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30
mar
2012

Padaria Monte Líbano: muito além do pão!

Preciso te avisar logo: esse post é proibido para quem está de dieta! Quer dizer… não exatamente o post, mas a Monte Líbano. A Monte Líbano é a maior inimiga do regime e da balança.

Quem é que consegue resistir a isso?

E a isso?

Ou isso?

Eu sempre digo que a Monte Líbano, uma das mais tradicionais padarias da Grande Vitória, não é uma simples padaria. Ela é muito mais que uma padaria. Ela é quase um templo sagrado da gula em forma de confeitaria. Porque uma coisa é certa. A Monte Líbano não é só pão. Ela vai muito além do pão!

E olha que o pão de sal da Monte Líbano é daqueles que você come puro. Sem recheio, que é pra não competir com o gosto da massa. Ele é tão incrivelmente gostoso que, até no dia seguinte, ele continua gostoso. Faz o teste pra você ver!

Mas a verdade é que ninguém vai à Monte Líbano e compra o pão. Para chegar até o pão, você passa no meio de um monte de gôndola recheada de um monte de coisa tão gostosa que você acaba dando uma banana pra sua dieta.

Porque a vida começa quando a sua dieta acaba, não é mesmo?

Eu até acho que essa posição estratégica da estante de pão, lá no fundo da padaria, seja uma tática muito bem sucedida dos donos para desafiar o seu autocontrole e a sua fidelidade à nutricionista. Quem é que, do fundo do seu inconsciente guloso, consegue passar intacto ao lado de uma tentação dessas?

Pra piorar a coisa, as funcionárias da padaria costumavam ficar como sentinelas anunciando, de tempos em tempos, sem o menor pudor, a chegada das guloseimas recém-preparadas às gôndolas.

_ Temos bruscheta de “qualquer coisa” quentiiiiiiinha!, gritava uma de cá.

Temos bolo de “alguma coisa” quentiiiiiinho!, retrucava outra de lá.

E a gente ficava lá, atônito, completamente rendido no meio daquele palco da perdição…

Mas já faz algum tempo que eu não vejo mais as funcionárias usando essa tática de guerrilha! :-D Uma pena!

São cinco lojas da Monte Líbano prontinhas para atacar o seu regime: quatro em Vitória – Centro, Santa Lúcia, Jardim da Penha e Praia do Canto – e uma em Vila Velha, na Praia da Costa. Aqui, eu preciso fazer um protesto particular aos donos: cadê a filial de Jardim Camburi, hein? Jardim Camburi só não é perfeito porque não tem Monte Líbano.

Enquanto a Monte Líbano não vem pra Jardim Camburi, Jardim Camburi vai à Monte Líbano. Eu, pelo menos, vou. Praticamente toda semana eu ou a Renata vamos à Monte Líbano de Jardim da Penha para engordar o nosso café da manhã. Ou para simplesmente tomar o nosso café da manhã. A Monte Líbano de Jardim da Penha tem um mezanino que funciona como cafeteria.

No horário do café da manhã e da tarde, essa cafeteria funciona de duas formas: a la carte ou no esquema buffet, em que você come à vontade pagando um preço fixo por pessoa. Eu e a Renata nos contentamos em pedir o pão com peito de peru e queijo branco, que vem assado no forno.

Pena que eu não tenho uma foto desse pão para te mostrar… Mas não faz mal! Você só vai sentir a “crocância” desse pão se pedir um também.

E a gente não sai de lá sem levar um pote de patê de peito de peru. Só ele vale a nossa viagem…

Além de Jardim da Penha, a filial da Praia do Canto também tem uma cafeteria anexa à padaria. Uma cafeteria, não, um restaurante! Aliás, a filial da Praia do Canto merece um capítulo à parte.

Eu posso dizer que, ali, os donos da Monte Líbano chegaram o mais próximo possível da perfeição no quesito “padaria-boutique”. A Monte Líbano da Praia do Canto é tudo, inclusive padaria. É hortifruti, é supermercado, é delicatessen, é floricultura, é banca de revista, é adega, é pizzaria, é confeitaria, é cafeteria, é restaurante e é padaria. É tudo isso com estacionamento privativo e elevador para cadeirantes.

Dá só uma olhada na adega que eles tem lá?

E na estante de queijos?

E na geladeira das frutas e legumes?

Agora diz que você também não queria uma Monte Líbano dessas na porta da sua casa, hein?

Essa sorte, por enquanto, só os moradores da Praia do Canto tem (depois desse post, eu desconfio que, em breve, os de Jardim Camburi também terão! ;-) ). Só eles podem se dar ao luxo de não sofrer nem um pouco com essa polêmica proibição de abertura dos supermercado aos domingos.

Como se não bastasse tudo isso, a filial da Praia do Canto tem mais um pouco. Além de todas as guloseimas calóricas que as outras filiais da padaria também tem, ela tem duas atrações que elas não tem: almoço e pizza.

De 12:00 às 15:00h, a cafeteria vira restaurante e serve buffet de comida.

E na parte da tarde, um pizzaiolo se encarrega de preparar as famosas pizzas enroladas para a alegria do sangue italiano que corre na veia dos capixabas.

É ou não é o nirvana das padarias?

Por fim, aos turistas que me leem, eu aconselho: não deixem de conhecer a Monte Líbano da Praia do Canto! E agradeça muito se o seu hotel não incluir café da manhã na diária. Você terá mais uma razão para correr pra Monte Líbano da Praia do Canto.

(Esse é um daqueles posts ilustrados pelo meu Ipod! Por isso a baixa qualidade das fotos… :-( )

Informações úteis:

Padaria Monte Líbano

Centro

Tel: 3223-3323

Endereço: Av. Marcos de Azevedo , 245 , Loja 1, Santa Clara – Vitória –ES

CEP: 29.018-600

Horário de Funcionamento: seg a Sab das 6:00hs às 20:30

Praia da Costa

Tel. 3329-6331

Endereço:Rua Diogenes Malacarne, S/N – Praia da Costa – Vila Velha – ES

CEP: 29.101-210

Horário de Funcionamento:todos os dias de 6:00 hs as 21:15 hs

Santa Lúcia

Tel : 3134-7777

Endereço:Av. Rio Branco , 604 , Santa Lúcia – Vitória – ES

CEP: 29.055-640

Horário de Funcionamento: todos os dias de 6:00 as 21:00hs

Jardim da Penha

Tel: 3325-7444

Endereço: Rua Comissário Octávio Queiroz , nº 1010 – Jardim da Penha – Vitória – ES

CEP: 29.060-270

Horário de Funcionamento: todos os dias de 6:00 as 21:00 hs

Praia do Canto

Tel : 3145-1900

Endereço: Av. Rio Branco , 1.512 , Loja 01 – Praia do Canto – Vitória – ES

CEP: 29.055-642

Horário de Funcionamento: todos os dias de 6:00 as 22:00

Restaurante

Tel : 3145-1905

Endereço: Av. Rio Branco , 1.526 , Loja 02 – Praia do Canto – Vitória – ES

CEP: 29.055-642

Horário de Funcionamento: todos os dias de 6:00 as 21:00 hs

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25
mar
2012

Cila e Claudia: as “tias” do agroturismo de Venda Nova

A fama e o sucesso do agroturismo das montanhas capixabas não são segredos pra ninguém. Diz-se, inclusive, que a cidade de Venda Nova do Imigrante, a mais italiana de todas as cidades capixabas, é a capital nacional do agroturismo. Eu, sinceramente, não sei de onde veio esse título, mas acho que ele deve fazer algum sentido. Basta percorrer os arredores de Venda Nova para perceber que não há um só estabelecimento agrícola que não faça de sua produção uma atividade turística!

Um dia eu pretendo mapear todos esses estabelecimentos para organizar uma série especial sobre as nossas montanhas (me cobre daqui a um ano, por favor!). Mas, por ora, falarei de dois deles: a Tia Cila e a Tia Claudia.

As “tias” de Venda Nova são uma das principais referências do agroturismo da cidade. Suas lojinhas ficam uma do lado da outra, com acesso pela Avenida Principal (pergunte a qualquer pessoa para chegar até lá).

A primeira – a Tia Cila – é especializada em produtos caseiros. Doces, pães, biscoitos, geleias… enfim, tudo que é altamente proibido para quem está de dieta! :-D

A segunda – a Tia Claudia – se especializou em objetos de decoração artesanais.

Pena que ela não permite fotografar o interior da loja para mostrar os produtos, como mostra o aviso no canto dessa foto aí debaixo.

Assim você vai precisar confiar na minha palavra para saber que as coisas que ela faz – de pano de prato a porta-bijuterias – são realmente bonitas.

Juntas, as duas “tias” de Venda Nova exibem toda a criatividade e profissionalismo do agroturismo da cidade.

Então já sabe. Se estiver de passagem por Venda Nova e arredores, não deixe de conhecer os trabalhos das tias Cila e Claudia. A economia local agradece!

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25
mar
2012

A comida – e o visual – do Bigode!

Isso eu jamais vou me perdoar. Moro em Vitória há 14 anos e, há pelo menos 6, passo pela Av. Marechal Mascarenhas de Morais, em Bento Ferreira, quase todo santo dia. Mesmo assim, eu nunca tinha me dado conta de que ali, bem pertinho da avenida, com acesso à direita do Instituto Braille, se escondia um dos restaurantes mais tradicionais da ilha de Vitória: o Bar do Bigode.

O Bar do Bigode fica embrenhado no meio das ruelas do bairro de Jesus de Nazaré. Pra quem não sabe, Jesus de Nazaré fica praticamente todo em cima de um morro que está à beira da baía de Vitória. Por aí já dá para imaginar a visão que você tem de lá, né?

Pois então. Essa visão é o principal atrativo do Bar do Bigode. É ela quem fez – e continua fazendo – a fama do bar. O Bigode é daqueles estabelecimentos que a gente incluiria entre os concorrentes da categoria “pra comer com os olhos” se fôssemos incumbidos da tarefa de organizar um concurso de gastronomia. E ele seria um candidato fortíssimo ao título!

É impossível não se deslumbrar com o conjunto da paisagem que se avista das janelas do restaurante: o deck, o mar, a vegetação costeira, os barquinhos, os navios, as casas humildes da comunidade de Jesus de Nazaré, os prédios modernos da Enseada do Suá, a Terceira Ponte e, claro, o Convento da Penha. Temos ali uma expressão quase perfeita do cenário que marca a beleza da nossa ilha.

Esse cenário de Jesus de Nazaré tem um quê de Ilha das Caieiras. Os dois bairros se formaram por uma comunidade que viveu – ou vive – praticamente em função do mar, tem casinhas enfileiradas e de aparência simples e ruas pra lá de estreitas. Até por isso, o acesso de carro aos dois é igualmente difícil. São poucas vagas para estacionamento e, em alguns trechos, é preciso se esmerar para não esbarrar em algum obstáculo. Mas Jesus de Nazaré tem uma incrível vantagem sobre as Caieiras: você não precisa se deslocar tanto para chegar até lá e nem corre o risco de se perder no meio de um caminho mal sinalizado.

Aliás, o próprio Bar do Bigode segue o mesmo padrão estético dos restaurantes da Ilha das Caieiras. Tudo é muuuuuito simples e sem frescura. Dá só uma olhada no ambiente interno do bar:

E no externo:

Essa simplicidade que se vê no Bigode está por toda a parte no bairro Jesus de Nazaré. Não poderia ser diferente. Jesus de Nazaré é uma comunidade simples. E isso faz do almoço no Bigode uma experiência pra lá de singular e inspiradora. Ao passar pelas casinhas do bairro e descer a escadaria que dá acesso ao Bigode e à praia, eu só pensava numa coisa: ahhhh se Dorival Caymmi fosse capixaba!

Se Dorival Caymmi fosse capixaba, uma cena como essa já teria estampado o refrão de alguma música:

(Depois que eu subi o post, uma leitora do blog, a Janaina Lima me informou, pelo Facebook, que Jesus de Nazaré já tem o seu Dorival Caymmi. Trata-se do compositor capixaba Chico Lessa, que mora no morro e fez uma música em sua homenagem: Morro de Nazaré. Pena que não achei nenhum video com a música para eu colocá-lo aqui no Rotas.)

Voltando ao que interessa… consciente do tesouro que tem ao seu redor, o Bigode exagerou no tamanho e na quantidade de janelas em seu restaurante. Elas atravessam as paredes de ponta a ponta. Assim, a gente não tem nenhuma dificuldade de apreciar o visual de onde quer que a gente esteja.

Tá, mas o Bigode não é paisagem. O Bigode é COMIDA BOA COM PAISAGEM! Ele é especializado em culinária capixaba. Você encontra frutos do mar em tudo quanto é tipo de prato, de moqueca a risoto.

Mas o carro-chefe do Bigode é esse aí ó:

Quer dizer… esse aí de cima é uma pequena adaptação do carro-chefe do Bigode, o arroz de mariscos. Esse é um arroz com polvo, camarão e lagosta (R$96,20 para 4 pessoas). Porque nem todo mundo é fã de sururu, sabe?

Mas antes do arroz nós comemos essa casquinha de siri aqui ó:

Eu não poderia deixar de mencionar essa casquinha de siri (R$10,20). Por mais paradoxal que seja, eu preciso valorizar uma casquinha de siri feita com a mais pura carne de siri desfiada!

Agora fala sério? Com um visual desses e uma comida dessas, é ou não é para eu sentir remorso por não ter conhecido o Bar do Bigode antes?

P.S.: em tempo, agradeço ao casal de amigos Fernando e Gisele por terem nos apresentado ao Bar do Bigode.

Informações úteis:

Bar do Bigode

Endereço: Rua Helena Muller, 30 – Escadaria Clemente Veiga da Costa, Jesus de Nazaré, Vitória-ES

Tel: 3345-6334

Horário de funcionamento11h/17h (fecha seg.)

Como chegar: para quem vem na direção centro-praia pela Av. Marechal Mascarenhas de Morais, basta virar à direita no primeiro sinal após o Instituto Braille. Siga reto toda vida. Pergunte ao primeiro transeunte sobre o Bar do Bigode. Ele vai saber te explicar melhor do que eu!

Nível de contaminação pelo PACVacinado.

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19
mar
2012

Patrimônio da Penha (Portal do Céu): o Vale do Capão capixaba

A história se repete em vários lugares de serra pelo Brasil. Algumas pessoas se encantam com as belezas naturais de uma região e com a energia que dela emana e decidem fundar ali uma comunidade, digamos assim, alternativa. Uma comunidade que, estimulada pela exuberância da natureza, se propõe a viver em bases sustentáveis e com foco no crescimento espiritual.

Foi isso que aconteceu no Caparaó capixaba há 20 anos. Uma paulista e um carioca enxergaram no chamado Patrimônio da Penha, um pequeno distrito do município de Divino de São Lourenço, o habitat perfeito para se dedicarem à filosofia do santo daime. E assim eles deram inicio ao povoamento da comunidade que hoje se conhece como Portal do Céu e que vem atraindo a atenção de pessoas interessadas nesse particular modo de vida.

Portal do Céu é uma espécie de Vale do Capão capixaba (leia aqui). Um Vale do Capão minúsculo e ainda pouco afetado pela chegada do turismo. Aliás, é bom que você saiba que as pessoas de Portal do Céu não tem interesse em levar qualquer tipo de turista para lá. Eles querem atrair apenas turistas conscientes e que saibam apreciar e respeitar o modo de vida e o cenário escolhido para a comunidade.

Não é por outra razão que eles lutam contra a chegada do asfalto a Patrimônio da Penha. Há até um abaixo-assinado dos moradores para impedir que o asfalto da estrada que liga Dores do Rio Preto a Ibitirama passe por lá. Mas a causa divide opiniões. Os nativos do lugar enxergam no asfalto o início de um futuro mais promissor.

Talvez os nativos, que residem em Patrimônio da Penha há mais tempo que os moradores de Portal do Céu, tenham razão. A comunidade é bem simples e eminentemente agrícola. Para eles o asfalto pode trazer benesses e facilidades que ajudarão a movimentar a economia local. Mas, sem dúvida alguma, a chegada do asfalto pode ser um tiro no pé para o potencial turístico da região. O asfalto pode impactar negativamente o ambiente local e afetar o clima rústico, tranqüilo e, ao mesmo tempo, místico que começa a chamar a nossa atenção.

Místico? Sim, místico. Portal do Céu não está ali à toa. As condições naturais ali encontradas favorecem a percepção de um lugar energeticamente carregado e ideal para um exercício de espiritualidade. Inclusive, há quem defenda que a Serra do Caparaó é um dos chakras do mundo (seja lá o que isso quer dizer) e que “toda energia contida na mata é emanada para qualquer parte do planeta desde que haja alguma necessidade. A influente energia que só ali é cultuada é fruto dos poderes espirituais que as almas dos Puris, verdadeiros habitantes da região, mantem sob vigília” (trecho do livro O vôo da libélula do Caparaó, de Miguel Lamas).

Se isso tudo é verdade mesmo eu não sei. O que eu sei é que a Serra do Caparaó é um lugar de rara beleza e grande exuberância natural. E isso realmente nos convida a uma auto-reflexão.

Cachoeira Alta

O acesso a Portal do Céu não é assim tão fácil. É preciso percorrer uma trilha de aproximadamente 40 minutos a partir de Patrimônio da Penha. Foi isso que nos desanimou de chegar até lá. A subida ao Pico da Bandeira no dia anterior causara alguns estragos musculares, principalmente nas pernas, que nos impediam de pensar em fazer outra trilha. Por isso só nos restou conhecer as histórias de Portal do Céu pelas bocas do Marcelo e da Eloísa na Pousada Recanto das Pedras, em Patrimônio da Penha.

Por indicação da Cecilia, dona da Villa Januária (leia aqui), nós paramos na Recanto das Pedras para almoçar e buscar mais informações sobre os atrativos do local. E lá nós conhecemos o Marcelo e a Eloísa.

O Marcelo é um dos donos da pousada, ao lado de sua esposa Valéria. A Eloísa é moradora de Portal do Céu e trabalha com eles. Quando chegamos, por volta de 14:00h, o almoço já havia sido servido. Mas, ainda assim, eles não se negaram a nos servir uma macarronada preparada na hora, acompanhada do que ainda havia sobre o fogão. Pagamos R$30,00 pelo almoço, que incluía suco natural, sobremesa (doces de frutas em compota) e cafezinho coado na hora.

Enquanto comíamos, ouvimos uma breve explicação do Marcelo e da Eloisa sobre a comunidade de Portal do Céu. Soubemos que são aproximadamente 20 moradores, incluindo um italiano e um suíço. Soubemos ainda que já há opção de hospedagem por lá numa pousadinha mantida pelo próprio Marcelo, o Centro de Vivências Jardim do Beija-Flor, onde são oferecidas atividades para quem procura conhecer a filosofia da comunidade ou simplesmente experimentar técnicas de vivência, como ioga, dança, reeducação alimentar entre outros. E soubemos finalmente que o entorno de Portal guarda inúmeros atrativos naturais, como cachoeiras, rios e um belo nascer do sol!

Por “n” motivos foi inevitável relembrar a recente viagem que fizemos à Chapada Diamantina, que você acompanhou aqui. São muitos os pontos de contato entre a Serra do Caparaó e Chapada: rios, cachoeiras, poços, trilhas, aventura, agroturismo e muito, muito misticismo. Temos aí as matérias-primas perfeitas para estabelecer uma rota turística diferenciada e altamente rentável para a comunidade local. Uma rota que, mais do que qualquer outro lugar do Espírito Santo, pode atrair definitivamente os olhares para as belezas naturais desse estado tão ignorado turisticamente.

É pagar para ver!

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08
mar
2012

O bairro, o trailler e a banana.

Quem conheceu a Praia do Canto em Vitória há 20 anos atrás pode se assustar – positiva ou negativamente – com o que vê hoje. O bairro bucólico e tranqüilo, de ruas arborizadas e belas casas, se verticalizou e ganhou ares cosmopolitas com a abertura de um variado mix de lojas, bares e restaurantes de alto padrão, que a tornou o principal point de diversão noturna da cidade.

Mas, mudanças à parte, tem uma coisa que continua igualzinha há 20 anos atrás no coração do bairro: o Kapo’s.

O Kapo’s é quase uma antítese da nova Praia do Canto. Não há nem sinal da modernidade levemente “esnobe” que enche os olhos de seus moradores. Ao contrário, o Kapo’s se orgulha mesmo é de manter o seu jeitão “trailler de hambúrguer da década de 80” até hoje.

Sim, o Kapo’s nasceu trailler de hambúrguer e continua sendo um trailler de hambúrguer. Nunca houve a menor intenção de se sofisticar ao longo do tempo, como quase sempre acontece com os lugares que vão bem, obrigado. Tudo lá parece ser do tempo em que o Kapo’s foi inaugurado, há quase 26 anos atrás. As mesas e cadeiras são de plástico, o painel de produtos é do tipo “lego”, que se monta com as letras (algo em extinção por aqui hoje em dia), o cardápio é daqueles que se compra em papelaria e os acessórios das mesas estão visivelmente desgastados.

Se bobear até os funcionários são os mesmos. Mas isso só perguntando para os donos. Esses, sim, eu sei que são os mesmos.

Mas a verdade é que ninguém – mesmo a turma mais badalada da Praia do Canto – se importa com o fato de o Kapo’s ter parado no tempo. Afinal, o hambúrguer do Kapo’s, que caiu na graça do povo há 26 anos, também continua o mesmo. E isso é o que basta!

Digamos que o hambúrguer do Kapo’s seja uma instituição gastronômica sagrada da Praia do Canto. Há uma convenção tácita entre seus moradores que o considera o melhor hambúrguer da cidade. Nem mesmo os concorrentes mais requintados que surgiram nos últimos anos conseguiram arrancar o título do decano. E eu não seria o “do contra’ a remar contra a maré.

O pão é fofinho e a carne é caseira. Mas, para mim, o que faz o hambúrguer do Kapo’s ser o hambúrguer do Kapo’s é a banana.

A banana? Sim, a banana. A banana do Kapo’s é, digamos assim, a cereja do bolo do hamburguer. É que, ao contrário da maioria dos outros traillers, a banana que o Kapo’s põe no hambúrguer é a prata e sem ser frita.

Não importa qual hambúrguer eu peço no Kapo’s (preços a partir de R$16,00). Em todos eles eu peço para incluir banana (R$1,50).

Mas eu preciso confessar uma coisa a bem da confiabilidade da minha análise. Eu sou suspeito para falar do Kapo’s porque eu tenho um relação quase sentimental com ele. Culpa do meu irmão, Rodolpho, que me introduziu no time dos fãs do Kapo’s.

Quando veio morar em Vitória, em meados da década de 90, o Rodolpho se tornou um cliente assíduo do Kapo’s por uma razão geográfica: ele morava com meus avós, cuja casa era praticamente do lado. E aí, quando eu vim para Vitória, em 1998, para estudar e morar com eles, eu próprio me tornei um cliente assíduo do Kapo’s. Não havia um domingo sequer que nós passávamos sem comer um hambúrguer de lá.

Daí nasceu a minha relação com o Kapo’s. É por isso que eu não posso esconder a minha suspeição para falar dele. Mas um trailler de hambúrguer que sobrevive incólume à frugalidade dos tempos modernos deve ter algo bom pra te mostrar. E não custa você ir lá conferir!

Só não esqueça da banana! :-D

Como não poderia deixar de ser, esse post é uma homenagem ao meu irmão, Rodolpho, que, em meio ao planalto central, vive sonhando com o hambúrguer do Kapo’s!

(Devo me desculpar pelas fotos. Tirada do meu celular, elas não foram felizes em retratar o Kapo’s)

Informações úteis:

Kapo’s

Endereço: Rua Joaquim Lírio, 130 – loja 1, Praia do Canto, Vitória-ES

Telefone: 3227-9212

Horário: 18h/2h (sex. e sáb. até 5h; dom até 1h; fecha seg.)

Nível de contaminação pelo PAC: Febril.

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