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17
jan
2017

Pousada dos Cocais: uma autêntica pousada de praia pé na areia no Espírito Santo

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Nos primórdios desse blog, eu deixei registrado aqui por 2 vezes o meu manifesto contra a ocupação desordenada do litoral capixaba (leia aqui e aqui). Nesses posts, eu protestei – e ainda protesto – contra um certo modelo de desenvolvimento econômico que optou por favorecer a industrialização e urbanização da nossa faixa litorânea, sem se preocupar em reservar áreas de preservação ambiental. Como eu disse aqui, não há nenhum outro Estado da nossa federação que espalhe tantas indústrias em diferentes faixas de um litoral relativamente pequeno. E, infelizmente, os exemplos que eu citei em 2011 só aumentaram de lá pra cá. =(

Só para você ter uma dimensão desse problema, atualmente o Espírito Santo tem 16 unidades de conservação em âmbito estadual. Ao todo, elas protegem 0,8%, repito, 0,8% (!!!!!) do nosso território. E, dessas, apenas 7 estão no litoral: Parque Estadual de Itaúnas, APA de Conceição da Barra, APA de Praia Mole, Parque Estadual Paulo César Vinha, APA de Setiba, Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Concha D’Ostra e APA de Guanandy (fonte: IEMA).

Não é à toa, portanto, que o nosso litoral seja tão “urbano” e bem pouco “rústico”. Guardadas as devidas proporções e ressalvadas as honrosas exceções (alô, Itaúnas! alô, Regência!), o que se vê de norte a sul no litoral capixaba é a reprodução daquele modelo de ocupação urbana que prevaleceu em Guarapari: “cimentização” ampla e irrestrita da orla, com pouquíssima ou nenhuma preocupação com a preservação do meio-ambiente local. O resultado disso foi uma devastação implacável à beira-mar. Guarapari, por exemplo, dono do litoral mais bonito do Estado, conta apenas com 1, eu disse, 1 (!!!!) área de proteção ambiental municipal: o Morro da Pescaria, curiosamente, um lugar bastante improvável para a especulação imobiliária. Nem mesmo regiões mais afastadas da cidade, que já foram redutos de praias tranquilas e de vegetação abundante, como a Enseada Azul e as Três Praias, vem resistindo à ação predatória das construtoras (leia aqui e aqui).

Praia do Sauê

Praia do Sauê, em Aracruz

Esse perfil urbano do litoral capixaba traz um claro prejuízo à consolidação do turismo na região costeira do Estado. Eu me refiro aqui ao turismo de âmbito nacional, claro. Fica realmente difícil convencer um morador de uma grande cidade brasileira a passar férias numa “mini-grande-cidade-de-praia” do Espírito Santo se, aqui, ao invés de fugir dos transtornos urbanos do dia-a-dia, ele vai vivenciá-los em menor escala. Sabe aquela coisa de fugir para uma praia bucólica, selvagem e sossegada? Pois então. Isso é meio raro por aqui. Infelizmente.

(Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais eu vejo mais potencial turístico nas montanhas capixabas do que no nosso litoral. Não tem jeito. Pelo menos até agora, as nossas montanhas oferecem um atrativo turístico verdadeiramente genuíno para quem vem de fora: a beleza cênica da natureza ainda exuberante e a força do seu agroturismo)

Mas tem um outro efeito desse perfil urbano da costa capixaba que, para mim, que moro aqui no ES, é ainda mais nefasto: o padrão urbano da hotelaria de praia. Tão difícil quanto achar uma praia bucólica, selvagem e sossegada é achar uma pousada de praia que reproduza exatamente a sensação de estar em um lugar bucólico, selvagem e sossegado. Não é só o nosso litoral que é pouco rústico; a hotelaria de praia capixaba também é. Inexplicavelmente, não há nenhum esforço dos donos de hotéis e pousadas em compensar essa falta de rusticidade da paisagem local com a ambientação dos seus estabelecimentos. A regra, por aqui, é ser insosso, é ser esteticamente sem-graça. E no rastro dessa ótica bem pouco inteligente, a hotelaria de praia capixaba segue num ocaso sem fim. Procura aí no Google uma lista com as melhores pousadas de praia do Brasil pra você ver. Não há uma única, em qualquer site que seja, que esteja à beira-mar no Espírito Santo.

Mas o objetivo desse post, acredite, não foi fazer mais um manifesto sobre a ocupação desordenada do litoral capixaba. Na verdade, eu vim aqui apresentar pra vocês uma pousada de praia que – thanks, God! – sobrevive como uma doce antítese desse padrão que eu apresentei aí em cima. Uma pousada que, justamente por ser uma exceção nesse padrão geral da hotelaria de praia capixaba, se revelou pra mim como a maior surpresa do turismo de praia do Espírito Santo: a Pousada dos Cocais, em Aracruz.

Pousada dos Cocais

Se você não for do Espírito Santo, talvez nunca tenha ouvido falar em Aracruz. Mas é bom prestar mais atenção nela. Apesar de pouco conhecida, Aracruz abriga um dos mais belos e mais preservados conjuntos de praia do litoral capixaba. Há uma razão geopolítica para essa dose extra de preservação da vegetação litorânea. É que, desde meados do século XX, a sede do município foi transferida para o interior do território, afastando-se da costa. Além disso, a ação conjunta dos governos federal e municipal permitiu a criação, na cidade, de 5 áreas de preservação ambiental costeiras (quase o mesmo número de unidades de conservação litorâneas que o governo estadual mantém em todo o Espírito Santo): o Parque Natural Municipal David Victor Farina, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, a APA Costa das Algas, o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz e a Estação Biológica Marinha Augusto Ruschi. Isso faz toda a diferença na paisagem local. Entre um distrito e outro da cidade, há quase sempre espaços verdes bem preservados à beira-mar.

Fonte: Google Earth

Fonte: Google Earth

E é justamente num desses espaços verdesque se instalou a Pousada dos Cocais. Ali, num ponto quase desabitado da chamada Praia do Sauê, a Pousada dos Cocais proporciona ao seu hóspede uma experiência que, como eu disse, é rara no litoral capixaba: a de se hospedar numa pousada que reproduza a sensação de estar em uma praia bucólica, selvagem e sossegada. Fala que não é uma surpresa?

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Essa sensação de isolamento é facilitada pela ausência de vizinhos próximos da pousada. A frente do terreno começa nas imediações do córrego do Sauê e se estende por uma faixa de terra de 1.700 metros paralela à areia, fazendo com que esse pedaço da praia seja bem pouco frequentado por banhistas que não sejam hóspedes. Eu, por exemplo, me hospedei lá nesse último final de semana (janeiro de 2017) e não vi quase ninguém na praia. Nem parecia que era altíssima temporada do verão capixaba!

Pousada dos Cocais

Por outro lado, o cenário da praia do Sauê é lindo, com destaque para a vegetação de restinga abundante nesse trecho. Abundante também é a população de siris e tatuís que circulam pela praia no início da manhã e final da tarde. Eles, provavelmente, serão suas únicas companhias numa caminhada pela areia para assistir ao pôr-do-sol. E a visão que você vai ter é essa aí:

Praia do Sauê

Tudo bem que, com um cenário tão privilegiado ao redor, nem precisava de muito para a Pousada dos Cocais me conquistar. Mas ela ainda assim me conquistou, especialmente pelo esforço de se destacar do padrão normal da hotelaria de praia capixaba. Veja bem. Não é que ela seja perfeita ou seja uma pousada de praia dos sonhos. Não é. Mas, diante da mesmice que impera nas bandas de cá, eu não poderia deixar de louvar um pousada que, pelo menos, tenta remar contra a maré.

Pousada dos Cocais

A começar pela rusticidade das instalações. Dos materiais usados na construção dos espaços da pousada aos móveis usados na decoração, houve uma preocupação em se integrar à paisagem local.

Pousada dos Cocais

A decoração dos quartos é simples, mas ajustada à proposta de ser um refúgio num lugar de puro sossego. Nas varandas, você pode passar o dia todo deitado numa rede lendo um livro ao som do canto dos pássaros ou das ondas do mar.

Pousada dos Cocais

Interior da Suíte Especial

Se a coisa ficar monótona demais, não tem problema. Você pode aproveitar a piscina ou a praia que está a poucos passos da pousada.

Pousada dos Cocais

Aliás, esse é o maior trunfo da Pousada dos Cocais, na minha humilde opinião: ela é uma autêntica pousada de praia pé na areia. Uma pontezinha de madeira, construída sobre a restinga, é a única coisa que separa você do mar.

Pousada dos Cocais

Você pode acordar e caminhar na praia, tomar café e ir pra praia, almoçar e voltar pra praia, tirar uma soneca da tarde e, porque não?, dar mais um pulo na praia, jantar e ainda se dar ao luxo de ver o céu estrelado numa praia praticamente deserta. Como eu disse, essa é uma experiência rara no litoral capixaba.

Pousada dos Cocais

Tá certo que a experiência poderia ser ainda mais completa se a pousada disponibilizasse cadeiras e barracas de praia (um lounge, talvez?) aos hóspedes e se o restaurante – que abre para o almoço e jantar – também atendesse os hóspedes na areia. Essa, talvez, seja a minha maior crítica a ela. Pode até ser coisa de turista preguiçoso e mal-acostumado… mas, numa praia quase deserta, ter a comodidade de um serviço à beira-mar faria toda a diferença. #ficaadica

O restaurante da pousada

O restaurante da pousada

Eu namorava a Pousada dos Cocais há bastante tempo, desde que comecei pesquisar sobre o turismo de Aracruz para pautar aqui no Rotas. Mas foi só nesse último final de semana que nós nos programamos para ir com uma turma de amigos, aproveitando que, no momento, eles estão oferecendo 30% de desconto sobre a tarifa normal. R$329,00 era o preço da diária no quarto standard (com café da manhã). R$480,00, na suíte especial, com banheira de hidromassagem. Adivinha qual a Renata escolheu? =)

Pousada dos Cocais

O valor da diária não é nada barato, eu sei. Mas, comparativamente a outras pousadas de praia do estado, que não oferecem o mesmo nível de experiência da Cocais, o preço se revela justo. R$480,00 é, provavelmente, o valor mais em conta que você pagará no Espírito Santo por uma suíte com hidromassagem. E nem todas vão te entregar uma vista tão privilegiada assim:

Pousada dos Cocais

No final das contas, o investimento não foi em vão. Valeu pela experiência de uma hospedagem pé na areia no Espírito Santo. Que o exemplo da Pousada dos Cocais inspire novos estabelecimentos a mudar o padrão médio de hospedagem no litoral capixaba.

Informações úteis:

Pousada dos Cocais

Endereço: Rodovia ES-010, s/n, Praia do Sauê, Aracruz

Telefone: (27) 3250-1515 / 3250-1626

Site oficial: http://www.cocais.com.br/index2.php

* Todas as despesas de hospedagem na Pousada dos Cocais foram pagas do meu bolso, não sendo este um post patrocinado ou apoiado.

* Em parceria com o Booking.com, todas as reservas feitas através dos links citados neste post geram comissão para o blog, sem que você pague nada a mais por isso. É uma forma de ajudar a manter o blog sem qualquer custo para você!

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29
jul
2014

Onde se hospedar em Vitória? (Atualizado em 07/2014)

Decidir onde se hospedar é o primeiro dilema que o turista tem após definir o local da sua viagem. Vários fatores podem pesar na hora da escolha a depender do tipo de viagem a ser feita: localização do hotel, conforto dos quartos, serviços disponíveis, facilidade de acesso a meios de transporte, entre outros.

Mas uma coisa é certa.

Escolher bem a hospedagem é o pontapé inicial de uma viagem agradável e proveitosa porque, afinal de contas, é no quarto do hotel que o seu “cotidiano” turístico começa e termina.

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Para ajudar os turistas interessados em conhecer a capital do Espírito Santo, resolvi fazer um resumo do que Vitória tem para lhe oferecer em termos de hospedagem. Aqui, como em qualquer outra grande cidade, há várias opções de hotéis das grandes redes – como Accor, Bristol, Atlantica etc – que se apresentam como curingas, tanto pela localização, quanto pela previsibilidade do padrão de conforto. Mas existem também hotéis “locais” que podem te surpreender pelo luxo ou pelo valor da tarifa. Por isso é bom pensar bem antes de decidir.

Nesse post, vou fazer um breve resumo das melhores opções de hotéis que nós temos em cada região da cidade, destacando as vantagens e desvantagens do local.

(Se estiver vindo a lazer para Vitória, não deixe de ler o nosso post com sugestão de passeios para 3 dias na capital)

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11
ago
2011

Vale do Capão: hippie, pero no mucho!

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, os nossos blogueiros fazem relatos de suas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Você, que tem acompanhado o meu relato da viagem à Chapada Diamantina, já deve estar careca de saber que a Chapada é um lugar de superlativos. Ali você encontra cenários que, de tão fascinantes, te convidam a um exercício de autoconhecimento e reflexão. Mas se há um lugar que faça desse “exercício de autoconhecimento e reflexão” um verdadeiro modo de vida e um mote de campanha, esse lugar é o Vale do Capão.

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18
jul
2011

A Estalagem (e o café da manhã!!!) do Alcino

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, os nossos blogueiros fazem relatos de suas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

Desde que nós decidimos a viagem para a Chapada Diamantina, uma coisa eu já tinha certa em minha cabeça: nossa hospedagem em Lençóis seria na Estalagem do Alcino. Tudo por causa do café da manhã! Eu tive ótimas referências e li maravilhas sobre o café da manhã que o Alcino serve em sua pousada no Viaje na Viagem (leia aqui) e não poderia perder a oportunidade de também experimentar aquelas delícias.

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15
jul
2011

Por dentro dos poços Encantado e Azul

Esse post pertence à série “Outras Rotas” do “Rotas”. Nela, os nossos blogueiros fazem relatos de suas viagens fora do Espírito Santo. Se quiser conhecer mais sobre esses relatos, basta clicar na aba “Outras Rotas” ali no topo do site para ter acesso a todos os posts separados por destino.

No planejamento da nossa viagem, eu deixei a visita dos poços encantado e azul para o dia em que deixaríamos Mucugê em direção a Lençóis. Como o acesso aos poços se faz pela mesma estrada que liga as duas cidades, é possível fazer o encaixe para evitar idas e vindas pelo mesmo lugar.

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