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17
jan
2017

Pousada dos Cocais: uma autêntica pousada de praia pé na areia no Espírito Santo

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Nos primórdios desse blog, eu deixei registrado aqui por 2 vezes o meu manifesto contra a ocupação desordenada do litoral capixaba (leia aqui e aqui). Nesses posts, eu protestei – e ainda protesto – contra um certo modelo de desenvolvimento econômico que optou por favorecer a industrialização e urbanização da nossa faixa litorânea, sem se preocupar em reservar áreas de preservação ambiental. Como eu disse aqui, não há nenhum outro Estado da nossa federação que espalhe tantas indústrias em diferentes faixas de um litoral relativamente pequeno. E, infelizmente, os exemplos que eu citei em 2011 só aumentaram de lá pra cá. =(

Só para você ter uma dimensão desse problema, atualmente o Espírito Santo tem 16 unidades de conservação em âmbito estadual. Ao todo, elas protegem 0,8%, repito, 0,8% (!!!!!) do nosso território. E, dessas, apenas 5 estão no litoral: Parque Estadual de Itaúnas, APA de Conceição da Barra, APA de Praia Mole, APA de Setiba e APA de Guanandy (fonte: IEMA).

Não é à toa, portanto, que o nosso litoral seja tão “urbano” e bem pouco “rústico”. Guardadas as devidas proporções e ressalvadas as honrosas exceções (alô, Itaúnas! alô, Regência!), o que se vê de norte a sul no litoral capixaba é a reprodução daquele modelo de ocupação urbana que prevaleceu em Guarapari: “cimentização” ampla e irrestrita da orla, com pouquíssima ou nenhuma preocupação com a preservação do meio-ambiente local. O resultado disso foi uma devastação implacável à beira-mar. Guarapari, por exemplo, dono do litoral mais bonito do Estado, conta apenas com 1, eu disse, 1 (!!!!) área de proteção ambiental municipal: o Morro da Pescaria, curiosamente, um lugar bastante improvável para a especulação imobiliária. Nem mesmo regiões mais afastadas da cidade, que já foram redutos de praias tranquilas e de vegetação abundante, como a Enseada Azul e as Três Praias, vem resistindo à ação predatória das construtoras (leia aqui e aqui).

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Esse perfil urbano do litoral capixaba traz um claro prejuízo à consolidação do turismo na região costeira do Estado. Eu me refiro aqui ao turismo de âmbito nacional, claro. Fica realmente difícil convencer um morador de uma grande cidade brasileira a passar férias numa “mini-grande-cidade-de-praia” do Espírito Santo se, aqui, ao invés de fugir dos transtornos urbanos do dia-a-dia, ele vai vivenciá-los em menor escala. Sabe aquela coisa de fugir para uma praia bucólica, selvagem e sossegada? Pois então. Isso é meio raro por aqui. Infelizmente.

(Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais eu vejo mais potencial turístico nas montanhas capixabas do que no nosso litoral. Não tem jeito. Pelo menos até agora, as nossas montanhas oferecem um atrativo turístico verdadeiramente genuíno para quem vem de fora: a beleza cênica da natureza ainda exuberante e a força do seu agroturismo)

Mas tem um outro efeito desse perfil urbano da costa capixaba que, para mim, que moro aqui no ES, é ainda mais nefasto: o padrão urbano da hotelaria de praia. Tão difícil quanto achar uma praia bucólica, selvagem e sossegada é achar uma pousada de praia que reproduza exatamente a sensação de estar em um lugar bucólico, selvagem e sossegado. Não é só o nosso litoral que é pouco rústico; a hotelaria de praia capixaba também é. Inexplicavelmente, não há nenhum esforço dos donos de hotéis e pousadas em compensar essa falta de rusticidade da paisagem local com a ambientação dos seus estabelecimentos. A regra, por aqui, é ser insosso, é ser esteticamente sem-graça. E no rastro dessa ótica bem pouco inteligente, a hotelaria de praia capixaba segue num ocaso sem fim. Procura aí no Google uma lista com as melhores pousadas de praia do Brasil pra você ver. Não há uma única, em qualquer site que seja, que esteja à beira-mar no Espírito Santo.

Mas o objetivo desse post, acredite, não foi fazer mais um manifesto sobre a ocupação desordenada do litoral capixaba. Na verdade, eu vim aqui apresentar pra vocês uma pousada de praia que – thanks, God! – sobrevive como uma doce antítese desse padrão que eu apresentei aí em cima. Uma pousada que, justamente por ser uma exceção nesse padrão geral da hotelaria de praia capixaba, se revelou pra mim como a maior surpresa do turismo de praia do Espírito Santo: a Pousada dos Cocais, em Aracruz.

Pousada dos Cocais

Se você não for do Espírito Santo, talvez nunca tenha ouvido falar em Aracruz. Mas é bom prestar mais atenção nela. Apesar de pouco conhecida, Aracruz abriga um dos mais belos e mais preservados conjuntos de praia do litoral capixaba. Há uma razão geopolítica para essa dose extra de preservação da vegetação litorânea. É que, desde meados do século XX, a sede do município foi transferida para o interior do território, afastando-se da costa. Além disso, a ação conjunta dos governos federal e municipal permitiu a criação, na cidade, de 5 áreas de preservação ambiental costeiras (o mesmo número de unidades de conservação litorâneas que o governo estadual mantém em todo o Espírito Santo): o Parque Natural Municipal David Victor Farina, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, a APA Costa das Algas, o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz e a Estação Biológica Marinha Augusto Ruschi. Isso faz toda a diferença na paisagem local. Entre um distrito e outro da cidade, há quase sempre espaços verdes bem preservados à beira-mar.

Fonte: Google Earth

Fonte: Google Earth

E é justamente num desses espaços verdesque se instalou a Pousada dos Cocais. Ali, num ponto quase desabitado da chamada Praia do Sauê, a Pousada dos Cocais proporciona ao seu hóspede uma experiência que, como eu disse, é rara no litoral capixaba: a de se hospedar numa pousada que reproduza a sensação de estar em uma praia bucólica, selvagem e sossegada. Fala que não é uma surpresa?

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Essa sensação de isolamento é facilitada pela ausência de vizinhos próximos da pousada. A frente do terreno começa nas imediações do córrego do Sauê e se estende por uma faixa de terra de 1.700 metros paralela à areia, fazendo com que esse pedaço da praia seja bem pouco frequentado por banhistas que não sejam hóspedes. Eu, por exemplo, me hospedei lá nesse último final de semana (janeiro de 2017) e não vi quase ninguém na praia. Nem parecia que era altíssima temporada do verão capixaba!

Pousada dos Cocais

Por outro lado, o cenário da praia do Sauê é lindo, com destaque para a vegetação de restinga abundante nesse trecho. Abundante também é a população de siris e tatuís que circulam pela praia no início da manhã e final da tarde. Eles, provavelmente, serão suas únicas companhias numa caminhada pela areia para assistir ao pôr-do-sol. E a visão que você vai ter é essa aí:

Praia do Sauê

Tudo bem que, com um cenário tão privilegiado ao redor, nem precisava de muito para a Pousada dos Cocais me conquistar. Mas ela ainda assim me conquistou, especialmente pelo esforço de se destacar do padrão normal da hotelaria de praia capixaba. Veja bem. Não é que ela seja perfeita ou seja uma pousada de praia dos sonhos. Não é. Mas, diante da mesmice que impera nas bandas de cá, eu não poderia deixar de louvar um pousada que, pelo menos, tenta remar contra a maré.

Pousada dos Cocais

A começar pela rusticidade das instalações. Dos materiais usados na construção dos espaços da pousada aos móveis usados na decoração, houve uma preocupação em se integrar à paisagem local.

Pousada dos Cocais

A decoração dos quartos é simples, mas ajustada à proposta de ser um refúgio num lugar de puro sossego. Nas varandas, você pode passar o dia todo deitado numa rede lendo um livro ao som do canto dos pássaros ou das ondas do mar.

Pousada dos Cocais

Interior da Suíte Especial

Se a coisa ficar monótona demais, não tem problema. Você pode aproveitar a piscina ou a praia que está a poucos passos da pousada.

Pousada dos Cocais

Aliás, esse é o maior trunfo da Pousada dos Cocais, na minha humilde opinião: ela é uma autêntica pousada de praia pé na areia. Uma pontezinha de madeira, construída sobre a restinga, é a única coisa que separa você do mar.

Pousada dos Cocais

Você pode acordar e caminhar na praia, tomar café e ir pra praia, almoçar e voltar pra praia, tirar uma soneca da tarde e, porque não?, dar mais um pulo na praia, jantar e ainda se dar ao luxo de ver o céu estrelado numa praia praticamente deserta. Como eu disse, essa é uma experiência rara no litoral capixaba.

Pousada dos Cocais

Tá certo que a experiência poderia ser ainda mais completa se a pousada disponibilizasse cadeiras e barracas de praia (um lounge, talvez?) aos hóspedes e se o restaurante – que abre para o almoço e jantar – também atendesse os hóspedes na areia. Essa, talvez, seja a minha maior crítica a ela. Pode até ser coisa de turista preguiçoso e mal-acostumado… mas, numa praia quase deserta, ter a comodidade de um serviço à beira-mar faria toda a diferença. #ficaadica

O restaurante da pousada

O restaurante da pousada

Eu namorava a Pousada dos Cocais há bastante tempo, desde que comecei pesquisar sobre o turismo de Aracruz para pautar aqui no Rotas. Mas foi só nesse último final de semana que nós nos programamos para ir com uma turma de amigos, aproveitando que, no momento, eles estão oferecendo 30% de desconto sobre a tarifa normal. R$329,00 era o preço da diária no quarto standard (com café da manhã). R$480,00, na suíte especial, com banheira de hidromassagem. Adivinha qual a Renata escolheu? =)

Pousada dos Cocais

O valor da diária não é nada barato, eu sei. Mas, comparativamente a outras pousadas de praia do estado, que não oferecem o mesmo nível de experiência da Cocais, o preço se revela justo. R$480,00 é, provavelmente, o valor mais em conta que você pagará no Espírito Santo por uma suíte com hidromassagem. E nem todas vão te entregar uma vista tão privilegiada assim:

Pousada dos Cocais

No final das contas, o investimento não foi em vão. Valeu pela experiência de uma hospedagem pé na areia no Espírito Santo. Que o exemplo da Pousada dos Cocais inspire novos estabelecimentos a mudar o padrão médio de hospedagem no litoral capixaba.

Informações úteis:

Pousada dos Cocais

Endereço: Rodovia ES-010, s/n, Praia do Sauê, Aracruz

Telefone: (27) 3250-1515 / 3250-1626

Site oficial: http://www.cocais.com.br/index2.php

* Todas as despesas de hospedagem na Pousada dos Cocais foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

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15
dez
2015

O turismo às margens do Rio Doce

Eu, com o Rio Doce ao fundo, em algum lugar entre Colatina e Baixo Guandu no ano de 2001.

Eu, com o Rio Doce ao fundo, entre Colatina e Baixo Guandu no ano de 2001.

Olho com especial tristeza para a tragédia que assolou o Rio Doce. Nasci e cresci às margens do rio em Minas Gerais. Sou natural de Coronel Fabriciano e passei a maior parte da minha infância e adolescência entre Ipatinga e Governador Valadares – três cidades que são cortadas pelo rio. Em 1998, com 17 anos de idade, segui simbolicamente o seu curso e vim para o Espírito Santo, de onde não saí mais. Desde então, continuei transitando por suas margens entre idas e vindas de Minas para visitar meus pais, que atualmente moram na área rural de Conselheiro Pena, outra cidade à beira do rio.

De alguma maneira, pois, minha vida sempre esteve ligada afetivamente ao Rio Doce. E é por isso que essa tragédia me comoveu tanto. Ver a mudança brutal do cenário a que eu estava acostumado e, principalmente, o tanto de vida que está se esvaindo em meio à lama da Samarco/Vale derramada sobre o Rio Doce tem partido o meu coração.

Eu sei que os prejuízos gerados por essa tragédia são incontáveis e afetam inúmeros aspectos da vida humana: desde o (des)equilíbrio ecológico dessa particular biota até o abastecimento de água das cidades margeadas pelo rio. Mas o motivo desse meu post é chamar a sua atenção para um desses aspectos que tem tudo a ver com o Rotas, claro: o turismo. Eu queria mostrar pra você o potencial turístico que existe às margens do Rio Doce e que, possivelmente, também será impactado por esse acontecimento. Faço isso com um aperto no coração por não saber ao certo o futuro daqueles atrativos ligados diretamente ao rio, como é o caso da vila de Regência, no Espírito Santo. Mas faço isso também com uma pontinha de esperança de que o incentivo ao turismo local seja uma aposta para a recuperação do meio-ambiente e da economia das cidades ribeirinhas.

Porque não?

Numa situação dessas, é natural querer cancelar viagens ou mesmo evitar a ida para os lugares afetados. Afinal, é mais do que compreensível o medo da incerteza sobre o real impacto e as consequências da tragédia naqueles locais. Regência, por exemplo, tá vivendo na pele essa debandada de turistas. Estima-se que mais de 80% das reservas nas pousadas da vila para o período de réveillon tenham sido canceladas. Mas, talvez, esse sentimento de solidariedade que vem se espalhando Brasil afora em torno da situação do Rio Doce – e das populações que vivem dele – possa alimentar também o desejo de contribuir de forma mais contundente para o aquecimento da economia local.

Daí a ideia de fazer esse post. Eu queria mostrar pra vocês o tanto de coisa legal que se fazia – e ainda dá pra fazer – às margens do Rio Doce. No embalo da fama que o rio alcançou Brasil afora por conta da tragédia, eu quero despertar em você a vontade de conhecer as atrações que a gente encontra em suas margens para que, assim, a gente faça girar a roda da economia e ajude a minimizar os prejuízos advindos do rompimento das barragens de Bento Rodrigues.

É um post tanto quanto pretensioso, eu sei. Mas é mais uma forma que eu encontrei de ajudar o rio que me é tão caro.

Você sabe que tudo isso começou com o rompimento das barragens da Samarco/Vale no distrito de Bento Rodrigues, pertencente à cidade de Mariana. Mas, tecnicamente, Mariana não está às margens do Rio Doce. A lama chegou até ele através dos Rios Gualaxu e Do Carmo, que fazem parte da mesma bacia. É por isso que eu não a incluo nesse passeio. O que não me impede, porém, de te remeter aos posts da Camila Navarro, do Viaggiando, e da Silvia Oliveira, do Matraqueando, que mostram todas as riquezas e atrações da cidade. Mais do que nunca, Mariana precisará da força do turismo para compensar o baque – ainda que transitório – na sua principal atividade econômica (curiosamente, a responsável por toda essa tragédia): a mineração.

Mariana (Foto: Silvia Oliveira, do Matraqueando)

Mariana (Foto: Silvia Oliveira, do Matraqueando)

Com a licença de Mariana, eu começo o meu passeio pelo turismo do Rio Doce por uma das cidades que mais sofreu (e ainda sofre) com o desabastecimento de água após a tragédia: Governador Valadares.

Valadares – você deve saber – ficou nacionalmente conhecida pela grande quantidade de moradores que foram para os EUA na década de 80 inspirados no famoso american way of life. Mas o que você talvez não saiba é que Valadares ganhou fama internacional por ter um dos melhores pontos de vôo livre do mundo É esse pico aí, o famoso Ibituruna:

Foto: Monalisa Toledo de Lima

Foto: Monalisa Toledo de Lima

Do alto dos seus 1.123 metros, o Ibituruna reina no skyline de Valadares. Lá em cima, você pode se jogar de asa-delta ou simplesmente apreciar a vista (até então) belíssima do Rio Doce.

Foto: Valdeci Antonio Pereira Prates

Foto: Valdeci Antonio Pereira Prates

Não são raras as competições de vôo livre na cidade, principalmente de janeiro a abril. Em 2016 uma etapa do campeonato mundial de parapente está programada para acontecer na cidade.

Lá embaixo, os melhores lugares para curtir a noite valadarense são o centro ou a Ilha dos Araújos, bairro nobre da cidade que tem esse nome por estar situado numa ilha bem no meio do Rio Doce. Um calçadão contorna todo o bairro e faz as vezes de orla, proporcionando um espaço ao ar livre para práticas esportivas.

Seguindo pela BR 259 em direção ao Espírito Santo, você chega à pequenina cidade de Resplendor, recheada de boas atrações.

Foto: Prefeitura de Resplendor

Foto: Prefeitura de Resplendor

O passeio de chalana pelo Rio Doce é (era) o mais famoso deles. Você embarca(va) numa pequena balsa que sai de um restaurante flutuante e navega(va) por aproximadamente 30 minutos ao longo do Rio Doce.

Para fazer o passeio, é só entrar em contato com o pessoal do Brasília Hotel, que funciona como uma espécie de agência de viagem local. Eles tem até um pacote redondinho para os turistas capixabas interessados em curtir com a família a viagem no trem de passageiros da… Vale (!), que liga Vitória a BH. Dá pra ir no sábado e voltar no domingo.

Outra opção de passeio em Resplendor é a visita à aldeia dos índios krenaks, descendentes dos botocudos e pioneiros na região. Obviamente, a situação atual na aldeia não é muito tranquila porque os índios dependem diretamente do rio e estão em constante mobilização para reparação dos prejuízos (por isso, é bom procurar se informar antes de ir). Mas, fora isso, você pode ir até lá para ver os costumes e o modo de vida dos índios.

Foto: Prefeitura de Resplendor

Foto: Prefeitura de Resplendor

Já para os mais aventureiros a trilha que leva ao Parque Estadual Sete Salões é a melhor pedida. O nome é uma alusão aos “sete salões” que ficam escondidos dentro de um grande maciço rochoso. Dentro deles há registro de figuras rupestres atribuídas aos antepassados dos índios krenaks.

Parque Estadual Sete Salões (Foto: Eliton Ferreira)

Parque Estadual Sete Salões (Foto: Eliton Ferreira)

Um pouquinho mais adiante na BR 259 você chega a Aimorés, última cidade de Minas Gerais antes da divisa com o Espírito Santo. É aí que fica a sede do famoso (e agora polêmico) Instituto Terra, do também famoso fotógrafo Sebastião Salgado. Um lugar que vem promovendo um belíssimo trabalho de recuperação da mata atlântica e que, mais recentemente, desenvolveu um projeto de reflorestamento das matas ciliares e proteção das nascentes do Rio Doce (e que, mais do que nunca, precisará sair do papel).

Eu não vou entrar na polêmica sobre a relação do Sebastião Salgado e seu Instituto com a Vale, sócia da Samarco, dona da barragem que se rompeu em Bento Rodrigues. Eu só quero destacar que, independente de quaisquer relações promíscuas, o trabalho que o Instituto Terra desenvolve é belíssimo e vale a pena ser conhecido.

Eu o conheci bem no início de sua fundação, em 2001. Desde aquela época eu me surpreendi com a transformação que eles vem proporcionando na cobertura vegetal da região. Os registros fotográficos do “antes” e “depois” da antiga fazenda de gado do pai de Sebastião são impressionantes.

A sede do Instituto Terra em 1999 (Foto: Divulgação)

A sede do Instituto Terra em 1999 (Foto: Divulgação)

O que era pasto virou uma linda e densa floresta.

Foto: Divulgação

A sede do Instituto Terra em 2011 (Foto: Divulgação)

O Instituto Terra fica bem na saída de Aimorés para Baixo Guandu e vale a visita para conhecer de perto o trabalho que eles desenvolvem.

Seguindo na BR 259 por 5 km depois de Aimorés, você chega ao primeiro município do Espírito Santo: Baixo Guandu. A cidade é bem pequena, mas possui alguns atrativos bem interessantes, como a Rampa do Monjolo, a Pedra do Sousa e a Capela do Divino.

Foto: Letícia Vieira (Blog É Logo Ali)

Foto: Letícia Vieira (Blog É Logo Ali)

Para conhecer todas as atrações da cidade, vale a pena ler a série de posts que a Letícia Vieira, do blog É logo ali, fez sobre Baixo Guandu.

Antes de chegar ao fim da BR 259, você passará por Colatina, uma das maiores cidades do interior do Espírito Santo. Reza a lenda que, na década de 60, a revista americana Time elegeu o pôr-do-sol de Colatina um dos mais bonitos do mundo.

Foto: Liz Marion (CC BY-NC 2.0)

Foto: Liz Marion (CC BY-NC 2.0)

Não posso confirmar a procedência dessa afirmação. Mas o pôr-do-sol visto das margens do Rio Doce na cidade é mesmo lindo.

Por fim, a gente chega ao município de Linhares, já na BR 101, sentido norte. Aí você tem um sem-número de atrações naturais e rurais. Só para você ter uma ideia, a cidade possui o maior número de lagoas da América Latina, incluindo a segunda maior em volume de água doce do Brasil, a Juparanã.

Lagoa Juparanã (Foto: Prefeitura de Linhares)

Lagoa Juparanã (Foto: Prefeitura de Linhares)

A maioria delas pode ser facilmente visitada e são uma boa pedida para a prática de esportes náuticos.

Além das lagoas, Linhares também guarda outros 2 grandes refúgios ecológicos: a Floresta Nacional dos Goytacazes e a Reserva Natural da… Vale (!). Elas ficam um pouco afastadas da sede da cidade, seguindo pela BR 101 no sentido norte, mas são ótimas opções de passeio para quem se interessa por natureza.

Na Floresta dos Goytacazes é possível conhecer um pouco da fauna e flora locais percorrendo 2 trilhas: a curta e a longa (que depende de agendamento). Trata-se da maior floresta urbana do Espírito Santo e a terceira maior do Brasil.

Já a Reserva mantida pela Vale é bem mais estruturada para receber turistas, per supuesto. No centro de visitantes tem parque infantil, brinquedoteca, salas para oficinas, restaurante e até um pequeno hotel para quem quer passar pela experiência de se hospedar em meio à mata.

O hotel da Reserva (Foto: Divulgação)

O hotel da Reserva (Foto: Divulgação)

Além disso, você pode percorrer as trilhas temáticas e agendar um passeio para observação de pássaros. Atualmente, encontram-se catalogadas 390 espécies de aves na reserva.

Foto: Claudio Dias Timm (CC BY-NC 2.0)

Foto: Claudio Dias Timm (CC BY-NC 2.0)

A reserva protege 23 mil hectares de Mata Atlântica e, em 1999, recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.

Mas o maior segredo de Linhares está na foz do Rio Doce. É no litoral da cidade que o rio encontra o Atlântico. Mais precisamente, em Regência Augusta, uma pequena vila de pescadores quase intocada e praticamente desconhecida do turismo nacional.

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar de desconhecida da grande maioria das pessoas (inclusive dos capixabas), Regência – ou Régis para os mais íntimos – ganhou fama internacional como um dos melhores pontos do litoral brasileiro para a prática de surf. Tudo por causa das ondas grandes do mar agitado dessa parte do litoral capixaba.

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

No rastro desse movimento sempre crescente de surfistas, pequenos empreendimentos turísticos se organizaram, preparando o turismo de Regência para outro tipo de público. Atualmente Regência vai além do surf. Por meio de uma pequena agência instalada na vila, você pode(ia) alugar bicicletas, andar de caiaque ou lancha pelo Rio Doce, agendar uma pescaria no rio com um pescador da vila ou fazer a famosa “carebada”, um passeio noturno para observação da desova de tartarugas marinhas.

Pouca gente sabe, mas Regência é o único ponto do litoral brasileiro de desova da tartaruga de couro, também conhecida como tartaruga gigante. Por causa disso, aí se encontra uma das mais antigas bases do Projeto Tamar. São os monitores do Tamar que acompanham os turistas nas carebadas, que costumam ocorrer entre outubro e dezembro.

Projeto Tamar (Foto: Prefeitura de Linhares)

Projeto Tamar (Foto: Prefeitura de Linhares)

Entre as pousadinhas de Regência, eu destaco a Vila Sérgio, que eu “namoro” há tempos pelo instagram:

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Para 2016, o dono da pousada anunciou um belo investimento em dinheiro na renovação de alguns ambientes e na inauguração de um espaço de descanso, apostando nas previsões do melhor e mais movimentado verão de Regência. Daí você pode imaginar – ou não – o tamanho da frustração e do prejuízo que ele e todo o povo de Regência estão amargando com a debandada de turistas que a vila vem sofrendo desde o início da tragédia.

A nova área de descanso da Vila Sérgio

A nova área de descanso da Vila Sérgio (Foto: Divulgação)

Foi pensando no Sérgio e em todos os outros empreendedores de Regência e das cidades às margens do Rio Doce que eu resolvi publicar esse post. Que a nossa solidariedade com essa parte da população brasileira vá além da doação de água. Que a gente possa ajudar a reparar os prejuízos e, principalmente, a resgatar a auto-estima de um povo que perdeu subitamente um de seus maiores símbolos. E que a gente faça isso do jeito que a gente mais gosta: viajando.

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21
jan
2015

5 sugestões de bate-volta redondinhos a partir de Vitória

Pedra Azul

Pedra Azul

Do mar à montanha em 40 minutos”. Um dos motes da propaganda oficial do Governo do Estado do Espírito Santo faz realmente todo o sentido. Em um estado de distâncias tão curtas e cheio de diversidades geográficas e culturais, é muito fácil rechear a sua viagem com passeios super diferentes um do outro. Você pode tomar um banho de mar pela manhã e experimentar o melhor da culinária italiana nas montanhas capixabas à tarde, curtindo um clima bem mais agradável. Ou então, conhecer o legado da nossa colonização à beira-mar e, ainda, fazer um passeio de escuna pelas águas de um rio e visitar uma reserva indígena em Aracruz.

Para facilitar a sua vida, nesse post eu vou dar 5 sugestões de bate-volta redondinhos a partir de Vitória. Todos estão a 1 hora (no máximo!!!) de viagem da capital. Tem praia, tem montanha, tem passeio cultural e gastronômico. Basta que você escolha aquele que mais se identifica com o seu perfil de viajante.

Confira dicas de hospedagem em Vitória aqui

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16
jan
2014

O que fazer em Vitória? Um roteiro (mastigadinho) de 3 dias na Ilha do Mel

Foto: Robert Blackie (CC BY-NC-ND 2.0)

Essa é uma das perguntas que eu mais recebo via e-mail aqui no Rotas: “tô indo pra Vitória no próximo final de semana. Qual roteiro você me sugere?” Por mais que esse blog seja todinho dedicado a te sugerir roteiros pelo Espírito Santo afora, tem gente que sente falta de um post mastigadinho e mais direto ao ponto. 😀

Até então eu me socorria nesse post que o Fred Marvila escreveu lá no Sundaycooks. Nele o Fred destacou lugares que agradam em cheio o marinheiro de primeira viagem que vem passar um final de semana na ilha.

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11
abr
2011

E aí? Vamos entrar para a ONG PCECPP?


Em Marataízes é assim...

Não me consta que ela já tenha sido fundada pelo seu idealizador, o Ricardo Freire, autor do maior blog site de viagens do Brasil (o Viaje na Viagem). Mas isso não nos impede de incorporar, pra já, a filosofia principal da sua ONG PCECPP – Primeiro Comando de Extermínio das Cadeiras de Plástico na Praia (leia aqui): “salvar as praias do planeta da invasão das cadeiras e das mesas de plástico”.

Aliás, nós, “capixabas da penha”, precisamos urgentemente aderir a essa idéia!

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