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19
jun
2017

Santa Cruz: o passeio de escuna pelo Rio Piraqueaçu

No último post que eu publiquei aqui no Rotas, eu apresentei algumas boas razões para você incluir Aracruz no seu radar turístico ao decidir vir para o Espírito Santo. Como eu disse, a cidade “abriga um dos mais belos e mais preservados conjuntos de praia do litoral capixaba“.

Eu ainda pretendo explorar um pouco mais a cidade para, quem sabe?, organizar uma série especial com todas as informações e dicas que você precisa para visitá-la (tal qual eu fiz com Itaúnas, Pedra Azul e Santa Teresa). Enquanto isso não acontece, vale a pena apresentar, pelo menos, o passeio mais famoso da região: o passeio de escuna pelo rio Piraquê-Açú, na vila de Santa Cruz.

Seja para quem planeja um bate-volta a partir de Vitória (como eu recomendei aqui), seja para quem visita a cidade de Aracruz, o passeio de escuna pelo rio Piraquê-Açú deve estar no seu roteiro. É um passeio bem bonito e ótimo para se fazer em grupo, especialmente quando se tem crianças.

Para quem não sabe, Santa Cruz já foi um porto fluvial importante do Espírito Santo e uma das portas de entrada dos imigrantes italianos. O rio Piraquê-Açú, que deságua ali, nasce em Santa Teresa e, até hoje, é navegável em quase toda a sua extensão.

Nesse passeio, a gente sobe pela foz do Rio Piraquê-açú por cerca de 30 minutos até o ponto onde há uma plataforma flutuante (chamada de “bar flutuante” pela tripulação). O cenário, depois que a vila de Santa Cruz é deixada pra trás, vai se tornando uniforme, tomado pelos mil e um tons de verde da vegetação do manguezal nas margens.

Temos aí o maior manguezal do Espírito Santo e um dos maiores do Brasil. A paisagem é belíssima, com a natureza praticamente intocada.

Na plataforma flutuante, a escuna atraca para que os passageiros possam tomar banho no rio. É a hora da farra.

Meia hora depois, a embarcação segue pelo mesmo percurso até o fim do passeio.

O passeio tem duração de 2 horas. Embarca-se e desembarca-se em 2 pontos: no píer anexo ao Restaurante Mocambo, na vila de Santa Cruz; ou, do outro lado da foz do rio, no início da Praia de Coqueiral, com acesso pela estradinha de terra que fica bem ao lado da entrada do Coqueiral Praia Hotel, na Rodovia ES 010.

Píer do Restaurante Mocambo

A principal vantagem de se embarcar no primeiro ponto é começar e terminar o passeio dentro da vila de Santa Cruz, dispensando o deslocamento de carro que a primeira opção exige (a Praia da Sauna fica na margem oposta do rio, em frente à vila de Santa Cruz).

Por sua vez, a vantagem de se embarcar no segundo ponto é pegar a escuna vazia, garantindo seu lugar no espaço que você achar mais interessante. O “interessante” aqui é totalmente subjetivo. A maioria prefere a frente por causa das fotos a la Titanic. Mas, exatamente por isso, é onde fica mais tumultuado. Eu, ao contrário, preferi ficar na parte de trás da embarcação, que é coberta e tem mais assentos.

Seja qual for a sua opção, eu recomendo fortemente que você encaixe – na ida ou na volta do passeio – um almoço no Restaurante Mocambo. Além da vista privilegiada para a foz do rio Piraquê-açú, o Mocambo serve uma das melhores moquecas capixabas do Estado.

Para completar o dia de passeio pela região, veja as dicas que eu dou nesse post.

Informações úteis:
1) Quem opera o passeio de escuna é a empresa “Princesinha do Mar”, que pode ser contactada pelos telefones 27 999 851 964 ou 27 3250 1941.
2) Em abril de 2017, o preço do passeio por pessoa era R$20,00. Crianças até 5 anos não pagam.
3) Os passeios saem de 2 em 2 horas, começando a partir das 10:00 e terminando às 16:00. No entanto, para confirmar a saída, exige-se no mínimo 10 passageiros. Por isso, é bom ligar antes para sondar a saída.
4) Somente bebidas são vendidas na embarcação. Nada impede, porém, que você leve o seu próprio lanche.
5) O uso de filtro solar e repelente é fortemente recomendado.
6) Como todo passeio de escuna, tem música ambiente durante todo o trajeto. Se a música é boa ou não, vai depender do seu gosto. 😉

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17
jan
2017

Pousada dos Cocais: uma autêntica pousada de praia pé na areia no Espírito Santo

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Nos primórdios desse blog, eu deixei registrado aqui por 2 vezes o meu manifesto contra a ocupação desordenada do litoral capixaba (leia aqui e aqui). Nesses posts, eu protestei – e ainda protesto – contra um certo modelo de desenvolvimento econômico que optou por favorecer a industrialização e urbanização da nossa faixa litorânea, sem se preocupar em reservar áreas de preservação ambiental. Como eu disse aqui, não há nenhum outro Estado da nossa federação que espalhe tantas indústrias em diferentes faixas de um litoral relativamente pequeno. E, infelizmente, os exemplos que eu citei em 2011 só aumentaram de lá pra cá. =(

Só para você ter uma dimensão desse problema, atualmente o Espírito Santo tem 16 unidades de conservação em âmbito estadual. Ao todo, elas protegem 0,8%, repito, 0,8% (!!!!!) do nosso território. E, dessas, apenas 7 estão no litoral: Parque Estadual de Itaúnas, APA de Conceição da Barra, APA de Praia Mole, Parque Estadual Paulo César Vinha, APA de Setiba, Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Concha D’Ostra e APA de Guanandy (fonte: IEMA).

Não é à toa, portanto, que o nosso litoral seja tão “urbano” e bem pouco “rústico”. Guardadas as devidas proporções e ressalvadas as honrosas exceções (alô, Itaúnas! alô, Regência!), o que se vê de norte a sul no litoral capixaba é a reprodução daquele modelo de ocupação urbana que prevaleceu em Guarapari: “cimentização” ampla e irrestrita da orla, com pouquíssima ou nenhuma preocupação com a preservação do meio-ambiente local. O resultado disso foi uma devastação implacável à beira-mar. Guarapari, por exemplo, dono do litoral mais bonito do Estado, conta apenas com 1, eu disse, 1 (!!!!) área de proteção ambiental municipal: o Morro da Pescaria, curiosamente, um lugar bastante improvável para a especulação imobiliária. Nem mesmo regiões mais afastadas da cidade, que já foram redutos de praias tranquilas e de vegetação abundante, como a Enseada Azul e as Três Praias, vem resistindo à ação predatória das construtoras (leia aqui e aqui).

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Esse perfil urbano do litoral capixaba traz um claro prejuízo à consolidação do turismo na região costeira do Estado. Eu me refiro aqui ao turismo de âmbito nacional, claro. Fica realmente difícil convencer um morador de uma grande cidade brasileira a passar férias numa “mini-grande-cidade-de-praia” do Espírito Santo se, aqui, ao invés de fugir dos transtornos urbanos do dia-a-dia, ele vai vivenciá-los em menor escala. Sabe aquela coisa de fugir para uma praia bucólica, selvagem e sossegada? Pois então. Isso é meio raro por aqui. Infelizmente.

(Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais eu vejo mais potencial turístico nas montanhas capixabas do que no nosso litoral. Não tem jeito. Pelo menos até agora, as nossas montanhas oferecem um atrativo turístico verdadeiramente genuíno para quem vem de fora: a beleza cênica da natureza ainda exuberante e a força do seu agroturismo)

Mas tem um outro efeito desse perfil urbano da costa capixaba que, para mim, que moro aqui no ES, é ainda mais nefasto: o padrão urbano da hotelaria de praia. Tão difícil quanto achar uma praia bucólica, selvagem e sossegada é achar uma pousada de praia que reproduza exatamente a sensação de estar em um lugar bucólico, selvagem e sossegado. Não é só o nosso litoral que é pouco rústico; a hotelaria de praia capixaba também é. Inexplicavelmente, não há nenhum esforço dos donos de hotéis e pousadas em compensar essa falta de rusticidade da paisagem local com a ambientação dos seus estabelecimentos. A regra, por aqui, é ser insosso, é ser esteticamente sem-graça. E no rastro dessa ótica bem pouco inteligente, a hotelaria de praia capixaba segue num ocaso sem fim. Procura aí no Google uma lista com as melhores pousadas de praia do Brasil pra você ver. Não há uma única, em qualquer site que seja, que esteja à beira-mar no Espírito Santo.

Mas o objetivo desse post, acredite, não foi fazer mais um manifesto sobre a ocupação desordenada do litoral capixaba. Na verdade, eu vim aqui apresentar pra vocês uma pousada de praia que – thanks, God! – sobrevive como uma doce antítese desse padrão que eu apresentei aí em cima. Uma pousada que, justamente por ser uma exceção nesse padrão geral da hotelaria de praia capixaba, se revelou pra mim como a maior surpresa do turismo de praia do Espírito Santo: a Pousada dos Cocais, em Aracruz.

Pousada dos Cocais

Se você não for do Espírito Santo, talvez nunca tenha ouvido falar em Aracruz. Mas é bom prestar mais atenção nela. Apesar de pouco conhecida, Aracruz abriga um dos mais belos e mais preservados conjuntos de praia do litoral capixaba. Há uma razão geopolítica para essa dose extra de preservação da vegetação litorânea. É que, desde meados do século XX, a sede do município foi transferida para o interior do território, afastando-se da costa. Além disso, a ação conjunta dos governos federal e municipal permitiu a criação, na cidade, de 5 áreas de preservação ambiental costeiras (quase o mesmo número de unidades de conservação litorâneas que o governo estadual mantém em todo o Espírito Santo): o Parque Natural Municipal David Victor Farina, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, a APA Costa das Algas, o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz e a Estação Biológica Marinha Augusto Ruschi. Isso faz toda a diferença na paisagem local. Entre um distrito e outro da cidade, há quase sempre espaços verdes bem preservados à beira-mar.

Fonte: Google Earth

Fonte: Google Earth

E é justamente num desses espaços verdesque se instalou a Pousada dos Cocais. Ali, num ponto quase desabitado da chamada Praia do Sauê, a Pousada dos Cocais proporciona ao seu hóspede uma experiência que, como eu disse, é rara no litoral capixaba: a de se hospedar numa pousada que reproduza a sensação de estar em uma praia bucólica, selvagem e sossegada. Fala que não é uma surpresa?

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Essa sensação de isolamento é facilitada pela ausência de vizinhos próximos da pousada. A frente do terreno começa nas imediações do córrego do Sauê e se estende por uma faixa de terra de 1.700 metros paralela à areia, fazendo com que esse pedaço da praia seja bem pouco frequentado por banhistas que não sejam hóspedes. Eu, por exemplo, me hospedei lá nesse último final de semana (janeiro de 2017) e não vi quase ninguém na praia. Nem parecia que era altíssima temporada do verão capixaba!

Pousada dos Cocais

Por outro lado, o cenário da praia do Sauê é lindo, com destaque para a vegetação de restinga abundante nesse trecho. Abundante também é a população de siris e tatuís que circulam pela praia no início da manhã e final da tarde. Eles, provavelmente, serão suas únicas companhias numa caminhada pela areia para assistir ao pôr-do-sol. E a visão que você vai ter é essa aí:

Praia do Sauê

Tudo bem que, com um cenário tão privilegiado ao redor, nem precisava de muito para a Pousada dos Cocais me conquistar. Mas ela ainda assim me conquistou, especialmente pelo esforço de se destacar do padrão normal da hotelaria de praia capixaba. Veja bem. Não é que ela seja perfeita ou seja uma pousada de praia dos sonhos. Não é. Mas, diante da mesmice que impera nas bandas de cá, eu não poderia deixar de louvar um pousada que, pelo menos, tenta remar contra a maré.

Pousada dos Cocais

A começar pela rusticidade das instalações. Dos materiais usados na construção dos espaços da pousada aos móveis usados na decoração, houve uma preocupação em se integrar à paisagem local.

Pousada dos Cocais

A decoração dos quartos é simples, mas ajustada à proposta de ser um refúgio num lugar de puro sossego. Nas varandas, você pode passar o dia todo deitado numa rede lendo um livro ao som do canto dos pássaros ou das ondas do mar.

Pousada dos Cocais

Interior da Suíte Especial

Se a coisa ficar monótona demais, não tem problema. Você pode aproveitar a piscina ou a praia que está a poucos passos da pousada.

Pousada dos Cocais

Aliás, esse é o maior trunfo da Pousada dos Cocais, na minha humilde opinião: ela é uma autêntica pousada de praia pé na areia. Uma pontezinha de madeira, construída sobre a restinga, é a única coisa que separa você do mar.

Pousada dos Cocais

Você pode acordar e caminhar na praia, tomar café e ir pra praia, almoçar e voltar pra praia, tirar uma soneca da tarde e, porque não?, dar mais um pulo na praia, jantar e ainda se dar ao luxo de ver o céu estrelado numa praia praticamente deserta. Como eu disse, essa é uma experiência rara no litoral capixaba.

Pousada dos Cocais

Tá certo que a experiência poderia ser ainda mais completa se a pousada disponibilizasse cadeiras e barracas de praia (um lounge, talvez?) aos hóspedes e se o restaurante – que abre para o almoço e jantar – também atendesse os hóspedes na areia. Essa, talvez, seja a minha maior crítica a ela. Pode até ser coisa de turista preguiçoso e mal-acostumado… mas, numa praia quase deserta, ter a comodidade de um serviço à beira-mar faria toda a diferença. #ficaadica

O restaurante da pousada

O restaurante da pousada

Eu namorava a Pousada dos Cocais há bastante tempo, desde que comecei pesquisar sobre o turismo de Aracruz para pautar aqui no Rotas. Mas foi só nesse último final de semana que nós nos programamos para ir com uma turma de amigos, aproveitando que, no momento, eles estão oferecendo 30% de desconto sobre a tarifa normal. R$329,00 era o preço da diária no quarto standard (com café da manhã). R$480,00, na suíte especial, com banheira de hidromassagem. Adivinha qual a Renata escolheu? =)

Pousada dos Cocais

O valor da diária não é nada barato, eu sei. Mas, comparativamente a outras pousadas de praia do estado, que não oferecem o mesmo nível de experiência da Cocais, o preço se revela justo. R$480,00 é, provavelmente, o valor mais em conta que você pagará no Espírito Santo por uma suíte com hidromassagem. E nem todas vão te entregar uma vista tão privilegiada assim:

Pousada dos Cocais

No final das contas, o investimento não foi em vão. Valeu pela experiência de uma hospedagem pé na areia no Espírito Santo. Que o exemplo da Pousada dos Cocais inspire novos estabelecimentos a mudar o padrão médio de hospedagem no litoral capixaba.

Informações úteis:

Pousada dos Cocais

Endereço: Rodovia ES-010, s/n, Praia do Sauê, Aracruz

Telefone: (27) 3250-1515 / 3250-1626

Site oficial: http://www.cocais.com.br/index2.php

* Todas as despesas de hospedagem na Pousada dos Cocais foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

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14
nov
2016

Sevilha: razões para amar

Sevilha

Confesso que Sevilha não estava nos planos iniciais da viagem que fizemos à Espanha nas nossas férias desse ano. Depois de uma pesquisa superficial sobre o país, eu tinha chegado a 2 conclusões: a) a Andaluzia merecia uma viagem específica, inteiramente dedicada à região; e b) para diminuir o nosso deslocamento e o troca-troca de hotel, nossas bases se limitariam a Madri e Barcelona.

Por isso, Sevilha quase foi descartada.

“Quase” porque, aos 45 minutos do 2º tempo do planejamento da viagem, uma conversa que tive com a Poliana Cardoso, do blog Comendo Chucrute e Salsicha, num providencial almoço de blogueiros aqui em Vitória me fez reavaliar definitivamente aquela decisão. Com a autoridade de quem morou por um tempo na cidade, ela fez tantos elogios e recomendou tanto a inclusão de Sevilha no meu roteiro que eu me convenci. Refiz os cálculos e considerei viável dedicar 3 noites – das 18 que nós teríamos na Espanha – a Sevilha. Tal qual fizemos com Florença em nossa viagem à Itália, Sevilha seria uma espécie de aperitivo da Andaluzia, só para deixar aquele gostinho de quero mais.

Sevilha

E como eu agradeci à Poliana por esse empurrãozinho!

Por tudo o que eu já havia lido sobre a Andaluzia e, especialmente, sobre Sevilha, eu já sabia que ia gostar da cidade. Eu só não sabia que ia gostar com a intensidade que eu verdadeiramente gostei. Mesmo com a expectativa devidamente ajustada para conhecer uma cidade que tem todos os atrativos turísticos que me agradam, Sevilha foi capaz de me arrebatar com um conjunto de circunstâncias aleatórias que, definitivamente, fizeram toda a diferença.

Em primeiro lugar, o clima.

Sevilha

Para quem vinha de um tempo bem instável em Madri, chegar sob o céu azul de Sevilha foi reconfortante. O calor – nem tão escaldante – de 30º foi suficiente para derreter os nossos corações. Como foi bom dispensar as camadas de roupa e andar de blusa de malha e bermuda em pleno outono europeu!

A gente reclama do sol e do calor tropical, mas não tem nem ideia de como eles fazem toda a diferença na nossa disposição e no nosso humor cotidiano. Passar pelo calor de Sevilha foi uma espécie de paradinha estratégica para repor as doses de vitamina D no corpo pós-Madri e antes de seguir para Barcelona. 😉

E o calor de Sevilha veio no encalço de uma luminosidade diurna que fazia a cidade brilhar feito ouro, especialmente ao entardecer. Eu entendi imediatamente porque Sevilha também é conhecida como cidade dourada!

Sevilha

Em segundo lugar, a beleza do centro histórico.

Sevilha

Sevilha não é propriamente uma cidade pequena. Na verdade, ela é a quarta maior cidade da Espanha. Mas, para fins turísticos, o centro histórico da cidade, junto com os bairros de Santa Cruz e Triana, costumam ser mais do que suficientes para uma experiência de introdução aos cenários encantadores da Andaluzia.

Sevilha

A região turística da cidade é facilmente percorrida a pé. Isso é uma grande vantagem de Sevilha porque boa parte do seu encanto está nas ruelas quase escondidas, nas fachadas, pátios e jardins dos casarios antigos e nas praças. Ficamos 2 dias inteiros na cidade e, confesso, nem a Triana eu fui. Fiquei tão encantado com a arquitetura singular da região central da cidade, que rodei praticamente em círculo, percorrendo quase sempre as mesmas ruas e quarteirões.

Sevilha

Quando eu falo em arquitetura singular, eu me refiro àquele elemento absolutamente inusitado que fez a fama da Andaluzia: a arte mudéjar e sua influência islâmica, principal legado dos tempos em que os mouros dominavam a região. Em alguns lugares, o cenário é tão incrivelmente “muçulmano” que você chega a duvidar que está na Europa.

Nesse ponto, nada se compara às paredes e os tetos tipicamente islâmicos dos ~ incríveis ~ aposentos do ~ impressionante ~ Palácio de Don Pedro, parte integrante do ~ magnífico ~ Real Alcázar de Sevilha, um lugar em que todo e qualquer superlativo se faz necessário. Não por acaso, o lugar é um dos 3 patrimônios da humanidade que a Unesco declarou em Sevilha (os outros 2 são a Catedral e o Arquivo das Índias).

Sevilha

Sevilha

Você também vai se sentir num pedacinho da África moura ou da Arábia quando se deparar com um pátio ou jardim tipicamente sevilhano (ou andaluz), como esse do Restaurante e Hotel El Jardin de las Tapas:

Sevilha

A arte mudéjar é só o aspecto mais exótico – pelo menos pra nós, ocidentais – de uma cultura que também conta com influência do cristianismo e do judaísmo. Do primeiro, Sevilha herdou suas belas igrejas, com destaque para a suntuosa Catedral, considerada a maior igreja gótica do mundo.

Sevilha

Da cultura judaica, no entanto, pouco se vê. A maioria das sinagogas e edifícios judaicos foram demolidos após a expulsão dos judeus da Espanha, no final do século XV. A expressão mais visível da antiga judería – localizada onde hoje é o bairro de Santa Cruz – é a estética urbana de ruelas e praças.

Sevilha

Andar por ali, aliás, foi uma das coisas mais prazerosas que fiz na cidade. Descobrir que o Google Maps estava certo e que o caminho prosseguia por um beco estreito e quase invisível era bem divertido.

Sevilha

Em terceiro lugar, o jeito kids-friendly de ser. 

Sevilha

A verdade é que a gente não precisou se esforçar nadinha para que Sevilha caísse nas graças da Maria. Bastou ela avistar o primeiro cavalo puxando uma charrete pelas ruas da cidade e pronto! A pessoinha não falava em outra coisa. 😉

Mais kids-friendly do que um city-tour em cima de uma charrete, impossível.

Sevilha

 Mas isso é só uma pequena amostra do quão acolhedora a cidade é para as crianças. Pra começar, Sevilha se transforma facilmente num reino encantado quando a criança se dá conta de que há um castelo medieval bem no meio da cidade (o Alcázar).

Sevilha

Foi bem fácil convencer a Maria a explorar aquele reino logo no dia da nossa chegada. Eu nunca vou me esquecer dessa tarde, em que andamos sem rumo pelas ruelas do bairro Santa Cruz.

Sevilha

O entusiasmo com Sevilha era tão grande que, no dia seguinte, até banho de fonte a gente tomou. 😉

Sevilha

O passeio de barco na Praça Espanha foi outro programa que a Maria adorou e que nos proporcionou um ótimo programa em família.

Sevilha

Bem pertinho da praça, o Parque Maria Luísa, o Aquário de Sevilha e a roda-gigante La Noria são outros lugares sempre recomendados para crianças, mas que nós não tivemos tempo de conhecer.

Mas, se tem uma coisa capaz de provocar um encantamento inesperado nas crianças, essa coisa é o flamenco. Pelo menos, foi assim com a Maria. Não sei se foi o figurino, a elegância dos passos ou o barulho do sapateado, mas alguma coisa atiçou a curiosidade dela desde o seu primeiro contato com a dança. Ela ficou paralisada, por vários minutos, dentro do Museu do Baile Flamenco assistindo a uma aula de flamenco.

Sevilha

Lá dentro, numa sala que simulava um show virtual de flamenco, com projeções de cenas contínuas da dança na parede, não demorou muito para Maria deixar a timidez de lado e se render à música. Ela ficou alguns bons minutos improvisando passos de flamenco como se fizesse parte do elenco de bailarinas que se revezavam na parede.

Sevilha

Enquanto eu e Renata assistíamos calados, com aquele olhar abobado, ao show da Maria, a gente intuitivamente agradecia Sevilha por nos proporcionar a melhor lembrança de toda a viagem.

Sevilha

À noite, durante a apresentação do tradicional show de flamenco, o receio inicial do escuro e do ambiente nada familiar logo deram espaço ao olho arregalado, à inquietação do corpo e àquele monte de perguntas que uma criança faz quando a curiosidade lhe invade.

Sevilha

Em quarto e último lugar, o nosso hotel.

Sevilha

Aquele conjunto de circunstâncias aleatórias que favoreceram o nosso encantamento por Sevilha também inclui o nosso hotel. Isso eu não posso negar. Ficar no Murillo Suites fez toda a diferença na nossa experiência de viagem.

Na verdade, o Murillo Suites é um prédio de apartamentos pertencente ao Hotel Murillo. Não há recepção no local, mas todo o suporte é dado pelos funcionários do hotel, que fica bem próximo.

A suíte é incrivelmente espaçosa, com 4 ambientes: cozinha, sala, quarto e banheiro. Tudo decorado com bom gosto e extremo conforto.

Sevilha

Embora você tenha tudo à disposição para preparar sua própria comida, o café da manhã está incluído na diária (assim como as bebidas do frigobar). Você tem 2 opções: ir até o hotel para tomar o café da manhã no restaurante ou pedir um café continental no próprio quarto. Mais uma vez, Sevilha foi gentil comigo. Me livrou da preocupação com o desjejum e me permitiu dormir até mais tarde.

Olha que mordomia! 😉

Mas incrível, incrível mesmo é a localização do hotel: bem em frente ao Real Alcázar de Sevilha. A visão da nossa suíte era essa:

Sevilha

Era abrir a janela para interromper o silêncio que reinava no quarto com a vista dos 2 maiores símbolos de Sevilha: o Alcázar e a Catedral.

Talvez, essa reunião de circunstâncias aleatórias tenha favorecido fortuitamente a avaliação de Sevilha na nossa viagem. Nunca se sabe. Mas eu não poderia deixar de retribuir com muito afeto uma cidade que, recorrentemente ou não, me deu tantas razões para amar.

06
nov
2016

Pousada Pedra Azul: hospedagem com toque de cartão postal

Pousada Pedra Azul

Confesso que sempre torci o nariz para os hotéis-fazenda com regime de pensão completa de Pedra Azul. Não só por uma questão de estilo mesmo, mas principalmente porque eu não via vantagem em pagar caro para deixar de aproveitar uma das coisas que Pedra Azul tem de melhor: a gastronomia local.

Foi por causa dessa implicância que eu sempre evitei a Pousada Pedra Azul nas minhas idas à região. Ela é uma das pioneiras de lá e funcionou por um bom tempo nesse regime de hotel-fazenda com pensão completa. E, além de cara, eu sempre ouvia críticas às refeições servidas, como, aliás, é comum entre os hotéis-fazenda de Pedra Azul (leia aqui a minha experiência na Pousada dos Pinhos).

Mas, para minha grata surpresa, a situação mudou. Descobri isso quando entrei em contato com a pousada no meio desse ano para passar um final de semana em família. Era a celebração dos 40 anos de casamento dos meus pais e meu irmão viria de Brasília com a família para comemorar a data. Estávamos mesmo dispostos a encarar a pensão completa da pousada, cientes de que nosso maior interesse era “estar em família”. Mas eis que, no email com as informações sobre a hospedagem, me deparo com a dupla novidade: a diária, agora, só inclui o café-da-manhã e, por isso mesmo, está bem mais “acessível”.

Pousada Pedra Azul

“Acessível”, ressalte-se, para os padrões da região (leia aqui). Não é que a diária da Pousada Pedra Azul seja barata. Mas, se você considerar que o valor é quase o mesmo da Tre Fiori e menor do que a diária da Recanto da Pedra, vai ter que concordar comigo: os R$415,00 que você paga na Pedra Azul (valor para 2 diárias) são muito mais bem pagos do que os R$400,00 que você desembolsa na Tre Fiori e os R$420,00 da Recanto.

Veja todas as minhas sugestões de hospedagem em Pedra Azul aqui

Por todas as minhas experiências de hospedagem em Pedra Azul, eu afirmo: na faixa de preço da Pousada Pedra Azul, ela é – disparado – o melhor custo X benefício da região. Eu destaquei a expressão faixa de preço porque, em Pedra Azul, você sabe que o item “vista pra Pedra” é o que mais inflaciona o valor da diária. Por isso, quando eu digo “na faixa de preço da Pousada Pedra Azul“, estou me referindo basicamente às pousadas que tem “vista pra Pedra”.

Acontece que, na Pousada Pedra Azul, o “vista pra Pedra” vem emoldurado por um conjunto cênico imbatível. Ela foi construída em meio à mata nativa e à beira de um lago que, juntos, formam o cartão postal mais famoso da região.

Pousada Pedra Azul

A área da pousada é enorme e a cobertura vegetal foi muito bem preservada. Devemos a isso aquela sensação de entrar num bosque alemão quando se percorre os primeiros 2 km da Rota do Lagarto. Os pinheiros enfileirados e a mata fechada que formam aquele túnel verde sobre a estradinha são obras da preservação ambiental na área de propriedade da pousada. (clap! clap! clap!)

As instalações, por sua vez, dialogam perfeitamente com o ambiente externo. Com projeto assinado pelo famoso arquiteto Zanine Caldas, a pousada tem acabamento em madeira, tijolo e vidro, que produzem uma harmonia incrível com a paisagem local.

Pousada Pedra Azul

Com mais de 30 anos de funcionamento, a pousada passou por uma reforma em 2013 para dar uma renovada nos ambientes internos. Não sei como era antes, mas achei tudo muito bonito e confortável.

Pousada Pedra Azul

Os quartos mantém o estilo rústico que se vê em toda a pousada. E, para a felicidade da Renata, as toalhas e roupas de cama eram branquinhas e novas. 😉

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A área de lazer da pousada também chama atenção, principalmente para quem curte aproveitar o hotel. Além do lago, onde se pode praticar pesca esportiva, stand-up paddle e andar de pedalinho, ela também conta com piscina térmica, sauna, academia, quadras de tênis, sala de jogos, mini-cinema e trilhas para caminhadas. Em uma dessas trilhas, é possível ir até o alto de uma pedra para ter uma vista privilegiada do famoso lagarto.

Pousada Pedra Azul

Pousada Pedra Azul

Mas o que a Maria e o meu afilhado, Gustavo, mais gostaram mesmo foi desses cisnes que ficam nadando pra lá e pra cá no lago:

Pousada Pedra Azul

O café da manhã é farto e recheado de produtos da agricultura local, o que eu, particularmente, valorizo. Mediante solicitação e pagamento à parte, eles também servem jantar no esquema buffet (preço fixo para comer à vontade). Nós, porém, acabamos não experimentando essa comodidade.

Pousada Pedra Azul

Como se não bastasse tudo isso, um ato de pura gentileza dos funcionários da pousada fez toda a diferença em nossa passagem por lá. Quando souberam que estávamos lá comemorando os 40 anos de matrimônio dos meus pais, eles não só disponibilizaram itens do café da manhã antes do horário de abertura para que pudéssemos ir à missa local, como ofereceram, como cortesia, um bolo de chocolate especialmente confeccionado para a data quando voltamos da missa para, enfim, tomar café.

A família buscapé

A família buscapé

Sério. Rolou até chororô durante a leitura da mensagem que eles, gentilmente, improvisaram para eu ler em homenagem aos meus pais. =)

Mas nem tudo são flores. Há um grande deslize da Pousada Pedra Azul que eu não posso deixar de comentar. Eles só abrem de sexta a domingo. Fuén fuén fuén! Mas nem dá pra criticar. Se o fluxo turístico na região ainda não justifica a abertura ininterrupta da pousada, que assim seja. É torcer para que essa realidade mude em breve. No que depender do Rotas, propaganda não vai faltar! 😉

(ATUALIZAÇÃO: Recebi um email da Pousada dizendo que houve mudanças na gestão do empreendimento e que, desde novembro, eles passaram a funcionar todos os dias. \o/)

Pousada Pedra Azul

Informações úteis:

Pousada Pedra Azul (http://www.ppazul.com/pt-br/)

End: Rodovia BR 262 – km 88 – Aracê, Rota do Lagarto, Domingos Martins – ES

Telefone: (27) 3248-1101 / (27) 9 8822-1833 / (27) 3248-1101

Email: reservas@ppazul.com

Leia todos os posts de Pedra Azul aqui.

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08
out
2016

ABanca Bar Café

Fico particularmente entusiasmado com a quantidade de espaços gastronômicos e culturais que estão ocupando os imóveis históricos do centro da cidade. Pouco a pouco, a ação criativa de pequenos empreendedores vem transformando o centro numa das mais belas e movimentadas zonas culturais e boêmias da nossa capital, aproveitando todo o potencial turístico que aquele cenário histórico-degradado traz.

A mais recente iniciativa nesse sentido foi o ABanca Bar Café.

A Banca Bar Café

O ABanca fica no finalzinho da Rua Sete de Setembro, a mais autêntica rua do Centro de Vitória (quiçá, de toda a cidade!). Ali, bem no começo da ladeira do Morro da Piedade e aos pés do Parque da Fonte Grande, a estética urbana de casas baixas e árvores nem parece aquela de prédios altos e cimento que é geralmente associada ao centro. E isso não vai passar despercebido por você na visita ao ABanca: ele foi estrategicamente instalado no terraço de um casarão antigo com uma vista privilegiadíssima e praticamente livre para toda a vizinhança.

ABanca Bar Café

Só isso já faz valer a visita por lá.

Debruçado sobre o parapeito do terraço, você terá a visão de um centro bucólico, despreocupado e leve, bem diferente daquele centro frenético de carros, prédios públicos, comércio e grandes avenidas. Um centro que sobreviveu relativamente intacto à reconstrução do espaço urbano que o “progresso” do início do século XX trouxe pra ilha.

A Banca Bar Café

A ambientação interna do ABanca também me chamou atenção. Mesas e cadeiras coloridas contrastam com o aspecto “sujo” e desgastado das paredes sem pintura do imóvel, que está em vias de ser tombado. A ideia foi claramente intencional. Todo aquele colorido do mobiliário acabou dando destaque às paredes degradadas, tornando-as o elemento mais original e inusitado daquela decoração.

A Banca Bar Café

100 anos depois do aterro que deu início à reconfiguração do centro foi como se as donas protestassem postumamente contra o tal desenvolvimentismo: não precisava demolir o antigo para dar espaço ao novo, ao moderno. Pelo menos no casarão foi assim.

A Banca Bar Café

Como já diz o nome, o ABanca funciona como bar e café, servindo lanches para o café da tarde e comidinhas para um happy hour depois do expediente. Na minha visita, experimentei o lado cafeteria do ABanca e escolhi o “pão arrumado”: uma fatia de pão petrópolis na chapa com ovo e queijo gratinado. Simples e bem feito.

A Banca Bar Café

Como todos os pães dos sanduíches que são servidos na casa, o petrópolis é caseiro, fabricado lá mesmo.

O único “porém” é que o ABanca ainda está em horário experimental e só abre de quinta a sábado, das 16h às 00h, e domingo, das 15h às 21h. Tomara que o incremento do público viabilize a expansão desse horário. No que depender de mim, não faltará divulgação. 😉

Informações úteis

ABanca Bar Café

End: Rua Sete de Setembro, 493, Centro de Vitória.

Horário de Funcionamento: quinta a sábado, das 16H às 00h; domingo, das 15h às 21h.

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