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02
jun
2013

A riqueza de Venda Nova do Imigrante

Venda Nova do Imigrante é uma pequena joia das montanhas capixabas. Não que a cidade seja assim, esteticamente bonita. Não é. Na verdade, o centro urbano atual de Venda Nova é bagunçadinho, arquitetonicamente sem graça e com pouquíssimos resquícios da época do surgimento da cidade.

A riqueza de Venda Nova não está na sua “arquitetura europeia”, como poderia pensar quem apressadamente se depara com a propaganda oficial das nossas montanhas. A riqueza de Venda Nova está na beleza natural de seu entorno, na força de suas raízes europeias e, principalmente, na pujança do seu agroturismo.

Pra começar, Venda Nova está ao lado do Parque Estadual da Pedra Azul, uma das regiões mais belas do nosso estado. São só 10 km da sede do Parque à sede do município, o que torna perfeitamente possível explorar as belezas naturais de Pedra Azul para quem está em Venda Nova.

A famosa Pedra Azul

A famosa Pedra Azul

Mas o quesito “beleza natural” não se restringe a isso. O entorno de Venda Nova, cheio de montanhas e mata atlântica, guarda muitas outras paisagens belíssimas, como essa que se tem do alto da torre da TV:

Foto: Vinicius Depizzol (CC BY-SA 2.0)

Foto: Vinicius Depizzol (CC BY-SA 2.0)

Para os amantes da natureza, a cidade possui ainda o orquidário mais famoso do Estado, o da família Caliman, sobre o qual eu já falei aqui.

Orquidário Caliman

A região onde Venda Nova se situa foi originalmente povoada por imigrantes italianos que chegaram ao Espírito Santo no final do século XIX em busca de novas oportunidades. Ao lado de Santa Teresa, Venda Nova possui a maior colônia de descendentes italianos do Estado. E o legado dessa imigração se faz presente até hoje nos traços de sua gente, nos sobrenomes das famílias e, principalmente, nas tradições culturais.

Venda Nova do Imigrante

Seja na gastronomia, seja na cultura, Venda Nova celebra o orgulho do sangue italiano. A polenta, alimento típico do norte da Itália, de onde vieram os imigrantes, é atualmente o símbolo da cidade, que a celebra com uma grande festa em outubro (veja o meu relato sobre a Festa da Polenta aqui).

Festa da Polenta

Festa da Polenta

Outras duas guarnições muito usadas na gastronomia local também são celebradas com festa: o milho (que será usado para fazer a polenta da festa) e o socol, um embutido de carne de porco típico da região, sobre o qual falarei em post específico.

O famoso Socol

O famoso Socol

Por sua vez, a memória dos imigrantes é festejada anualmente na famosa Serenata Italiana, que acontece sempre em julho. Nesse dia, vários grupos de pessoas saem de diferentes locais da cidade com destino ao Centro de Eventos Padre Cleto Caliman. Eles caminham cantando músicas italianas e consumindo as bebidas e comidas que são preparadas no fogão a lenha móvel ou aquelas oferecidas pelos moradores que abrem as portas de suas casas para os que passam. No cardápio, claro, muita polenta com queijo.

Venda Nova do Imigrante

Mas, talvez, a maior riqueza que os imigrantes deixaram para Venda Nova foi o trabalho no campo. Explico. Como eu disse acima, os italianos vieram para cá em busca de novas oportunidades de vida. Aqui, eles adquiriram pequenas propriedades rurais e fizeram da agricultura o ganha-pão da família. Esse trabalho no campo sustentou a economia da região por anos e anos até se tornar o ganha-pão oficial da cidade. Pelo menos, em termos turísticos. Atualmente, o turismo de Venda Nova atende pelo nome de “agroturismo”. Foi aqui que esse termo foi cunhado lá na década de 80 pela mão dos Carnielli, os pioneiros nessa atividade e sobre quem falarei em outro post. E o profissionalismo e a diversidade do agroturismo venda-novense chegaram a um nível tal que renderam à cidade o título de Capital Nacional do Agroturismo, dado pela Associação Brasileira de Turismo Rural.

Venda Nova do Imigrante

Que me desculpem os outros, mas agroturismo tão bem estruturado, diversificado e profissional como o de Venda Nova não há por aí. Nas propriedades rurais que fazem parte dos diversos circuitos turísticos temáticos, você encontrará café, queijo, iogurte, vinhos, geleias, biscoitos, massas, antepastos, mel, produtos orgânicos e até o famoso socol. Com tantas e boas opções gastronômicas, dá pra fazer da sua despensa uma verdadeira vitrine da comfort food!

Queijos na Fazenda Carnielli

Queijos na Fazenda Carnielli

O agroturismo de Venda Nova será tema dos próximos posts. Neles, você vai conhecer algumas das propriedades rurais que se destacam nessa atividade.

Aguardem!

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comentários

15 respostas para “A riqueza de Venda Nova do Imigrante”

  1. Oi Tiago!
    Puxa, ia “pular” Venda Nova do meu roteiro, mas depois desse post sou obrigada a incluí-lo…
    Estava pensando que seria melhor ficar em Domingos Martins para visitar o Pq. da Pedra Azul, mas os preços das Pousadas achei um tanto quanto salgadinhos, por serem “roteiros de lua de mel” ou estou enganada?
    Espero anciosa os próximos posts de Venda Nova. Vc teria indicações de hospedagens por lá?
    Minha intenção seria ficar 3 dias em Domingos Martins, mais uns 4 em Dores do Rio Preto (para o Pico da Bandeira) e uns 5 dias em Guarapari…
    Um grande abraço!
    Marcia
    Os caminhantes

    • Oi, Marcia! Que prazer tê-la aqui no Rotas! Vamos ver se eu te ajudo.
      Quando você se refere às Pousadas de “Domingos Martins” você tá falando, na verdade, em Pedra Azul, não? Deixa eu explicar.
      É que o Parque e a vila de Pedra Azul pertencem ao município de Domingos Martins, mas ficam um pouco distante da sede. Então, é bem provável que você esteja se referindo às pousadas de Pedra Azul que, sim, devem estar com preços mais salgados por causa da alta temporada. Minhas opções econômicas preferidas nessa região são a Recanto da Pedra e a Tre Fiori. Você tentou nelas?
      Sem dúvida, se hospedar em Pedra Azul, especialmente pra quem é de fora, como você, é a melhor opção para explorar a região, porque é aí que estão os principais atrativos turísticos. Fora que você estará à beira do Parque e com vista pra Pedra (o que já é um grande diferencial). E dá perfeitamente pra você incluir os atrativos de Venda Nova também no seu roteiro. Com menos de 1 dia você conhece as principais propriedades e o orquidário, por exemplo.
      Mas, se você quiser experimentar uma hospedagem em Venda Nova – que, como eu disse, também pode ser viável para quem quer explorar as atrações de Pedra Azul – eu sugiro o Alpes Hotel (mais espartano), a Nono Beppi (hospedagem do tipo rural) e a Casa Vecchio (que tem só um quarto disponível). Tem a Pousada Bela Aurora também, mas ela fica um pouco mais afastada do centro (dificultando mais ainda o deslocamento) e é mais cara.
      Acho que é isso.
      Se precisar de mais alguma coisa, é só falar.
      Abs

    • E quando você for descer a serra rumo à Guarapari, vá cedo e passe pelo município de Domingos Martins para conhecer a nossa jóia alemã! 🙂

      • Tiago,
        Desculpe, só agora vi a resposta. Muuuito obrigada pela ajuda, não havia cotado nestas pousadas ainda.
        Certamente você terá lugar de destaque como nosso anfitrião nesta viagem!
        Um grande abraço e muito obrigada!!

  2. Liliana disse:

    Ansiosa pelos próximos posts! Já explorei essa região mas desde que vim para cá, nunca mais subi a serra capixaba.Só acho muito triste que o turismo seja tão mal estruturado no nosso estado. Para ir as montanhas sem carro fica muito muito dificil. Fora o transporte público terrível, como assim não existe nenhum ônibus turistíco cobrindo os pontos chave das montanhas? Um dia esse povo aprende a explorar um estado lindo como o ES!

    • Falou tudo, Lili. Não dá nem pra cogitar subir a serra de transporte público (?) e, mesmo pra quem vai de carro, próprio é um tormento passar pela BR 262.
      Sigo confiante na sua profecia: “Um dia esse povo aprende a explorar um estado lindo como o ES!”.
      Abs

  3. Boia Paulista disse:

    Oi, Tiago. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia

  4. Que bom te ver voltando a blogar! Assim já vou poder escolher meu próximo roteiro no ES! Só tenho que dar uma conversadinha com São Pedro antes… 😉

  5. dudu altoé disse:

    Mesmo sem ser morador da cidade, você conseguiu resumidamente escrever como se fosse um verdadeiro vendanovense.

    abs

  6. Lucy disse:

    Bom dia Tiago,
    Vi em sua opinião que o povo deve aprender a “explorar” o estado lindo do ES. Parei na hora para refletir sobre essa opinião que muitos acham que fará bem à cidade “explorada”…
    Venho do ES, mais morei grande parte de minha vida no Rio de Janeiro e desisti da cidade grande. Estou a um ano e meio em Cabo Frio e aqui tenho visto o que é a “exploração” turística de uma linda cidade com 200 mil habitantes e que na alta temporada recebe mais de 1 milhão. Os resultados desta exploração são engarrafamentos, falta de produtos, serviços caros, falta de água, esgotos entupidos com mau cheiro, crescimento desordenado da cidade, destruição do meio ambiente para o aumento da “exploração” turística e novos empreendimentos imobiliários…Em meu condomínio, em frente à Reserva da Praia do Peró, (reserva essa vendida ao Club Med e já sendo “explorada” turisticamente para o bem da cidade), já quase não existem mais árvores, pois o método construtivo daqui é assim. Sobraram algumas nativas em lotes vazios, como as que ainda vivem, lindas, em frente à minha janela.
    Aqui em Cabo Frio aprendi o que a “exploração” turística pode fazer à uma linda cidade…
    Por isso estou pensando em voltar às origens de minha família. Estou pensando em voltar para o ES.
    Para um local onde o povo não só não saiba “explorar” o turismo como conscientemente não queira esta “exploração”!
    Somente aprendi isso com essa experiência aqui!
    Junto ao dinheiro dos turistas vem muita coisa negativa que percebo hoje que esse investimento turístico não compensa. Dê uma olhada nas notícias daqui!
    Principalmente na construção do Club Med e de um Condomínio de Luxo no meio de uma linda reserva…
    Espero que minha opinião faça as pessoas refletirem muito cuidadosamente sobre o tipo de desenvolvimento que sonham para a sua cidade.
    Gostei muito de seu blog.
    Lucy.

  7. Oi Tiago! Estive aí no ES um pouco mais de 1 ano atrás e adorei a pizza de polenta que descobri aí! Minha família é italiana e sempre comi muita polenta, mas pizza de polenta para mim foi novidade! Contei aqui como é essa pizza: http://taindopraonde.blogspot.com.br/2014/01/descobrindo-es-pizza-de-polenta.html. Comprei um monte de comidinhas na Carnielli e todo mundo aqui de casa aprovou o socol!

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