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13
maio
2012

Fui a Roma e vi o Papa!

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, os nossos blogueiros fazem relatos de suas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Como eu disse aqui, houve uma razão bem especial para a gente colocar Roma no início da nossa viagem pela Europa: a coincidência com a Semana Santa.

Eu até poderia dizer que começar por Roma seria uma escolha estratégica para proporcionar encantamentos gradativos com o nosso roteiro, já que o senso comum sempre nos dizia que Roma era a mais “comum” das 4 cidades. Mas a verdade é que o real motivo da nossa escolha foi mesmo o de coincidir a nossa estada na cidade com as celebrações da Semana Santa no Vaticano. Era a nossa grande chance de realizar o sonho de ver o Papa.

E sim. A gente viu o Papa! Eu sei que o significado desse encontro vai depender muito da sua religião ou da falta dela. Mas para dois católicos, como eu e a Renata, ver o Papa foi uma das maiores emoções que sentimos durante a viagem por motivos óbvios. Ele não é simplesmente a autoridade máxima da Igreja Católica; ele é o Sucessor de Pedro. E ponto final.

Pensando nisso, nós nos programamos para chegar em Roma no dia 07/04 (Sábado de Aleluia). Assim a gente poderia tentar o “grande encontro” na data mais importante do calendário litúrgico católico: a missa do Domingo de Páscoa.

Antes da viagem, eu li esse comentário que um leitor, chamado Marcio Antônio, fez lá no Viaje na Viagem e vi que era possível solicitar à Prefeitura da Cidade do Vaticano um convite para assistir a celebração em cadeira reservada. O formulário pode ser obtido no site oficial do Vaticano, através desse link. Você imprime, preenche, envia por fax para o número indicado e torce para ser contemplado!

Acho que, quanto maior a antecedência, maiores as chances de conseguir o convite. Não foi o nosso caso. Eu enviei o requerimento 3 semanas antes da missa e não obtive retorno. Cheguei a entrar em contato com a minha paróquia para pedir uma “intercessão”. Mas não adiantou. O jeito foi partir para o plano B que o próprio Marcio Antônio sugeriu e contar com a sorte: chegar com 3 horas de antecedência na Praça São Pedro e pedir bilhetes sobrando a pessoas em grupo.

Palavras do Marcio lá no Viaje na Viagem: “procure grupos grandes: de freiras, de seminaristas, de jovens; aproxime-se e pergunte “per favore, lei ha un biglietto di più?” (por favor, o senhor/a senhora tem um convite sobrando?). Quase sempre eles têm (quanto maior o grupo, maior a possibilidade de haver sobras). Se você disser que é brasileiro, suas chances aumentam (sério!). Se precisar, gesticule para indicar de quantos convites você precisa. Mas se você estiver com um grupo grande, o melhor é se dividir (no máximo em trios) e se espalhar.

A missa desse ano foi marcada para as 10h15 (você pode consultar o calendário oficial das celebrações presididas pelo Papa no site do Vaticano, através deste link). Por isso a gente se programou para chegar às 07h00.

Chegamos às 08:00. A Praça São Pedro ainda não estava cheia, mas o número de pessoas na fila já era bem grande.

O centro da praça estava todo cercado por barreiras que impediam a passagem. Para entrar na área demarcada era preciso passar por um único portão, onde fora instalado um esquema de segurança e revista. Numa olhada rápida, vimos que a maioria das pessoas que estava na fila tinha convite. Por isso a gente concluiu que a entrada era exclusiva para os portadores de convite.

Nós tínhamos duas alternativas: assistir a missa em pé dali de trás mesmo ou colocar em prática o plano do Marcio. Confesso que não tive o desprendimento necessário para a segunda opção. Eu costumo travar nas horas em que é preciso um pouco mais de desenvoltura. E por isso eu tentava convencer a Renata de se conformar a assistir a missa de onde nós estávamos.

Só tentava. Porque convencer a Renata de alguma coisa não é nada fácil. A mulher não sossegava enquanto não tivesse a certeza de que a entrada na praça era realmente exclusiva para quem tinha convite. E lá íamos nós perguntando as pessoas que estavam na nossa frente para confirmar essa informação.

Ninguém soube nos responder. Nem os guardas do Vaticano a quem eu perguntei. E, enquanto isso, a fila andava e a gente se aproximava do portão de entrada. Estávamos tão próximos da entrada que a gente decidiu arriscar a sorte. O máximo que poderia acontecer com a gente era pagar um mico internacional de ser barrado na porta da praça.

A fila andou mais um pouco e… a gente entrou. Sem que nenhum policial nos pedisse convite!

Dentro da área demarcada, a praça estava dividida ao meio. A metade mais próxima à Basílica tinha cadeiras organizadas em setores; a outra metade estava livre para receber o maior número possível de pessoas em pé. Por isso, eu concluí que o convite só era necessário para garantir o lugar em uma cadeira. E firme no meu “achismo”, tentei novamente convencer a inquieta Renata disso.

Mas a Renata não seria a Renata se ela não fosse a Renata. Já se foi o tempo em que ela se deixava convencer facilmente dos meus “achismos”. Ela insistia para que a gente perguntasse aos seguranças que estavam em frente à entrada de cada um dos setores das cadeiras.

E como aconteceria em vários outros momentos da nossa viagem, a Renata estava certa. O segurança confirmou que não era preciso convite para sentar nas cadeiras daquele último setor. Pronto! Depois de ouvir 477 vezes o “não falei!!!!! que dificuldade que homem tem de pedir informação!!!!!” da Renata, a gente sentou confortavelmente numa cadeira na Praça São Pedro para ver o Papa.

Tudo isso que eu narrei aí em cima aconteceu durante 30 minutos. Nós chegamos na Praça São Pedro às 08h00 e sentamos na nossa cadeira por volta de 08h30. 20 minutos depois todas as cadeiras estavam ocupadas. E, a partir daí, a praça começou a lotar. Segundo consta, outras 99.998 pessoas se juntaram a mim e à Renata na Praça São Pedro para assistir à missa com o Papa no Domingo de Páscoa (veja aqui).

A missa começou pontualmente às 10h15. O rito da missa era proclamado em italiano. Em toda a praça, foram distribuídos livrinhos contendo o ritual da celebração. Mas você também pode baixá-lo em seu tablet ou celular diretamente do site do Vaticano (veja aqui).

Quase 2 horas depois a missa chegou ao fim. Mas a emoção, não. Era chegada a hora do momento mais esperado por todos: a tradicional benção “urbi et orbi” (à cidade e ao mundo). Para quem não sabe, essa benção é concedida pelo Papa apenas na Páscoa e no Natal e tem um poder especial: por meio dela, o Papa concede penitência e indulgência plenária sob as condições definidas pelo direito canônico. De uma forma leiga e bem simplista, é como se você “zerasse” os seus pecados! 😀

A benção veio após o tradicional discurso do Papa, cujo assunto principal, nesse ano, foi a esperança (veja aqui). Ao final, a multidão ia à loucura a cada vez que o “Feliz Páscoa” era dito em uma língua diferente!

Era 13h00 quando a celebração foi definitivamente encerrada. Mas, em um canto da Praça São Pedro, um grupo de brasileiros dava prosseguimento à festa com a sua conhecida animação.

E “zerados”, eu e a Renata estávamos prontos para começar de vez a nossa viagem!

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comentários

22 respostas para “Fui a Roma e vi o Papa!”

  1. Marcie disse:

    Mesmo para quem não tem vínculo nenhum com a religião católica, este momento emociona.
    Fico feliz que tenha dado certo para vocês.

    (vou deixar pra contar outro dia da vez em que o carro dele parou ao lado do meu, na rua, em Roma, e ele falou comigo, tá?!?!?) 😛

  2. Pedro Serra disse:

    Nossa, que experiência legal. Adorei a foto das freiras com a bandeira do Brasil.

  3. cecília t. nobumoto disse:

    Oi!! Tiago e Renata, primeiro quero lhes dizer que adorei esse post e também agradecer pelo conhecimento agregado, sobre “zerar” os pecados.Fui a Roma e vi o Papa em 1995, numa manhã de domingo, em missa regular.Um dos amigos do grupo tinha essa “encomenda” de uma tia: ir a Roma e ver o Papa, mas só nos falou que “prometeu” à tia já com a viagem iniciada.A viagem era de carro e esse pequeno desvio de rota nos levou de Veneza a Roma e daí subimos a Siena e Florença.Foi um desvio de uns 650km!! Fizemos essa concessão por amizade que é realmente preciosa demais,pois esse amigo se foi em 1996; já pensou se tivéssemos deixado ele a ver navios? Abração!!

  4. Liliana disse:

    Muito legal! Não sou católica, e apesar do Papa para mim ser só um velhinho que fala mil idiomas diferentes, ficaria emocionada pela minha avó. Ela é super católica e certamente eu me lembraria dela a cada palavra incompreendida que saisse da boca dele. E é quase um momento histórico que se repete todo ano, vai além da religião!

  5. Lidia disse:

    Estou emocionada…imaginando a sensação de “zerados” depois de uma missa com o nosso bento Papa Bento XVI, uma benção para vocês. Parabéns, mais uma vez uma boa escolha. E Renata, sua persistÊncia é graça para vc e para o Thiago.
    Um abraço, Lídia

  6. susi disse:

    oi Tiago e Renata…fiquei emocionada com o post de vcs…tb tive a experiência de ver o Papa bem de pertinho na Jornada Mundial em Madri 2011 (q em 2013 será aqui no Rio..uhuuuuuuuuu)..estava bem na grade qdo ele passou em seu papa móvel..e sinceramente é inexplicável a sensação….como vcs mesmo disseram..ele é o sucessor de Pedro…nuuuuuuuuuu…tenho muita vontade de conhecer Roma..e se Deus quiser um dia chego lá… bju bju a vcs…DEus os abençoe e Maria lhes proteja….

  7. […] passear de gôndola é como ir a Roma e não ver o Papa (e nós vimos o Papa em Roma, lembra? leia aqui). Eu juro que havia me programado para isso. Mas não teve jeito. Como eu suspeitava, Veneza saiu […]

  8. Tiago e Renata, não tem como não se emocionar ao ler este post de vcs… Só consegui ver o Papa este ano, pela janelinha no Angelus de Domingo. Pra mim já foi lindo, emocionante e libertador ! Imagino vcs em uma missa ! Sensacional !
    Acredito que minha viagem a Roma foi sensacional, graças tbm a esta feliz e emocionante aparição do Papa.

    Obrigada pelos esclarecimentos e pela lição que a Renata me passou nesta aventura! ( meu marido vai sofrer, de agora em diante… rsrsrs)

    Beijos, Andréa

  9. Amanda disse:

    oie, se é livre entrar na praça e ver a missa pq se inscrever no site?
    Estou indo em abril e estrei em Roma no dia 27/04 então gostaria de participar da missa, não quero perder essa oportunidade, o que você indica?

  10. Mônica disse:

    Olá, estarei em Roma na semana santa.
    Na segunda de páscoa (feriado) estou pretendendo visitar o Coliseu, Palatino, Fórum Romano, Phanteon, Igreja de Santo Inácio, Piazza Novana e Museu Capitolinos.
    Será que estes locais estarão fechados?
    Como eu obtenho essa informação?
    Grata

    • Mônica, sinceramente não lembro se os pontos turísticos fecham na segunda. É que, na dúvida, nós acabamos reservando a segunda para visitar as Basílicas Papais (que não fecham) e rodar pelos monumentos ao ar livre da cidade (praças).

  11. Andrea disse:

    Olá Mônica,

    Os museus fecham aos domingos. Sugiro que vc entre nos sites e visite todas as paginas dos lugares que vc quer ir pra não dar com o nariz na porta !
    Um site de venda de ingressos antecipados muito bom e de confiança é o http://www.tickitaly.com. Nele vc compra ingressos pra varios passeios e em várias cidades, com hora marcada, sem pegar fila nenhuma e alguns passeios exclusivos, como o do Coliseu de visitar o topo e o sub-solo: FANTÁSTICO. Boa sorte !

  12. Mônica disse:

    Obrigada Gente, vou fazer isso

  13. Mônica disse:

    Ah, já que vcs foram tão simpáticos, me tirem outra dúvida:
    Vou comprar o ingresso para o Vaticano pela internet para o dia 22/04. Mas só tem horário disponível a partir de 11:00. Se eu comprar nesse horário, quer dizer que tenho que ir nesse exato horário?
    Ou posso ir a partir desse horário, por exemplo, 14:00?

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