Revelo toda a minha sofisticação gastronômica quando eu falo que sou fã de um mexido. Não tinha como ser diferente. Eu fui criado comendo mexido. Minha infância em Minas Gerais tem sabor e cheiro de mexido. Culpa da minha mãe, a maior de todas as cozinheiras que eu conheço, exímia conhecedora da arte de fazer um bom mexido com a comida que sobrou do almoço.
Quem me conhece sabe que eu sou um entusiasta do Centro de Vitória. Para além de todas as suas atrações turísticas (que você pode conhecer aqui), acho o cenário de ruelas, portos e casarios históricos do Centro um lugar perfeito para a fixação de uma zona gastronômica, boêmia e cultural alternativa aos redutos tradicionais da noite capixaba. Numa aproximação mais óbvia, o Centro tem tudo para ser a nossa Lapa, o nosso Ver-o-Peso. Só falta um pouco mais de visão dos nossos empresários para consolidar essa vocação.
Mas eu confesso que nem sempre foi assim. Esse meu entusiasmo com o Centro nasceu aos poucos, à medida que eu me acostumei a ele. É que eu trabalho no Centro há pelo menos 5 anos. E no início eu sempre o vi sob a ótica enviesada de um trabalhador: o da sobrevivência/subsistência. Como gostar de um lugar onde a paisagem é fria, o trânsito é ruim, o transporte público é deficiente, os estacionamentos são caros e as opções gastronômicas são fracas?
Isso eu jamais vou me perdoar. Moro em Vitória há 14 anos e, há pelo menos 6, passo pela Av. Marechal Mascarenhas de Morais, em Bento Ferreira, quase todo santo dia. Mesmo assim, eu nunca tinha me dado conta de que ali, bem pertinho da avenida, com acesso à direita do Instituto Braille, se escondia um dos restaurantes mais tradicionais da ilha de Vitória: o Bar do Bigode.
Antes de mais nada, eu preciso te pedir um favor: em nenhuma hipótese, mas em nenhuma mesmo, cante ou simplesmente mencione a música que virá a sua cabeça quando eu falar o nome do restaurante que será objeto desse post, ok? Não que eu não goste da música. Absolutamente! Eu não só gosto dessa música como ela me remete a boas recordações da minha infância. Mas é que a Renata cantarolou tanto essa música a cada vez que eu ameaçava dizer o nome do restaurante que, hoje, eu preciso me controlar muito para não ficar com ela na cabeça o dia inteiro!!!
Fechado? Então vamos lá.
Se eu fosse um pouquinho menos modesto, eu diria que o Geraldo, dono de um famoso restaurante de frutos do mar em Manguinhos (o Enseada de Manguinhos), leu o “Rotas”. Pelo menos para mim, essa parece uma conclusão bem plausível porque, quatro meses depois de eu fazer algumas críticas à aparência do restaurante de um outro Geraldo – o Rodrigues, dono de um restaurante de cozinha capixaba em Jardim da Penha -, ele resolveu se fixar em Vitória com uma casa de aspecto bem mais agradável que a de seu concorrente, na Praia do Canto: o Enseada Geraldinho.
Não é muita coincidência?