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28
out
2013

Quem são eles? Quem eles pensam que são?

Praça Philogomiro Lannes

Praça Philogomiro Lannes

Lembrar desse refrão da música 3ª do Plural do Engenheiros do Hawaii é inevitável toda vez que eu paro para refletir sobre os nomes de ruas em Vitória. É que, aqui, ao contrário da maioria das cidades que eu conheço, os nomes das ruas não seguem um padrão lógico facilitador da memória e do senso de direção dos habitantes e turistas. A “lógica” dos nomes de ruas em Vitória parece ser uma só: homenagear alguma “figura importante da cidade”.

Veja bem. O “figura importante da cidade” vai entre aspas porque a pessoa homenageada só é verdadeiramente importante para quem a conhecia. Na grande maioria dos casos, não se trata de homenagear pessoas que tiveram algum papel de destaque na história ou na política da cidade. É apenas uma forma de eternizar pessoas com “sobrenomes de peso”, se é que você me entende.

Essa é a única explicação plausível que eu tenho para o fato de 95% das pessoas que dão nome a ruas em Vitória serem totalmente desconhecidas do cidadão comum. Pergunte a qualquer capixaba se ele conhece ou sabe quem foi Renato Nascimento Daher CarneiroAnísio Fernandes CoelhoMaria de Lourdes Poyares Labuto ou o Doutor João Batista Miranda do Amaral. Pergunte “quem são eles?“. O pior é que nem mesmo “figuras verdadeiramente importantes” da nossa cidade foram homenageadas. Até hoje eu não entendo, por exemplo, porque não há uma só rua com o nome de Nara Leão ou Maurício de Oliveira, artistas capixabas nacionalmente conhecidos que nasceram aqui. Ou então porque não homenagear capixabas ilustres de outras cidades, como Rubem BragaSergio SampaioDionísio Del Santo entre tantos outros. Será que eles não são tão importantes assim?

Juro que eu até tentei buscar alguma explicação “oficial” para tal critério de denominação. Mas no site da Câmara Municipal de Vitória a pesquisa pelas palavras “nome + rua” retorna 25 referências legislativas casuísticas sobre a definição do nome de ruas específicas. A mais genérica de todas é a Lei nº 4459/1997 que “dispõe sobre informações relativas aos nomes de vias públicas no Município de Vitória“, mas que tem apenas 4 artigos tratando de questões meramente burocráticas.

A verdade é que eu nunca vi tanta “gente importante desconhecida” numa cidade só. Uma conferida no mapa da capital mostra que esse foi – e ainda é – o padrão dominante de denominação das ruas. De Jardim Camburi ao Centro de Vitória sobram nomes de pessoas com dois ou mais sobrenomes para tristeza de moradores e turistas. Talvez a única exceção fica por conta da Ilha das Caieiras, onde os nossos vereadores foram bem mais criativos em nomear as simpáticas Ruas da Coragem, da Amizade, da Liberdade, dos Coqueiros e até a Rua do Parto. Mas, fora dessa microrregião, padrões mais relevantes e de fácil memorização (p. ex. nomes de cidades, estados ou países, nomes de povos indígenas e imigrantes) acabaram ficando de lado.

Para você ter uma idéia, Vitória deve ser a única cidade do Brasil que não deu o merecido destaque a uma grande avenida com o nome “Brasil”! A nossa “Avenida Brasil” é uma rua de pouco mais de 600 metros que fica num bairro afastado e totalmente fora do mainstream (Resistência). Pior ainda é o caso do nosso Estado e das nossas cidades vizinhas. Não há uma só rua, avenida, ladeira ou praça que leve o nome Espírito SantoVila VelhaSerraCariacicaViana e Guarapari, muito embora todas essas cidades tenham uma rua chamada Vitória.

Quer mais um exemplo?

Em Vitória, ao contrário de outras capitais costeiras, como Rio, Salvador, Recife e Florianópolis, você não vai encontrar em nenhuma avenida à beira-mar as tradicionais denominações Avenida Atlântica ou Oceânica em homenagem ao marzão que banha o nosso litoral. Em compensação, duas das principais vias costeiras da cidade receberam o nome de “empresários de sucesso”: Dante Michelini e Américo Buaiz. O primeiro, aliás, constrange absurdamente a sociedade de Vitória. Isso porque, apesar da “linda” biografia descrita pelo jornal A Gazeta (aqui), Dante Michelini é pai de um dos acusados pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, um triste episódio de abuso sexual contra uma criança que abalou o Espírito Santo nos anos 70 e acabou virando símbolo da luta contra esse tipo de crime no Brasil (saiba mais sobre o caso aqui). Tem até uma campanha no Avaaz que pede a alteração do nome da Avenida Dante Michelini para Avenida Araceli Cabrera (veja aqui).

Aí você deve estar se perguntando: “mas pra quê tanta implicância, Tiago? Pra quê implicar tanto com eles?

Juro que não é picuinha. Para além de uma luta simbólica contra o ranço provinciano do reino de Vitorinha, essa implicância tem um motivo muito mais nobre. É que esse padrão de denominação de rua não só prejudica a memorização dos nomes pelos habitantes como também atrapalha – e muito – a movimentação de turistas pela cidade.

Explico.

Em Vitória ninguém, repito, NINGUÉM sabe nome de rua de cor (ressalvo aqui apenas as ruas mais famosas e também as da Praia do Canto, único bairro onde os nomes das ruas “pegaram”). Aí, não adianta você, turista desavisado, vir com o endereço do seu hotel anotado num papel (ok, ok… papel é coisa do passado!) e perguntar ao primeiro transeunte que passa na rua: “Com licença! Onde fica a Rua Braulio Macedo?” Você invariavelmente vai ouvir: “Tem algum ponto de referência?

Essa pergunta-resposta padrão do morador de Vitória tem uma razão de ser. É que, para contornar a dificuldade de memorização dos nomes de ruas, ele criou uma técnica bem mais fácil de localização geográfica: referir-se à rua através de um ponto comercial nela estabelecido.

Por isso que, aqui, ninguém vai para a Praça Philogomiro Lannes (a da foto lá de cima), mas sim para a Pracinha da Flash Vídeo. Ninguém vai te levar até a Rua Doutor José Carlos de Souza se você não disser que essa é a rua do antigo Supermercado Carrefour ou da FDV. E, por fim, ninguém vai saber te dizer onde é a tal Rua Braulio Macedo se você não se adiantar a informar que esta é a Rua do Hotel Ilha do Boi.

Viu a complexidade da coisa?

O padrão de denominação das ruas de Vitória é extremamente ingrato turisticamente falando. A Vitória ilustrada no seu mapa é totalmente diferente da Vitória que existe na cabeça do seu morador. Em outras palavras, nome de rua por aqui, meu caro amigo turista, não te leva a lugar nenhum!

P. S.: Se eu fosse Prefeito de Vitória trabalharia intensamente junto à Câmara de Vereadores por uma mudança radical nos nomes das ruas da cidade. A começar pela Dante Michelini, claro. Avenida Araceli Cabrera seria muito mais justo.

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26
out
2013

Doca 183: o seu melhor lanche ou happy hour no Centro de Vitória

Doca 183

Já não é segredo pra ninguém o meu entusiasmo com o Centro de Vitória. Nesse post eu já deixei bem claro que o meu maior sonho é ver o cenário histórico-degradado do Centro de Vitória pulsando como uma bela e grande zona cultural e boêmia da nossa capital. O que eu não contava era que a gente fosse caminhar a passos largos para que esse sonho se tornasse realidade.

O último passo nessa direção foi dado pelo Doca 183. Trata-se de um bar, meio café, meio bistrô, que inaugurou há pouco mais de 1 mês na Rua Gama Rosa, a mesma do Casa de Bamba (sobre o qual eu ainda não tive a oportunidade de falar). Só a presença dessas 2 casas já seria suficiente para eu eleger a Gama Rosa uma espécie de miolo da tal zona boêmia que ainda há de surgir.

Doca 183

Definitivamente, o Doca 183 veio para revolucionar os lanches de quem trabalha e/ou precisa ir ao Centro. Os tradicionais salgados, mistos e biscoitos das lanchonetes e padarias ao redor dos prédios de órgãos públicos ganharam a companhia honrosa de um cardápio bem variado e com opções pra lá de sofisticadas.

Essa sofisticação fica por conta da metade “bistrô” do Doca. Por causa dela, você pode apreciar um carpaccio, uma tortilla de palmito ou uma excêntrica tapioca roll bem no intervalo daquela sua reunião.

Doca 183

Eu apostei super bem nessa brusccheta de rúcula com tomate, que veio tostadinha na medida exata:

Doca 183

O lado “bistrô” do Doca ainda tem cervejas especiais e outros “bons drinks” para animar o seu happy hour. Adicione aí uma música ambiente descolada ou uma música ao vivo e… pronto! Você já tem uma boa desculpa pra voltar ao Centro fora do seu horário de expediente.

Doca 183

Por sua vez, a metade “café” do Doca está aí para atender a fome urgente de quem procura um simples lanche no corre-corre do dia-a-dia. Salgados, tortas, quiches e bolos são opções ideais, por exemplo, para advogados entre uma audiência e outra.

Aproveitando um dia de “sistemas fora do ar” no meu trabalho, eu fui ao Doca para um pão com manteiga na chapa com capuccino:

Doca 183

Ta certo que o pão não é exatamente daquele tipo que me fascina (veja aqui). Mas a descontração do ambiente e o esforço de renovar a cara da gastronomia do Centro me fazem relevar esse “detalhe”.

Doca 183

Afinal, vale tudo para valorizar o Centro. ;-)

Informações úteis:

Doca 183

Rua Gama Rosa, 183, Centro, Vitória-ES.

Tel: 27 3029 0079

Horário de Funcionamento: segunda a quarta, das 10h às 22h; quinta a sábado, das 10h à 0h. Não abre aos domingos.

03
out
2013

O socol do Sítio Lorenção

Sitio Lorenção

Sitio Lorenção

O Sítio Lorenção, de Venda Nova do Imigrante, é mais um caso de sucesso do agroturismo da cidade. Mas, ao contrário dos Carnielli, os Lorenção devem sua fama, basicamente, a um único produto: o socol.

Se você não é do Espírito Santo, talvez você nunca tenha ouvido falar do socol. Eu mesmo o desconhecia até bem pouco tempo atrás, quando eu ainda não tinha me aprofundado nas raízes e tradições das montanhas capixabas.

Socol é um embutido de porco legado pelos imigrantes italianos à culinária de Venda Nova. O original tinha outro nome – ossocollo – e era feito com a carne do pescoço do animal. Mas, nas cozinhas de Venda Nova, ele ganhou, além de um apelido, um novo ingrediente para se ajustar ao paladar do brasileiro: o lombo.

O socol do Sítio Lorenção

O socol do Sítio Lorenção

Com isso, o ossocollo de Venda Nova se desvencilhou da sua origem, se tornou único no sabor e virou, definitivamente, o socol de Venda Nova.

Hoje a cidade busca o reconhecimento pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual da indicação geográfica do socol, o que tornaria a utilização desse nome exclusiva para os produtores dessa região. Sabe aquela história de que champagne de verdade é aquele produzido na região de Champagne, na França, e que prosecco mesmo só os produzidos no Vêneto, na Itália? Pois então. Se o INPI deferir o pedido dos produtores de Venda Nova, o autêntico socol você só encontrará aqui.

E se tem alguém que pode se orgulhar de fazer o autêntico socol de Venda Nova esse alguém se chama Cacilda Lorenção, a matriarca do Sítio que leva o seu sobrenome.

A simpática Tia Cacilda

A simpática Tia Cacilda

Tia Cacilda, como ela é carinhosamente conhecida, aprendeu a fazer o original ossocollo com a avó, que veio da Itália. “Aprendi a fazer socol com 14 anos, meu filho!, e faço igualzinho até hoje”, me disse ela com um sorriso no rosto durante a minha visita à sede do Sítio Lorenção. “Igualzinho” é força de expressão, claro, porque hoje o socol da Tia Cacilda leva lombo, e não pescoço de porco. Mas a forma de fazer é exatamente a mesma há décadas.

Sitio Lorenção

Na sede do Sítio, além de experimentar e comprar o socol, você pode conhecer o processo produtivo e até visitar o local onde as “espigas” de socol são postas para curar. Elas ficam, ali, penduradas por 6 meses até chegar ao ponto ideal para consumo.

Sitio Lorenção

Atualmente, o Sítio produz cerca de 1600 quilos de socol por mês e recebe, em média, 400 visitantes por semana. Eles também produzem outros antepastos, como caponata e tomate seco. Digamos que os Lorenção se especializaram em fornecer aperitivos para a sua “cervejinha” de final de semana. :-D

Sitio Lorenção

Sitio Lorenção

Sitio Lorenção

Em volta da lojinha, vários quadros trazem a origem da família estampada em fotos e certificados de imigração. Há até uma espécie de mini-museu com alguns objetos e móveis usados pelos primeiros membros da família Lorenção que chegaram em Venda Nova.

Sitio Lorenção

Definitivamente, você não pode sair de Venda Nova sem experimentar o socol do Sítio Lorenção. Mais do que isso. Você não pode sair de Venda Nova sem ganhar um abraço da Tia Cacilda.

Sitio Lorenção

Eu ganhei o meu!

Informações úteis

Sítio Lorenção

Plantação de brócolis, lichia, licro Limoncello, socol e antepastos.

Endereço: Tapera, às margens da BR 262 (orientar-se pelas placas)

Contato: (28) 3546-1130 / 9982-3448

E-mail: socollorencao@hotmail.com

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18
set
2013

Fazenda Carnielli: o agronegócio do agroturismo de Venda Nova

Fazenda Carnielli

Quem mora no Espírito Santo certamente conhece os produtos da Fazenda Carnielli. Pelo menos aqui na Grande Vitória, eles são facilmente encontrados nas gôndolas dos principais supermercados. E são tantos e tão variados que, quem não se dá conta da procedência, até pode pensar que se trata de mais uma multinacional da indústria de alimentos. :-D

Mas não. A Fazenda Carnielli, de Venda Nova do Imigrante, não é (ainda) nenhuma multinacional da indústria de alimentos. Ela é “só” mais uma propriedade rural da região que fez do seu agroturismo quase um agronegócio. O que começou com o trabalho solitário de um imigrante italiano e sua família na propriedade rural que eles adquiriram no finalzinho do século XIX, hoje se tornou um dos maiores cases de sucesso do agroturismo capixaba com inúmeros canais de distribuição da produção e pontos de venda no Estado.

Fazenda Carnielli

O começo dessa história se deu lá em 1888 com a vinda do patriarca Domenico Carnielli para o Brasil. Como outros conterrâneos, ele saiu de Conegliano, na província de Treviso, no Vêneto, norte da Itália, para se fixar em São Pedro do Araguaia, município de Alfredo Chaves. Pouco tempo depois, em 1891, ele comprou um lote de terras onde hoje está situada a Fazenda Carnielli, em Venda Nova do Imigrante. Dela ele retirava todo o necessário para a subsistência da família, vencendo a precariedade de acesso e de infraestrutura da região na época.

No entanto, foi em 1993 que a Fazenda Carnielli verdadeiramente prosperou na forma de turismo rural. Nesse ano, os descendentes do Sr. Domenico abriram as porteiras de sua propriedade para receber as pessoas interessadas em conhecer – e comprar – os produtos que eles fabricam. De lá pra cá, o negócio cresceu tanto que hoje a fazenda chega a receber mais de 1.000 turistas por semana. E o resultado disso, você já sabe: o que era agroturismo virou praticamente um agronegócio. :-D

Pedro Carnielli, um dos netos de Domenico

Pedro Carnielli, um dos netos de Domenico

Esse é só um resumo da história que eu ouvi da boca de Pedro Carnielli, neto do Sr. Domenico, no dia em que eu visitei a sede da Fazenda. Ao lado do pai Domingos e de outros 3 irmãos, é ele que toca o negócio hoje em dia e que, provavelmente, vai te receber na lojinha para um bate-papo.

Fazenda Carnielli

Na lojinha da Fazenda Carnielli, você vai se impressionar com a diversidade e profissionalização da propriedade. Eles produzem de tudo um pouco: queijos, cafés, fubá, embutidos (inclusive, socol), pães, doces, iogurtes, entre outros.

Fazenda Carnielli

Fazenda Carnielli

Fazenda Carnielli

Mas queijos e cafés são as especialidades dos Carnielli. É aí que o lado “agronegócio” da Fazenda fala mais alto. Tem café 100% arábica, café torrado e moído, café em grão para espresso, queijo minas, queijo minas frescal, ricota, resteya, parmesão, morbier e provolone. Tem até queijo sem lactose para a alegria dos intolerantes.

Fazenda Carnielli

Fazenda Carnielli

Tá certo que, com esse lado “agronegócio” em franca expansão, a produção dos Carnielli já não é mais tão artesanal como outrora. Como o próprio Pedro me confessou, para manter essa linha de produção comercial intensa muita coisa hoje é terceirizada e adquirida de outros produtores rurais da região. Por isso, ao contrário de outras propriedades do agroturismo de Venda Nova, nos Carnielli você não terá a oportunidade de conhecer o processo produtivo. É que, como me explicou o Pedro, “existem normas rigorosas de higiene impostas pela Vigilância Sanitária”.

Ali, nos Carnielli, você vai para conhecer a história da família e, principalmente, para degustar e comprar os produtos que fizeram a fama da Fazenda.

Fazenda Carnielli

Informações úteis:

Fazenda Carnielli

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 4 – Providência.

Contato: (28) 3546-1272 ou (28) 3546-3152 (Lojinha)

Horário de atendimento: segunda a sábado, de 08h às 17h30; domingo, de 08h às 16h30.

Site: www.carnielli.com.br

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15
set
2013

O agroturismo de Venda Nova do Imigrante

(Não, gente! Esse blog não morreu, não. Ele anda beeeeem paradão, eu sei, mas é por pura falta de tempo do blogueiro. Digamos que o Rotas está numa fase mais slow motion na frequência de post desde que a sua irmã mais nova veio ao mundo. :-D Mas com o fim do meu mais recente compromisso acadêmico, as coisas tendem a melhorar. É esperar pra ver!)

Venda Nova do Imigrante

Como eu falei nesse post, o agroturismo é a maior riqueza de Venda Nova do Imigrante. Em algum lugar do passado, alguém teve a ideia de unir o útil ao agradável e fazer do seu próprio ganha-pão uma atração turística rentável. Veja bem. É claro que a coisa não foi assim tão simplória e fácil, como eu faço parecer. Muita gente teve que suar a camisa e se empenhar horrores para chegar ao atual nível de profissionalização e sustentabilidade da atividade. Mas, pra resumir essa história toda, digamos que, de uma hora pra outra, o dia-a-dia nas fazendas de Venda Nova passou a despertar o interesse de quem visitava a região.

O marco oficial desse resumo é 1987. Segundo os registros históricos da enciclopédia Google, foi nesse ano que surgiu oficialmente o termo agroturismo em Venda Nova do Imigrante. Desde então, ele não parou mais de crescer. Cresceu tanto que, em 2006, a cidade ganhou o título de capital nacional do agroturismo pelas mãos da Associação Brasileira de Turismo Rural e virou referência nesse tipo de atividade.

Devo lembrar que Venda Nova foi fundada por imigrantes italianos que, desde o final do século XIX, vieram para o Espírito Santo em busca de novas oportunidades de vida. Aqui eles adquiriram propriedades rurais, de onde retiravam a sua subsistência. Mas o que esses imigrantes jamais poderiam imaginar é que, anos depois, o seu modo artesanal de produção agrícola viraria uma atração turística altamente rentável para seus descendentes.

Família Busato

Hoje, quem visita Venda Nova tem inúmeras opções de imersão no agroturismo. Você pode lotar a sua despensa com produtos caseiros como queijos, vinhos, biscoitos, pães, massas, doces e antepastos, nas várias lojinhas espalhadas pela cidade. Pode conhecer orquidários, plantações de flores e visitar lavouras de hortifruti como morango, goiaba, uva e lichia, nos quais você pode colher a fruta e comer ali mesmo. Pode apreciar ou comprar o café plantado e colhido na região nas inúmeras fazendas de produtores que abrem suas portas para visitantes. Pode visitar alambiques e experimentar cachaças. E pode conhecer e levar pra casa o famoso socol, embutido a base de carne de porco, que foi trazido pelos imigrantes italianos e, depois, completamente adaptado nas cozinhas de Venda Nova.

Só para você ter uma ideia, o circuito turístico do agroturismo oficialmente divulgado pela Secretaria de Turismo do Governo do Estado na página www.descubraoespíritosanto.es.gov.br conta atualmente com 18 estabelecimentos. São eles:

1) Altoé da Montanha

Produção de pães, bolos, biscoitos e doces em geral.

Endereço: BR 262, km 101 – Tapera.

Contato: (28) 9915-9922 / 9955-2085

O artesanato da Claudia

O artesanato da Claudia

2) Artesanato da Cláudia (leia mais aqui)

Artesanato de madeira de café, cestas e decorações.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 1 – Providência.

Contato: (28) 3546-1128

3) Artesanato em Mármore e Granito

Oficina e venda de souvenirs de mármore e granito.

Endereço: São João de Viçosa.

Contato: Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer – (28) 3546-3062

4) Artesanato Voluntário do HPM

Fabricação e comercialização de produtos artesanais.

Endereço: R. das Bouganville, 50. Anexo ao Hospital.

Contato (28) 3546-1470

Site: www.voluntarias.org.br

5) Casa Vecchia

Visita a plantação de goiaba e flores. Venda de produtos caseiros: doces, compotas, goiabada cascão e antepastos.

Endereço: Tapera

Contato: (28) 3546-3963

Email: casavecchia@hotmail.com

Os queijos da Família Busato

Os queijos da Família Busato

6) Família Busato / Cachaça Temosinha

Café, queijos, feijão, fubá e condimentos. Visita ao alambique, degustação e derivados.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 4,5 – Providência.

Contato: (28) 3546-1956

Os queijos da Família Carnielli

Os queijos da Família Carnielli

7) Fazenda Carnielli

Café 100% Arabica, lavoura e torrefação, queijos, fubá e etc.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 4 – Providência.

Contato: (28) 3546-1272

Site: www.carnielli.com.br

8) Fazenda Saúde

Restaurante com fogão à lenha, lago pesque/pague e grande área de lazer.

Endereço: BR 262, km 98, entrada da Rodovia dos Produtores ou Rodovia Pedro Cola, km 4 – Providência.

Contato: (28) 3546-1528

9) Loja do Agroturismo

Produtos artesanais dos associados do Agrotur

Endereço: Margens da BR 262.

Contato: (28) 3546-2317

Site: www.agroturismo.com.br

Email: agrotur@agroturismovendanova.com.br

As orquídeas do Caliman

10) Orquidário Caliman (leia mais aqui)

Cultivo e comercialização de orquídeas espécies melhoradas geneticamente.

Endereço: Estrada da Lavrinha, km 01.

Contato: (28) 3546-1136

11) Pronova – Coopetativa dos cafeicultores

Conheça o processo de classificação do Café Arábica. Visitação a Casa do Café com degustação do café expresso, fotos e objetos antigos.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 1 – Providência.

Contato: (28) 3546-1069 / 3546-3954

Email: pronova@uol.com.br

12) Sítio Ambrosim

Lago para pesca, campo de futebol, bocha, trilhas e área para churrasco e eventos.

Endereço: BR 262, km 111,5 – Cachoeira Alegre – São João de Viçosa

Contato: (28) 3546-6635

Email: sitioambrosim@gmail.com

13) Sítio e Adega Tonole

Visita ao parreiral e produção de vinhos e produtos caseiros.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 4 – Providência.

Contato: (28) 3546-1811 / 9986-8421

O Socol da Família Lorenção

O Socol da Família Lorenção

14) Sítio Família Lorenção

Plantação de brócolis e lichia, licor Limoncello, socol e antepastos.

Endereço: Tapera.

Contato: (28) 3546-1130 / 9982-3448

Email: socollorencao@hotmail.com

15) Sítio Guaçú-Virá

Hospedagem com alimentação, trilhas ecológicas, laboratório de práticas sustentáveis e energias alternativas.

Endereço: BR 262, km 98 – São José do Alto Viçosa.

Contato: (28) 3546-1436 / (27) 9983-1765

Site: www.guacuvira.org.br

16) Sítio Morango Gagno

Visita ao plantio e a produção de derivados do morango.

Endereço: Rodovia dos Produtores – Alto Caxixe.

Contato: (28) 3546-5198

17) Sítio Retiro do Ipê – Família Brioschi

Comercialização de vinhos, socol e defumados.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 6 – Providência.

Contato: (28) 3546-1024 / 9886-1015

Os produtos caseiros da Tia Cila

Os produtos caseiros da Tia Cila

18) Tia Cila (leia mais aqui)

Visita a capelinha de São José e venda de produtos caseiros: biscoitos, macarrão, pães.

Endereço: Rodovia Pedro Cola, km 1

Contato: (28) 3546-1581

Mas, além destes, há outros catalogados pela Prefeitura de Venda Nova e destacados no mapa turístico que você pode baixar através deste link ou retirar pessoalmente na lojinha oficial do agroturismo, que fica bem no começo da cidade, no meio da BR 262.

Nos próximos posts, você vai conhecer três das mais conhecidas fazendas do agroturismo de Venda Nova. Aguardem!

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