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12
set
2012

As feiras de rua em Vitória

Quando a Associação dos Supermercadistas do Estado do Espírito Santo firmou aquele polêmico acordo com o Sindicato dos Comerciários para proibir a abertura dos supermercados da Grande Vitória aos domingos (veja aqui), muita gente reclamou. “Vitória é uma província mesmo!”, gritava um de cá. “Em nenhum outro lugar do universo uma coisa dessas acontece”, respondia outro de lá.

Eu também reclamei horrores. Não vejo nenhuma razão plausível para justificar uma decisão dessas. Mas, talvez, a revolta contra mais uma ação da Acaps empurrada guela abaixo dos consumidores capixabas (a outra era a tal venda de sacolinhas biodegradáveis… mas deixa pra lá), tenha me impedido de ver o lado bom da coisa. Supermercado fechado aos domingos é uma ótima desculpa para a  gente ir à feira. E feira de rua é o que não falta em Vitória.

Só aos domingos são 4 feiras de rua: Consolação, Maruípe, Santa Martha e Vila Rubim. 4 oportunidades para você abastecer a sua despensa com frutas e verduras fresquinhas ou simplesmente comprar os ingredientes que você precisa para fazer aquela moqueca de última hora.

E mesmo nos dias de supermercados abertos, não faltam opções de “supermercados a céu aberto”: além das feiras dominicais, Vitória tem outras 14 feiras de rua ao longo da semana espalhadas por vários cantos da cidade. Dá só uma olhada no calendário oficial:

Nome

Endereço

Bairro

Dia da semana

Hora de início

Hora de término

Feira de Gurigica

Rua Construtor Camilo Gianordoli

Consolação

Domingo

06:00

12:00

Feira Livre de Maruípe

Av Coronel José Martins De Figueiredo

Maruípe

Domingo

06:00

12:00

Feira Livre de Santa Martha

Rua João Batista Martinho

Santa Martha

Domingo

06:00

12:00

Feira Livre da Vila Rubim

Rua Horácio Rangel Loureiro

Vila Rubim

Domingo

06:00

12:00

Feira Livre do Bairro República

Av Presidente Castelo Branco

República

Terça-Feira

06:00

12:00

Feira de Produtos Orgânicos

Pc Papa João Paulo II

Enseada Do Suá

Quarta-feira

17:00

21:00

Feira Livre de Itararé

Rua Daniel Abreu Machado

Itararé

Quarta-Feira

06:00

12:00

Feira Livre de Jardim da Penha 2

Pc Conjunto Dos Estados

Jardim Da Penha

Quarta-Feira

06:00

12:00

Feira Livre de Santo Antônio

Rua Archimimo Mattos

Santo Antônio

Quarta-Feira

06:00

12:00

Feira Livre da Praia do Canto

Rua Constante Sodré

Praia Do Canto

Quinta-Feira

06:00

12:00

Feira Livre de Jardim Camburi

Rua Carlos Romero Marangoni

Jardim Camburi

Sexta-Feira

06:00

12:00

Feira Livre de Santa Lúcia

Rua José Teixeira

Santa Lúcia

Sexta-Feira

06:00

12:00

Feira Livre de Maria Ortiz

Av Professor Fernando Duarte Rabelo

Antônio Honório

Sábado

06:00

12:00

Feira Livre de Caratoíra

Rua Presidente Arthur Bernardes

Caratoíra

Sábado

06:00

12:00

Feira Livre do Centro

Pc Ubaldo Ramalhete Maia

Centro

Sábado

06:00

12:00

Feira Livre de Jardim da Penha

Rua Comissário Octávio Queiroz

Jardim Da Penha

Sábado

06:00

12:00

Feira de Produtos Orgânicos

Rua Arlindo Brás Do Nascimento

Santa Luíza

Sábado

06:00

12:00

Feira Livre de São Pedro

Rua Natalino De Freitas Neves

São Pedro

Sábado

06:00

12:00

Sem falar que, na feira, a gente não se sente coagido a adotar práticas ambientalmente corretas por conta de um discurso altamente hipócrita dos supermercadistas. A gente não só pode, como deve optar por sacolas retornáveis para guardar as nossas compras. Mas, pelo menos na feira, ninguém quer lucrar em cima de nós vendendo sacolinha.Pra que se estressar com carrinhos, senhas, sacolinhas, filas e mais filas nos caixas dos supermercados, hein? Vá à feira, meu rei!

Aliás, tem coisa mais politicamente correta do que ir à feira? Você melhora a qualidade da sua alimentação, ajuda a fortalecer a agricultura familiar capixaba e não engorda os já polpudos bolsos dos donos de supermercados do Espírito Santo (associados à Acaps). Ou seja, é uma causa alimentar, social e política, gente!

Mas veja bem. Ir à feira não deveria ser apenas um quebra-galho para quem não tem supermercados aos domingos. Ir à feira deveria ser um hábito extramente prazeroso para nós, capixabas. Feira de rua é o melhor lugar para se conhecer e experimentar os cheiros e sabores de uma cidade. É assim no mundo todo. Seja no Rio ou em Paris, não há quem resista a um passeio contemplativo ou sensorial pelos corredores coloridos e perfumados de uma feira.

Ainda mais quando esse corredores tem a variedade e a qualidade dos produtos que se vê nas feiras de Vitória. Temos de tudo um pouco: frutas, verduras e legumes fresquinhos, carnes, pescados e frutos do mar, temperos, biscoitos caseiros, queijos, mil e um produtos do agroturismo das nossas montanhas, flores e muitas outras coisas.

Nesse “muitas outras coisas” eu destaco as comidinhas. Tem comidinha de feira que já virou tradição em Vitória. O pastel da Barraca do Japonês é uma delas. Poucas coisas aqui em Vix são tão unânimes quanto esse pastel. Ele atrai gulosos de toda a parte (né, Egydio? né, Vinícius?) e já ganhou até prêmio de “o melhor pastel da cidade” na última edição do Veja Comer e Beber Espírito Santo (veja aqui).

O pastel da Barraca do Japonês

São três oportunidades de experimentar o pastel da Barraca do Japonês: a) às quintas-feiras, na Praia do Canto; b) às sextas, em Jardim Camburi; e c) aos sábados, em Jardim da Penha. A unidade custa R$3,00.

Mas o pastel do Japonês não é a única atração calórica das feiras de rua em Vitória. Na Feira de Jardim da Penha, por exemplo, esse pão com carne (R$6,00) de uma barraca que não tem nome (foi a própria dona que me disse isso) também merece ser louvado.

A “Barraca do Pão com Carne” fica quase em frente à do Japonês. Na dúvida, é só ir atrás do cheiro! 😉

Em Santa Luíza (apesar de ser conhecida como Feira do “Barro Vermelho”) e na Enseada do Suá as feiras de rua tem um atrativo a mais. Elas são inteiramente dedicadas a produtos orgânicos. Nelas você tem a oportunidade de levar pra casa produtos fresquinhos cultivados por agricultores familiares sem nenhum agrotóxico.

Foto: Letícia Peixoto

Foto: Letícia Peixoto

Mas a grande novidade da feira da Enseada do Suá, na Praça do Papa, é o seu horário. Ao contrário das outras, ela funciona à tardinha, das 17:00 às 21:00. É uma mão na roda para quem trabalha no centro da cidade (\o/) e tem uma certa preguiça de acordar cedo (\o/).

Ir à feira depois do trabalho se tornou uma opção bem mais conveniente.

Foto: Letícia Peixoto

Por isso que eu digo: com tantas e tão boas opções de feiras de rua em Vitória, supermercados fechados aos domingos não chega a ser uma coisa tão ruim assim, né? 😉

P.S.: agradeço à amiga Letícia Peixoto pela cessão das fotos da Feira de Santa Luíza (ou Barro Vermelho).

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comentários

11 respostas para “As feiras de rua em Vitória”

  1. Ana Rothen disse:

    Tiago,

    Ontem estive na Vila Rubim e fiquei muito triste com o que vi. Eu gosto de mercados populares e fiquei impressionada com o abandono da região. Já fazia algum tempo que não andava por lá e foi decepcionante perceber que a situação, que já não era boa, está se deteriorando. Há pouquíssimos mercadinhos e lojas de produtos para o lar. Mesmo a Casa Rubim, que era cheia de utilidades do lar interessantes e com preço bacana, está com poucas opções e preços mais caros que os da Praia do Canto.

    A imensa maioria das lojas é dedicada à venda de produtos religiosos. Há algumas lojinhas que vendem ervas medicinais, mas sem a menor condição de higiene. Temperos e especiarias, nem pensar.

    É uma pena para quem, como eu, adora mercados populares e o centro da cidade…

  2. Karol disse:

    A pessoa engravida e começa a se preocupar com frutas, verduras, legumes… preferencialmente sem agrotóxicos…rs Sei o que é isso…rsrsrs

  3. Lucas Judice disse:

    Tiago,
    Eu frequento feiras há algum tempinho, pouco, mas suficiente para conhece-las e anotar os preços. São, vá lá, quase 02 anos toda quinta-feira e/ou sábado perambulando pelos Feirantes, e pude fazer uma constatação: os preços das feiras são mais caros do que os do supermercado.

    É verdade que tem um ou outro produto mais em conta na feira, mas a média de preços favorece o supermercado. Se por um lado os atacadistas compram em volume (o que reduz o preço), por outro, os feirantes não precisam de grandes gastos com estoque, câmaras frigoríficas e etc.

    Além disso, muitos feirantes produzem o alimento, o que elimina os custos de transporte, manutenção e refrigeração que os Supermercados possuem.

    Mas é agradável fazer feira, e por isso tenho ido mesmo sabendo que no Supermercado sairá um pouco mais barato.

    A Feira do Centro de Vitória, aos sábados, tem um sambinha a partir das 10hs. Mas nem pense em chegar para fazer compras na hora do samba, pois só terá resto de verdura, legumes e frutas.

    A mais equipada, sem dúvidas, é a de Jardim da Penha, também aos sábados, mas em época eleitoral fica insuportável.

    Abs. e vamos à Feira…
    Lucas Judice

  4. Cristina Rosa disse:

    Adoro uma feira. Fiquei com saudade da feira da Glória, lá no Rio. Aqui em Barcelona nao tem feira, mas tem cada mercado, como o da Boqueria, que é igual a uma feira. Adorei o post. Parabéns.

  5. Natalia disse:

    Lembro bem quando foi tomada a decisão de fecharem os supermercados aos domingos em Vitória e Vila Velha, e como isso tira a gente da zona de conforto, não foi uma decisão bem vinda. Em BH parece que querem fazer o mesmo, se eu ainda morasse por lá com certeza me oporia, mas depois de quase três anos morando onde supermercado não abre aos domingos porque é um dia que deve ser dedicado ao descanso e à família (é o argumento francês pra garantir pelo menos um dia de descanso pra todo trabalhador) acaba que nos organizamos pra ter os produtos que precisamos e nos acostumamos rápido. Existem os pequenos comércios que geralmente funcionam até 13h nos domingos e ficam fechados às segundas, e são mão na roda quando estamos em pane de algum ingrediente. Mas aqui tem feira todos os dias e, apesar de o preço ser realmente um pouco mais elevado que no supermercado, na feira acabamos criando uma relação com o feirante que é enriquecedora: dicas de como preparar tal prato, e com o tempo ele até sabe quais os produtos que fazem parte da lista habitual, relação que meus avós tinham com os feirantes no Mercado Central em BH, onde íam todo sábado fazer as compras.
    Vendo as fotos e lendo seu texto senti os cheiros dos temperos e produtos e fiquei com água na boca! Espero conseguir visitar uma dessas feiras no fim do ano, em Vitória ou em Vila Velha!

    • Oi, Natalia! Obrigado pela visita e pelos elogios.
      E concordo plenamente com você. Essa relação com o feirante é uma das coisas mais gostosas de se ir à feira. É uma experiência quase antropológica, assistir ao vai-e-vem das pessoas. 🙂

  6. Luciane disse:

    Lindo post com cores e cheiros da minha infância na Praia de SantaHelena!
    Parabéns

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