A Cremino Gelato e Caffè é uma das mais recentes “unanimidades” da cena gastronômica capixaba. Desde que foi inaugurada, há quase 4 meses, a Cremino conquistou a glória de identificar como gelato o sorvete que ela faz. Veja bem, meus caros. Isso não é pouca coisa. Para um povo que carrega uma dose cavalar de italianidade na veia reconhecer o verdadeiro sabor de um gelato numa sorveteria da nossa capital é mais que um elogio. É um retorno às origens.
Revelo toda a minha sofisticação gastronômica quando eu falo que sou fã de um mexido. Não tinha como ser diferente. Eu fui criado comendo mexido. Minha infância em Minas Gerais tem sabor e cheiro de mexido. Culpa da minha mãe, a maior de todas as cozinheiras que eu conheço, exímia conhecedora da arte de fazer um bom mexido com a comida que sobrou do almoço.
Quem me conhece sabe que eu sou um entusiasta do Centro de Vitória. Para além de todas as suas atrações turísticas (que você pode conhecer aqui), acho o cenário de ruelas, portos e casarios históricos do Centro um lugar perfeito para a fixação de uma zona gastronômica, boêmia e cultural alternativa aos redutos tradicionais da noite capixaba. Numa aproximação mais óbvia, o Centro tem tudo para ser a nossa Lapa, o nosso Ver-o-Peso. Só falta um pouco mais de visão dos nossos empresários para consolidar essa vocação.
Mas eu confesso que nem sempre foi assim. Esse meu entusiasmo com o Centro nasceu aos poucos, à medida que eu me acostumei a ele. É que eu trabalho no Centro há pelo menos 5 anos. E no início eu sempre o vi sob a ótica enviesada de um trabalhador: o da sobrevivência/subsistência. Como gostar de um lugar onde a paisagem é fria, o trânsito é ruim, o transporte público é deficiente, os estacionamentos são caros e as opções gastronômicas são fracas?
Preciso te avisar logo: esse post é proibido para quem está de dieta! Quer dizer… não exatamente o post, mas a Monte Líbano. A Monte Líbano é a maior inimiga do regime e da balança.
Quem é que consegue resistir a isso?
Isso eu jamais vou me perdoar. Moro em Vitória há 14 anos e, há pelo menos 6, passo pela Av. Marechal Mascarenhas de Morais, em Bento Ferreira, quase todo santo dia. Mesmo assim, eu nunca tinha me dado conta de que ali, bem pertinho da avenida, com acesso à direita do Instituto Braille, se escondia um dos restaurantes mais tradicionais da ilha de Vitória: o Bar do Bigode.