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03
jan
2012

O Pico da Bandeira é nosso!

Tudo aconteceu meio que sem querer e sem muitas pretensões. Quando o fim do ano se anunciou, eu e a Renata nos demos conta que o feriado da proclamação da República, em 15 de novembro, seria a última oportunidade de improvisar uma viagem curta pelo Espírito Santo para criar novas pautas para o blog. Você sabe bem que, ultimamente, o “Rotas” tem andado bastante por “Outras Rotas” e deixado de lado a sua origem, o “Capixabas”. Por isso, eu precisava sair a campo para resgatar a sua verdadeira identidade antes que alguém começasse a pensar que eu sou daqueles que nega as próprias raízes! 😀

Não foi difícil escolher a rota do Caparaó Capixaba como destino da nossa viagem. Em primeiro lugar, eu queria falar sobre algo inédito aqui no blog para sair um pouco da mesmice. Até ontem não havia um único post sobre as cidades que integram essa rota. Em segundo lugar, a rota do Caparaó engloba os municípios capixabas sobre os quais se espalha o Parque Nacional do Caparaó, o único parque nacional com extensão sobre o Espírito Santo. Só isso já seria mais que suficiente para despertar a minha curiosidade bloguística. E, em terceiro lugar, o Pico da Bandeira, atração máxima da rota, era uma ausência imperdoável no currículo da Renata, que é nascida e criada em Cachoeiro de Itapemirim, cidade vizinha à rota. Eu já havia subido o pico pelo lado mineiro.

Só depois que a gente decidiu o nosso rumo é que eu me dei conta que não conhecer o lado capixaba do Parque Nacional do Caparaó ou, ainda, não ter subido o Pico da Bandeira, não é (ou era) uma falha única e exclusiva da Renata. Essa é uma falha de muitos capixabas. Da maioria, eu diria. Tem capixaba que nem sabe que tem um parque nacional no Espírito Santo. E o que é mais grave: tem capixaba que nem imagina que o Pico da Bandeira, o terceiro pico mais alto do país, explorado turisticamente por Minas Gerais há 50 anos, fica em solo capixaba!!!

Alô, capixaba! Onde é que você estava nas suas aulas de geografia, hein?

Foi, então, que eu percebi que tamanha desinformação ou desinteresse do capixaba a respeito do Caparaó leva-o a viver um triste ocaso dentro do nosso Estado. Um ocaso que, para mim, é emblemático do nosso amadorismo turístico. Eu realmente não conheço nenhum outro exemplo de parque nacional brasileiro que tenha sido tão subutilizado turisticamente pelo Estado que o abriga. E isso porque mais de 70% de toda a extensão do Parque, incluindo o próprio Pico da Bandeira, estão no Espírito Santo!

A verdade é que o Caparaó nunca foi um produto turístico de primeira linha do nosso Estado. Ele sempre esteve em segundo plano nesse quesito. Por algum motivo, que eu não sei explicar, nós nunca nos empenhamos em fazer do Pico da Bandeira uma referência turística tipicamente capixaba.

Não é por outro motivo que, até bem pouco tempo atrás, a única forma de acesso para as trilhas do parque se dava por Minas Gerais, na cidade de Alto Caparaó. A portaria capixaba só foi inaugurada em 1998 e o caminho que leva até ela está em obras até hoje! Por outro lado, as informações oficiais na internet sobre os atrativos da rota são esparsas e praticamente inúteis. A exceção fica por conta do recentíssimo site criado pelo chamado Circuito Caparaó Capixaba, uma iniciativa levada a frente por 25 empreendimentos turísticos privados da região com o apoio do Sebrae e da Setur.

É por isso que eu não me espanto em constatar que os mais rentáveis frutos da exploração turística do Parque Nacional do Caparaó sejam colhidos por Minas, e não pelo Espírito Santo. É de Minas que as pessoas geralmente se lembram quando se fala no Parque e no Pico da Bandeira. É para Minas que as pessoas vão quando desejam conhecer as atrações do Parque ou subir o Pico. E é a Minas que as pessoas rendem escancarados elogios quando assistem a beleza do nascer do sol lá no topo do Pico. E sabe o que é pior? Elas fazem tudo isso olhando para o horizonte capixaba e plantadas sob o solo do município de Ibitirama, no Espírito Santo.

Daí que essa viagem improvisada aos 45 minutos do segundo tempo se mostrou grandiosa em seus propósitos estratégicos. Muito mais que apresentar um roteiro turístico cheio de atrações e belezas, ela vai me permitir convocar os capixabas para um dever cívico: o de reivindicar, de vez, a naturalidade do Pico da Bandeira!

Sim, porque os mineiros (eu, inclusive) que me desculpem, mas o Pico da Bandeira é nosso!

Nos próximos posts, eu convido você, capixaba, a conhecer um pouco mais sobre a Rota do Caparaó e seus segredos escondidos.

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comentários

5 respostas para “O Pico da Bandeira é nosso!”

  1. Liliana disse:

    Nao me diga que vc eh mineiro?rs Fui em uma parte do Parque ha 8 anos fazer uma ,digamos assim, limpeza espiritual. Fui antes de me mudar para Londres e foi inesquecivel. Tem uma especie de ermitao(ja alguns anos tb vive uma mulher com ele) que mora no topo de uma das partes do Parque e ate onde sei, recebe quem for la com sua barraca. E no caminho tem uma sociedade alternativa. A historia eh longa, mas resumindo, a rota comeca no Patrimonio da Penha, e eh tudo bem preacario .Voce so chega la se souber o caminho mesmo.Mas justo pela falta de intervencao humana, eh tudo muito virgem e lindissimo. Vi cada cachoeira inacreditavel por la, sem contar com a vista maravilhosa no nascer do sol. Mas se tenho 3 fotos eh muito, uma pena!Vou aguardar ansiosa os posts desta rota!

    • Oi, Liliana, sou sim! rs
      Amo minha terra e suas tradições. Mas, morando no ES desde 98, eu não tinha como não aprender a amá-lo tb.
      Então, eu ouvi falar dessa história lá no Caparaó e isso me deixou ainda mais empolgado com o lugar. Eu até conheci o Patrimônio da Penha, mas o Portal do Céu (acredito que é a ele q vc está se referindo), eu não consegui ir. De todo modo, vou fazer um post sobre isso tb.
      Quando eu vi tamanha beleza reunida em um lugar só, eu realmente me perguntei porque o Caparaó não é explorado turisticamente pelo ES com tanto empenho. Acho um crime reduzirem a abrangência das montanhas capixabas a pedra Azul.
      Grande abraço

  2. Liliana disse:

    É o Portal do Céu sim. Mas o tal (ex)Ermitão a quem me referi , que se chama Sandro,não faz parte desta comunidade, é ainda “mais para cima” mas o caminho é o mesmo.Ele tem uma técnica de plantio sem agrotóxico copiada por muitos! E muitos jornalistas se interessam pelo estilo de vida dele, sem luz, sem água encanada, sem dinheiro. Sim, ele não usa dinheiro! Quanto a voce ser mineiro , nem me espanta tanto assim. Afinal quantas familias no ES(a minha e a do meu marido tb!) não são mineiras/capixabas?Abraço!

  3. Hugo Loureiro disse:

    Muito legal este post, o Caparaó é uma região muito bonita e inexplorada mesmo no lado mineiro, quanto mais no Capixaba. Adoro as regiões de montanhas e o interior, não que eu não goste de praia, mas o que me fascina são as montanhas. Pena que em nosso país poucos são os que valorizam esta modalidade de turismo e são poucas as informações e infraestrutura. Acompanharei de perto esta série de posts.
    E parabéns pelo blog que está ótimo.

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