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30
nov
2011

3º dia no Salar de Uyuni: perdidos no salar! (1ª parte)

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, os nossos blogueiros fazem relatos de suas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Não teve jeito. Eu bem que tentei “resumir” o terceiro dia para caber tudo em um post, mas não deu. São tantos os detalhes que eu achei importante contar que ele ficou enorme e eu acabei decidindo por dividir esse post. Do contrário, eu corria um sério risco de você não querer ler!

Então vamos ao que interessa…

Saímos às 09h da manhã após tomar café no Hotel de Sal. Pela programação enviada pela agência, nosso itinerário nesse dia previa o seguinte trajeto e atrações: Tahua, Isla Pescado, Cueva Galaxia (que nós já havíamos visitado, lembra?), almoço em San Pedro de Quemes, no Hotel de Piedra (onde nós dormimos na noite anterior), Laguna Cañapa, Laguna Hedionda, Laguna Chiarkota, Laguna Honda, Laguna Ramaditas e Ojos de Perdiz. Dessa forma, saímos do hotel, em Tahua, para a primeira das atrações, a Isla Pescado.

O cenário é o mesmo da ilha anterior, a Incahuasi, sem a infra-estrutura que esta possui. Na verdade, a Isla Pescado não tem infra-estrutura nenhuma. Ela é só mais um ponto de parada no meio da salar para que a gente maximize e estenda a emoção de estar ali antes de deixar a área do deserto.

Não preciso nem dizer que, mais uma vez, nós entupimos o chip da máquina com fotos do Salar, né? 😀

Dessa vez, até tentamos pedir ao Elizardo para tirar fotos-clichês um pouco mais sofisticadas, daquelas que a gente brinca com a ilusão de ótica. Mas ele não tinha uma técnica muito apurada. A mais interessante que conseguimos foi essa:

Depois de partir da Isla Pescado, nós ainda pedimos para parar mais uns minutinhos no meio do salar. O motivo? Acumular mais fotos-clichês, claro!

Nessa hora, a Renata exibiu toda a sua destreza física e tirou foto de cabeça pra baixo:

Fazendo estrela:

Pulando de perna aberta:

E de perna fechada:

E eu? Bom, eu não fui lá uma criança muito esportiva. Por isso, minha performance acrobática variou apenas entre um pulo:

E uma tentativa tosca de cravar um chute a la Street Fighter no ar:

😀

Eu juro que gostaria de falar muitas outras coisas boas sobre o Salar de Uyuni aqui no blog e apagar tudo o que a gente viveu daí pra frente. Nossa empolgação até esse momento estava lá nas alturas e nos divertimos à beça com essa jacuzada toda de fotos-clichês! Mas eu realmente não tenho mais coisas boas para falar e nem tenho como apagar o que a gente viveu daí pra frente.

Calma que eu vou contar todos os detalhes do que nos aconteceu daí pra frrente.

Quando a gente finalmente rumava para sair do salar, nosso carro atolou. Isso era por volta de 10h da manhã.

Para que você possa entender porque o carro atolou, eu preciso explicar o seguinte. A espessura da camada de sal no Salar de Uyuni varia bastante e vai de 10 cm a mais de 1 metro de altura. Geralmente, por baixo dessa camada, há uma espécie de lama por causa da água da chuva que atravessa o sal e demora a evaporar. É por isso que o trânsito de veículos pelo salar é bastante perigoso e delimitado a áreas que possuem uma camada de sal mais grossa. E é por isso também que NÃO SE RECOMENDA transitar pelo salar em carro próprio e sem um motorista que conheça minimamente essas áreas. Como não há estradas, é alto o risco de se perder. E como você não sabe por onde se deve transitar, é mais alto ainda o risco de você atolar e também se perder!

Tá! Mas aí você me pergunta: então porque que vocês, acompanhados por um motorista boliviano, também atolaram? Azar, meu caro! Puro azar! Um azar provocado, é certo, mas que, nem por isso, deixa de ser azar.

E porque eu digo que foi um azar provocado? Simples. Porque, ao sair da Isla Pescado em direção à Cueva Galaxia, o Elizardo resolveu pegar um “atalho” para ganhar tempo. Só que esse “atalho” passava numa região com muita lama e uma camada de sal bem fina. O sal não resistiu ao peso do carro e cedeu. As rodas do carro, mesmo tracionadas, não conseguiram vencer a lama que havia debaixo do sal e atolaram. A traseira esquerda, que foi a mais afetada inicialmente, ficou assim:

Resultado do “ganhar tempo” do Elizardo? 12 horas atolados no meio do salar!

Atolados e perdidos! Onde o carro atolou não passava uma alma viva para nos ajudar. Nós até víamos sombras de carros se movimentando pelo que deveria ser a rota principal de carros do salar. Mas, pela distância, era praticamente impossível que eles nos avistassem.

Quando o carro atolou, o Elizardo se portou como se o fato fosse corriqueiro e como se tudo estivesse sob controle. Ele imediatamente colocou a mão na massa para tentar desatolar o carro. Seu método particular de solução do problema era: suspender a roda atolada com um macaco e jogar o máximo de sal por cima da lama para evitar que o carro afundasse. Mas, para isso, era preciso “cavar” pedras e sal pelas redondezas para dar sustentação ao macaco (a camada de sal era fina, lembra?). Por isso, eu e Renata nos prontificamos a ajudar “cavando” sal e pedra.

A princípio, nós ficamos preocupados com a situação, mas não nos desesperamos. Para quem está acostumado com as nossas estradas de terra, atolar no salar era um imprevisto, até certo ponto, “aceitável”. Em nenhum dos relatos de perrengue que eu lera anteriormente havia notícias de problemas com atolamento e isso me fez minimizar a gravidade do problema. Mas, aos poucos, eu comecei a ficar impaciente porque o método do Elizardo se revelava ineficaz. Quando a gente terminava de ajeitar uma roda e tentava arrancar com o carro, o problema voltava a acontecer com outra roda e nos forçava a repetir todo o trabalho.

Da roda traseira esquerda passamos a desatolar a dianteira esquerda:

Da dianteira esquerda para a dianteira direita:

E da dianteira direita para a traseira esquerda:

Em síntese, todas as rodas do carro estavam atoladas! Nosso esforço estava sendo absolutamente em vão.

Minha paciência foi se esgotando. A todo o momento, eu questionava o Elizardo sobre a conveniência de sairmos em busca de ajuda. Ele rejeitava a idéia por considerar que estávamos muito longe dos povoados mais próximos. Segundo ele, a Isla Incahuasi estava a 50 km de distância e um outro, que eu não lembro o nome, a 30 km. Eu também perguntava sobre o telefone via satélite que, segundo a agência, haveria no carro. Mas ele desconversava e dizia que o resgate demoraria tanto a chegar que, antes disso, nós já teríamos saído dali. Por causa dessa recalcitrância dele, eu cheguei a duvidar que esse telefone realmente existisse.

A certa altura, o Elizardo sugeriu que esvaziássemos o carro para deixá-lo mais leve na hora da arrancada. E para evitar que, após o arranque, fosse preciso parar o carro numa área próxima à que estávamos e com igual risco de atolamento, ele nos pediu para levar essas coisas para longe.

Após carregar malas e galões de 20 litros de gasolina pelo deserto, nossas colunas agradeceram a sugestão!

Mas nem com o carro mais leve a coisa melhorou. Os arranques eram mínimos e insuficientes para vencer o atolamento. E depois de caminhar pra cima e pra baixo, debaixo de um sol tórrido, cavando sal em vão, eu já não conseguia esconder o mau-humor. Era 14h da tarde, o sol estava a pino, estávamos sem comer desde as 8h da manhã e parados a quase 4 horas sem qualquer avanço. Enquanto isso, não passava uma alma viva para nos ajudar a sair dali.

Continua no próximo post…

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comentários

14 respostas para “3º dia no Salar de Uyuni: perdidos no salar! (1ª parte)”

  1. Caramba, ansiosa para ver o final da história! Obrigado por contar este lado da viagem, alerta os que vem depois!

  2. Ana Paula disse:

    que chato isso hein??
    Mas as fotos ficaram óoooootimas!

  3. Estou paralisada. Vou acompanhar o final da história! 😐

  4. Meninas, o negócio foi tenso!!!! Amanhã tem mais um capítulo!
    Bjão

  5. Flora disse:

    Nossa que tenso! Tá parecendo livro de suspense… E eu que tava botando a maior fé na sua travessia sem perrengues. Aguardando anciosa.

  6. Liliana disse:

    Caramba, se esse eh so o inicio da historia, estou com pena de vcs pelo resto. Curiosidade para saber o desfecho tb!! Perrrengue em viagem eh mais comum do que se imagina. Ano passado eu tive o meu pacote cancelado 3 dias antes da viagem, assim do nada! Justo comigo que sempre faco tudo independente e resolvi dar uma chance aos pacotes. Parecia ate piada,rs.A companhia do voo fretado quebrou, eles nem me ligaram, a agencia nem se dignou a me ligar, so me mandou um email sexta, e eu so vi no sabado. Depois de muito tentar contactar alguem eu consegui , mas so na segunda, um dia antes de viajar, comprar um outro voo, por mais do triplo do outro, para alguns dias depois e reajustei a reserva com o hotel e o translado. Chegando la o transaldo ainda nos deu um baita trabalho, nos deixou na mao na volta, quase perdermos o voo da volta mas ate que tudo deu certo e a viagem foi linda, principalmente diante do comeco turbulento. Mas a minha surpresa foi quando voltei sa e salva e descobri que a companhia de fretados do segundo voo tambem tinha falido! Eu acabei achando que meu perrengue nem foi assim tao mal. Imagine quem como eu teve que comprar uma segunda passagem mas nao pode viajar porque a segunda companhia tb resolveu falir? Enfim,o que quero dizer eh que pode ate ser que conversando com um e outro vc possa descobrir que tem historias ate piores que a de vcs , se eh que serve de consolo. Sei la, sou muito Poilana, rs. Nossa, fiz quase um post no comentario… bjs!

  7. Engraçado que estes posts do Salar de Uyuni só apareceram agora no meu GReader. Mas estão demais, mesmo com os perrengues rsrs… Outro dia comentei que não curto fotos com pulinhos, mas aí vem a exceção pra confirmar a regra. Ficaram o máximo estas fotos hahah! Adorei 🙂 Abraços!

  8. Anneliese Fischer Thom disse:

    Tiago, até consegui encontrar a 2a parte do 3. dia mas não a 3a parte ou o que seria o 4. dia.Ela tem importância para mim: como já disse, somos um casal idoso mas meu marido teima em querer fazer viagens radicais. Já cedi em fazer Atacama, mas me nego a fazer Uyuni pelas razões que você descreve nesta perigosa situação pela qual vocês passaram.
    A 3a parte do 3. dia já está descrita?
    Grata Anneliese

    • Oi, Anneliese, pelo visto vc já encontrou os outros posts, né?
      Mas eu só queria fazer um comentário.
      Pelo que eu entendi, vcs já estão na “melhor idade” e seu marido, que adora aventura, quer fazer Uyuni (me identifiquei com ele!! rs). Pois então. A estrutura na Bolívia é infinitamente inferior à do Atacama, no Chile. No Chile, como eu já falei para vc, vcs não tem com que se preocupar. Mas, na Bolívia, a situação é um pouco pior. Eu não seria leviano em dizer que não há riscos em se fazer essa excursão a Uyuni. Sempre haverá, considerando a situação das estradas e as adversidades do trajeto. Mas é possível minimizá-los ao máximo, pagando um preço mais alto para ter mais segurança. De forma alguma, eu aconselharia o tour coletivo para vcs, que são mais baratos. Somente o privado, que inclui acomodações muuuuuito melhores. Além disso, eu recomendaria fortemente que vcs contratassem, além do motorista, um guia que falasse inglês e exigiria um rastreador via satélite. Assim, se acontecer algum imprevisto com vcs, seria bem mais fácil vencê-lo.
      De qq forma, recomendo que vcs pesquisem mais sobre Uyuni e leiam outros relatos para terem certeza de que querem inclui-la no seu roteiro. Apesar de todos os pesares, Uyuni foi um dos pontos máximos da nossa viagem.
      E fique à vontade para perguntar o que quiser, viu?
      Abs

    • Renata Reis disse:

      Olá, Anneliese!

      O Tiago se identificou com o seu marido e eu me identifiquei com você! rs
      Desde que decidimos conhecer o Atacama, o Tiago incluiu o Salar de Uyuni no roteiro. No início, fiquei muito animada e impressionada com a beleza do lugar, até que decidi ler os relatos de outros viajantes.
      O primeiro que li foi suficiente para me desanimar. Logo falei: meu espírito aventureiro não me permite tanto! Primeiro pelo risco. Segundo porque não sou desprendida a ponto de topar dormir em alojamentos coletivos e de me privar do mínimo de conforto. Apesar de não me importar com luxo, não faço o estilo “mochileiro”! rs
      Li muitos relatos de “perrengues” vividos por turistas. Mas, confesso que, quanto mais esses relatos apareciam, mais fotos de paisagens impressionantes surgiam!
      Quando já não conseguia resistir ao Salar, coloquei uma única condição: fazer o tour privado! Como você já viu, isso não foi suficiente para nos trazer a segurança que gostaríamos. Mas acho que foi falta de sorte mesmo! Hoje, se fóssemos contratar o passeio, nos preocuparíamos mais com a escolha do motorista(exigiria um pouco mais de experiência) e, como o Tiago disse, contrataríamos um guia que falasse inglês. Além de facilitar a comunicação, é uma pessoa a mais em todos os passeios. E o rastreador via satélite é imprescindível.
      Não sei se vou ajudar com o que vou dizer, mas não resisto: apesar de tudo, o Salar de Uyuni é maravilhoso e surpreendente.
      Que nossos familiares não me escutem, mas, superado o susto, agora sou eu que sonho em voltar para conhecer tudo o que não conseguimos ver!
      Quem sabe um dia?
      Abraços,
      Renata.

  9. Fernanda disse:

    Oi Tiago, sigo seu blogo desde a série sobre a Chapada! Gosto muito da maneira como você escreve. Gostaria de fazer apenas uma observação: o link para a 2ª parte do “Perdidos no Salar!” é o mesmo da 1ª parte. Dá uma olhada.
    Abraços!

  10. Frank Ely disse:

    Cara, parabéns pela viagem, mas pra quem pretende se aventurar pelo mundo tem que estar preparado para coisas como essas, vocês pagaram milhões achando que ia ter o conforto e a segurança do sofá de casa, isso só acontece na casa da gente, quando nos aventuramos por aí tudo pode acontecer por mais que se tenha vários U$$$$$$$$.

  11. De Paula disse:

    Caraca, não vejo a hora de ler o resto da viagem!!!Seu carro era 4×4?

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