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01
maio
2016

Romaria dos Homens: turismo religioso no Espírito Santo

Romaria dos Homens

Há certa divergência entre os historiadores sobre a origem da devoção do capixaba católico à Nossa Senhora da Penha (leia mais sobre isso aqui). Mas, desavenças à parte, desde que o Frei Pedro Palácios resolveu construir uma ermida em homenagem à Nossa Senhora no alto de um penhasco em 1566, a associação se deu, tornando bizantina a discussão em torno do “Penha”: se uma autêntica referência à Nossa Senhora da Penha de França ou apenas um indicativo da localização do santuário (penha, de penhasco). Não por acaso, Nossa Senhora da Penha foi escolhida pelo Papa Urbano VIII, em 1630, como protetora do Espírito Santo, sendo confirmada como padroeira em 1908.

Toda essa devoção tem o seu auge na famosa Festa da Penha, que ocorre todos os anos após o oitavário pascoal. Essa é, sem dúvida, a maior expressão do turismo religioso no Espírito Santo, tamanha a quantidade de devotos que se deslocam até aqui para participar das atividades e celebrações. Para quem não sabe, ela é considerada a terceira maior festa religiosa do país, atrás apenas da Festa da Padroeira do Brasil, em Aparecida, e do Círio de Nazaré, em Belém.

Romaria dos Homens

São 9 dias de eventos e celebrações inteiramente dedicados à Nossa Senhora. Além das missas do chamado oitavário da Penha, destacam-se as famosas romarias, que reúnem determinados grupos de devotos em peregrinação ao santuário. Há registros históricos de uma primeira romaria feita em 1573 por sobreviventes de um naufrágio na Foz do Rio Doce até o Convento da Penha para agradecer o milagre (leia aqui). De lá pra cá, as romarias viraram tradição na Festa da Penha e, a cada ano, ganham novos adeptos.

Tem romaria dos militares, das mulheres, dos motociclistas, dos advogados, dos cavaleiros, dos ciclistas e até romaria de pessoas com deficiência. Mas, sem dúvida alguma, a mais famosa delas e a que reúne o maior número de pessoas é a Romaria dos Homens, realizada na noite de sábado (penúltimo dia da Festa).

Romaria dos Homens

É até desnecessário dizer… mas, iniciada em 1958, a Romaria dos Homens foi originalmente organizada para demonstrar a fé e a devoção mariana dos… homens. 58 anos depois já não se pode dizer que ela é exclusivamente deles. Todos os anos uma multidão sempre crescente de homens, mulheres e crianças se reúne na Catedral Metropolitana de Vitória para seguir em caminhada até o Convento da Penha, em Vila Velha, carregando a imagem de Nossa Senhora ao som de cânticos e orações.

É impossível não se emocionar com o testemunho de fé daquela multidão!

Esse ano foi a minha primeira participação na Romaria (#shameonme). Como católico, fiquei emocionado do início ao fim. Parar sobre os pontos mais elevados do trecho e observar aquele mar de gente cantando, em uníssono, o hino oficial da Festa foi de arrepiar!

Romaria dos Homens

Para conduzir os romeiros, alguns trios elétricos se sucedem puxando as músicas e orações. Mas, quando a imagem da virgem passa, o canto é um só:

“Virgem da Penha,

Minha alegria,

Senhora nossa,

Ave Maria!

Ave, Ave, Ave Maria! / Ave, Ave, Ave Maria!”

Romaria dos Homens

Milhares de velas são distribuídas aos romeiros por stands de comunidades católicas instalados nos arredores da Catedral. A onda de luz vai, aos poucos, se espalhando e a visão daqueles múltiplos pontos luminosos demarcando a passarela de gente em meio à noite escura é incrível!

Nas ruelas estreitas do centro de Vitória, a caminhada fica mais difícil e vagarosa pela maior densidade de pessoas por m2. Mas já na chegada à Rua Pedro Nolasco – antes da subida na Segunda Ponte – a amplitude aumenta e a multidão caminha mais confortavelmente.

Romaria dos Homens

A visão mais ampla que você pode ter do contingente de pessoas caminhando é no alto da Segunda Ponte. De um lado, o pessoal que vem de Vitória; do outro, os que já seguem por Vila Velha. Em ambos, a quantidade de romeiros ultrapassa facilmente o seu campo de visão.

Romaria dos Homens

Quando se chega à Avenida Carlos Lindemberg, na altura do bairro Aribiri, em Vila Velha, vê-se de longe o destino final da caminhada: o Convento da Penha. A visão do Convento dá um fôlego novo e a sensação de proximidade – apesar de levemente exagerada – alivia o cansaço. A partir daí, ele reina soberano no horizonte dos romeiros.

Romaria dos Homens

O percurso todo tem 14 km de extensão. Como eu já disse, os romeiros saem da Catedral de Vitória – logo após a missa de envio, celebrada às 18h – e seguem até o Convento da Penha, passando pela Segunda Ponte. São aproximadamente 4 horas de caminhada até a chegada à Prainha, em Vila Velha, onde fica o palco principal da Festa. Ali, após a chegada da imagem de Nossa Senhora (aproximadamente às 23h), é celebrada outra missa com a participação de sacerdotes de todo o Estado. Telões espalhados pelo descampado ajudam os fiéis exaustos a acompanhar a cerimônia que costuma varar a madrugada.

Informações úteis:

Do ponto de vista religioso, a romaria termina com a missa na Prainha. Mas, do ponto de vista turístico, a romaria pode acabar antes por causa da logística da volta pra casa. Não é nada fácil se desvencilhar da multidão para pegar um ônibus ou táxi. Por isso, quanto antes você “desembarcar” da peregrinação, melhor.

Ainda sobre a logística para participar da romaria, há várias alternativas para tentar minimizar os transtornos da ida e da volta. Você pode:

1) ir e voltar de ônibus da Romaria, aproveitando que a Ceturb coloca linhas especiais para atender a demanda;

2) combinar o transfer da ida e da volta com algum motorista de van; e

3) ir de carro até Vila Velha no meio da tarde e estacioná-lo nos arredores da Prainha para ter a comodidade de ir de ônibus, mas voltar no seu próprio carro.

Em qualquer caso, só é bom evitar ir de carro para o centro de Vitória no início da Romaria porque a probabilidade de achar uma vaga por lá é mínima.

Romaria dos Homens

Ao longo do trajeto, você encontra inúmeros ambulantes vendendo água e lanches rápidos. Eu, no entanto, preferi levar meu próprio lanche numa mochila para evitar parar e ficar pra trás na multidão. 5 minutos de parada representam milhares de pessoas na sua frente. Pra quem quer acompanhar de perto a imagem de Nossa Senhora, essa não é uma boa ideia.

Também há banheiros químicos em alguns pontos do trajeto. Mas, pelo mesmo motivo acima, parar e enfrentar a pequena grande fila dos banheiros pode te levar lá pro final da Romaria. Se essa não é a sua intenção, evite ao máximo ir ao banheiro. Vá antes da Romaria e beba quantidades pequenas e espaçadas de água. 4 horas não é um período tão longo assim.

Romaria dos Homens

Enfim, pra quem é católico, participar da Romaria dos Homens – e da Festa da Penha em geral – é uma boa forma de exercitar a sua espiritualidade “turistando”. 😉

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18
abr
2016

O conteúdo deste blog está sendo usado sem autorização

ABBV

Desculpe o título meio sensacionalista desse post. Mas o assunto é sério e eu preciso chamar a sua atenção pra ele.

O conteúdo dos blogs de viagem brasileiros está sendo usado – sem autorização – por site chamados de “agregadores”. São sites que não tem conteúdo próprio e que, através de recursos técnicos (como RSS e iframes) puxam os posts dos blogs de viagem e exibem como se o agregador fosse um portal. Por isso, se você está lendo esse post fora da url do Rotas (é só olhar o endereço do seu navegador) tem alguma coisa errada.

Alguns agregadores se recusam a parar de puxar o conteúdo dos blogs, mesmo depois de contato dos blogueiros informando que não querem participar desses supostos “projetos”. A desculpa é que eles trazem “benefícios” ao blogueiro com o aumento da visibilidade e do fluxo de leitores!!! Veja só. Não basta a gente trabalhar diuturnamente para encher a nossa própria casa de conteúdo sério e confiável para atrair leitores. Tem que haver algum empreendedor super visionário para se apropriar do nosso conteúdo e espalhá-lo pela internet para um público que ele mesmo nunca conquistou!

Por isso, a ABBV, Associação Brasileira dos Blogs de Viagem, entidade civil sem fins lucrativos, que tem entre seus objetivos a defesa dos direitos coletivos dos blogueiros de viagem, organizou essa blogagem coletiva com um triplo objetivo:

1) chamar atenção dos leitores e do mercado para o desrespeito com o trabalho dos blogueiros;
2) alertar sobre a violação do direito autoral (Lei 9.610/1998); e
3) destacar o prejuízo comercial e de imagem que isso representa para os blogs.

Então, se você identificar posts do Rotas com algum tipo de barra acima do conteúdo ou sendo exibidos em outro endereço na internet que não seja o www.rotascapixabas.com, por favor, denuncie para rotascapixabas@gmail.com.

Nós, blogueiros de viagem, investimos tempo, energia e dinheiro para viajar e compartilhar as experiências que tivemos, ajudando nossos leitores a viajar melhor. E diante desse fato, resolvemos nos unir para não permitir que projetos abusivos prejudiquem nosso trabalho.

 Além do Rotas, os blogs que participam desta blogagem coletiva são:

Andreza Dica e Indica Disney Tá indo pra onde? ITALIAna Coisos on the go Rascunhos de Fotografia Os Caminhantes Ideias na mala Segredos de Viagem Passeios na Toscana Hotel California Blog Imagina na Viagem Matraqueando Uma Malla pelo mundo Dondeando Por Aí Orlando em Família Ases a Bordo Viaje na Viagem E aí, Férias! Vida Cigana Abrindo o Bico Mil e Uma Viagens A Janela Laranja Projeto 101 Países

(esta lista será atualizada ao longo do dia)

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28
mar
2016

Pousada dos Pinhos: hotel-fazenda em Pedra Azul

Pousada dos Pinhos

Como todo destino de perfil rural, Pedra Azul também tem opções de hotel-fazenda. Eu diria, inclusive, que o turismo de Pedra Azul começou com a instalação desses hotéis ainda na década de 80. Como a estrutura turística do entorno ainda era precária, a proposta desses hotéis era “isolar” as famílias num espaço com clima de fazenda, desfrutando da comodidade de uma pensão completa e muita recreação para crianças. Você ia pra lá pra fugir da cidade e descansar, sem sair do hotel. Principalmente se você tivesse filhos. Além da área de lazer cheia de atrações infantis, na alta temporada e em feriados os hotéis ofereciam recreadores, que passavam o dia entretendo as crianças.

Eu, mesmo, quando ainda era criança e morava em Minas, já havia passado um feriado em família num dos mais antigos e famoso desses hotéis: a Pousada dos Pinhos. Lembro como se fosse hoje dos passeios a cavalo, das trilhas, das gincanas e das mil e uma brincadeiras que os recreadores faziam na piscina e fora dela pra gente passar o dia. E por causa dessas boas lembranças eu admito que a Pousada dos Pinhos (e todos os outros hotéis-fazenda da região) é um lugar super legal para crianças.

Pousada dos Pinhos

Mas, talvez, não seja um lugar tão legal assim para adultos, sem filhos. Eu explico.

Esse esquema de pensão completa e recreação fazia todo o sentido naquele contexto inicial de Pedra Azul, em que a estrutura turística ainda era precária. Você não tinha boas opções de lazer e nem muitos lugares para comer. Então, ficar “recluso” num hotel era, sem dúvida, uma boa pedida. Não por acaso, a região nessa época era praticamente desconhecida do brasileiro e frequentada em sua maioria pelos próprios capixabas. O “turista” padrão de Pedra Azul era um nativo: famílias capixabas que, aproveitando a curta distância, fugiam para as montanhas nos finais de semana e feriados a fim de curtir o friozinho e descansar, isoladas no hotel.

Pousada dos Pinhos

Mas você, que me acompanha aqui no Rotas, já sabe que, nos últimos anos, o turismo de Pedra Azul se consolidou e que o seu entorno já não é mais precário. Já há um sem-número de atrações para todo o tipo de público espalhadas pelas redondezas, principalmente no eixo que se conhece como Rota do Lagarto, que eu apelidei de rota romântica (você pode conhecer alguns deles clicando aqui). Daí que, para quem quer conhecer Pedra Azul e aproveitar ao máximo tudo o que a região tem de melhor, hospedar-se num hotel-fazenda que cobra caro por um regime de pensão completa não é mais – nem de longe – a melhor pedida. Hoje em dia, o melhor de Pedra Azul está fora do hotel, e não dentro dele.

E falo isso com a “autoridade” de quem voltou à Pousada dos Pinhos recentemente. Desta vez, na condição de pai com criança pequena. A gente se rendeu à opção logisticamente viável para um carnaval não-planejado, aproveitando a companhia de amigos. Mas, ao final do 5º dia de um pacote de 5 diárias, a impressão foi que, exceto pelo que toca às crianças, o hotel não vale quanto custa. Tanto que abrimos mão da última diária e voltamos pra casa antecipadamente.

No geral, a Pousada está até se esforçando para renovar a cara que tinha na década de 80. As alas de apartamentos mais antigas estão sendo repaginadas aos poucos e novos ambientes estão sendo criados.

Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

O nosso quarto, por exemplo, que ficava na Ala Principal, recebeu um primeiro banho de loja:

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Mas o banheiro continua bem antigão.

Há ainda outras alas de apartamentos e chalés maiores e mais adequados para casais sem filhos, que dispõem de banheira ou ofurô.

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Os ambientes da área social e a área de lazer externa ganharam um bom upgrade ao longo do tempo. Aliás, a área de lazer é o maior atrativo da pousada. Tem piscina coberta e aquecida (ótima para um banho noturno), piscina descoberta com toboágua, playground, uma ampla brinquedoteca para crianças de até 5 anos, salão de jogos, quadra de esportes, campo de futebol, lago para pesca e pedalinho, trilhas na mata, passeios a cavalo (pagos à parte) e mini-fazendinha.

Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

Além disso, há recreação na alta temporada e nos feriados (no carnaval teve baile, bloquinho, churrasco na piscina, bingo, entre outras coisas). Em outros períodos, vai depender da lotação da pousada.

Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

A única coisa que não mudou nadica de nada e continua sendo feito exatamente como era na década de 80 é o sistema de pagamentos da pousada. Ao fazer o check-in, você recebe um cordão de bolinhas coloridas (cada cor vale um determinado preço) para consumir os itens que não estão incluídos no regime de pensão completa (bebidas em geral e picolés, sorvetes e snacks no bar da piscina). Na hora do check-out, você devolve as bolinhas remanescentes e o valor consumido entra na sua conta final.

A coisa é tão antiquada e tão pouco tecnológica que, às vezes, eu penso que ela é estrategicamente mantida para ganhar alguns reais dos hóspedes descuidados que, volta e meia, perdem bolinhas. Pode ser maldade da minha parte. Mas não vejo razão para não se evoluir nesse ponto. Cartões magnéticos foram inventados na década de 90 (e estou sendo bonzinho na data!) pra isso.

Mas o fator que mais desequilibra a relação custo X benefício da pousada é, sem dúvida alguma, a alimentação. Aqui, eu preciso refazer o desabafo que eu fiz no meu instagram: nunca paguei tão caro para comer tão mal! E nem tô falando da qualidade nutricional do que era oferecido (especialmente para as crianças), não. Tô falando do sabor das coisas mesmo.

Pousada dos Pinhos

Definitivamente, a comida da pousada não está à altura do preço que se paga.

Eu sei que, geralmente, não se pode criar muita expectativa em relação à comida de hotéis com regime de pensão completa. Mas eu juro que não criei. E mesmo assim, me decepcionei. Me decepcionei com o sabor e a variedade da comida e, principalmente, por saber que paguei bem mais caro do que pagaria se tivesse me hospedado em um pousada mais simples e comido nos melhores restaurantes de Pedra Azul, no almoço E no jantar.

Essa foi, aliás, a principal razão para anteciparmos nossa volta pra casa. A gente não aguentava mais a comida de lá.

Sem falar que, hoje em dia, com tamanha preocupação quanto à qualidade da alimentação infantil, é inconcebível que uma pousada kids friendly ofereça às crianças, carne processada de hamburguer, linguiça e nuggets como únicas opções de “carne”!!! Nem um filezinho de frango ou uma carne moída. O cardápio infantil foi esse em todas as noites que estivemos lá! #failtotal

Enfim, é por isso que eu disse lá em cima que a Pousada dos Pinhos não é um lugar tão legal assim para adultos, sem filhos. Para quem deseja conhecer verdadeiramente Pedra Azul e não pretende se limitar apenas ao lazer do hotel, não é preciso pagar tão caro para comer tão mal. O melhor mesmo é se hospedar nas dezenas de pousadinhas que estão surgindo a cada dia na região (um dia, eu pretendo fazer um post com indicação de pousadas em Pedra Azul) para explorar e aproveitar ao máximo o que Pedra Azul tem de melhor.

Pousada dos Pinhos

Veja bem. Não estou dizendo que um casal sem filhos não possa se hospedar na Pousada dos Pinhos. Até porque, como disse lá em cima, há alas de apartamentos e chalés especialmente voltados para esse tipo de público, inclusive com tarifas especiais para lua-de-mel. Eu só estou dizendo que, pelo preço que se paga, é possível encontrar maior qualidade e satisfação no serviço prestado a esse público em outros estabelecimentos, principalmente em relação à qualidade da comida.

Resumindo, a Pousada dos Pinhos:

É ideal: para quem tem filhos e quer aproveitar a comodidade da recreação infantil ou para quem, mesmo sem filhos, curte o regime de pensão completa, sem se importar com a qualidade da comida.

Não é ideal: para quem gosta de aproveitar ao máximo o que a região tem de melhor e faz questão de comer bem.

Além da Pousada dos Pinhos, os outros hotéis-fazenda de Pedra Azul e região são: Pousada Pedra Azul, Hotel Eco da Floresta, Hotel Fazenda Monte Verde, Aroso Paço Hotel e Hotel Fazenda China Park.

Informações úteis:

Pousada dos Pinhos

Endereço: BR 262 Km 90, Pedra Azul – Domingos Martins – ES

Telefone: (27) 3248-1115

Valor da diária: a partir de R$640,00 no apartamento mais simples, com pensão completa (café da manhã, almoço e lanche colonial, sem bebidas). Crianças até 5 anos não pagam.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

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15
dez
2015

O turismo às margens do Rio Doce

Eu, com o Rio Doce ao fundo, em algum lugar entre Colatina e Baixo Guandu no ano de 2001.

Eu, com o Rio Doce ao fundo, entre Colatina e Baixo Guandu no ano de 2001.

Olho com especial tristeza para a tragédia que assolou o Rio Doce. Nasci e cresci às margens do rio em Minas Gerais. Sou natural de Coronel Fabriciano e passei a maior parte da minha infância e adolescência entre Ipatinga e Governador Valadares – três cidades que são cortadas pelo rio. Em 1998, com 17 anos de idade, segui simbolicamente o seu curso e vim para o Espírito Santo, de onde não saí mais. Desde então, continuei transitando por suas margens entre idas e vindas de Minas para visitar meus pais, que atualmente moram na área rural de Conselheiro Pena, outra cidade à beira do rio.

De alguma maneira, pois, minha vida sempre esteve ligada afetivamente ao Rio Doce. E é por isso que essa tragédia me comoveu tanto. Ver a mudança brutal do cenário a que eu estava acostumado e, principalmente, o tanto de vida que está se esvaindo em meio à lama da Samarco/Vale derramada sobre o Rio Doce tem partido o meu coração.

Eu sei que os prejuízos gerados por essa tragédia são incontáveis e afetam inúmeros aspectos da vida humana: desde o (des)equilíbrio ecológico dessa particular biota até o abastecimento de água das cidades margeadas pelo rio. Mas o motivo desse meu post é chamar a sua atenção para um desses aspectos que tem tudo a ver com o Rotas, claro: o turismo. Eu queria mostrar pra você o potencial turístico que existe às margens do Rio Doce e que, possivelmente, também será impactado por esse acontecimento. Faço isso com um aperto no coração por não saber ao certo o futuro daqueles atrativos ligados diretamente ao rio, como é o caso da vila de Regência, no Espírito Santo. Mas faço isso também com uma pontinha de esperança de que o incentivo ao turismo local seja uma aposta para a recuperação do meio-ambiente e da economia das cidades ribeirinhas.

Porque não?

Numa situação dessas, é natural querer cancelar viagens ou mesmo evitar a ida para os lugares afetados. Afinal, é mais do que compreensível o medo da incerteza sobre o real impacto e as consequências da tragédia naqueles locais. Regência, por exemplo, tá vivendo na pele essa debandada de turistas. Estima-se que mais de 80% das reservas nas pousadas da vila para o período de réveillon tenham sido canceladas. Mas, talvez, esse sentimento de solidariedade que vem se espalhando Brasil afora em torno da situação do Rio Doce – e das populações que vivem dele – possa alimentar também o desejo de contribuir de forma mais contundente para o aquecimento da economia local.

Daí a ideia de fazer esse post. Eu queria mostrar pra vocês o tanto de coisa legal que se fazia – e ainda dá pra fazer – às margens do Rio Doce. No embalo da fama que o rio alcançou Brasil afora por conta da tragédia, eu quero despertar em você a vontade de conhecer as atrações que a gente encontra em suas margens para que, assim, a gente faça girar a roda da economia e ajude a minimizar os prejuízos advindos do rompimento das barragens de Bento Rodrigues.

É um post tanto quanto pretensioso, eu sei. Mas é mais uma forma que eu encontrei de ajudar o rio que me é tão caro.

Você sabe que tudo isso começou com o rompimento das barragens da Samarco/Vale no distrito de Bento Rodrigues, pertencente à cidade de Mariana. Mas, tecnicamente, Mariana não está às margens do Rio Doce. A lama chegou até ele através dos Rios Gualaxu e Do Carmo, que fazem parte da mesma bacia. É por isso que eu não a incluo nesse passeio. O que não me impede, porém, de te remeter aos posts da Camila Navarro, do Viaggiando, e da Silvia Oliveira, do Matraqueando, que mostram todas as riquezas e atrações da cidade. Mais do que nunca, Mariana precisará da força do turismo para compensar o baque – ainda que transitório – na sua principal atividade econômica (curiosamente, a responsável por toda essa tragédia): a mineração.

Mariana (Foto: Silvia Oliveira, do Matraqueando)

Mariana (Foto: Silvia Oliveira, do Matraqueando)

Com a licença de Mariana, eu começo o meu passeio pelo turismo do Rio Doce por uma das cidades que mais sofreu (e ainda sofre) com o desabastecimento de água após a tragédia: Governador Valadares.

Valadares – você deve saber – ficou nacionalmente conhecida pela grande quantidade de moradores que foram para os EUA na década de 80 inspirados no famoso american way of life. Mas o que você talvez não saiba é que Valadares ganhou fama internacional por ter um dos melhores pontos de vôo livre do mundo É esse pico aí, o famoso Ibituruna:

Foto: Monalisa Toledo de Lima

Foto: Monalisa Toledo de Lima

Do alto dos seus 1.123 metros, o Ibituruna reina no skyline de Valadares. Lá em cima, você pode se jogar de asa-delta ou simplesmente apreciar a vista (até então) belíssima do Rio Doce.

Foto: Valdeci Antonio Pereira Prates

Foto: Valdeci Antonio Pereira Prates

Não são raras as competições de vôo livre na cidade, principalmente de janeiro a abril. Em 2016 uma etapa do campeonato mundial de parapente está programada para acontecer na cidade.

Lá embaixo, os melhores lugares para curtir a noite valadarense são o centro ou a Ilha dos Araújos, bairro nobre da cidade que tem esse nome por estar situado numa ilha bem no meio do Rio Doce. Um calçadão contorna todo o bairro e faz as vezes de orla, proporcionando um espaço ao ar livre para práticas esportivas.

Seguindo pela BR 259 em direção ao Espírito Santo, você chega à pequenina cidade de Resplendor, recheada de boas atrações.

Foto: Prefeitura de Resplendor

Foto: Prefeitura de Resplendor

O passeio de chalana pelo Rio Doce é (era) o mais famoso deles. Você embarca(va) numa pequena balsa que sai de um restaurante flutuante e navega(va) por aproximadamente 30 minutos ao longo do Rio Doce.

Para fazer o passeio, é só entrar em contato com o pessoal do Brasília Hotel, que funciona como uma espécie de agência de viagem local. Eles tem até um pacote redondinho para os turistas capixabas interessados em curtir com a família a viagem no trem de passageiros da… Vale (!), que liga Vitória a BH. Dá pra ir no sábado e voltar no domingo.

Outra opção de passeio em Resplendor é a visita à aldeia dos índios krenaks, descendentes dos botocudos e pioneiros na região. Obviamente, a situação atual na aldeia não é muito tranquila porque os índios dependem diretamente do rio e estão em constante mobilização para reparação dos prejuízos (por isso, é bom procurar se informar antes de ir). Mas, fora isso, você pode ir até lá para ver os costumes e o modo de vida dos índios.

Foto: Prefeitura de Resplendor

Foto: Prefeitura de Resplendor

Já para os mais aventureiros a trilha que leva ao Parque Estadual Sete Salões é a melhor pedida. O nome é uma alusão aos “sete salões” que ficam escondidos dentro de um grande maciço rochoso. Dentro deles há registro de figuras rupestres atribuídas aos antepassados dos índios krenaks.

Parque Estadual Sete Salões (Foto: Eliton Ferreira)

Parque Estadual Sete Salões (Foto: Eliton Ferreira)

Um pouquinho mais adiante na BR 259 você chega a Aimorés, última cidade de Minas Gerais antes da divisa com o Espírito Santo. É aí que fica a sede do famoso (e agora polêmico) Instituto Terra, do também famoso fotógrafo Sebastião Salgado. Um lugar que vem promovendo um belíssimo trabalho de recuperação da mata atlântica e que, mais recentemente, desenvolveu um projeto de reflorestamento das matas ciliares e proteção das nascentes do Rio Doce (e que, mais do que nunca, precisará sair do papel).

Eu não vou entrar na polêmica sobre a relação do Sebastião Salgado e seu Instituto com a Vale, sócia da Samarco, dona da barragem que se rompeu em Bento Rodrigues. Eu só quero destacar que, independente de quaisquer relações promíscuas, o trabalho que o Instituto Terra desenvolve é belíssimo e vale a pena ser conhecido.

Eu o conheci bem no início de sua fundação, em 2001. Desde aquela época eu me surpreendi com a transformação que eles vem proporcionando na cobertura vegetal da região. Os registros fotográficos do “antes” e “depois” da antiga fazenda de gado do pai de Sebastião são impressionantes.

A sede do Instituto Terra em 1999 (Foto: Divulgação)

A sede do Instituto Terra em 1999 (Foto: Divulgação)

O que era pasto virou uma linda e densa floresta.

Foto: Divulgação

A sede do Instituto Terra em 2011 (Foto: Divulgação)

O Instituto Terra fica bem na saída de Aimorés para Baixo Guandu e vale a visita para conhecer de perto o trabalho que eles desenvolvem.

Seguindo na BR 259 por 5 km depois de Aimorés, você chega ao primeiro município do Espírito Santo: Baixo Guandu. A cidade é bem pequena, mas possui alguns atrativos bem interessantes, como a Rampa do Monjolo, a Pedra do Sousa e a Capela do Divino.

Foto: Letícia Vieira (Blog É Logo Ali)

Foto: Letícia Vieira (Blog É Logo Ali)

Para conhecer todas as atrações da cidade, vale a pena ler a série de posts que a Letícia Vieira, do blog É logo ali, fez sobre Baixo Guandu.

Antes de chegar ao fim da BR 259, você passará por Colatina, uma das maiores cidades do interior do Espírito Santo. Reza a lenda que, na década de 60, a revista americana Time elegeu o pôr-do-sol de Colatina um dos mais bonitos do mundo.

Foto: Liz Marion (CC BY-NC 2.0)

Foto: Liz Marion (CC BY-NC 2.0)

Não posso confirmar a procedência dessa afirmação. Mas o pôr-do-sol visto das margens do Rio Doce na cidade é mesmo lindo.

Por fim, a gente chega ao município de Linhares, já na BR 101, sentido norte. Aí você tem um sem-número de atrações naturais e rurais. Só para você ter uma ideia, a cidade possui o maior número de lagoas da América Latina, incluindo a segunda maior em volume de água doce do Brasil, a Juparanã.

Lagoa Juparanã (Foto: Prefeitura de Linhares)

Lagoa Juparanã (Foto: Prefeitura de Linhares)

A maioria delas pode ser facilmente visitada e são uma boa pedida para a prática de esportes náuticos.

Além das lagoas, Linhares também guarda outros 2 grandes refúgios ecológicos: a Floresta Nacional dos Goytacazes e a Reserva Natural da… Vale (!). Elas ficam um pouco afastadas da sede da cidade, seguindo pela BR 101 no sentido norte, mas são ótimas opções de passeio para quem se interessa por natureza.

Na Floresta dos Goytacazes é possível conhecer um pouco da fauna e flora locais percorrendo 2 trilhas: a curta e a longa (que depende de agendamento). Trata-se da maior floresta urbana do Espírito Santo e a terceira maior do Brasil.

Já a Reserva mantida pela Vale é bem mais estruturada para receber turistas, per supuesto. No centro de visitantes tem parque infantil, brinquedoteca, salas para oficinas, restaurante e até um pequeno hotel para quem quer passar pela experiência de se hospedar em meio à mata.

O hotel da Reserva (Foto: Divulgação)

O hotel da Reserva (Foto: Divulgação)

Além disso, você pode percorrer as trilhas temáticas e agendar um passeio para observação de pássaros. Atualmente, encontram-se catalogadas 390 espécies de aves na reserva.

Foto: Claudio Dias Timm (CC BY-NC 2.0)

Foto: Claudio Dias Timm (CC BY-NC 2.0)

A reserva protege 23 mil hectares de Mata Atlântica e, em 1999, recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.

Mas o maior segredo de Linhares está na foz do Rio Doce. É no litoral da cidade que o rio encontra o Atlântico. Mais precisamente, em Regência Augusta, uma pequena vila de pescadores quase intocada e praticamente desconhecida do turismo nacional.

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar de desconhecida da grande maioria das pessoas (inclusive dos capixabas), Regência – ou Régis para os mais íntimos – ganhou fama internacional como um dos melhores pontos do litoral brasileiro para a prática de surf. Tudo por causa das ondas grandes do mar agitado dessa parte do litoral capixaba.

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

Foto: Luma Poletti Dutra (CC BY-NC-SA 2.0)

No rastro desse movimento sempre crescente de surfistas, pequenos empreendimentos turísticos se organizaram, preparando o turismo de Regência para outro tipo de público. Atualmente Regência vai além do surf. Por meio de uma pequena agência instalada na vila, você pode(ia) alugar bicicletas, andar de caiaque ou lancha pelo Rio Doce, agendar uma pescaria no rio com um pescador da vila ou fazer a famosa “carebada”, um passeio noturno para observação da desova de tartarugas marinhas.

Pouca gente sabe, mas Regência é o único ponto do litoral brasileiro de desova da tartaruga de couro, também conhecida como tartaruga gigante. Por causa disso, aí se encontra uma das mais antigas bases do Projeto Tamar. São os monitores do Tamar que acompanham os turistas nas carebadas, que costumam ocorrer entre outubro e dezembro.

Projeto Tamar (Foto: Prefeitura de Linhares)

Projeto Tamar (Foto: Prefeitura de Linhares)

Entre as pousadinhas de Regência, eu destaco a Vila Sérgio, que eu “namoro” há tempos pelo instagram:

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Para 2016, o dono da pousada anunciou um belo investimento em dinheiro na renovação de alguns ambientes e na inauguração de um espaço de descanso, apostando nas previsões do melhor e mais movimentado verão de Regência. Daí você pode imaginar – ou não – o tamanho da frustração e do prejuízo que ele e todo o povo de Regência estão amargando com a debandada de turistas que a vila vem sofrendo desde o início da tragédia.

A nova área de descanso da Vila Sérgio

A nova área de descanso da Vila Sérgio (Foto: Divulgação)

Foi pensando no Sérgio e em todos os outros empreendedores de Regência e das cidades às margens do Rio Doce que eu resolvi publicar esse post. Que a nossa solidariedade com essa parte da população brasileira vá além da doação de água. Que a gente possa ajudar a reparar os prejuízos e, principalmente, a resgatar a auto-estima de um povo que perdeu subitamente um de seus maiores símbolos. E que a gente faça isso do jeito que a gente mais gosta: viajando.

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15
out
2015

Rota do Lagarto: a rota romântica do Espírito Santo

Pedra Azul

No post anterior (leia aqui) eu falei sobre a Pedra Azul e seus múltiplos conceitos turísticos. Falei especialmente sobre os atrativos que fazem dela o principal destino de inverno do Espírito Santo.

Mas, de todos os atrativos de Pedra Azul, há um bem especial que eu deixei pra falar num post específico. E fiz isso por dois motivos. Primeiro porque eu quero dar a minha singela contribuição à divulgação de um dos trechos rodoviários mais bonitos do Brasil. E segundo porque, na minha humilde opinião, esse trecho tem tudo para se firmar como a “rota romântica” capixaba. 😉

Tô falando da Rota do Lagarto, a pequenina rodovia que está em azul no mapa abaixo:

rota do lagarto

A chamada Rota do Lagarto tem início no km 88 da BR 262 – no exato lugar onde se encontra o Restaurante e Pousada Peterle – e se estende por mais ou menos 7 km até a Rodovia ES 164. O nome “artístico” é quase auto-explicativo. Mas não custa explicar para quem é de fora. Além de dar acesso à portaria do Parque Estadual da Pedra Azul, em quase toda a extensão da Rota você terá a visão da Pedra e do seu lagarto.

Pedra Azul

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Esse já seria um forte argumento cenográfico para justificar o título de “um dos trechos rodoviários mais bonitos do Brasil“. Mas não é o único. Do início ao fim da rota o que não falta é cenário de cair o queixo.

Rota do Lagarto

Nos 2 primeiros quilômetros da Rota a densidade da mata nos dois lados da via faz você se sentir num túnel verde.

Rota do Lagarto

Nesse trecho – que, pra mim, é o mais bonito – a rodovia é sinuosa e bem estreitinha, com pontos em que só há passagem para um carro. E, ao contrário do restante da estrada, ela resistiu ao asfalto, preservando os seus paralelepípedos. Isso faz toda a diferença no conjunto visual da obra. Querendo ou não, você é obrigado a reduzir a velocidade e apreciar a paisagem.

À medida que a gente vai se aproximando da entrada da Pousada Pedra Azul um corredor de pinheiros toma conta das margens da estrada. A sensação térmica à sombra das árvores diminui sensivelmente e o frescor do vento te convida a desligar o ar-condicionado e baixar a janela do carro.

Rota do Lagarto

É como se você caminhasse no meio de um bosque.

Rota do Lagarto

O cenário bucólico se completa com uma sucessão de ambulantes e barraquinhas que encarnam um espécie de drive-thru campesino. Morangos e orquídeas são vendidos a um palmo da sua janela.

Rota do Lagarto

Passando a portaria do Parque Estadual o cenário muda consideravelmente. Muda por causa do asfalto que algum infeliz resolveu colocar na estrada (e que precisa urgentemente de reparo!). Mas muda principalmente por causa da perda da cobertura vegetal do lado direito da via.

Ver o tanto de mata atlântica que deu lugar a casas e fazendas dói um pouco. Mas, graças à onipresença da Pedra do lado esquerdo e à ação criativa dos proprietários de empreendimentos turísticos, ainda há muita beleza para se apreciar pelo caminho.

Rota do Lagarto

Dependendo da época da sua visita, você vai se deslumbrar com as dezenas de ipês que encontrará ao longo do trajeto. Especialmente se for tempo de floração. Na última vez em que nós fomos, por exemplo, os amarelos roubavam a cena.

Pedra Azul

O corredor de hortênsias a la Gramado no entorno da Pousada Tre Fiore é outro belíssimo trunfo dessa parte da estrada. Aliás, taí uma coisa na qual as autoridades locais poderiam se inspirar: um bocadinho de flores no acostamento de toda a Rota poderia alçá-la definitivamente ao topo do pódio de rodovias mais bonitas do Brasil. 😉

Rota do Lagarto

Mais pro final da Rota a vegetação vai ficando menos exuberante e mais rara devido ao aumento da ocupação humana nas margens e na área adjacente ao Parque. Nada que tire o encanto da onipresente Pedra Azul.

Mas se, por um lado, o finzinho da Rota deixa a desejar em termos de cobertura vegetal, por outro um conjunto de novos empreendimentos turísticos que estão sendo abertos por aí tem ajudado a reforçar o lado romântico de Pedra Azul. É nessa parte da Rota que eu vejo nascer a tal “rota romântica” que eu falei lá em cima. Veja bem. Eu falei NASCER. Para evitar frustrações em quem não conhece Pedra Azul, é bom deixar claro que esse é um movimento absolutamente espontâneo e gradativo e que não há nenhuma ação orquestrada – especialmente por parte da Prefeitura de Domingos Martins ou do Governo do Estado – na construção desse produto turístico. A coisa tá nascendo pelas mãos dos donos de 4 estabelecimentos que, intencionalmente ou não, souberam dialogar com o cenário do entorno, criando ambientes incrivelmente harmônicos entre si. (clap, clap, clap!)

A pioneira desse movimento foi a Pousada Rabo do Lagarto, sobre a qual eu já falei aqui.

Pousada Rabo do Lagarto

Além de ser responsável por uma verdadeira guinada nos padrões de hospedagem da região, inaugurando aqui o conceito de “pousada de charme”, a Rabo do Lagarto intensificou o fluxo de casais em lua de mel ou interessados em um simples final de semana romântico.

Pousada Rabo do Lagarto

Da decoração dos quartos à vista da Pedra Azul, tudo na Rabo do Lagarto conspira para o clima de romance.

Pousada Rabo do Lagarto

Hospedar-se na Rabo do Lagarto tem o seu custo, claro. No booking, uma diária no quarto standard para um dia de semana em novembro está por R$752,40. Mas para quem quer usufruir ao máximo todos os encantos dessa rota romântica em gestação ficar na Rabo do Lagarto é, sem dúvida, a escolha mais apropriada.

No rastro desse nicho “love is in the air” criado pela Rabo do Lagarto, veio o Restaurante Alecrim.

Restaurante Alecrim

Eu já falei sobre ele nesse post antigo. Mais do que a comida da chef Cecília Cunha, o que justifica a inclusão do Alecrim nessa “rota” é a belezura desse cenário em estilo provençal:

restaurante alecrim

A Provença parece ter sido também a inspiração dos dois outros empreendimentos que eu agrupei nessa “rota romântica”: a Marietta Delicatessen e a Venda da Rota. No caso da primeira, há uma sutil referência àquela região da França nas lavandas espalhadas pelo belo jardim:

Marietta Delicatessen

Lá dentro produtos de fabricação própria que utilizam ingredientes adquiridos na região são uma boa pedida para uma doce recordação da sua viagem. Tem bolos, pães caseiros, geléias, antepastos e o famoso imbiolato, uma espécie de pizza em formato de rocambole.

Marietta Delicatessen

O cheiro que sai dos fornos da cozinha e invade a sala principal da casa é tentador!

Marietta Delicatessen

Já na Venda da Rota, um pouquinho de imaginação fértil vai te transportar para algum vilarejo do interior da França (alô, Mirelle! alô, Natália!). 😀

Venda da Rota

A Venda é uma espécie de bistrô instalado bem no meio de um loja de decoração. Os objetos expostos não são baratos, por suposto. Mas são de uma beleza e bom gosto que dificilmente se veem por aí.

Venda da Rota

Venda da Rota

Apesar do meu destaque para esses 4 empreendimentos, as atrações desse projeto de “rota romântica” by Rotas Capixabas não acabam aí. Eu poderia incluir nela o passeio a cavalo do Fjordland, com sua arquitetura nórdica; as bicicletas de aluguel da Pedra Azul Ecotur, que nos permitem apreciar de forma ainda mais íntima a paisagem local; os morangos orgânicos da Penhazul (os mais doces que você jamais experimentou!); alguns outros restaurantes que se esmeram em oferecer boa comida em um ambiente acolhedor, como o Don Lorenzoni Due e o Preferito da Montanha; e várias outras propriedades do agroturismo de Pedra Azul e região. Esses outros empreendimentos, aliás, tornam a Rota do Lagarto interessante para qualquer tipo de público, e não só casaizinhos apaixonados. Mas digamos que, para um final de semana a dois, os 4 lugares que eu citei acima são os que mais combinam com o clima de romance. 😉

Enfim, a Rota do Lagarto é mais uma preciosidade capixaba pronta para ser descoberta. E eu espero de coração que esse post te convença a descobri-la!

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