e oficinas de meditação e autoconhecimento (peça para ver o “cardápio” de serviços na recepção).

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Mas, para mim, o melhor mesmo da Lagoa das Cores foi o seu restaurante: o Arômata da Lagoa. Decorado com esmero e muito bom-gosto, o Arômata serve itens da culinária contemporânea, com ingredientes cultivados de forma orgânica na horta da pousada.

Foi lá que a Rê comeu um delicioso purê de batata com palmito de jaca e filé de frango ao molho de maracujá (R$34,00):

E foi lá também que eu experimentei um fetuccine a nirá (uma erva japonesa) com filé mignon ao molho de mostarda (R$38,00):

O farto café da manhã da pousada é servido no Arômata. Marcou-me especialmente o sabor do mel de abelhas produzido organicamente no Capão.

Sem falar, é claro, do agradável papo do Marcos, dono da pousada! Em todas as refeições, fazia questão de nos receber e jogar conversa fora. Foi numa dessas conversas que ele me confessou que a comunidade alternativa do Capão de hoje não é mais aquela que se via nas décadas de 60 e 70. E que, em cinco anos de funcionamento da pousada, nós éramos o segundo casal de capixabas a passar por ali…

Voltando à vila, parece existir uma razão bem clara para o Capão ter despertado tamanho interesse de pessoas espiritualizadas e desapegadas: suas belezas naturais. O lugar realmente é lindo e inspira um clima de tranqüilidade e paz bastante reconfortante. Um prato cheio para quem sabe fazer desses momentos um “exercício de autoconhecimento e reflexão”. Ponto para o marketing turístico do Capão!

Mas as belezas naturais do Capão também são um prato cheio para quem gosta de aventura! É de lá que partem três das trilhas mais famosas – e mais pesadas – da Chapada: Vale do Pati, Capão-Guiné e Cachoeira da Fumaça.

A trilha para o Vale do Pati foi considerada por alguma revista de turismo internacional uma das três trilhas mais bonitas do mundo, ao lado dos caminhos de Santiago de Compostela e de Machu Pichu. Só tem um porém: são necessários, em média, 4 dias para percorrê-la e muita disposição para acampar ou dormir em casas de nativos no meio do trajeto. Per supuesto, não nos foi possível fazê-la (embora não nos falte vontade!). Assim como também não nos programamos direito para fazer a trilha do Capão-Guiné, uma espécie de Pati light, com duração de “apenas” 7 horas. Nosso planejamento de viagem incluía apenas a trilha da Cachoeira da Fumaça.

De todos os passeios que fizemos na Chapada, a trilha da Cachoeira da Fumaça foi a mais pesada. A primeira hora de caminhada é de pura subida por um trajeto bem íngreme com desnível de 330 metros.

Nós paramos várias vezes para descansar e recuperar o fôlego com a desculpa de apreciar o visual. Se bem que parar para apreciar um visual desses nem é uma desculpa tão esfarrapada assim, não é mesmo?

Vencida a primeira metade do caminho, a trilha passa a ser plana e sem maiores dificuldades. Em mais uma hora passeando por cima do platô, você chega ao ponto em que o rio se joga canyon abaixo formando a segunda maior cachoeira do Brasil: a Cachoeira da Fumaça. Ao todo, são 380 metros de queda d’água. A trajetória é tão surpreendentemente alta que, em tempos de seca, a água evapora no meio do caminho e sequer toca o chão. E, ao mesmo tempo, ela é tão surpreendentemente única que, quando venta muito, a água é arremessada para cima, formando uma imensa cortina de fumaça com os pingos d’água. Fumaça, gente! Entendeu agora o porquê do nome?

O rio antes de se jogar no canyon

Na época em que fomos, esse “fenômeno” não ocorreu porque o rio estava um pouco seco e a cachoeira sem volume:

A posição do sol não colaborou com a foto

Mas, em tempos de cheia, ela fica assim ó:

Fonte: http://www.pousadadafonte.com/img/roteiro/fumaca.jpg

O único problema da Cachoeira da Fumaça é que ela desafia o seu hipotálamo. Para avistá-la por inteiro, você não tem opção: terá que se arrastar cuidadosamente até a ponta de uma pedra na frente da cachoeira e esticar ao máximo o seu pescoço para conseguir enxergar todo o curso da água. É angustiante!

A Renata, atrevida que só ela, não titubeou nem um minuto para chegar até a ponta da pedra e curtir a emoção do desafio!

Já eu, medroso que só eu, “tirei onda” e me dei por absolutamente satisfeito por ter chegado ao ponto em que cheguei:

E olha que, dali, nem deu pra ver direito o fundo!

Tirando o período de contemplação, a trilha da Cachoeira da Fumaça dura aproximadamente 2 horas. Não há nenhuma sinalização do trajeto e, por isso, é aconselhável a contratação de um guia. Você pode fazê-lo diretamente na sede da Associação de Condutores de Visitantes do Vale do Capão (ACVVC), que fica bem na base da trilha. Na época em que fui, pagava-se R$80,00 pelo guia.

De resto, seja qual for o propósito da sua visita, você não pode deixar de conhecer o Vale do Capão quando for para a Chapada Diamantina!

Leia todos os posts da série “Outras Rotas” clicando aqui.

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comentários

24 respostas para “Vale do Capão: hippie, pero no mucho!”

  1. Karol disse:

    É por isso que boto muita fé na Renata!!!! U-hu!!!!!!!

  2. Fernanda disse:

    Oi Thiago! Venho acompanhando cada post da Chapada. Pretendo ir em novembro, mas o Vale do Capão não estava nos meus planos; justamente por causa dessa “cultura alternativa” a que vc se referiu… rs
    Seu relato (principalmente sobre a hospedagem) está está me fazendo mudar de idéia…

    Vlw! Aguardando novos posts…

    • Oi, Fernanda, que bom ler isso. Tenho certeza que você vai adorar a Chapada!
      E se você tiver tempo, não deixe de incluir o Vale do Capão no roteiro. A vila é pequenina e não tem quase nada, mas o vale é lindo mesmo.
      Hospedando-se na Villa Lagoa das Cores você só vira hippie se quiser… rsrs
      Abs

  3. Eraldo disse:

    Galera eu tava dando uma olhada em seus comentários, e o Vale do Capão realmente tem uns hippes. mas a vila é maravilhosa e tem muitas coisas pra vcs conhecerem. Eu moro no Capão desde q nasci e garanto pra vcs q vcs vao se surpreender com tantas belezas, e outra ñ tem só a laoa das cores como opção de pousada tem muitas com outo padrão de qualidade.
    Abraços há tds!!1

  4. Lídia disse:

    Ai meu Deus…não me canso de ler os posts sobre a chapada, a expectativa só aumenta, já que dia 03/01 é pé na estrada rumo a este lugar encantador! Um abraço, Lídia

  5. Cecilia disse:

    Olá, pretendo ir achapada entre maio e junho. Pergunta:
    Consigo alugar um carro em lençóis?
    Obrigada
    Cecilia

  6. […] do Céu é uma espécie de Vale do Capão capixaba (leia aqui). Um Vale do Capão minúsculo e ainda pouco afetado pela chegada do turismo. Aliás, é bom que […]

  7. Celso A F Ribeirinho disse:

    Minha filha Vanessa reside no Capão há 15 anos e eu quando posso vou por lá, é um paraíso que precisa a qualquer custo ser preservado,as autoridades estaduais não investem em melhorias ambientais (água,saneamento,lixo,energia eólica)
    Muita gente vai par lá para depredar a natureza, um crime ambiental sem tamanho.Além de corretores que estão loteando de qualquer jeito não cumprindo as leis do parque.
    Quando me aposentar,vou passar os restos dos meus dias lá, é um paraíso perto de Deus.
    A Natureza é fascinante, e temos que cuidar.

    Governos: Municipal,Estadual,Federal cumpram o seu papel e
    fiscalizem de perto a Chapada Diamantina.

  8. Natalia disse:

    Oi Tiago!
    Vou à Chapada em setembro e adorei seus relatos, estão me ajudando muito no planejamento.
    Gostaria de saber se vocês precisaram de guia para a trilha da Cachoeira da Fumaça.
    Obrigada!

    • Oi, Natalia, para dizer a verdade, muita gente sobe sem guia. Mas, opinião pessoal minha, eu não arriscaria subir sem. Você até vê algumas setas pintadas no chão em alguns pontos, mas se não tiver muita gente subindo no dia pode ser fácil se perder.
      Que bom que o Rotas lhe foi útil!
      Abs

  9. Emerson disse:

    Tiago você lembra como era essa estrada de terra? Era muito ruim? Era muito esburacada? Será que em tempo de chuva ela fica intransitável? Abs.

    • Oi, Emerson, desculpa a demora. Na época em que fui, essa estrada de terra não era muito ruim, não. Mas em época de chuva ela deve piorar bastante. Só não saberia te dizer se chega a ficar intransitável. É bom perguntar para o pessoal da sua pousada lá.

  10. Mariana disse:

    Olá!
    Estou adorando seu relato, vc escreve mto bem!
    A foto q vc tirou da Fumaça me intrigou… Vc lembra q horas eram? Vou pra lá em março e gostaria de fotografar a cachoeira sem sombra…
    Abraço!

  11. sandra disse:

    olá gente! vou muitos anos ao capão, e realmente essa pousada é show! quero só deixar aqui outros points interessantes e nem tão alternativos assim….
    são eles: o restaurante das fadas, perto da vila das cores
    a comidinha caseira incrível da beli, bem perto da praça
    o pastel e a coxinha de palmito de jaca, tradicionais no capão e muiiito saborosos.
    Deixo tb a dica da pousada Pé no mato que pra mim é o melhor do capão, depois da exuberante natureza! O café da manhã de Silvinha, a proprietária, não tem igual. A pousada tem uma lojinha de produtos para trilha na frente e fica bem no inicio da estrada q dá pra vila. Localização sensacional. Estou indo hoje, de novo, graças a Deus, passar o são joão por lá… dessa vez numa experiencia diferente, pois a pé no mato estava lotada e ficaremos numa pousada indiana . Que venham as novas emoções do vale!!!! boa sorte a todos e conheçam sim essa pérola de lugar incomum!

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