placas instagram foursquare googleplus feed facebook twitter
17
jan
2017

Pousada dos Cocais: uma autêntica pousada de praia pé na areia no Espírito Santo

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Nos primórdios desse blog, eu deixei registrado aqui por 2 vezes o meu manifesto contra a ocupação desordenada do litoral capixaba (leia aqui e aqui). Nesses posts, eu protestei – e ainda protesto – contra um certo modelo de desenvolvimento econômico que optou por favorecer a industrialização e urbanização da nossa faixa litorânea, sem se preocupar em reservar áreas de preservação ambiental. Como eu disse aqui, não há nenhum outro Estado da nossa federação que espalhe tantas indústrias em diferentes faixas de um litoral relativamente pequeno. E, infelizmente, os exemplos que eu citei em 2011 só aumentaram de lá pra cá. =(

Só para você ter uma dimensão desse problema, atualmente o Espírito Santo tem 16 unidades de conservação em âmbito estadual. Ao todo, elas protegem 0,8%, repito, 0,8% (!!!!!) do nosso território. E, dessas, apenas 7 estão no litoral: Parque Estadual de Itaúnas, APA de Conceição da Barra, APA de Praia Mole, Parque Estadual Paulo César Vinha, APA de Setiba, Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Concha D’Ostra e APA de Guanandy (fonte: IEMA).

Não é à toa, portanto, que o nosso litoral seja tão “urbano” e bem pouco “rústico”. Guardadas as devidas proporções e ressalvadas as honrosas exceções (alô, Itaúnas! alô, Regência!), o que se vê de norte a sul no litoral capixaba é a reprodução daquele modelo de ocupação urbana que prevaleceu em Guarapari: “cimentização” ampla e irrestrita da orla, com pouquíssima ou nenhuma preocupação com a preservação do meio-ambiente local. O resultado disso foi uma devastação implacável à beira-mar. Guarapari, por exemplo, dono do litoral mais bonito do Estado, conta apenas com 1, eu disse, 1 (!!!!) área de proteção ambiental municipal: o Morro da Pescaria, curiosamente, um lugar bastante improvável para a especulação imobiliária. Nem mesmo regiões mais afastadas da cidade, que já foram redutos de praias tranquilas e de vegetação abundante, como a Enseada Azul e as Três Praias, vem resistindo à ação predatória das construtoras (leia aqui e aqui).

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Esse perfil urbano do litoral capixaba traz um claro prejuízo à consolidação do turismo na região costeira do Estado. Eu me refiro aqui ao turismo de âmbito nacional, claro. Fica realmente difícil convencer um morador de uma grande cidade brasileira a passar férias numa “mini-grande-cidade-de-praia” do Espírito Santo se, aqui, ao invés de fugir dos transtornos urbanos do dia-a-dia, ele vai vivenciá-los em menor escala. Sabe aquela coisa de fugir para uma praia bucólica, selvagem e sossegada? Pois então. Isso é meio raro por aqui. Infelizmente.

(Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais eu vejo mais potencial turístico nas montanhas capixabas do que no nosso litoral. Não tem jeito. Pelo menos até agora, as nossas montanhas oferecem um atrativo turístico verdadeiramente genuíno para quem vem de fora: a beleza cênica da natureza ainda exuberante e a força do seu agroturismo)

Mas tem um outro efeito desse perfil urbano da costa capixaba que, para mim, que moro aqui no ES, é ainda mais nefasto: o padrão urbano da hotelaria de praia. Tão difícil quanto achar uma praia bucólica, selvagem e sossegada é achar uma pousada de praia que reproduza exatamente a sensação de estar em um lugar bucólico, selvagem e sossegado. Não é só o nosso litoral que é pouco rústico; a hotelaria de praia capixaba também é. Inexplicavelmente, não há nenhum esforço dos donos de hotéis e pousadas em compensar essa falta de rusticidade da paisagem local com a ambientação dos seus estabelecimentos. A regra, por aqui, é ser insosso, é ser esteticamente sem-graça. E no rastro dessa ótica bem pouco inteligente, a hotelaria de praia capixaba segue num ocaso sem fim. Procura aí no Google uma lista com as melhores pousadas de praia do Brasil pra você ver. Não há uma única, em qualquer site que seja, que esteja à beira-mar no Espírito Santo.

Mas o objetivo desse post, acredite, não foi fazer mais um manifesto sobre a ocupação desordenada do litoral capixaba. Na verdade, eu vim aqui apresentar pra vocês uma pousada de praia que – thanks, God! – sobrevive como uma doce antítese desse padrão que eu apresentei aí em cima. Uma pousada que, justamente por ser uma exceção nesse padrão geral da hotelaria de praia capixaba, se revelou pra mim como a maior surpresa do turismo de praia do Espírito Santo: a Pousada dos Cocais, em Aracruz.

Pousada dos Cocais

Se você não for do Espírito Santo, talvez nunca tenha ouvido falar em Aracruz. Mas é bom prestar mais atenção nela. Apesar de pouco conhecida, Aracruz abriga um dos mais belos e mais preservados conjuntos de praia do litoral capixaba. Há uma razão geopolítica para essa dose extra de preservação da vegetação litorânea. É que, desde meados do século XX, a sede do município foi transferida para o interior do território, afastando-se da costa. Além disso, a ação conjunta dos governos federal e municipal permitiu a criação, na cidade, de 5 áreas de preservação ambiental costeiras (quase o mesmo número de unidades de conservação litorâneas que o governo estadual mantém em todo o Espírito Santo): o Parque Natural Municipal David Victor Farina, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, a APA Costa das Algas, o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz e a Estação Biológica Marinha Augusto Ruschi. Isso faz toda a diferença na paisagem local. Entre um distrito e outro da cidade, há quase sempre espaços verdes bem preservados à beira-mar.

Fonte: Google Earth

Fonte: Google Earth

E é justamente num desses espaços verdesque se instalou a Pousada dos Cocais. Ali, num ponto quase desabitado da chamada Praia do Sauê, a Pousada dos Cocais proporciona ao seu hóspede uma experiência que, como eu disse, é rara no litoral capixaba: a de se hospedar numa pousada que reproduza a sensação de estar em uma praia bucólica, selvagem e sossegada. Fala que não é uma surpresa?

Reserve seu hotel em Aracruz pelo Booking.com

Essa sensação de isolamento é facilitada pela ausência de vizinhos próximos da pousada. A frente do terreno começa nas imediações do córrego do Sauê e se estende por uma faixa de terra de 1.700 metros paralela à areia, fazendo com que esse pedaço da praia seja bem pouco frequentado por banhistas que não sejam hóspedes. Eu, por exemplo, me hospedei lá nesse último final de semana (janeiro de 2017) e não vi quase ninguém na praia. Nem parecia que era altíssima temporada do verão capixaba!

Pousada dos Cocais

Por outro lado, o cenário da praia do Sauê é lindo, com destaque para a vegetação de restinga abundante nesse trecho. Abundante também é a população de siris e tatuís que circulam pela praia no início da manhã e final da tarde. Eles, provavelmente, serão suas únicas companhias numa caminhada pela areia para assistir ao pôr-do-sol. E a visão que você vai ter é essa aí:

Praia do Sauê

Tudo bem que, com um cenário tão privilegiado ao redor, nem precisava de muito para a Pousada dos Cocais me conquistar. Mas ela ainda assim me conquistou, especialmente pelo esforço de se destacar do padrão normal da hotelaria de praia capixaba. Veja bem. Não é que ela seja perfeita ou seja uma pousada de praia dos sonhos. Não é. Mas, diante da mesmice que impera nas bandas de cá, eu não poderia deixar de louvar um pousada que, pelo menos, tenta remar contra a maré.

Pousada dos Cocais

A começar pela rusticidade das instalações. Dos materiais usados na construção dos espaços da pousada aos móveis usados na decoração, houve uma preocupação em se integrar à paisagem local.

Pousada dos Cocais

A decoração dos quartos é simples, mas ajustada à proposta de ser um refúgio num lugar de puro sossego. Nas varandas, você pode passar o dia todo deitado numa rede lendo um livro ao som do canto dos pássaros ou das ondas do mar.

Pousada dos Cocais

Interior da Suíte Especial

Se a coisa ficar monótona demais, não tem problema. Você pode aproveitar a piscina ou a praia que está a poucos passos da pousada.

Pousada dos Cocais

Aliás, esse é o maior trunfo da Pousada dos Cocais, na minha humilde opinião: ela é uma autêntica pousada de praia pé na areia. Uma pontezinha de madeira, construída sobre a restinga, é a única coisa que separa você do mar.

Pousada dos Cocais

Você pode acordar e caminhar na praia, tomar café e ir pra praia, almoçar e voltar pra praia, tirar uma soneca da tarde e, porque não?, dar mais um pulo na praia, jantar e ainda se dar ao luxo de ver o céu estrelado numa praia praticamente deserta. Como eu disse, essa é uma experiência rara no litoral capixaba.

Pousada dos Cocais

Tá certo que a experiência poderia ser ainda mais completa se a pousada disponibilizasse cadeiras e barracas de praia (um lounge, talvez?) aos hóspedes e se o restaurante – que abre para o almoço e jantar – também atendesse os hóspedes na areia. Essa, talvez, seja a minha maior crítica a ela. Pode até ser coisa de turista preguiçoso e mal-acostumado… mas, numa praia quase deserta, ter a comodidade de um serviço à beira-mar faria toda a diferença. #ficaadica

O restaurante da pousada

O restaurante da pousada

Eu namorava a Pousada dos Cocais há bastante tempo, desde que comecei pesquisar sobre o turismo de Aracruz para pautar aqui no Rotas. Mas foi só nesse último final de semana que nós nos programamos para ir com uma turma de amigos, aproveitando que, no momento, eles estão oferecendo 30% de desconto sobre a tarifa normal. R$329,00 era o preço da diária no quarto standard (com café da manhã). R$480,00, na suíte especial, com banheira de hidromassagem. Adivinha qual a Renata escolheu? =)

Pousada dos Cocais

O valor da diária não é nada barato, eu sei. Mas, comparativamente a outras pousadas de praia do estado, que não oferecem o mesmo nível de experiência da Cocais, o preço se revela justo. R$480,00 é, provavelmente, o valor mais em conta que você pagará no Espírito Santo por uma suíte com hidromassagem. E nem todas vão te entregar uma vista tão privilegiada assim:

Pousada dos Cocais

No final das contas, o investimento não foi em vão. Valeu pela experiência de uma hospedagem pé na areia no Espírito Santo. Que o exemplo da Pousada dos Cocais inspire novos estabelecimentos a mudar o padrão médio de hospedagem no litoral capixaba.

Informações úteis:

Pousada dos Cocais

Endereço: Rodovia ES-010, s/n, Praia do Sauê, Aracruz

Telefone: (27) 3250-1515 / 3250-1626

Site oficial: http://www.cocais.com.br/index2.php

* Todas as despesas de hospedagem na Pousada dos Cocais foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

_______________________________

Siga o “Rotas” no Twitter e Instagram

Curta o “Rotas” no Facebook

14
nov
2016

Sevilha: razões para amar

Sevilha

Confesso que Sevilha não estava nos planos iniciais da viagem que fizemos à Espanha nas nossas férias desse ano. Depois de uma pesquisa superficial sobre o país, eu tinha chegado a 2 conclusões: a) a Andaluzia merecia uma viagem específica, inteiramente dedicada à região; e b) para diminuir o nosso deslocamento e o troca-troca de hotel, nossas bases se limitariam a Madri e Barcelona.

Por isso, Sevilha quase foi descartada.

“Quase” porque, aos 45 minutos do 2º tempo do planejamento da viagem, uma conversa que tive com a Poliana Cardoso, do blog Comendo Chucrute e Salsicha, num providencial almoço de blogueiros aqui em Vitória me fez reavaliar definitivamente aquela decisão. Com a autoridade de quem morou por um tempo na cidade, ela fez tantos elogios e recomendou tanto a inclusão de Sevilha no meu roteiro que eu me convenci. Refiz os cálculos e considerei viável dedicar 3 noites – das 18 que nós teríamos na Espanha – a Sevilha. Tal qual fizemos com Florença em nossa viagem à Itália, Sevilha seria uma espécie de aperitivo da Andaluzia, só para deixar aquele gostinho de quero mais.

Sevilha

E como eu agradeci à Poliana por esse empurrãozinho!

Por tudo o que eu já havia lido sobre a Andaluzia e, especialmente, sobre Sevilha, eu já sabia que ia gostar da cidade. Eu só não sabia que ia gostar com a intensidade que eu verdadeiramente gostei. Mesmo com a expectativa devidamente ajustada para conhecer uma cidade que tem todos os atrativos turísticos que me agradam, Sevilha foi capaz de me arrebatar com um conjunto de circunstâncias aleatórias que, definitivamente, fizeram toda a diferença.

Em primeiro lugar, o clima.

Sevilha

Para quem vinha de um tempo bem instável em Madri, chegar sob o céu azul de Sevilha foi reconfortante. O calor – nem tão escaldante – de 30º foi suficiente para derreter os nossos corações. Como foi bom dispensar as camadas de roupa e andar de blusa de malha e bermuda em pleno outono europeu!

A gente reclama do sol e do calor tropical, mas não tem nem ideia de como eles fazem toda a diferença na nossa disposição e no nosso humor cotidiano. Passar pelo calor de Sevilha foi uma espécie de paradinha estratégica para repor as doses de vitamina D no corpo pós-Madri e antes de seguir para Barcelona. 😉

E o calor de Sevilha veio no encalço de uma luminosidade diurna que fazia a cidade brilhar feito ouro, especialmente ao entardecer. Eu entendi imediatamente porque Sevilha também é conhecida como cidade dourada!

Sevilha

Em segundo lugar, a beleza do centro histórico.

Sevilha

Sevilha não é propriamente uma cidade pequena. Na verdade, ela é a quarta maior cidade da Espanha. Mas, para fins turísticos, o centro histórico da cidade, junto com os bairros de Santa Cruz e Triana, costumam ser mais do que suficientes para uma experiência de introdução aos cenários encantadores da Andaluzia.

Sevilha

A região turística da cidade é facilmente percorrida a pé. Isso é uma grande vantagem de Sevilha porque boa parte do seu encanto está nas ruelas quase escondidas, nas fachadas, pátios e jardins dos casarios antigos e nas praças. Ficamos 2 dias inteiros na cidade e, confesso, nem a Triana eu fui. Fiquei tão encantado com a arquitetura singular da região central da cidade, que rodei praticamente em círculo, percorrendo quase sempre as mesmas ruas e quarteirões.

Sevilha

Quando eu falo em arquitetura singular, eu me refiro àquele elemento absolutamente inusitado que fez a fama da Andaluzia: a arte mudéjar e sua influência islâmica, principal legado dos tempos em que os mouros dominavam a região. Em alguns lugares, o cenário é tão incrivelmente “muçulmano” que você chega a duvidar que está na Europa.

Nesse ponto, nada se compara às paredes e os tetos tipicamente islâmicos dos ~ incríveis ~ aposentos do ~ impressionante ~ Palácio de Don Pedro, parte integrante do ~ magnífico ~ Real Alcázar de Sevilha, um lugar em que todo e qualquer superlativo se faz necessário. Não por acaso, o lugar é um dos 3 patrimônios da humanidade que a Unesco declarou em Sevilha (os outros 2 são a Catedral e o Arquivo das Índias).

Sevilha

Sevilha

Você também vai se sentir num pedacinho da África moura ou da Arábia quando se deparar com um pátio ou jardim tipicamente sevilhano (ou andaluz), como esse do Restaurante e Hotel El Jardin de las Tapas:

Sevilha

A arte mudéjar é só o aspecto mais exótico – pelo menos pra nós, ocidentais – de uma cultura que também conta com influência do cristianismo e do judaísmo. Do primeiro, Sevilha herdou suas belas igrejas, com destaque para a suntuosa Catedral, considerada a maior igreja gótica do mundo.

Sevilha

Da cultura judaica, no entanto, pouco se vê. A maioria das sinagogas e edifícios judaicos foram demolidos após a expulsão dos judeus da Espanha, no final do século XV. A expressão mais visível da antiga judería – localizada onde hoje é o bairro de Santa Cruz – é a estética urbana de ruelas e praças.

Sevilha

Andar por ali, aliás, foi uma das coisas mais prazerosas que fiz na cidade. Descobrir que o Google Maps estava certo e que o caminho prosseguia por um beco estreito e quase invisível era bem divertido.

Sevilha

Em terceiro lugar, o jeito kids-friendly de ser. 

Sevilha

A verdade é que a gente não precisou se esforçar nadinha para que Sevilha caísse nas graças da Maria. Bastou ela avistar o primeiro cavalo puxando uma charrete pelas ruas da cidade e pronto! A pessoinha não falava em outra coisa. 😉

Mais kids-friendly do que um city-tour em cima de uma charrete, impossível.

Sevilha

 Mas isso é só uma pequena amostra do quão acolhedora a cidade é para as crianças. Pra começar, Sevilha se transforma facilmente num reino encantado quando a criança se dá conta de que há um castelo medieval bem no meio da cidade (o Alcázar).

Sevilha

Foi bem fácil convencer a Maria a explorar aquele reino logo no dia da nossa chegada. Eu nunca vou me esquecer dessa tarde, em que andamos sem rumo pelas ruelas do bairro Santa Cruz.

Sevilha

O entusiasmo com Sevilha era tão grande que, no dia seguinte, até banho de fonte a gente tomou. 😉

Sevilha

O passeio de barco na Praça Espanha foi outro programa que a Maria adorou e que nos proporcionou um ótimo programa em família.

Sevilha

Bem pertinho da praça, o Parque Maria Luísa, o Aquário de Sevilha e a roda-gigante La Noria são outros lugares sempre recomendados para crianças, mas que nós não tivemos tempo de conhecer.

Mas, se tem uma coisa capaz de provocar um encantamento inesperado nas crianças, essa coisa é o flamenco. Pelo menos, foi assim com a Maria. Não sei se foi o figurino, a elegância dos passos ou o barulho do sapateado, mas alguma coisa atiçou a curiosidade dela desde o seu primeiro contato com a dança. Ela ficou paralisada, por vários minutos, dentro do Museu do Baile Flamenco assistindo a uma aula de flamenco.

Sevilha

Lá dentro, numa sala que simulava um show virtual de flamenco, com projeções de cenas contínuas da dança na parede, não demorou muito para Maria deixar a timidez de lado e se render à música. Ela ficou alguns bons minutos improvisando passos de flamenco como se fizesse parte do elenco de bailarinas que se revezavam na parede.

Sevilha

Enquanto eu e Renata assistíamos calados, com aquele olhar abobado, ao show da Maria, a gente intuitivamente agradecia Sevilha por nos proporcionar a melhor lembrança de toda a viagem.

Sevilha

À noite, durante a apresentação do tradicional show de flamenco, o receio inicial do escuro e do ambiente nada familiar logo deram espaço ao olho arregalado, à inquietação do corpo e àquele monte de perguntas que uma criança faz quando a curiosidade lhe invade.

Sevilha

Em quarto e último lugar, o nosso hotel.

Sevilha

Aquele conjunto de circunstâncias aleatórias que favoreceram o nosso encantamento por Sevilha também inclui o nosso hotel. Isso eu não posso negar. Ficar no Murillo Suites fez toda a diferença na nossa experiência de viagem.

Na verdade, o Murillo Suites é um prédio de apartamentos pertencente ao Hotel Murillo. Não há recepção no local, mas todo o suporte é dado pelos funcionários do hotel, que fica bem próximo.

A suíte é incrivelmente espaçosa, com 4 ambientes: cozinha, sala, quarto e banheiro. Tudo decorado com bom gosto e extremo conforto.

Sevilha

Embora você tenha tudo à disposição para preparar sua própria comida, o café da manhã está incluído na diária (assim como as bebidas do frigobar). Você tem 2 opções: ir até o hotel para tomar o café da manhã no restaurante ou pedir um café continental no próprio quarto. Mais uma vez, Sevilha foi gentil comigo. Me livrou da preocupação com o desjejum e me permitiu dormir até mais tarde.

Olha que mordomia! 😉

Mas incrível, incrível mesmo é a localização do hotel: bem em frente ao Real Alcázar de Sevilha. A visão da nossa suíte era essa:

Sevilha

Era abrir a janela para interromper o silêncio que reinava no quarto com a vista dos 2 maiores símbolos de Sevilha: o Alcázar e a Catedral.

Talvez, essa reunião de circunstâncias aleatórias tenha favorecido fortuitamente a avaliação de Sevilha na nossa viagem. Nunca se sabe. Mas eu não poderia deixar de retribuir com muito afeto uma cidade que, recorrentemente ou não, me deu tantas razões para amar.

06
nov
2016

Pousada Pedra Azul: hospedagem com toque de cartão postal

Pousada Pedra Azul

Confesso que sempre torci o nariz para os hotéis-fazenda com regime de pensão completa de Pedra Azul. Não só por uma questão de estilo mesmo, mas principalmente porque eu não via vantagem em pagar caro para deixar de aproveitar uma das coisas que Pedra Azul tem de melhor: a gastronomia local.

Foi por causa dessa implicância que eu sempre evitei a Pousada Pedra Azul nas minhas idas à região. Ela é uma das pioneiras de lá e funcionou por um bom tempo nesse regime de hotel-fazenda com pensão completa. E, além de cara, eu sempre ouvia críticas às refeições servidas, como, aliás, é comum entre os hotéis-fazenda de Pedra Azul (leia aqui a minha experiência na Pousada dos Pinhos).

Mas, para minha grata surpresa, a situação mudou. Descobri isso quando entrei em contato com a pousada no meio desse ano para passar um final de semana em família. Era a celebração dos 40 anos de casamento dos meus pais e meu irmão viria de Brasília com a família para comemorar a data. Estávamos mesmo dispostos a encarar a pensão completa da pousada, cientes de que nosso maior interesse era “estar em família”. Mas eis que, no email com as informações sobre a hospedagem, me deparo com a dupla novidade: a diária, agora, só inclui o café-da-manhã e, por isso mesmo, está bem mais “acessível”.

Pousada Pedra Azul

“Acessível”, ressalte-se, para os padrões da região (leia aqui). Não é que a diária da Pousada Pedra Azul seja barata. Mas, se você considerar que o valor é quase o mesmo da Tre Fiori e menor do que a diária da Recanto da Pedra, vai ter que concordar comigo: os R$415,00 que você paga na Pedra Azul (valor para 2 diárias) são muito mais bem pagos do que os R$400,00 que você desembolsa na Tre Fiori e os R$420,00 da Recanto.

Veja todas as minhas sugestões de hospedagem em Pedra Azul aqui

Por todas as minhas experiências de hospedagem em Pedra Azul, eu afirmo: na faixa de preço da Pousada Pedra Azul, ela é – disparado – o melhor custo X benefício da região. Eu destaquei a expressão faixa de preço porque, em Pedra Azul, você sabe que o item “vista pra Pedra” é o que mais inflaciona o valor da diária. Por isso, quando eu digo “na faixa de preço da Pousada Pedra Azul“, estou me referindo basicamente às pousadas que tem “vista pra Pedra”.

Acontece que, na Pousada Pedra Azul, o “vista pra Pedra” vem emoldurado por um conjunto cênico imbatível. Ela foi construída em meio à mata nativa e à beira de um lago que, juntos, formam o cartão postal mais famoso da região.

Pousada Pedra Azul

A área da pousada é enorme e a cobertura vegetal foi muito bem preservada. Devemos a isso aquela sensação de entrar num bosque alemão quando se percorre os primeiros 2 km da Rota do Lagarto. Os pinheiros enfileirados e a mata fechada que formam aquele túnel verde sobre a estradinha são obras da preservação ambiental na área de propriedade da pousada. (clap! clap! clap!)

As instalações, por sua vez, dialogam perfeitamente com o ambiente externo. Com projeto assinado pelo famoso arquiteto Zanine Caldas, a pousada tem acabamento em madeira, tijolo e vidro, que produzem uma harmonia incrível com a paisagem local.

Pousada Pedra Azul

Com mais de 30 anos de funcionamento, a pousada passou por uma reforma em 2013 para dar uma renovada nos ambientes internos. Não sei como era antes, mas achei tudo muito bonito e confortável.

Pousada Pedra Azul

Os quartos mantém o estilo rústico que se vê em toda a pousada. E, para a felicidade da Renata, as toalhas e roupas de cama eram branquinhas e novas. 😉

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A área de lazer da pousada também chama atenção, principalmente para quem curte aproveitar o hotel. Além do lago, onde se pode praticar pesca esportiva, stand-up paddle e andar de pedalinho, ela também conta com piscina térmica, sauna, academia, quadras de tênis, sala de jogos, mini-cinema e trilhas para caminhadas. Em uma dessas trilhas, é possível ir até o alto de uma pedra para ter uma vista privilegiada do famoso lagarto.

Pousada Pedra Azul

Pousada Pedra Azul

Mas o que a Maria e o meu afilhado, Gustavo, mais gostaram mesmo foi desses cisnes que ficam nadando pra lá e pra cá no lago:

Pousada Pedra Azul

O café da manhã é farto e recheado de produtos da agricultura local, o que eu, particularmente, valorizo. Mediante solicitação e pagamento à parte, eles também servem jantar no esquema buffet (preço fixo para comer à vontade). Nós, porém, acabamos não experimentando essa comodidade.

Pousada Pedra Azul

Como se não bastasse tudo isso, um ato de pura gentileza dos funcionários da pousada fez toda a diferença em nossa passagem por lá. Quando souberam que estávamos lá comemorando os 40 anos de matrimônio dos meus pais, eles não só disponibilizaram itens do café da manhã antes do horário de abertura para que pudéssemos ir à missa local, como ofereceram, como cortesia, um bolo de chocolate especialmente confeccionado para a data quando voltamos da missa para, enfim, tomar café.

A família buscapé

A família buscapé

Sério. Rolou até chororô durante a leitura da mensagem que eles, gentilmente, improvisaram para eu ler em homenagem aos meus pais. =)

Mas nem tudo são flores. Há um grande deslize da Pousada Pedra Azul que eu não posso deixar de comentar. Eles só abrem de sexta a domingo. Fuén fuén fuén! Mas nem dá pra criticar. Se o fluxo turístico na região ainda não justifica a abertura ininterrupta da pousada, que assim seja. É torcer para que essa realidade mude em breve. No que depender do Rotas, propaganda não vai faltar! 😉

(ATUALIZAÇÃO: Recebi um email da Pousada dizendo que houve mudanças na gestão do empreendimento e que, desde novembro, eles passaram a funcionar todos os dias. \o/)

Pousada Pedra Azul

Informações úteis:

Pousada Pedra Azul (http://www.ppazul.com/pt-br/)

End: Rodovia BR 262 – km 88 – Aracê, Rota do Lagarto, Domingos Martins – ES

Telefone: (27) 3248-1101 / (27) 9 8822-1833 / (27) 3248-1101

Email: reservas@ppazul.com

Leia todos os posts de Pedra Azul aqui.

* Todas as despesas de hospedagem na Pousada Pedra Azul foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

_______________________________

Siga o “Rotas” no Twitter e Instagram

Curta o “Rotas” no Facebook

04
jul
2016

Pedra Azul: onde ficar

Pousada do Nonno

Pousada do Nonno

Taí uma das maiores dúvidas dos leitores aqui do Rotas: onde se hospedar em Pedra Azul. Não vou mentir. Venho prometendo há um bom tempo reservar um dia nas minhas passagens por Pedra Azul para visitar o maior número possível de pousadas da região e assim ter a tranquilidade e o conhecimento necessários para fazer um guia completo de hospedagem, com a credibilidade de quem conheceu os locais citados. Mas esse dia nunca chega.

Daí que, para preencher momentaneamente esse vácuo e encerrar a Série Especial sobre Pedra Azul, eu resolvi lançar uma lista resumida e provisória das pousadas que eu recomendo. Digo provisória porque, um dia, a promessa que eu mencionei ali em cima vai se realizar. E, nesse dia, eu voltarei aqui para atualizar a lista com impressões mais reais e pessoais sobre aqueles locais que eu recomendei sem ter visitado. Podem me cobrar! 😉

Para fazer a lista, selecionei pousadas dos mais variados perfis, oscilando entre as mais simples (e baratas) e mais sofisticadas (e caras). A sequência das indicações seguirá a ordem crescente dos preços das diárias. Para tanto, tomei como parâmetro o valor da diária para casal no quarto mais simples disponível num final de semana de julho ou agosto de 2016 (alta temporada).

Devo fazer apenas um alerta. Quanto mais perto da Pedra Azul, maior o preço da diária. Especialmente se a pousada tiver “vista pra Pedra”. Esse fator pesa na composição do preço, mesmo que ele não venha acompanhado da qualidade e do conforto que se esperam pelo valor do investimento. Isso, infelizmente, é uma constante na região. Paga-se caro pela diária apenas pela tal “vista da Pedra Azul”, sem que a estrutura da pousada realmente valha tudo isso.

Mas chega de enrolação. Vamos à lista!

Reserve seu hotel em Pedra Azul pelo Booking.com

1) Pousada do Nonno

Pousada do Nonno

A mais econômica das pousadas recomendadas é uma das minhas preferidas (juro que não é pão duragem!!!). Já fiquei nela várias vezes nos últimos anos (2 vezes só este ano) e sempre fico satisfeito. O baixo custo aqui não tem nada a ver com desleixo ou “abrir mão do conforto”. É só pela distância mesmo. Ela fica na entrada de Venda Nova, a cerca de 10 km da Rota.

A Pousada foi instalada na sede da antiga fazenda da família de imigrantes italianos. No casarão antigo e bem-conservado, 3 suítes dividem o espaço com a casa dos donos (que ainda moram por lá), a cozinha e o salão do café. Atrás do casarão, foram construídos 3 chalés, com 2 suítes independentes cada.

Pousada do Nonno

O chalé

A área externa é super bonitinha, com um jardim bem cuidado e uma casinha de madeira onde as crianças adoram brincar. Um avarandado anexo ao casarão serve de sala de estar, com redes, mesas e cadeiras.

Pousada do Nonno

O café da manhã é simples, mas bem gostoso. Destaque para a polentinha que eles servem na chapa. Não vou negar que essa é uma das principais razões para eu gostar tanto daqui. 😉

Pousada do Nonno

Pousada do Nonno

Diária: R$180,00, com café da manhã.

Localização: BR 262, km 102, Tapera, Venda Nova do Imigrante.

2) Pousada Ponta da Pedra

Pousada Ponta da Pedra

A Ponta da Pedra também é uma opção econômica de hospedagem em Pedra Azul. Ela fica no distrito de Aracê, a cerca de 2 km da entrada da Rota do Lagarto, de onde se vê apenas a “ponta da pedra” (daí o nome).

Pousada Ponta da Pedra

Estive nela recentemente. As acomodações ficam em chalés construídos ao redor do casarão principal, onde fica o salão do café, a sala de jogos e a piscina.

Pousada Ponta da Pedra

A estrutura externa é bonita, mas a ambientação dos quartos é bem simples.

Diária: R$220,00, com café da manhã.

Localização: BR 262, km 87, Distrito de Aracê, Domingos Martins.

3) Pousada Lago da Lua

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

É uma das pousadas mais novas da região. São só 4 suítes construídas no mesmo espaço do restaurante de mesmo nome.

Não tive oportunidade de me hospedar lá ainda, mas cogito bastante essa possibilidade pelas fotos que vejo e pelas boas referências que tive de amigos que lá estiveram.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

A área externa também chama atenção pelo jardim bem cuidado. Mas não vou negar que o restaurante – onde é servido o café da manhã – não me agradou na última vez em que estive lá. Talvez os pratos sejam mais saborosos, mas a pizza não convenceu.

Está bem próxima do final da Rota do Lagarto, pouco depois do Restaurante Alecrim.

Diária: R$325,00, com café da manhã.

Localização: Rodovia Geraldo Sartorio, km 07, São Paulo do Aracê.

4) Pousada Tre Fiori

Rota do Lagarto

Já me hospedei na Tre Fiori algumas vezes nos últimos anos. Ela tinha tudo para ser uma das melhores pousadas de Pedra Azul. A área externa da pousada é bonita, a arquitetura dos chalés agrada e a localização é imbatível: de frente pra Pedra Azul.

Pousada Tre Fiori

Mas é impossível não se frustrar ao entrar num dos chalés. Não há capricho na decoração dos quartos, que clamam por reforma.

Pousada Tre Fiori

Pousada Tre Fiore

O café da manhã é servido no mesmo espaço do Restaurante Don Lorenzoni Due.

Pousada Tre Fiore

Mas então, porquê eu ainda assim recomendo a Tre Fiori? Por causa da vista. Apesar de achar que a ela não vale quanto custa, ela ainda é a pousada mais “econômica” daquelas que ostentam o “vista para a Pedra Azul” entre os seus itens de série.

Diária: R$400,00, com café da manhã (mas, na alta temporada, eles só fecham pacote com 2 diárias).

Localização: Rota do Lagarto, km 03.

5) Pousada Recanto da Pedra

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Eu me hospedei na Recanto da Pedra há bastante tempo. Lembro que, na época, eu até costumava indicar a pousada como o melhor custo x benefício da região. Mas eu sou obrigado a rever o meu conceito: de lá pra cá, pelo que se vê das fotos do site, não houve melhoria na estrutura da pousada que justificasse o aumento do preço.

Não fosse pela localização privilegiada, o padrão da pousada estaria muito aquém do preço que ela cobra. Tudo é bem simples. Os quartos são espaçosos e confortáveis, mas a decoração continua a mesma da época em que fui.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Só a vista pra Pedra Azul que é mesmo insuperável. A Pousada fica bem ao lado da entrada do Parque Estadual da Pedra Azul, no início da Rota do Lagarto.

Diária: a partir de R$420,00, com café da manhã.

Localização: Rota do Lagarto, km 02.

6) Pousada Peterle

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

A Peterle é a porta de entrada para a Rota do Lagarto. Ela fica às margens da BR 262, no exato ponto em que se inicia a rota.

É uma das pousadas mais antigas da região. As instalações seguem um estilo rústico, onde predominam madeira, tijolo e pedras (não sei se tem a ver com o nome). Os chalés e sobrados (com apartamentos conjugados) ficam espalhados pelo terreno, debruçados sobre o vale. Alguns dispõem de lareira e banheira. Mas a decoração não enche meus olhos.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Pela localização já dá pra saber que a Peterle também oferece “vista pra Pedra Azul”. Tem uma boa área de lazer, com piscinas adulto e infantil, sauna, sala de jogos, play ground, casinha de boneca e trilhas para caminhadas com mirante. Além disso, no local funciona um restaurante, que abre para o almoço (self-service), e um café colonial, que só funciona nos finais de semana e feriados.

Nunca me hospedei lá e, por isso, não posso dizer ao certo o impacto que o alto tráfego de veículos pela BR causam no sossego dos quartos. Mas isso é algo que me intriga e que eu não posso deixar de mencionar (agradeço se alguém souber dizer).

Diária: a partir de R$450,00, com café da manhã.

Localização: Rodovia BR 262, km 88.

7) Chez Domaine Pousada Orgânica

Auto-denominada “pousada orgânica”, a Chez Domaine alia os serviços de uma pousada com as atividades de uma fazenda dedicada à agricultura orgânica. O conceito – como o nome sugere – tem clara inspiração nas “domaines” do interior da França, país onde a proprietária Isabelle nasceu.

Há referências à França por todo o lado.

Chez Domaine

Brasserie Apogeu – onde é servido o café da manhã para os hóspedes – abre também ao público externo para o almoço. O cardápio, com forte influência da gastronomia francesa, privilegia os ingredientes que são produzidos de forma orgânica na propriedade. A produção é vasta: hortaliças, café, champignon de Paris, frango caipira (carne e ovos), cordeiro, gado leiteiro (queijos e manteiga especiais), escargot, abelhas (mel, própolis) e outros. Boa parte deles estão disponíveis também para venda na lojinha que funciona bem na entrada da pousada.

Chez Domaine

As acomodações ficam na parte superior da propriedade. Há opções de apartamentos e chalés, alguns com cozinha compacta e banheira.

Chez Domaine

Foto: Site da Pousada

Nunca me hospedei lá, mas recebi um feedback bem positivo de uma amiga que esteve nela recentemente (valeu, Ju!). Destaque para o chá de cortesia e o “varal” que seca as toalhas, deixando-as quentinha na hora do uso. “Um delicioso ‘regalo’ no frio de Pedra Azul antes de dormir” (palavras da Juliana).

O lazer conta com playground, salão de jogos, academia, sauna, piscina natural, lago para pesca e trilhas.

Chez Domaine

A Chez Domaine fica a 12 km de Pedra Azul, na rodovia que vai para Afonso Cláudio.

Diária: R$460,00, com café da manhã.

Localização: Rodovia ES 165, km 7,5.

8) Pousada Pedra Azul

Pousada Pedra Azul

Foto: Site da Pousada

É uma das pousadas mais antigas e tradicionais de Pedra Azul. Está estrategicamente localizada no km 02 da Rota do Lagarto, com vista privilegiada para a Pedra. São 38 apartamentos projetados pelo arquiteto brasileiro Zanine. O prédio principal – que tem formato de libélula – apresenta detalhes em madeira, que o integram à paisagem local.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Todos os quartos são bem decorados e têm varanda e banheira. Mas só alguns – os mais caros – tem a festejada “vista pra Pedra”.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

A área externa é, talvez, o grande diferencial da Pousada: piscina térmica, sauna, fitness center, quadras de tênis, trilhas para caminhadas na mata, salas de jogos e mini-cinema. Além disso, o belo cenário da mata ao redor é complementado pelo Lago Negro e uma cachoeira com queda livre de 90 metros. Este é o cenário de um dos cartões postais mais famosos da região.

Pousada Pedra Azul

Foto: Site da Pousada

Ainda não me hospedei aqui. Mas irei em breve com a família num final de semana de julho. Quando voltar, venho atualizar as impressões. 😉

O meu review da hospedagem nessa pousada você pode ler aqui.

Diária: a partir de R$600,00, com café da manhã (no pacote com 2 diárias, o valor de cada uma sai a R$415,00 no apartamento mais simples).

Localização: Rota do Lagarto, km 02.

9) Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

Diferente das outras pousadas da lista, a Pousada dos Pinhos trabalha somente no esquema de pensão completa. Ela encarna o tradicional estilo “hotel-fazenda”, cuja proposta é entreter o hóspede com inúmeras opções de lazer.

Já fiz minha avaliação sobre a Pousada dos Pinhos nesse post, onde eu tracei um perfil do seu público-alvo: “quem tem filhos e quer aproveitar a comodidade da recreação infantil ou para quem, mesmo sem filhos, curte o regime de pensão completa, sem se importar com a qualidade da comida“. Para quem vai pela primeira vez à Pedra Azul ou para quem gosta de aproveitar ao máximo o que a região tem de melhor e faz questão de comer bem, eu não a recomendo.

Em todo o caso, para quem procura um “hotel-fazenda”, a Pousada dos Pinhos é uma boa opção.

As suítes estão passando por uma boa repaginada.

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Foto: Site da Pousada

Mas é a área de lazer o maior atrativo da pousada: tem piscina coberta e aquecida (ótima para um banho noturno), piscina descoberta com toboágua, playground, uma ampla brinquedoteca para crianças de até 5 anos, salão de jogos, quadra de esportes, campo de futebol, lago para pesca e pedalinho, trilhas na mata, passeios a cavalo (pagos à parte) e mini-fazendinha.

Pousada dos Pinhos

Quanto à comida… melhor deixar pra lá. 😉

Diária: a partir de R$640,00, com pensão completa (no pacote com 2 diárias o valor de cada uma sai a R$545,00 no apartamento mais simples).

Localização: BR 262 Km 90, Pedra Azul.

10) Pousada Rabo do Lagarto

Pousada Rabo do Lagarto

Já falei sobre a Rabo do Lagarto nesse post. É a nossa autêntica “pousada de charme”, com suítes que mais parecem capas de revista de decoração.

Não por acaso, é a mais cara das pousadas de Pedra Azul. Além do requinte do ambiente, todas as suítes tem vista para Pedra Azul (algumas oferecem ofurô ou banheira). E o café da manhã, uma das grandes estrelas da Rabo do Lagarto, é servido até que o último hóspede se levante, sem hora para terminar.

Foto: Divulgação

Foto: Site da Pousada

Sempre digo que a Rabo do Lagarto é a pousada ideal para uma comemoração especial a dois. Para valer o investimento, o bom mesmo é aproveitar ao máximo a hospedagem por lá, sem se preocupar com deslocamentos e passeios. Vale lembrar que a Rabo do Lagarto foi a precursora do que eu chamei de Rota Romântica capixaba e fica bem próxima dos demais estabelecimentos dessa rota.

Dado o perfil da pousada, eles não aceitam crianças menores de 14 anos.

Diária: a partir de R$833,80, com café da manhã.

Localização: Rodovia Geraldo Sartorio, km 70, São Paulo do Aracê.

Leia todos os posts de Pedra Azul aqui.

* Todas as despesas de hospedagem nas pousadas citadas neste post foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

_______________________________

Siga o “Rotas” no Twitter e Instagram

Curta o “Rotas” no Facebook

 

28
mar
2016

Pousada dos Pinhos: hotel-fazenda em Pedra Azul

Pousada dos Pinhos

Como todo destino de perfil rural, Pedra Azul também tem opções de hotel-fazenda. Eu diria, inclusive, que o turismo de Pedra Azul começou com a instalação desses hotéis ainda na década de 80. Como a estrutura turística do entorno ainda era precária, a proposta desses hotéis era “isolar” as famílias num espaço com clima de fazenda, desfrutando da comodidade de uma pensão completa e muita recreação para crianças. Você ia pra lá pra fugir da cidade e descansar, sem sair do hotel. Principalmente se você tivesse filhos. Além da área de lazer cheia de atrações infantis, na alta temporada e em feriados os hotéis ofereciam recreadores, que passavam o dia entretendo as crianças.

Eu, mesmo, quando ainda era criança e morava em Minas, já havia passado um feriado em família num dos mais antigos e famoso desses hotéis: a Pousada dos Pinhos. Lembro como se fosse hoje dos passeios a cavalo, das trilhas, das gincanas e das mil e uma brincadeiras que os recreadores faziam na piscina e fora dela pra gente passar o dia. E por causa dessas boas lembranças eu admito que a Pousada dos Pinhos (e todos os outros hotéis-fazenda da região) é um lugar super legal para crianças.

Pousada dos Pinhos

Mas, talvez, não seja um lugar tão legal assim para adultos, sem filhos. Eu explico.

Esse esquema de pensão completa e recreação fazia todo o sentido naquele contexto inicial de Pedra Azul, em que a estrutura turística ainda era precária. Você não tinha boas opções de lazer e nem muitos lugares para comer. Então, ficar “recluso” num hotel era, sem dúvida, uma boa pedida. Não por acaso, a região nessa época era praticamente desconhecida do brasileiro e frequentada em sua maioria pelos próprios capixabas. O “turista” padrão de Pedra Azul era um nativo: famílias capixabas que, aproveitando a curta distância, fugiam para as montanhas nos finais de semana e feriados a fim de curtir o friozinho e descansar, isoladas no hotel.

Pousada dos Pinhos

Mas você, que me acompanha aqui no Rotas, já sabe que, nos últimos anos, o turismo de Pedra Azul se consolidou e que o seu entorno já não é mais precário. Já há um sem-número de atrações para todo o tipo de público espalhadas pelas redondezas, principalmente no eixo que se conhece como Rota do Lagarto, que eu apelidei de rota romântica (você pode conhecer alguns deles clicando aqui). Daí que, para quem quer conhecer Pedra Azul e aproveitar ao máximo tudo o que a região tem de melhor, hospedar-se num hotel-fazenda que cobra caro por um regime de pensão completa não é mais – nem de longe – a melhor pedida. Hoje em dia, o melhor de Pedra Azul está fora do hotel, e não dentro dele.

E falo isso com a “autoridade” de quem voltou à Pousada dos Pinhos recentemente. Desta vez, na condição de pai com criança pequena. A gente se rendeu à opção logisticamente viável para um carnaval não-planejado, aproveitando a companhia de amigos. Mas, ao final do 5º dia de um pacote de 5 diárias, a impressão foi que, exceto pelo que toca às crianças, o hotel não vale quanto custa. Tanto que abrimos mão da última diária e voltamos pra casa antecipadamente.

No geral, a Pousada está até se esforçando para renovar a cara que tinha na década de 80. As alas de apartamentos mais antigas estão sendo repaginadas aos poucos e novos ambientes estão sendo criados.

Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

O nosso quarto, por exemplo, que ficava na Ala Principal, recebeu um primeiro banho de loja:

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Mas o banheiro continua bem antigão.

Há ainda outras alas de apartamentos e chalés maiores e mais adequados para casais sem filhos, que dispõem de banheira ou ofurô.

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Foto: Divulgação (http://www.pousadadospinhos.com.br/acomodacoes/)

Os ambientes da área social e a área de lazer externa ganharam um bom upgrade ao longo do tempo. Aliás, a área de lazer é o maior atrativo da pousada. Tem piscina coberta e aquecida (ótima para um banho noturno), piscina descoberta com toboágua, playground, uma ampla brinquedoteca para crianças de até 5 anos, salão de jogos, quadra de esportes, campo de futebol, lago para pesca e pedalinho, trilhas na mata, passeios a cavalo (pagos à parte) e mini-fazendinha.

Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

Além disso, há recreação na alta temporada e nos feriados (no carnaval teve baile, bloquinho, churrasco na piscina, bingo, entre outras coisas). Em outros períodos, vai depender da lotação da pousada.

Pousada dos Pinhos

Pousada dos Pinhos

A única coisa que não mudou nadica de nada e continua sendo feito exatamente como era na década de 80 é o sistema de pagamentos da pousada. Ao fazer o check-in, você recebe um cordão de bolinhas coloridas (cada cor vale um determinado preço) para consumir os itens que não estão incluídos no regime de pensão completa (bebidas em geral e picolés, sorvetes e snacks no bar da piscina). Na hora do check-out, você devolve as bolinhas remanescentes e o valor consumido entra na sua conta final.

A coisa é tão antiquada e tão pouco tecnológica que, às vezes, eu penso que ela é estrategicamente mantida para ganhar alguns reais dos hóspedes descuidados que, volta e meia, perdem bolinhas. Pode ser maldade da minha parte. Mas não vejo razão para não se evoluir nesse ponto. Cartões magnéticos foram inventados na década de 90 (e estou sendo bonzinho na data!) pra isso.

Mas o fator que mais desequilibra a relação custo X benefício da pousada é, sem dúvida alguma, a alimentação. Aqui, eu preciso refazer o desabafo que eu fiz no meu instagram: nunca paguei tão caro para comer tão mal! E nem tô falando da qualidade nutricional do que era oferecido (especialmente para as crianças), não. Tô falando do sabor das coisas mesmo.

Pousada dos Pinhos

Definitivamente, a comida da pousada não está à altura do preço que se paga.

Eu sei que, geralmente, não se pode criar muita expectativa em relação à comida de hotéis com regime de pensão completa. Mas eu juro que não criei. E mesmo assim, me decepcionei. Me decepcionei com o sabor e a variedade da comida e, principalmente, por saber que paguei bem mais caro do que pagaria se tivesse me hospedado em um pousada mais simples e comido nos melhores restaurantes de Pedra Azul, no almoço E no jantar.

Essa foi, aliás, a principal razão para anteciparmos nossa volta pra casa. A gente não aguentava mais a comida de lá.

Sem falar que, hoje em dia, com tamanha preocupação quanto à qualidade da alimentação infantil, é inconcebível que uma pousada kids friendly ofereça às crianças, carne processada de hamburguer, linguiça e nuggets como únicas opções de “carne”!!! Nem um filezinho de frango ou uma carne moída. O cardápio infantil foi esse em todas as noites que estivemos lá! #failtotal

Enfim, é por isso que eu disse lá em cima que a Pousada dos Pinhos não é um lugar tão legal assim para adultos, sem filhos. Para quem deseja conhecer verdadeiramente Pedra Azul e não pretende se limitar apenas ao lazer do hotel, não é preciso pagar tão caro para comer tão mal. O melhor mesmo é se hospedar nas dezenas de pousadinhas que estão surgindo a cada dia na região (um dia, eu pretendo fazer um post com indicação de pousadas em Pedra Azul  eu já fiz esse post: aqui) para explorar e aproveitar ao máximo o que Pedra Azul tem de melhor.

Pousada dos Pinhos

Veja bem. Não estou dizendo que um casal sem filhos não possa se hospedar na Pousada dos Pinhos. Até porque, como disse lá em cima, há alas de apartamentos e chalés especialmente voltados para esse tipo de público, inclusive com tarifas especiais para lua-de-mel. Eu só estou dizendo que, pelo preço que se paga, é possível encontrar maior qualidade e satisfação no serviço prestado a esse público em outros estabelecimentos, principalmente em relação à qualidade da comida.

Resumindo, a Pousada dos Pinhos:

É ideal: para quem tem filhos e quer aproveitar a comodidade da recreação infantil ou para quem, mesmo sem filhos, curte o regime de pensão completa, sem se importar com a qualidade da comida.

Não é ideal: para quem gosta de aproveitar ao máximo o que a região tem de melhor e faz questão de comer bem.

Além da Pousada dos Pinhos, os outros hotéis-fazenda de Pedra Azul e região são: Pousada Pedra Azul, Hotel Eco da Floresta, Hotel Fazenda Monte Verde, Aroso Paço Hotel e Hotel Fazenda China Park.

Informações úteis:

Pousada dos Pinhos

Endereço: BR 262 Km 90, Pedra Azul – Domingos Martins – ES

Telefone: (27) 3248-1115

Valor da diária: a partir de R$640,00 no apartamento mais simples, com pensão completa (café da manhã, almoço e lanche colonial, sem bebidas). Crianças até 5 anos não pagam.

* Todas as despesas de hospedagem na Pousada dos Pinhos foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

_______________________________

Siga o “Rotas” no Twitter e Instagram

Curta o “Rotas” no Facebook

2012. Todos os direitos reservados ao blog Rotas Capixabas. Qualquer reprodução indevida de conteúdo é expressamente proibida. digital